terça-feira, 22 de abril de 2014

A dívida continua a subir, a subir...

De acordo com as "Estatísticas das Contas Financeiras das Administrações Públicas e da Dívida Pública" hoje divulgadas na Nota de Informação Estatística Nº 6 do Banco de Portugal, em Fevereiro de 2014 a nossa dívida pública atingiu 220,6 mil milhões de euros, correspondentes a cerca de 130,6% do produto interno bruto (PIB). Assim, só nos dois primeiros meses de 2014, o nível de dívida pública em termos nominais e em percentagem do PIB já viola a meta definida pelo governo e pela troika para o corrente ano, que bem recentemente foi fixada em 214,2 mil milhões de euros e que é equivalente a 126,8% do PIB. Significa, portanto, que em dois meses, o montante da dívida já derrapou 6,4 mil milhões de euros e quase 4 pontos percentuais do PIB.
Quando em 21 de Junho de 2011 o actual governo iniciou funções, a dívida pública era da ordem dos 170 mil milhões de euros e representava cerca de 100% do PIB. Cerca de três anos depois a dívida atingiu 220 mil milhões de euros e representa cerca de 130,6% do PIB.  Em menos de 3 anos a nossa dívida aumentou cerca de 50 mil milhões de euros!
Depois de tantos sacrifícios, tanta austeridade e tanto empobrecimento, este resultado é uma completa frustração para os portugueses e uma vergonhosa derrota para a coligação que nos governa. Assim, não se compreende o triunfalismo e a irresponsabilidade que por aí andam, com os governantes e a sua rapaziada a papaguearem um discurso mentiroso sobre a nossa história dos últimos três anos, ao mesmo tempo que Belém nada faz perante este descalabro a que nos está a conduzir esta gente inculta, incompetente e desonesta.
 

Há quem lute contra a arrogância do FMI

É sobejamente sabido que o FMI foi criado para ajudar os seus membros com dificuldades a equilibrarem as suas balanças de pagamentos, não sendo propriamente uma associação de solidariedade internacional. No entanto, a instituição e os seus funcionários podiam ter um comportamento menos arrogante e que não fosse tão humilhante para os cidadãos dos países em que põem os pés, mas aqui em Portugal tem sido exactamente assim.  
Em 2011 foi chumbado o PEC IV, que a Comissão Europeia e a Alemanha já tinham aprovado, tendo havido mudança na governação. Os novos governantes estavam convencidos que a solução passava por um corte de gorduras e, na sua juvenil ambição e ignorância, apressaram-se a dizer que governariam com o FMI sem quaisquer problemas. O FMI veio a correr para cá e passamos a conviver com os seus funcionários – o dinamarquês Poul Thomsem, depois o etíope Abebe Selassie e, mais recentemente, o indiano Subir Lall. Juntos com os nossos gaspares e albuquerques, eles têm desgraçado o nosso país com políticas de cortes nos salários e nas pensões, com redução brutal das políticas sociais, com uma desenfreada onda de privatizações e com o aumento do desemprego, da dívida, da pobreza e da desigualdade, para além de comprometerem o nosso futuro, sobretudo daqueles milhares de jovens que continuam a sair do país. Hoje o país não é o mesmo e os portugueses estão pior, como de resto afirmou esse inteligente e esclarecido dirigente que é o montenegro.
Ontem, no aeroporto de Lisboa, segundo destaca hoje o Correio da Manhã, um zeloso funcionário do SEF ou um patriota travestido de funcionário aduaneiro, barrou o caminho ao agente do FMI que entrava em Portugal sem ter a necessária documentação em ordem. O homem do SEF fez muito bem! Parece um assunto sem importância, mas não é. Estes funcionários do FMI julgam-se de outro planeta e permitem-se entrar no nosso país e dar opinião sobre todos os nossos assuntos internos, desde o salário mínimo às privatizações, sem que ninguém os ponha na ordem. Ao menos o funcionário do SEF apertou com ele e com a sua arrogância. Esse homem devia ser promovido já pelos relevantes serviços que prestou.