quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rio 2016 e a paixão brasileira pelo futebol

Antes da cerimónia oficial de abertura dos Jogos Olímpicos que se realiza amanhã, já se realizaram os primeiros jogos da competição olímpica de futebol: ontem disputaram-se 6 jogos de futebol feminino e hoje realizam-se 8 jogos de futebol masculino, um dos quais é o Portugal-Argentina.
A equipa feminina brasileira derrotou a selecção chinesa por 3-0 e a imprensa brasileira deu hoje um grande destaque a essa vitória da sua equipa e assinala esta estreia com muito entusiasmo e esperança. Depois de muitos meses de expectativa e até de dúvida, os brasileiros rejubilaram com este arranque positivo da sua caminhada olímpica e a imprensa apenas fez eco dessa realidade.
Porém, essa mesma imprensa parece ignorar a natureza multi-disciplinar dos Jogos Olímpicos e centra-se exclusivamente no futebol e na sede brasileira pelo “ouro olímpico”, como se não houvesse outras modalidades tanto ou mais nobres do que o futebol. Por isso, dedica hoje largos espaços e fotografias a Neymar da Silva, o mesmo futebolista que tem salário milionário no Barcelona FC e a quem chamam o “menino de ouro”. Nós já estamos habituados a ver a maneira servil como a generalidade da imprensa e dos jornalistas tratam as estrelas do futebol, mas no caso dos Jogos Olímpicos era natural que tivessem maior contenção em relação a um futebolista, dedicando mais espaço a outros atletas que não sejam futebolistas e que o público conhece menos bem. A realidade é que muitos jornalistas brasileiros parecem só conhecer o desporto-futebol, mas em boa verdade também muitos jornalistas portugueses fazem quase a mesma coisa. Significa que nens uns nem outros merecem relatar os Jogos Olímpicos. O facto é que mesmo com Neymar, esta tarde o Brasil empatou com a África do Sul e os brasileiros ficaram nervosos.

Rio 2016 e as esperanças lusitanas

Os Jogos Olímpicos de 2016, oficialmente designados como Jogos da XXXI Olimpíada, iniciam-se amanhã no Rio de Janeiro com a habitual cerimónia oficial de abertura que se realizará no Estádio do Maracanã. A imprensa internacional, como aconteceu com a TIME, tem dado o devido destaque ao maior acontecimento desportivo do planeta. É a primeira vez que os Jogos Olímpicos se realizam na América do Sul e é, também, a primeira vez que se realizam num país de língua portuguesa, o que tem um especial significado, como já salientou o Presidente da República Portuguesa que se encontra no Rio de Janeiro em visita oficial. 
O grande acontecimento desportivo que é o Rio 2016 decorrerá de 5 a 21 de Agosto, terá provas em 28 modalidades desportivas e espera-se que tenha a participação de cerca de 12.500 atletas de 206 países. As mais numerosas representações virão dos Estados Unidos (555), Brasil (462), Alemanha (412), Austrália (409), França (402), China (379), Grã-Bretanha (364), Rússia (332), Japão (326), Canadá (313) e Espanha (305). O Comité Olímpico Português será representado por 91 atletas, enquanto as representações dos países de língua oficial portuguesa serão de Angola (23), Moçambique (4), Cabo Verde (4), Guiné-Bissau (3), São Tomé e Príncipe (1) e Timor-Leste (1).
O espírito olímpico fundamenta-se nos princípios do barão Pierre du Couvertin que fez renascer os Jogos Olímpicos e centra-se no ideal da participação que é mais importante do que a vitória. Porém, o facto é que o ideal olímpico se tem alterado e adulterado nos anos mais recentes, traduzindo-se cada vez mais numa acesa competição entre os países pela conquista do maior número possível de medalhas. São vários os aspectos dessa luta, mas a crescente participação de atletas profissionais, sobretudo no futebol e no ténis, parece contrariar o espírito olímpico.
Independentemente das circunstâncias indicadas, espera-se da representação portuguesa uma presença e uma participação verdadeiramente olímpicas, embora se desejem bons resultados desportivos e, se possível, algumas medalhas.