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terça-feira, 28 de julho de 2026

O Brasil e os brasileiros que se cuidem...

As declarações insultuosas para o presidente Lula da Silva e para o Brasil, feitas no passado sábado na cidade de S. Paulo por Javier Milei, o presidente da Argentina, estão a dar origem a “uma escalada sem precedentes de crise diplomática entre os dois países”, segundo salienta a edição de hoje do centenário jornal paulista Folha de S. Paulo.
Javier Milei participou na convenção nacional do Partido Liberal que declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, tendo-se referido ao presidente do Brasil como “ladrão” e “presidiário” e a Alexandre de Moraes, que é professor catedrático e ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.
O governo brasileiro reagiu a estes insultos proferidos em território brasileiro e chamou o seu embaixador em Buenos Aires para consultas, segundo a fórmula usada nestes casos pela diplomacia, o que é considerado um gesto diplomático de elevada gravidade.
A atitude de Milei foi também criticada na Argentina, onde Axel Kicillof, o governador da província de Buenos Aires e potencial candidato peronista à presidência da Argentina nas eleições do próximo dia 24 de outubro, repudiou a postura de insultuosa e ofensiva de Milei e disse ter tido “vergonha” das suas afirmações, que “não representam o sentir do povo argentino”. Além disso, Kicillof lembrou que o Brasil é o principal parceiro económico da Argentina e que as declarações de Milei podem colocar em risco empregos, investimentos e interesses argentinos, ao fazer aquelas “palhaçadas” apenas para “apoiar um candidato por ordem de Trump”.
Significa que Bolsonaro já tem o apoio de Donald Trump, de Javier Milei e do Netanyahu, o carniceiro que tem um mandato de captura internacional expedido pelo TPI.
É caso para dizer aos brasileiros que se cuidem…

domingo, 26 de julho de 2026

As eleições presidenciais no Brasil

Ontem, na cidade brasileira de S. Paulo, o senador Flávio Bolsonaro anunciou a sua candidatura às eleições que se realizarão no próximo dia 4 de outubro para escolher o próximo presidente da República Federativa do Brasil. Há alguns meses, o actual presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha anunciado a sua intenção de se candidatar a um novo mandato, pelo que se antevê uma disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro pelo Partido Liberal (PL) e Luiz Lula da Silva pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, após condenação por tentativa de golpe de Estado na sequência da derrota eleitoral de 2022, tendo sido escolhido pelo pai e tido o apoio expresso do extremista Benjamin Netanyahu e do seu pai, este apresentado através de uma mensagem gerada por inteligência artificial. Outro importante apoio que Bolsonaro recebeu veio da presença em S. Paulo do presidente argentino Javier Milei que, ao estilo trumpiano e com grande despudor, pois se encontrava em solo brasileiro, classificou o presidente Lula da Silva como “basura y ladrón”, isto é, como lixo e ladrão, conforme destacou a edição de hoje do jornal argentino Clarín.  
Segundo as mais recentes sondagens da Datafolha, o mais importante instituto de pesquisas brasileiro, nenhum dos candidatos será eleito à primeira volta e, numa segunda volta a realizar no dia 25 de outubro, o agora candidato Flávio Bolsonaro tem 43% de intenções de voto, enquanto o candidato Lula da Silva regista 48% das intenções de voto.
A imprensa brasileira não deu particular destaque ao anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro, nem aos apoios que recebeu, mas as declarações incendiárias e insultuosas de Javier Milei e do seu afilhado Flávio, fazem antever uma dura batalha eleitoral, que se espera seja ganha pelo Brasil.

