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sábado, 22 de agosto de 2026

Ainda não vale tudo no mundo do futebol

Foi no dia 19 de julho que terminou o Campeonato do Mundo de Futebol, que a Espanha venceu depois de ter batido a Argentina na final disputada no MetLife Stadium em East Rutherford, New Jersey, na presença do rei de Espanha, dos presidentes os Estados Unidos e do México e do primeiro-ministro de Canadá.
Depois de um percurso em que cada uma das equipas finalistas efectuou 7 jogos, ambas estavam pressionadas pela rivalidade, pelo “nacionalismo” dos seus adeptos e pela ambição de vencer: a Argentina ambicionava pela renovação do título que conquistara em 2022 e a Espanha aspirava recuperar o título que já ganhara em 2010.
O jogo da final foi equilibrado, mas tenso e duro, tendo ficado empatado, pelo que as equipas tiveram que ir a um prolongamento no qual o espanhol Ferran Torres, que é jogador do Paris Saint-Germain, meteu um golo que deu a vitória à equipa da Espanha. Os argentinos, que não são um modelo de desportivismo desportivo, possivelmente acreditavam nalgum “milagre de Messi”, semelhante ao “milagre de Maradona” de 1986, quando marcou um golo com a mão à Inglaterra que foi validado e a que ele se referiu mais tarde como tendo sido marcado pela “mão de Deus”.
Como isso não aconteceu, alguns jogadores argentinos não gostaram de ver a euforia espanhola, não suportaram a dor e perderam a cabeça, mostrando não saber perder e agrediram alguns jogadores espanhóis, como a televisão mostrou em directo.
Passou um mês e, na sua edição de hoje, o diário espanhol Marca destaca o “duro castigo por não saber perder” aplicado pelo Comité Disciplinar da FIFA, que disse de sua justiça e puniu o jogador Paredes com 10 jogos de suspensão e o jogador Molina com 7 jogos de suspensão, tendo ambos sido alvo de uma multa de 77 mil euros. Além disso, a selecção argentina também foi punida por ter apoiado manifestações de caráter não desportivo em relação às ilhas Malvinas.
Foi um duro e desprestigiante castigo para a Argentina e aqui está, no meio de tantas dissonâncias futebolísticas que diariamente acontecem, a prova de que no futebol ainda não vale tudo…

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Infantino, Trump e o futebol como negócio


O Mundial de 2026 já terminou há quase duas semanas com a vitória da selecção da Espanha, mas o balanço do evento começa agora a ser feito, mostrando números inéditos de público nos estádios e de audiências televisivas. Estima-se que nos estádios estiveram 6,81 milhões de espectadores, o que representa uma média de 65.490 espectadores por cada um dos 104 jogos disputados e uma taxa de ocupação dos estádios de 99,7%, apesar dos preços exorbitantes ou mesmo escandalosos dos bilhetes. Estima-se, também, que cerca de 5,2 mil milhões de pessoas – quase dois terços da população mundial – assistiu pelo menos uma vez às transmissões televisivas.
A FIFA previa uma “equação económica” simples para o Mundial: do lado das receitas esperavam-se mais de 7 mil milhões de euros (um crescimento de 56% em relação ao Mundial de 2022), incluindo 3,5 mil milhões de euros de direitos televisivos, enquanto do lado das despesas estavam orçamentados 3,2 mil milhões de euros, nelas se incluindo os prémios às seleções, aos clubes que cederam os jogadores e aos próprios jogadores, mas também as ofertas a Donald Trump e aos seus familiares e amigos. A ser assim, a FIFA terá tido um lucro da ordem dos 3 a 4 mil milhões de euros!
Gianni Infantino, o presidente da FIFA, e Donald Trump, o dono da Trump Tower e presidente do Estados Unidos, devem ter ficado deslumbrados com estes números e “embrulharam-se” em favores e elogios. Infantino atribuiu a Trump o primeiro Prémio da Paz da FIFA e Trump quer ver Infantino como secretário-geral das Nações Unidas, isto é, favor com favor se paga. Agora Infantino quer vender 20% dos direitos comerciais do Mundial, com Trump e a sua família a quererem comprar, embora Trump queira muito mais desta “galinha dos ovos de ouro” que é o futebol.
O jornal L’Équipe pergunta onde é que eles vão parar, nesta corrida que já foi chamada o “negócio do século da FIFA” e que, uma vez mais, vem mostrar o que o futebol é um negócio onde domina a grande corrupção. 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Mundial de futebol… e que viva a Espanha!

