sábado, 21 de abril de 2018

Sobre a língua portuguesa em Macau

Quando no dia 20 de Dezembro de 1999 se verificou a transferência da soberania de Macau para os chineses, já tinha entrado em vigor o decreto-lei nº 101/1999/M que consagrava as línguas portuguesa e chinesa como línguas oficiais e com a mesma dignidade na Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Embora a língua portuguesa nunca tenha tido uma difusão significativa durante os cerca de 442 anos em que os portugueses administraram o território de Macau, a partir de 1999 os cidadãos portugueses residentes que não dominassem o cantonense ficavam protegidos por aquela lei e podiam ser notificados pelos tribunais na sua própria língua. Porém, segundo revela o jornal hojemacau, a lei tem sido frequentemente ignorada pelos próprios tribunais e pelos juizes, que têm o dever de aplicar as leis, o que se traduz num grande prejuízo para os cidadãos.
A Associação dos Advogados de Macau tem denunciado essa situação que tende a excluir o português do sistema judiciário macaense e a acelerar o processo da sua transformação numa língua morta e alguns advogados até têm denunciado algum fundamentalismo patriótico na utilização da língua chinesa pelos tribunais.
O facto é que, de acordo com a lei, os tribunais são obrigados a comunicar com os arguidos numa língua que eles entendam e não é aceitável que uma sentença relativa a um cidadão português seja comunicada em língua chinesa.
Porém, o que está a acontecer só pode admirar quem não conhece o que foi a história da insignificância da língua portuguesa em Macau. Custa aceitar que a língua portuguesa seja lançada no caixote do lixo como sugere a imagem do hojemacau, mas o que tem que ser sempre teve muita força...

Trump e o poder pessoal acima do partido

Os Estados Unidos são, sob os mais diferentes pontos de vista, a maior potência do planeta. Esse facto é impressionante, sobretudo quando pensamos que a sua independência aconteceu há pouco mais de duzentos anos e que em finais do século XIX ainda as caravanas corriam para ocupar a costa oriental do continente, o chamado Far West. Pois esse país tem um presidente eleito e o actual é Donald Trump.
Nos últimos dias, algumas revistas internacionais de referência como The Economist, a Time e o Der Spiegel trouxeram Donald Trump para as suas primeiras páginas. A primeira foi a revista Time que, ainda antes dos bombardeamentos da Síria, mostrava uma imagem do Donald envolvido num temporal de vento, chuva e mar revolto e uma simples legenda: stormy. Depois, os alemães da revista Der Spiegel utilizaram a imagem de um Donald a incendiar o mundo, perante a apreensão de Angela Merkel e de um Emmanuel Macron empunhando um extintor, com a pergunta: quem vai salvar o ocidente?
Finalmente, a revista The Economist apresenta uma imagem na sua capa que sugere como tem evoluido o símbolo do Partido Republicano, que passou do tradicional elefante até ao rosto do próprio presidente e pergunta o que é que aconteceu ao partido.
Segundo a revista, o Partido Republicano está cada vez mais organizado em torno de um homem e da lealdade a esse homem, salientando que isso é perigoso. Naturalmente, os melhores presidentes da América também exigiam lealdade, mas faziam-no em nome de um princípio ou de uma visão, mas o Donald exige lealdade a ele mesmo e à enorme volatilidade das suas ideias. A revista acrescenta que todos os presidentes mentiram, intimidaram e atropelaram as normas presidenciais, mas nenhum foi tão longe como o Donald.
Porém, o problema não é só dos americanos que têm que conviver com um figurão destes que, no mesmo dia, tanto ameaça como abraça, homens como Kim Jong-un ou Vladimir Putin. O problema é que, como vimos recentemente, o Donald arrasta consigo alguns líderes europeus.