domingo, 17 de março de 2013

A crise e os tempos difíceis na Galiza

O diário galego La Voz de Galicia que se publica na Corunha, anunciou hoje em primeira página a notícia que “Galiza põe à venda as suas aldeias abandonadas” e acrescenta que, segundo o censo de 2011, existem na Comunidade Autónoma da Galiza um total de 1.408 núcleos populacionais abandonados, que vão desde as pequenas aldeias com igreja e escola, até aos mosteiros isolados e aos pequenos núcleos com casas destruídas e abandonadas. Esta realidade reflecte o histórico problema da emigração galega, mas também é um sinal da crise contemporânea, da desertificação rural, do envelhecimento da população, do isolamento e da ausência de actividade económica. Nesta altura haverá três dezenas de núcleos populacionais que esperam por comprador, havendo ingleses, noruegueses, árabes e americanos que têm mostrado interesse em fixar-se na Galiza.
Esta notícia recorda-nos Rosalia de Castro, a poetisa galega da segunda metade do século XIX que na sua poesia denunciou a pobreza que obrigava os galegos a emigrar, sobretudo para a América de língua castelhana e, em especial, o seu famoso Cantar da Emigração”, o poema que Adriano Correia de Oliveira cantou.

Este parte, aquele parte 
e todos, todos se vão.
Galiza, ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Os versos de Rosalia de Castro e a notícia de La Voz de Galicia, têm cerca de 150 anos de intervalo e são uma consequência do fenómeno da emigração. Em Portugal, que tantas afinidades culturais e naturais tem com a Galiza, também temos os mesmos problemas da emigração e das aldeias abandonadas. São tempos difíceis de um mundo em mudança.

Os especuladores atacam em Chipre

No passado mês de Junho o Chipre pediu ajuda à União Europeia, depois de terem sido detectados graves problemas nos dois principais bancos cipriotas que foram afectados e contagiados pela crise grega. Depois de muitos meses de negociações, foi decidido conceder uma ajuda ao Chipre que, a partir de agora, passa a ser o quinto país da Zona Euro a beneficiar de um programa de ajuda internacional.
Inicialmente, o Chipre pedira um resgate de 17 mil milhões de euros, que é um montante equivalente ao seu PIB, mas nem o FMI nem o BCE concordaram com esse valor, alegadamente porque isso significaria um brutal aumento da dívida cipriota. A solução encontrada inclui duríssimas exigências que não têm precedentes. A troika avança apenas com 10 mil milhões de euros para “aliviar a carga dos contribuintes europeus”, sendo recolhidos 5,8 mil milhões de euros através de um singular imposto: os depósitos bancários com mais de 100.000 euros irão pagar um imposto extraordinário de 9.9 % e os depósitos abaixo deste valor pagarão 6,7 %.
Acontece que cerca de 30% dos depósitos bancários pertencem a cidadãos russos e resultam de lavagem de dinheiro. Esta medida irá custar aos russos quase 2 mil milhões de euros e a sua confiança na banca cipriota vai vacilar, o que vai afectar a economia e aprofundar a crise no país. 
Os cipriotas são assim os primeiros cidadãos europeus a quem é retirada uma parte das suas poupanças, que não será devolvida. É um imposto que incide sobre um milhão de cipriotas e é um verdadeiro assalto às suas poupanças. Os jornais espanhóis destacaram esta notícia e o La Vanguardia chama-lhe um confisco, mas os jornais portugueses ignoraram-na.
Os especuladores financeiros continuam a beneficiar da cumplicidade e da fraqueza dos dirigentes europeus que tudo fazem para destruir a ideia de uma Europa solidária, próspera e pacífica.