domingo, 19 de abril de 2026

Pedro Sánchez, o novo superstar europeu

A cidade de Barcelona assistiu ontem a uma cimeira progressista “em defesa da Democracia” em que, para além de outros dirigentes internacionais, se destacou a presença de Lula da Silva, que disse que “nenhum país, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros”, e de Pedro Sánchez, que afirmou que “não basta resistir, temos de propor”. 
A cimeira visou a constituição de uma frente internacional das esquerdas e dos centro-esquerdas mundiais contra Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas também contra os outros líderes da extrema-direita que são seus aliados. Na sua edição de hoje o jornal El País destacou este acontecimento em primeira página e transcreve algumas das declarações produzidas durante a cimeira.
- “Gracias por haber salvado el alma de Europa”, disse Giacomo Filibeek, o secretário-geral do Partido Socialista Europeu;
- “Gracias Pedro por tu liderazgo, gracias por demostrar que la agenda progresista funciona, gracias por defender nuestra dignidad com cuatro palabras “no a la guerra”, disse a italiana Elly Schlein, a grande rival de Giorgia Meloni.
O presidente brasileiro Lula da Silva disse que “não se pode dormir e acordar todos os dias com um Presidente ameaçando o mundo” e elogiou Pedro Sánchez “porque tuvo la valentia de no permitir que los aviones de guerra de EE UU salieran de aquí para bombardear Irán”.
A cimeira teve a participação da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Dos Estados Unidos chegaram apoios à iniciativa de Pedro Sánchez e de Lula da Silva, designadamente de vários democratas como Tim Walz, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Hillary Clinton, afirmando que esta iniciativa é “o trabalho da nossa era”, mas Tim Walz, que foi candidato presidencial derrotado em 2024, destacou-se ao afirmar que Trump "é um ditador" e que "o fascismo está pelo mundo". 
Na linha do Papa Leão XIV que disse não ter medo de Trump, surgiu Pedro Sánchez como o mais destacado e corajoso opositor europeu dos desmandos e das ilegalidades de Donald Trump, cujo ataque ao Irão parece estar a ser um fiasco, sobretudo… nos Estados Unidos. 
Pedro Sánchez tornou-se de facto num superstar europeu.

domingo, 12 de abril de 2026

Lula e o Brasil reconhecidos na Europa

A revista francesa Challenges que é especializada em assuntos económicos e negócios, na sua mais recente edição destacou em manchete de forma muito elogiosa o presidente do Brasil, a quem chamou Lula superstar.
Numa época em que as manchetes das grandes revistas internacionais são ocupadas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia, de Israel e do Líbano e, também, do Irão e principalmente dos Estados Unidos, o aparecimento do Brasil e do seu presidente na capa de uma prestigiada revista europeia deve encher de orgulho metade do país e deve deixar os bolsonaristas muito irritados, porque significa que o Brasil e o seu presidente são ouvidos, procurados e respeitados no exterior. 
A revista dedicou a sua capa ao Brasil e ao presidente Lula numa reportagem que se estende por 15 páginas, evidenciando o êxito que foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou COP30, que se realizou em novembro de 2025 na cidade de Belém e que juntou cerca de duas centenas de países, mas também em relação ao Acordo Comercial EU-Mercosul, acelerado pelo Brasil e assinado no Paraguai no dia 9 de janeiro de 2026. Este acordo que abre boas perspectivas comerciais foi negociado durante cerca de 26 anos e espera-se que venha a dinamizar a integração das economias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que, com os seus 270 milhões de habitantes, constituem o 6º maior bloco económico do mundo.
O trabalho jornalístico da Challenges também destaca a Embraer, uma “joia da coroa” brasileira que, embora de forma limitada, começa a desafiar o duopólio Airbus-Boeing.
Aqui deixamos o nosso aplauso pelo justo reconhecimento internacional que vem sendo feito ao Brasil e de que os portugueses também muito se orgulham.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brasil ganha ouro em Cortina d’Ampezzo