A Espanha venceu a Argentina na final do Mundial ontem disputada em East Rutherford, New Jersey e hoje toda a imprensa espanhola, mas também alguma imprensa internacional, destacam essa notícia acompanhada pela fotografia dos campeões. 
O diário monarquista madrileno La Razón, publicou como manchete a frase “Espanã, el mejor equipo del mundo” e parece ter sido o único jornal que escolheu uma fotografia para ilustrar a edição em que os novos campeões do mundo estão com os reis de Espanha e se vê a alegria com que Filipe VI segura a Taça do Mundo.
Provavelmente, a Espanha é a melhor equipa do mundo e os seus jogadores correram sempre mais do que os seus adversários. Ultrapassaram Cabo Verde (0-0), Arábia Saudita (4-0), Uruguai (1-0), Áustria (3-0), Portugal (1-0), Bélgica (2-1) e França (2-0). Sofreram apenas um golo e chegaram à final para defrontar Lionel Messi e os seus companheiros argentinos que, embora talentosos e fazendo uso de habilidades diversas, foram vulgarizados pela ambição espanhola.
Parabéns à Espanha que festejou euforicamente esta vitória, mas parece que Portugal também se associou a essa grande festa.
A equipa portuguesa perdeu uma boa oportunidade para brilhar neste Mundial apesar do apoio presencial que teve do primeiro-ministro, mas esse é um tema para ser tratado pelos especialistas. O que não pode passar em claro é o feito caboverdiano por ter sido o único adversário que não foi vencido pelos espanhóis. Agora que venha o descanso. 
Foi futebol a mais, foi um exagero de notícias e um insuportável corrupio de comentadores nas nossas televisões. Safa!, como se diria em Boliqueime!
… e que viva a Espanha!

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Argentinos voltam a exigir as Malvinas

O Mundial que está a decorrer nos Estados Unidos não é apenas uma competição futebolística e um gigantesco negócio de transmissões televisivas e de publicidade, pois também é uma plataforma em que se exibem muitos políticos, maiores e menores, e em que, contrariamente ao que está regulamentado, se aproveita a exposição mediática para fazer propaganda política.
Assim aconteceu mais uma vez, quando alguns futebolistas argentinos aproveitaram a maré e trataram de exibir uma faixa em que se reclamava “las Malvinas son argentinas”, ressuscitando uma polémica em torno da posse daquelas ilhas que estão sob soberania britânica e se situam a 8.000 milhas do Reino Unido e a 300 milhas da costa continental da Argentina, O governo britânico reagiu e um seu porta-voz anunciou que “o Mundial pode não ser nosso, mas as ilhas Malvinas certamente são”, acrescentando que a autodeterminação das ilhas cabe aos seus habitantes e que a responsabilidade britânica para com eles não vacilará.
O jornal britânico The Independent destaca na sua edição de hoje esta ocorrência e recorda que em 2014 a FIFA multou a Federação Argentina de Futebol em 20.000 libras por idêntica ocorrência.
Recorda-se que em 1982 o governo militar argentino decidiu invadir e ocupar as Malvinas, a que os ingleses chamam Falklands. O governo britânico então dirigido por Margaret Thatcher reagiu e avançou para a recuperação daquelas longínquas ilhas do Atlântico Sul, de que resultou uma guerra que durou 74 dias e que terminou com a rendição dos argentinos e a vitória britânica, depois de terem morrido 649 militares argentinos e 255 militares britânicos.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Espanha e Argentina na final do Mundial

