domingo, 13 de setembro de 2026

A escola, os alunos e os novos tempos

Foram divulgados os resultados do PISA 2025 e uma onda de preocupações alastrou pelos países da OCDE, sobretudo na Alemanha, França, Espanha e até Portugal, que registaram os seus piores resultados de sempre em Leitura, Matemática e Ciências, atingindo mínimos históricos desde que o programa foi criado no ano de 2000.
O jornal luxemburguês Le Quotidien reflectiu essa preocupação ao trazer o tema para a sua primeira página e ao escrever que “o nível dos alunos [está] em queda livre”.
O PISA (Programme for International Student Assessment) é um programa internacional de avaliação de alunos que funciona como uma rede mundial de desempenho escolar coordenada pela OCDE, com vista a melhorar as políticas e os resultados no sector da educação. A avaliação é realizada de três em três anos pelos países membros da OCDE e por alguns outros países não membros, com base numa amostra de alunos de 15 anos de idade das diversas redes de ensino, etnias, género e níveis socioeconómicos.
O relatório publicado na corrente semana - que não lemos - é preocupante, segundo revelou a imprensa, que informa que “as competências em Matemática e Leitura dos alunos têm vindo a diminuir em todo o mundo, sobretudo devido à digitalização e à diminuição da leitura por lazer, o que causou consternação e promessas de ação em toda a Europa”. 
Actualmente há uma enorme heterogeneidade cultural dos alunos, os efeitos da evolução tecnológica no processo educativo são intensos e, muitas vezes, a escola já não é o que era e não se adaptou aos novos tempos, nem à conflitualidade laboral no sector, que enfraqueceu a autoridade dos professores e diminuiu o reconhecimento social da sua profissão. 
A sociedade portuguesa tem sérios problemas na saúde, na habitação, na justiça, na demografia, na desertificação do interior, na emigração dos jovens, no combate à pobreza e, agora, está confrontada com uma dura realidade na educação. 
A comunicação social anda ocupada com o João Palhinha e com o Luís Neves.
Espera-se que os nossos políticos tenham tempo para pensar nisto tudo.