Estão a decorrer os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputam nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, que são vulgarmente conhecidos por Milão-Cortina 2026. Desde o dia 6 de fevereiro e até ao dia 22, estarão em prova 2.871 atletas representando 96 países, a maioria dos quais com uma presença simbólica, como acontece com a Guiné-Bissau, o Benim, a Eritreia, a Colômbia, o Quénia e até mesmo com Portugal, porque os desportos de inverno só acontecem onde há neve e gelo. Daí que os Jogos Milão-Cortina 2026 interessem pouco os portugueses e que a maioria das medalhas até agora disputadas tenha sido conquistada por noruegueses, italianos, americanos, suecos, holandeses, franceses, alemães e austríacos.
Porém, por vezes acontecem imprevistos e até o tropical Brasil, que escalda em tempo de Carnaval, teve uma medalha olímpica de ouro!
Aconteceu no dia 14 de fevereiro, quando a prova de Sky Alpino Slalom Gigante Masculino foi ganha por Lucas Pinheiro Braathen, que bateu os suíços Marco Odermatt e Loic Meillard. 
Lucas nasceu em Oslo, é filho de mãe brasileira e tem 25 anos de idade. A sua dupla nacionalidade brasilo-norueguesa permitiu-lhe representar o Brasil e ser o primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha olímpica nos Jogos de Inverno (na mesma prova o português Emeric Guerillot foi o 38º classificado).
Quando da subida ao pódio para receber a sua medalha de ouro, o medalhado Lucas Pinheiro não aguentou a sua euforia e deu um salto de satisfação, pouco habitual nestas cerimónias mas muito compreensível, tendo essa fotografia ilustrado a edição d’O Estado de S. Paulo, mas também de outros jornais brasileiros e estrangeiros. Essa fotografia vai certamente figurar na galeria das mais expressivas fotografias dos Jogos Milão-Cortina 2026.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A tradição baiana cumpre-se no Bonfim

O Estado da Bahia fica situado no nordeste brasileiro, tendo uma paisagem tropical na costa atlântica e um interior sertanejo mas, provavelmente, é o estado com a marca cultural mais intensa de todo o país, tanto pela diversidade da sua população, como pelo seu património histórico, em que se destaca a arquitectura colonial do século XVII, sobretudo na cidade de Salvador, ou Salvador da Bahia.
O centro histórico de Salvado foi o palco principal da fusão das culturas portuguesa, africana e ameríndia, tendo sido a capital do Brasil desde 1549 a 1763, estando classificado como património mundial pela Unesco desde 1985. A região é a parte mais antiga do Brasil colonial e foi aí que os portugueses chegaram em 1500 e que, em consequência da sua influência e interacção religiosa e cultural, nasceu a devoção ao Senhor do Bonfim trazida por um capitão português. Na actualidade, essa devoção atrai multidões à capital baiana por ser uma festa que é um dos maiores símbolos de fé dos baianos.
A festa é celebrada em Janeiro na Basílica do Senhor do Bonfim, um templo católico que é um dos mais importantes monumentos de Salvador, nela se incluindo a tradicional “lavagem do Bonfim”, ou lavagem das escadarias da basílica com água de cheiro feita por baianas, em que se confundem o catolicismo e o candomblé. Associada a esta devoção também existe a tradição das “fitas do Senhor do Bonfim” que se usam amarradas ao pulso e com três nós, correspondentes a três pedidos que, quando a fita se desfaz ou rompe, os pedidos são satisfeitos.
Ontem, a edição do jornal A Tarde que se publica em Salvador, destacou em manchete a fé e a festa da Senhora do Bonfim, publicando uma fotografia em que se vê a Basílica do Bonfim, construída a partir de 1745.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Salvador e o Bom Jesus dos Navegantes