A seleção argentina de futebol venceu ontem a Inglaterra e está na final do Mundial, que vai disputar no próximo domingo com a seleção da Espanha. No seu percurso defrontou e venceu a Argélia (3-0), a Áustria (2-0), a Jordânia (3-1), Cabo Verde (3-2), Egito (3-2), Suíça (3-1) e Inglaterra (2-1), isto é, foram sete jogos e sete vitórias, sob a orientação de Lionel Messi, a estrela que já meteu 8 golos e que, embora isso custe aos fãs de Cristiano Ronaldo, talvez possa ser classificado como o melhor futebolista de todos os tempos.
Houve muito talento dos argentinos, mas também houve grande determinação, muita intensidade competitiva e muita sorte, pois a vitória sorriu-lhes nos últimos minutos em alguns jogos decisivos. A imprensa argentina festejou a vitória sobre a Inglaterra, por vezes com algum exagerado nacionalismo e publicou a fotografia de Messi aos ombros do seu colega Enzo Fernández, o que levou a euforia aos argentinos que agora “exigem” que a sua equipa vença o Mundial pela quarta vez.
O jornal La Capital, que é o “decano de la prensa argentina” e que se publica na cidade de Rosário, a capital da província de Santa Fé e onde em 1987 nasceu Lionel Messi, também dedicou toda a sua primeira página à “histórica remontada frente a Inglaterra”.
No próximo sábado vão defrontar-se as seleções da França e da Inglaterra para discutir o 3º lugar do Mundial e, no domingo, entrarão em campo as poderosas seleções da Espanha e da Argentina à procura do título de campeão mundial.
Ao vermos estas quatro equipas, ainda nos interrogamos sobre se teria sido possível à seleção portuguesa ter ido mais longe, mas os jogadores portugueses correram pouco e perderam com os espanhóis, que correram muito. Talvez por isso estejam na final...

terça-feira, 7 de julho de 2026

O Mundial acabou para os portugueses

Acabou – foi a palavra escolhida para título da sua edição de hoje pelo jornal Record. 
Portugal perdeu com a Espanha, com um golo sofrido já depois dos 90 minutos de jogo e não chegou aos quartos de final do Mundial. Ficou triste e desolado o país futebolístico, mas também o país anestesiado pela televisão e pelos comentadores, que nos venderam a ideia que seríamos campeões mundiais. Portugal e a Espanha eram duas equipas muito iguais e tudo podia acontecer. Saímos derrotados pela mesma porta por onde saíram o Brasil e os Estados Unidos, por onde já tinham saído a Alemanha, a Suécia, os Países Baixos e o Uruguai e por onde nem sequer tinham passado a Itália, a Dinamarca, a Hungria, a Grécia e a Polónia. 
Estivemos nos 16 melhores do mundo, mas não entramos na galeria dos 8 melhores. Que bom seria se também estivéssemos nos 16 melhores em prosperidade económica, em qualidade de vida e em confiança nas instituições. Foi pena e até houve portugueses que choraram, mas por isso não veio mal ao mundo, nem ao país. Os jogadores lutaram com brio e com dignidade e não há que lhes atribuir culpas, nem tão pouco ao selecionador, nem sequer ao Cristiano e, muito menos, ao guarda redes Diogo Costa. É futebol, uns ganham, outros perdem. Simplesmente, o Mundial acabou para os portugueses
Lamentavelmente, as televisões passaram horas a fio a falar daquele jogo, entrevistando meio mundo, querendo saber quem iria marcar os golos, confundindo o dever de informar e o nosso direito a ser informados. Foi um sufoco que também acabou.
Com 41 anos de idade, Cristiano Ronaldo tornou-se o único futebolista a marcar golos em seis Mundiais e, com as suas qualidades e os seus defeitos, tornou-se um símbolo do futebol português e até da própria portugalidade, como tantas vezes vimos nas reportagens televisivas. Chorou e a fotografia do seu desalento encheu a primeira página de muitos jornais mundiais. Aqui lhe deixo o meu aplauso.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Ronaldo: nome e marca de um superstar

