O jornal catalão El
Punt Avui, que se publica em Barcelona, anunciou na sua edição de hoje
que “o referendo sobrevoa o Quebec”, porque o Parti Québécois dirigido por Paul
St. Pierre Plamondon lidera as sondagens para as eleições provinciais de 5 de
outubro e, caso triunfe, já confirmou que o seu partido fará um referendo sobre
a independência.
A província do Quebec
é uma grande província do Canadá, com mais de oito milhões de habitantes que na
sua maioria falam francês e tem uma área territorial que é cerca de 15 vezes
maior do que Portugal. É a segunda província mais populosa do país, onde se
localizam as cidades de Montreal e Quebec, onde se destaca a herança colonial
francesa e onde está viva a ideia separatista. Daí que no seu historial já conte
com dois referendos sobre a independência, em que os separatistas foram
derrotados: o primeiro realizou-se em 1980 e foi rejeitado por 59,56% dos
eleitores, enquanto o segundo se realizou em 1995 e a rejeição da independência
foi apenas de 50,58% dos eleitores.
Entretanto, a lei
foi ligeiramente alterada e a iniciativa de realizar um referendo parte do
Governo e da Assembleia Nacional do Quebec, mas os resultados carecem da
validação do parlamento federal. Porém, de acordo com a lei, o Quebec não pode declarar a independência de forma unilateral e,
mesmo que haja uma maioria clara numa pergunta clara, o governo federal é
constitucionalmente obrigado a negociar os termos da secessão com a província.
O
jornal catalão que referiu que “o referendo sobrevoa o Quebec”,
esqueceu-se de dizer que, há cerca de um mês, Paul St. Pierre Plamondon
anunciou que não realizará um referendo sobre a independência do Quebec
enquanto Donald Trump permanecer presidente dos Estados Unidos, adiando
qualquer votação para depois de 20 de janeiro de 2029 porque, como disse, “a
imprevisibilidade do governo americano prejudicaria a qualidade do debate sobre
o futuro do Quebec como nação”.
Os canadianos
podem adiar a preocupação por essa disputa política.
