quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Porque razão se arma a Coreia do Norte?

A Coreia do Norte anunciou que tinha detonado a sua primeira bomba de hidrogénio (bomba H) e que esse teste tinha sido um sucesso completo. O mundo reagiu para condenar esta iniciativa coreana, mas mostrou muita surpresa porque a bomba H ou bomba termonuclear se fundamenta num processo de reacção química muito avançado de que resulta uma versão bem mais poderosa da bomba nuclear.
Pensava-se que o regime norte-coreano estava ainda muito longe de possuir a tecnologia necessária para produzir aquela bomba, que também é mais sofisticada do que a bomba nuclear, mas este anúncio veio revelar que a estratégia nuclear adoptada por Kim Jong-un é mais agressiva do que a de seu pai que, nos seus últimos anos de governo, aceitou restrições internacionais aos programas nuclear e de balística a troco de ajudas externas.
Os Estados Unidos, a China, o Japão e a Coreia do Sul reagiram de imediato perante esta ameaça que consideraram “uma provocação inaceitável” e pretendem “uma resposta global firme”, embora ainda subsistam dúvidas quanto ao que realmente se passou e sobre a origem de um sismo artificial de 5,1 pontos na escala de Richter, ocorrido perto de uma conhecida zona de testes nucleares norte-coreanos. A imprensa mundial deu largo destaque a esta notícia. O Correio Brazilense optou por ilustrar a primeira página da sua edição de hoje com uma sugestiva ilustração, apresentando a figura de Kim Jong-un em cuja cabeça rebentou uma bomba H que exibe um enorme cogumelo, mas o jornal pergunta se é verdade ou se é apenas o blefe de um ditador. Porém, a pergunta terá que ser outra: porque se arma o ditador e porque desafia o mundo?

O mercado automóvel português recupera

As estatísticas são essenciais para se perceber a situação económica e a sua evolução, assim como para fazer previsões, sobretudo através dos chamados indicadores percursores que são, por exemplo, o consumo de energia, a venda de cimento ou as vendas de veículos ligeiros e pesados. Nessa matéria, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal bem merece o elogio de quem gosta de perceber a realidade económica que o rodeia, pela rapidez com que apresenta, mês a mês, as estatísticas das vendas de automóveis ligeiros e pesados. Assim, nesta data já sabemos que o aumento global das vendas automóveis em Portugal no ano de 2015 foi de 25% em todos os segmentos. Foram vendidos um total de 213.645 veículos ligeiros e pesados, dos quais 178.496 eram veículos ligeiros de passageiros, o que significa que o sector recuperou depois de quatro anos consecutivos de perdas. Da mesma forma, aumentaram as vendas de comerciais ligeiros, de comerciais pesados e de pesados de mercadorias, o que é um sinal positivo para a actividade económica, embora signifique aumento do endividamento. As marcas dominantes do mercado português em 2015 foram a Renault (20.447 veículos), a Volkswagen (16.900 veículos), a Peugeot (16.566 veículos), a Mercedes-Benz (13.525 veículos) e a BMW (12.889 veículos). Seguiram-se a Nissan, a Opel, a Audi, a Citroën e a Ford.
Entretanto, alguns portugueses continuam a revelar o gosto e a ter o dinheiro necessário para adquirir marcas de topo, pois neste ano de 2015 foram vendidos em Portugal veículos das marcas Jaguar (310), Porsche (115), Maserati (30), Ferrari (19), Bentley (8) e Aston Martin (6). Exceptuando a Porsche que surpreendentemente perdeu 70% nas suas vendas ao passar de 395 para 115 unidades vendidas, todos aumentaram as vendas. Sem comentários.

Já se contam espingardas no golfo Pérsico

As autoridades da Arábia Saudita procederam no passado sábado, dia 2 de Janeiro, à execução de 47 pessoas que tinham sido condenadas por terem adoptado ideologias radicais. O mundo reagiu com repúdio e com dureza à decisão saudita, com declarações condenatórias e protestos, mas foi a morte do líder religioso xiita Nimr al-Nimr que provocou os mais violentos protestos, sobretudo no Irão, onde a embaixada saudita em Teerão foi atacada e parcialmente queimada. O corte de relações entre o Irão (maioritariamente xiita) e a Arábia Saudita (maioritariamente sunita), foi a primeira consequência daquelas brutais execuções, a que se seguiram algumas ameaças. Vários países da região já se solidarizaram com cada uma das partes e, para muitos observadores, a hipótese de uma confrontação directa é elevadíssima, pois que indirectamente já se confrontam na Síria desde há alguns anos. Embora os dois países não tenham fronteiras terrestres comuns, os seus territórios situam-se nas margens do golfo Pérsico, frente a frente e separados apenas por cerca de três centenas de quilómetros. Nessas margens também se situam o Kuwait, o Iraque, o Qatar, o Bahrein e os Emirados e, sobretudo, as maiores reservas petrolíferas do mundo. É mesmo um barril de pólvora e, aparentemente, já todos contam espingardas.
Ontem, o The New York Times analisa detalhadamente a situação e utiliza vários mapas para explicar a questão geopolítica e religiosa que tanto ameaça o mundo, destacando esse tema na sua primeira página. A possibilidade de confrontação directa é muito elevada, até porque ambos estão bem armados, sendo preocupante saber-se que as populações sunitas e xiitas vivem dispersas por vários países da região, numa relação média de cinco sunitas por cada três xiitas. Por isso, cada país tem uma maioria e uma minoria, o que pode (e costuma) funcionar como rastilho neste tipo de escaladas. O que não há dúvida é que em Riade e em Teerão, e não só, já se contam espingardas.