Os portugueses passaram a última noite em frente dos televisores, em casa, nos cafés ou nas praças públicas, para ver o encontro entre as equipas de Portugal e da Croácia dos 16 avos de final do Campeonato Mundial de Futebol da FIFA que se disputou em Toronto, uma cidade canadiana onde vivem milhares de portugueses.
Era um jogo de mata-mata, uma expressão popularizada em Portugal pelo antigo selecionador nacional Luiz Felipe Scolari, que significa que o vencedor passa à fase seguinte, mas que o derrotado sai da competição, ou seja, é o “tudo ou nada” para cada uma das equipas. A equipa portuguesa esteve bem e foi mais feliz que a equipa adversária. Dominou mas sofreu um golo, reagiu e empatou através de uma grande penalidade que Cristiano Ronaldo converteu. Já no período de descontos, aos 94 minutos de jogo, surgiu o segundo golo da equipa portuguesa que foi marcado por Gonçalo Ramos que, finalmente, teve a oportunidade de jogar, pois o selecionador Martinez insiste em utilizar Ronaldo para além dos seus limites naturais. Embora Ronaldo e Ramos sejam “oficiais do nesmo ofício”, um com 41 anos e outro com 25 anos de idade, este jogo parece ter mostrado que, no plano futebolístico, têm rendimentos diferentes…
Provavelmente, a grande figura do jogo foi Diogo Costa, o guarda-redes que “se fartou de defender”, mas a imprensa canadiana, mexicana e de vários outros países sul-americanos destacaram Ronaldo como “a figura do jogo”, o que mostra que Ronaldo, embora seja um futebolista em fim de carreira, é uma marca valiosa e que é a mais conhecida marca portuguesa nesta aldeia global em que habitamos.
O jornal Toronto Sun de formato tablóide e de grande circulação, publicou com destaque de primeira página a fotografia de CR7 e escreveu que ele “ajudou a destruir as esperanças da Croácia”. É verdade, mas outros terão ajudado mais…

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A longevidade futebolística de CR7

Depois de uma exibição descolorida, desinspirada e medíocre contra a República Democrática do Congo e de fortes críticas internas que lhe foram dirigidas, a seleção nacional de futebol defrontou a equipa do Uzbequistão e ganhou por 5-0, com uma exibição e golos que entusiasmaram os portugueses.
Foi um caso em que, com toda a propriedade, os jogadores passaram de bestas a bestiais. Marcar cincos golos num jogo do Mundial é uma coisa rara, mas aconteceu com naturalidade, o que veio animar aqueles que acham que a equipa portuguesa pode ganhar a competição. “A idade não perdoa” mas, ao contrário do que tem acontecido nos últimos tempos, os 41 anos de idade de Cristiano Ronaldo estiveram ativos, ele jogou com a equipa e marcou dois golos. Em 2006 tinha marcado um golo ao Irão, em 2010 à Coreia do Norte, em 2014 ao Gana, em 2018 à Espanha (três golos) e a Marrocos e, em 2022, marcou ao Gana. Com os dois golos agora marcados ao Uzbequistão somou dez golos e ultrapassou Eusébio como o melhor marcador português em Mundiais, tornando-se o primeiro futebolista a marcar golos em seis campeonatos do mundo. A imprensa internacional destacou este feito histórico e alguns jornais desportivos internacionais escolheram a sua fotografia para ilustrar as suas primeiras páginas, como aconteceu com o diário mexicano esto, impressionados com a longevidade de CR7 e com o desempenho do jogador de campo mais velho deste Mundial.
Apesar desta unanimidade em torno do singular historial futebolístico de Cristiano Ronaldo, que faz dele o mais famoso português de todos os tempos, é necessário respeitar a sua idade e fazer a sua gestão desportiva de forma equilibrada, para evitar danos emocionais irreparáveis ao próprio e aos seus admiradores.
Entretanto, o Mundial vai continuar…

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Il re é sempre Lionel Andrés Messi