A cidade de Salvador é a capital do estado brasileiro da Bahia e foi a primeira capital do Brasil colonial, sendo o cenário onde, desde a década de 1740, se realiza a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, que é uma das mais antigas e simbólicas celebrações religiosas e populares do Nordeste brasileiro. Nascida da devoção das irmandades marítimas e da fé dos marinheiros que pediam a protecção divina para enfrentar o mar, a festa inclui diversas celebrações católicas, mas o seu ponto alto é a procissão marítima realizada nas águas da grande Baía de Todos-os-Santos, na qual a imagem do Bom Jesus dos Navegantes segue numa embarcação devidamente ornamentada, que é escoltada por uma festiva e colorida frota de outras embarcações.
Até 1891 a embarcação que transportava a imagem era cedida pelo Estado, mas a partir de então passou a ser utilizada, como galeota oficial da procissão, uma artística galeota expressamente construída para o efeito e que foi baptizada como “Gratidão do Povo”. No ano de 2019 a centenária embarcação apresentava alguns problemas de estrutura, pelo foi objecto de restauro e continuou a cumprir a sua função.
A procissão marítima é um espectáculo impressionante de religiosidade e de cultura popular que ocorre nos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro, para exprimir a gratidão baiana pelo ano que termina e para pedir a protecção e a benção divina para o novo ano.
O jornal Correio*, antigo Correio da Bahia, é um jornal diário que se publica em Salvador e que dedica a sua edição de hoje à grande festa católica e afro-brasileira de origem portuguesa que é a a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, com uma fotografia da procissão marítima, tendo escolhido a frase “mar de gratidão” para manchete dessa reportagem.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Brasil, alterações climáticas e a COP30

As alterações climáticas são uma realidade e os seus efeitos são sentidos sob diversas formas, devido ao fenómeno do aquecimento global que, nos últimos dez anos, fez com que a temperatura anual do planeta tivesse subido cerca de 0,46 graus Celsius. Para lutar contra este problema e encontrar soluções realizam-se desde 1995 as conferências sobre as mudanças climáticas.
Hoje, na cidade de Belém, a capital do estado brasileiro do Pará e porta de entrada para o Baixo Amazonas, começa a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, ou 30th Conference Of the Parties, ou ainda e abreviadamente, COP30.A escolha de Belém para receber a COP30 tem entusiasmado a cidade, o Brasil e o presidente Lula da Silva e, para além de um grande investimento que foi feito para adaptar e modernizar as suas infraestruturas, até a capital federal brasileira será transferida provisoriamente de Brasília para Belém até ao dia 21 de novembro, para melhorar a ligação das autoridades brasileiras com as delegações estrangeiras e, sobretudo, para afirmar o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas.
A edição de hoje do jornal Folha de Pernambuco que se publica na cidade do Recife, destaca o início do debate climático global, no qual os Estados Unidos não participarão porque Donald Trump considera que as alterações climáticas são uma farsa e até já tinha retirado o seu país dos acordos climáticos de Paris de 2015. Na COP30 o destaque vai incidir sobre os povos indígenas, a protecção das florestas e a procura de maneiras de ajustar o Acordo de Paris aos novos tempos, porque “os riscos são maiores do que nunca”, devido ao aquecimento da temperatura da Terra estar a aumentar mais rapidamente do que se pensara e de não estarem a ser substituídos o carvão, o petróleo e o gás ao ritmo necessário.
Ninguém sabe o que vai sair da COP30...

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

O Brasil de Marias, Josés, Silvas e Santos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou os resultados de um estudo feito a partir dos resultados do XIII Recenseamento Geral do Brasil, mais conhecido como Censo 2022, que retrata a população brasileira no dia 1 de agosto de 2022. Uma parte desses resultados foi divulgada pelo jornal O Dia, que se publica no Rio de Janeiro e é muito curiosa, pois mostra aquilo que muitos brasileiros não gostam de saber, isto é, que as raízes do Brasil são portuguesas, como escreveu Sérgio Buarque de Holanda, mas que a marca portuguesa continua bem forte no Brasil contemporâneo, não só através da língua mas também através dos nomes. “Um país formado por milhões de Silvas”, como escreveu O Dia, ou o país das Marias e dos Silvas, dos Josés e dos Santos. 
De cada cem brasileiros, seis são Marias, isto é, o Brasil tem 12,3 milhões de Marias, mas nas cidades cearenses de Morrinhos e Bela Cruz, as Marias somam 22% da população. Já os Silva são 34 milhões de brasileiros ou 16% da população e, em seis cidades de Pernambuco e Alagoas, os Silva são mais de 60% da população. 
Os nomes mais frequentes nas mulheres são Maria (mais de 12 milhões), Ana, Francisca, Júlia e Antónia, enquanto nos homens os nomes mais habituais são José (mais de 5 milhões), João, António, Francisco e Pedro. Relativamente aos apelidos, os mais frequentes são Silva (mais de 34 milhões), Santos (21,3 milhões), Oliveira (11,7 milhões), Sousa (9,1 milhões), Pereira (6,8 milhões), Ferreira (6,2 milhões), Lima (6,0 milhões), Alves (5,7 milhões), Rodrigues (5,4 milhões) e Costa (4,8 milhões). 
É difícil encontrar sinais tão marcantes de portugalidade na identidade brasileira para além da própria língua, mas esta revelação feita pelo estudo do IBGE é realmente surpreendente pela forma como os brasileiros usam nomes de origem portuguesa.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

