sexta-feira, 12 de março de 2021

A guerra da Síria ou a tragédia esquecida

No próximo dia 15 de Março perfazem-se dez anos sobre o início da guerra civil na Síria. Tudo começou em Janeiro de 2011 com manifestações populares contra o regime de Bashar al-Assad, no contexto da chamada Primavera Árabe, tendo havido violentos confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança do regime. No dia 15 de Março de 2011 uma parte do Exército sírio revoltou-se e juntou-se à oposição para destituir Bashar al-Assad, formando o Exército Livre da Síria (ELS), enquanto o regime e os seus fiéis passaram a tratar a oposição armada como terroristas. Porém, o objectivo da luta depressa deixou de ser a tomada do poder pela oposição, pois formaram-se diversos grupos de cariz religioso em que a rivalidade entre xiitas e sunitas prevaleceu. O conflito passou a opor uma maioria sunita apoiada pelos estados do Golfo às forças xiitas leais a Bashar al-Assad, apoiadas pelo Irão e pela Rússia. Entretanto, a partir de 2014 entrou em grande actividade ao lado da oposição o autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL ou Daesh) que depois passou a actuar de forma autónoma. Destas várias situações resultou a internacionalização do conflito com a entrada em cena do Líbano e do Iraque, dos estados do Golfo, da Turquia e do Irão, da Rússia e dos Estados Unidos. Em Março de 2019 o Daesh foi finalmente derrotado, depois de ter chegado a controlar mais de 200 mil quilómetros quadrados de território na Síria e no Iraque. Nessa altura, com o apoio russo o regime sírio controlava quase todo o território, mas a Turquia ameaçava a província síria do Curdistão. Então a guerra civil na Síria saíu da agenda dos mass media internacionais e pouco se sabe sobre o que se passa, isto é, se ainda há guerra, se há conversações, que potências estrangeiras estão no terreno ou se a reconstrução do país começou.
Agora, na passagem do décimo aniversário do início da guerra e por ocasião da visita papal ao Iraque, o jornal L’Osservatore Romano, que é o órgão oficial do Vaticano veio lembrar que há uma geração de sírios que foi devastada pela guerra e “o terrível impacto da guerra nas crianças sírias e nas suas famílias”, salientando que, de acordo com a Unicef, houve cerca de 12.000 crianças que foram mortas ou feridas e que mais de 5.700 menores foram recrutados como combatentes.
Entretanto, sobre o curso actual do conflito não há notícia.