Os jornais argentinos e espanhóis, mas também de alguns outros países, destacaram o talento e a eficácia futebolística de Lionel Andrés Messi, que com 38 anos de idade, meteu os três golos com que a Argentina bateu a Argélia no seu primeiro jogo para o Mundial, disputado ontem em Kansas City. O famoso diário italiano La Gazzetta dello Sport, que se publica em Milão desde 1896 e é o mais antigo jornal desportivo da Europa, dedica-lhe a sua edição de hoje com a manchete “il re é sempre Leo”, isto é, o rei é sempre Leo.
Esta afirmação é demolidora para Cristiano Ronaldo que, no mesmo dia, teve uma exibição decepcionante contra a República Democrática do Congo em Houston e que, segundo o mesmo jornal, “tropeça em campo, não causa impacto, decepciona, nunca marca golo”.
Ao longo dos anos, Ronaldo e Messi sempre se encararam de frente, conquistando Bolas de Ouro e Ligas dos Campeões, “mas agora parecem mais distantes do que nunca, porque no mesmo dia um marca três golos e o outro decepciona”. O jornal escreve que, enquanto em Portugal “não perdoam” a Cristiano Ronaldo, na Argentina deliram com Messi que “se candidatasse amanhã à presidência da Argentina, teria 80% dos votos”.
Cristiano Ronaldo é o português mais famoso de toda a nossa história de nove séculos e merece a nossa admiração e o nosso respeito, pelo que é tão doloroso ler este tipo de comentários, como assistir a um jogo como aquele que a equipa nacional ontem disputou, sem alegria, sem ambição e sem vontade de vencer, o que deixou os portugueses em estado de choque, porque os mass media e os comentadores do regime os convenceram que iriam ser campeões do mundo.   Agora, como dizem os futebolistas quando perdem, “é preciso levantar a cabeça”

terça-feira, 16 de junho de 2026

Vozinha e a boa surpresa de Cabo Verde

As equipas nacionais de Cabo Verde e da Espanha empataram ontem sem golos, no jogo que disputaram em Atlanta para o Grupo I do Mundial e o resultado constituiu o primeiro grande choque deste Mundial e fez de Cabo Verde “o lugar mais feliz do mundo neste momento”.
A Espanha é a actual campeã da Europa, é a equipa número 2 do ranking da FIFA e é a grande favorita para vencer o Mundial, enquanto Cabo Verde é estreante e ocupa apenas a posição 67 daquele ranking. Por isso, o jogo Espanha-Cabo Verde era apenas mais um jogo do Mundial de futebol e um duelo previsivelmente bastante desequilibrado e com um vencedor quase inevitável, mas não foi isso que aconteceu. A imprensa internacional elogiou a estreia histórica dos “tubarões azuis”, onde se destacam vários futebolistas que jogam em Portugal, sobretudo o guarda-redes Vozinha, que foi eleito o MVP (Most Valuable Player) do primeiro jogo de Cabo Verde numa fase final de um Mundial. Trata-se de um jogador do Desportivo de Chaves, que nasceu no Mindelo e tem 40 anos de idade, cujo nome completo é Josimar José Évora Dias. 
Na sua edição de hoje o jornal português Record fez manchete com o seu nome, escrevendo “Vozinha cala Espanha”. Porém, a exibição do guarda-redes caboverdiano foi muito elogiada em muitos jornais estrangeiros, nomeadamente n'O Globo (“Vozinha cala a favorita”), no Estado de S. Paulo (“Vozinha cala a Espanha”) e até no The Washington Post (“A hero for Cape Verde”), no The New York Times (“Vozinha, the 40-year-old Cape Verde hero”) e no The Wall Street Journal (“The 40-year-old goalkeeper who just shut out the World Cup favorites”).
A imprensa espanhola classificou o resultado do jogo com Cabo Verde como “petardazo”, “chasco”, “deprimente empate” ou “desilusionante debut”, enquanto o diário desportivo AS escreveu: “El muro caboverdiano y el cuarentón Vozinha provocan la primera gran sorpresa del Mundial”.
Grande Vozinha!