EUA e Brasil, rumo ao desejado diálogo

Depois de alguma tensão que nos últimos meses se tem verificado entre os presidentes dos EUA e do Brasil, de que resultou a aplicação de elevadas taxas alfandegárias sobre os produtos brasileiros importados pelos EUA, o encontro entre Donald Trump e Lula da Silva, ontem realizado em Kuala Lumpur, deve ser saudado porque “abre novos rumos à relação Brasil-EUA”, como hoje noticia o jornal Correio Brasiliense.
O mundo tornou-se muito interdependente e, cada vez mais, é uma aldeia global. Por isso, é bem natural que Donald Trump tivesse começado a perceber que as medidas tarifárias que tomou em relação a muitos países também penalizam os EUA e daí que venha “metendo a viola no saco”.
Segundo foi relatado pela imprensa, foi a primeira vez que os presidentes Trump e Lula da Silva se encontraram oficialmente para conversar sobre as tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras. A reunião durou 50 minutos e ambos declararam que tinha sido um encontro muito positivo, para além de terem trocado alguns elogios recíprocos e confirmado que vai ser iniciado um processo negocial.
Embora o principal tema do encontro tivesse sido a negociação das tarifas impostas às exportações brasileiras, soube-se que a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi discutida na reunião e que Lula da Silva se dispôs a ser um interlocutor no desejável diálogo entre os EUA e a Venezuela, de forma a encontrar soluções mutuamente aceitáveis para os dois países.
Naturalmente, este apaziguamento e este diálogo entre os EUA e o Brasil é relevante para os dois países, mas também é importante para a paz e a harmonia no mundo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Donald Trump é um enigma por decifrar

A cidade de Fortaleza que é a capital do estado do Ceará, fica situada no noroeste do Brasil e dista 5.608 km de Lisboa e 4.710 km de Chui, na fronteira uruguaia, o que mostra como o Brasil é grande e explica algumas das peripécias por que passou o seu processo de independência no primeiro quartel do século XIX.
Nessa cidade nordestina publica-se, desde 1928, o jornal O POVO que, na sua última edição, apresentou como tema de capa a figura do presidente Donald Trump, através de uma expressiva ilustração com o título “Decifrando Trump”, em que o rosto do presidente dos Estados Unidos é desenhado com base num circuito integrado, isto é, um circuito electrónico miniaturizado a que também se chama chip.
É uma capa de singular imaginação e criatividade que chama a atenção para a presidência de Donald Trump, que tem sido marcada pela imprevisibilidade e por orientações enviesadas do tipo “uma no cravo e outra na ferradura”. A sua acção política que, interna e externamente, se traduz no movimento MAGA, parece ter várias obsessões económico-comerciais, como a progressiva subalternização da Europa e dos seus líderes, o protecionismo comercial americano através de taxas alfandegárias e a venda de armamentos aos países da NATO, mas também a obsessão pela conquista de um reconhecimento universal que o Prémio Nobel da Paz lhe traria.  As suas posições quanto aos conflitos na Ucrânia e em Gaza suscitam as mais desencontradas opiniões, mas o facto é que, muitas vezes, não se percebe se Trump quer a paz ou se, pelo contrário, pretende que os conflitos prossigam para assim continuar a alimentar o próspero negócio americano da venda de armamento, mesmo que para isso tenham que ser criadas realidades virtuais que levem os países a aplicar os seus recursos escassos em defesa ou, dito de outra forma, a trocar “manteiga por canhões”.
Donald Trump é realmente um enigma e o jornal O POVO procurou decifrá-lo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Os golpistas brasileiros foram condenados

