quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia

O genocídio conduzido pelos israelitas em Gaza prossegue como antes, embora a um ritmo mais silencioso, mas tão sistemático e letal como antes, perante o silêncio e a cobardia da União Europeia. Há dias, o diário espanhol El País noticiava que tinham sido assassinados 1.100 palestinianos desde o cessar-fogo de outubro de 2025 e que a situação na Cisjordânia (West Bank) estava a agravar-se, com a acção dos colonos, do exército e do governo israelitas que estão  preparar a anexação de jure do território.
Calcula-se que a quinta parte do território da Cisjordânia, que constitui a base territorial do estado da Palestina, reconhecido pelas Nações Unidas em 2025 e por cerca de 148 países, já está nas mãos dos colonos e das sua milícias, que proíbem as pessoas de se deslocarem entre a parte norte e a parte sul do território. Assim, a continuidade fisica entre o norte e o sul, ou entre Ramala e Belém está cortada pelo exército e pelos colonos, o que nunca acontecera desde os acordos de Oslo de 1993. Nenhum governo israelita procurou antes romper a continuidade geográfica da Cisjordânia, como agora acontece. Hoje é evidente que Israel quer inviabilizar a soberania palestiniana sobre o território da Cisjordânia e impedir a criação do estado da Palestina, em violação das resoluções das Nações Unidas que defendem a “solução de dois estados”, isto é, a existência de Israel e da Palestina como dois estados independentes, soberanos e contíguos, coexistindo lado a lado em paz e segurança.
A Europa tem estado cobardemente calada e demasiado cúmplice com o carrasco Netanyahu, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez e, agora, de Andy Burnham, o primeiro-ministro britânico desde há menos de dois meses, que condenou explicitamente “a limpeza étnica executada por terroristas israelitas na Cisjordânia”, como hoje anunciou o diário The Guardian.
Então os líderes europeus não vêm isto? Talvez agora aprendam com Andy Burnham que condenou a besta com firmeza e que, desejavelmente, irá mais longe na denúncia dos crimes do regime de Netanyahu.