sábado, 13 de junho de 2026

Começou o Mundial e são 38 dias de festa

A 23ª edição do Campeonato Mundial de Futebol da Federação Internacional de Futebol (FIFA) começou no dia 11 de junho na Cidade do México e vai decorrer até ao dia 19 de julho. Pela primeira vez a competição será disputada em três países e terá a presença de 48 equipas nacionais, divididas por 12 grupos de quatro equipas. Serão disputados 104 jogos em 16 cidades-sede: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey (México), Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova Iorque/Nova Jersey, Filadélfia, Baía de São Francisco e Seattle (Estados Unidos) e Toronto e Vancouver (Canadá).
O mundo acompanha este Mundial com grande curiosidade e muito entusiasmo, com as guerras e as políticas a passar para segundo plano, mas o mundo dos negócios está atento e tem as suas garras afiadas, sobretudo no maior dos países anfitriões onde tudo tem que gerar rendimento e onde o Donald Trump vai aproveitar para se promover interna e internacionalmente e, certamente, para juntar mais alguns milhões à sua conta pessoal.
A seleção portuguesa está presente e os entendidos dizem que é uma das favoritas à vitória. Não sei se assim é mas, tal como a generalidade dos portugueses, vou acompanhar o Mundial com entusiasmo e vou desejar que tudo corra bem e que marquem mais golos do que os que tiverem que sofrer. Os nossos compatriotas vibram com a “equipa das quinas” e com as prestações artísticas dos seus ídolos. Se a “equipa de todos nós” tiver bons resultados, desperta uma onda de alegria e felicidade nos portugueses e anestesia-os das dores que sofrem diariamente com os baixos salários, o custo de vida, o aumento dos combustíveis, as esperas no SNS, a ausência de oiliciamento na via pública, a sujidade urbana e a mediocridade e impreparação de muitos políticos.
A imprensa mundial tem dedicado edições especiais a este fenómeno desportivo, mediático e comercial, assim acontecendo com o jornal italiano Corriere dello Sport que, não podendo falar da “escandalosa” ausência da Itália, evoca a rivalidade entre os “históricos” ícones Ronaldo e Messi, que vão ter “the last dance”, apontando como favoritos à vitória a França, a Argentina e a Espanha.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O actor Trump vai explorar o futebol

A dois dias da abertura oficial da fase final do Mundial de Futebol aumentam as notícias sobre aquele que, à escala global, é considerado “o maior acontecimento do ano”, em que se esperam milhões de espectadores nos estádios, em frente das televisões, ou a manipular os seus personal computers e smartphones.
A revista alemã Der Spiegel também tratou o tema, embora se tivesse concentrado no “actor Trump que explora o futebol” e tivesse escolhido como título de primeira página “o desmancha prazeres” e, em subtítulo, a frase “como Donald Trump está a abusar do Mundial”.
A ilustração que a revista escolheu é significativa. O troféu do Campeonato do Mundo da FIFA que foi criado em 1974 pela empresa italiana Stabilimento Artistico Bertoni e que é feito de ouro de dezoito quilates, mostra duas figuras humanas segurando o globo terrestre, mas os ilustradores da revista “substituíram” o globo terrestre pela cabeça de Donald Trump, numa alusão ao seu envolvimento nos interesses que o Mundial anima. Segundo é salientado pela imprensa “o Mundial está a tornar-se numa ‘mina de ouro’ para o governo de Trump” e “o gigantismo de Trump e a ganância de [Gianni] Infantino estão a transformar o Mundial numa máquina de fazer dinheiro para a FIFA e para os americanos”.
É sabido que Donald Trump não suporta quando alguém lhe rouba o protagonismo e, ainda segundo a imprensa, “há propaganda presidencial por toda a parte”, temendo-se que Trump procure “numa dimensão grotesca e perigosa”, estar em cena no maior palco do mundo deste verão. Como diz o Der Spiegel, será o desmancha prazeres deste Mundial, pois vai querer ser o protagonista e vai querer ofuscar o brilho dos jogadores.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Cristiano Ronaldo, the pride of Portugal

A poucos dias do início do Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA, ou simplesmente Mundial, quando se publicam por todo o mundo edições especiais e “Guias do Mundial” com informações sobre jogadores, equipas, jogos e estádios, foi com surpresa que assistimos ao aparecimento de uma edição da revista americana Newsweek com 100 páginas e dezenas de fotografias, totalmente dedicada ao futebolista Cristiano Ronaldo.
O Mundial é um importante evento mediático, provavelmente mais comercial do que desportivo, sendo uma incomparável plataforma para a promoção de países, de marcas, de produtos, de ideias e até de personalidades. Neste aspecto, o presidente dos Estados Unidos não vai perder a oportunidade para se promover e está preparado para ser “o rei da festa” mas, com surpresa, também vemos que o nosso mais famoso futebolista, que de facto é “the pride of Portugal”, parece querer disputar-lhe o protagonismo e a popularidade com esta inesperada edição de promoção. Será mais ou menos justa, mas é desproporcionada.
O nosso maior poeta, que foi Luís de Camões, escreveu que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e que “todo o mundo é composto de mudança”. De facto assim é e a comunicação social é um bom exemplo desse tempo de mudança, especialmente os jornais e as televisões, que cada vez mais são suportes para tudo e, por vezes, até para algumas notícias. E não são apenas os chamados pasquins que alinham nessa moda, pois até os títulos de referência como é o Newsweek, parecem alinhar nos novos tempos. Como dizia Emídio Rangel, as televisões tanto vendem sabonetes como Presidentes da República. É preciso é que alguém pague…
Independentemente deste episódio mediático, espera-se que no Mundial a equipa portuguesa e o seu capitão Cristiano Ronaldo tenham boas prestações e entusiasmem os portugueses, que bem precisam de algumas alegrias.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A festa dos apurados para a World Cup

Muito se enganam os que pensam que o fenómeno futebolístico, enquanto espectáculo, manifestação de arte e negócio de muitos milhões de cores diversas, tem uma geografia restrita aos países da Europa Ocidental e da America do Sul, mas o entusiasmo pelo jogo da bola já é um acontecimento universal e não tem fronteiras. Agora que se estão a definir as 48 selecções nacionais que, no próximo Verão, irão disputar nos três países da América do Norte o 2026 FIFA World Cup, é bem curioso observar como alguma imprensa festeja o apuramento da equipa dos seus países.
Ontem, em Viena, com a arbitragem do referee português João Pinheiro, as selecções da Áustria e da Bósnia Herzegovina lutaram por uma vitória que levaria uma delas à América do Norte. Nesse grupo de apuramento, que também incluia as selecções da Roménia, Chipre e San Marino, aquele jogo da fase europeia das eliminatórias para o campeonato – um só jogo – tudo iria decidir. O jogo foi muito disputado e parece que o árbitro esteve à altura das circunstâncias. O resultado foi um empate por 1-1, que deu o apuramento à Áustria.
Na sua edição de hoje, o jornal generalista Österreich, que é um diário tablóide que se publica em Viena, destaca o entusiasmo austríaco pelo apuramento da sua selecção com uma fotografia que “vale mais que mil palavras”. De facto, não é costume em lado nenhum que um jornal enfatize desta forma este tipo de notícia.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Portugal no 2026 FIFA World Cup

Hoje não se fala de outra coisa em Portugal, porque a seleção nacional de futebol ganhou à seleção da Arménia num jogo emocionante disputado na cidade do Porto. Tudo correu bem e os portugueses lembram-se dos golos de João Neves, de Bruno Fernandes e de outros jogadores, esquecendo a Ucrânia e Gaza, as eleições presidenciais e o mau tempo provocado pela depressão Cláudia.
A vitória por 9-1 garantiu a presença num Campeonato do Mundo de Futebol pela 9ª vez. Foram nove golos como salienta a manchete da edição de hoje do jornal A Bola e foi também a 9ª vez que a selecção portuguesa foi apurada para um Mundial de futebol.
Assim, a 23ª edição do 2026 FIFA World Cup que se realizará em 16 cidades dos Estados Unidos, México e Canadá, vai incluir Portugal entre as 48 equipas participantes, incluindo 16 seleções são europeias, das quais já estão apuradas a França, Portugal, Noruega, Inglaterra e Croácia.
A competição vai decorrer a partir de 11 de junho até 19 de julho de 2026 e vai entusiasmar meio mundo, nomeadamente em Portugal. Ainda bem que assim é, porque se a participação portuguesa tiver a qualidade que se espera, ganha a auto-estima lusitana, ganha a economia portuguesa e ganha o prestígio internacional de Portugal.
Portanto, é preciso que se conserve o entusiasmo proporcionado por esta vitória sobre a Arménia, mas também é necessário que não haja euforias desproporcionadas, como são as declarações de algumas personalidades que até já pensam numa vitória portuguesa no 2026 FIFA World Cup.