Numa decisão inédita da História do Brasil o Supremo Tribunal Federal (STF) reunido em Brasília condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus, entre os quais cinco militares, sendo três generais, um almirante e um tenente-coronel.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão e quatro dos sete réus foram condenados a penas entre os 20 e os 26 anos de prisão, tendo essa notícia feito manchete na imprensa brasileira, como por exemplo na Folha de S.Paulo. Foi a primeira vez que a Justiça brasileira puniu militares por terem atentado contra a Democracia e por organizarem um golpe de Estado, mas esse facto é ainda mais relevante porque, nos últimos 80 anos, só na Coreia do Sul, na Turquia e no Uruguai aconteceram condenações semelhantes. 
Esta condenação significa que o poder judicial brasileiro é independente e soberano, exactamente como deve ser num Estado de Direito, apesar de ter estado, e continuar a estar, sujeito a pressões e ameaças, inclusive dos Estados Unidos e do seu controverso presidente Donald Trump. Com este julgamento, o Brasil e o seu STF deram uma lição de maturidade  democrática aos Estados Unidos e ao mundo.
Porém, o sistema judicial brasileiro reconhece aos condenados o direito de interpor recurso das penas, isto é, impugnar as decisões judiciais que considerem injustas, pelo que se espera que Bolsonaro e os outros condenados recorram da sentença do STF.
Entretanto, a popularidade do presidente Lula da Silva subiu e 33% dos brasileiros consideram boa ou excelente a sua presidência, embora 38% a consideram má ou péssima.
Como se diz aqui em Portugal, parece que até ao lavar dos cestos é vindima…

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O Brasil e o julgamento de Jair Bolsonaro

No próximo dia 2 de Setembro, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e mais sete réus vão começar a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, por tentativa de golpe de Estado.
Jair Bolsonaro é acusado como o “principal articulador, maior beneficiário e autor” das várias acções de vandalismo e insubordinação que visaram a ruptura do Estado e a sua manutenção no poder, apesar de ter sido derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 30 de Outubro de 2022. Porém, Bolsonaro não aceitou a derrota e, no dia 8 de Janeiro de 2023, milhares de fanáticos bolsonaristas assaltaram os edifícios dos Três Poderes em Brasília, para rejeitar os resultados eleitorais, contestar a democracia brasileira e impedir a posse de Lula da Silva, numa acção comparável ao assalto ao Capitólio, feito em Washington pelos apoiantes de Donald Trump no dia 6 de Janeiro de 2021.
Os crimes de que Bolsonaro é acusado são graves e estão tipificados como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano qualificado contra o património do Estado.
Na sua mais recente edição, a revista The Economist dedicou uma alargada reportagem ao julgamento de Bolsonaro com o título “Brazil offers America a lesson in democratic maturity”, referindo que será um teste à forma como os países se podem livrar da febre populista que os assola, tendo como referencial a figura de Donald Trump. Segundo a revista, o “Trump dos trópicos” e os outros réus “serão considerados culpados”, porque a memória dos horrores da ditadura ainda está presente na memória dos brasileiros e a maioria dos políticos, da esquerda e da direita, bem como os grandes empresários, querem esquecer a “loucura de Bolsonaro e a sua polarização radical”.  
O julgamento de Jair Bolsonaro pode ser, de facto, uma grande lição que o Brasil pode ensinar aos Estados Unidos e ao mundo. 
Esperemos que assim seja!

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Brasil reage às provocações de Bolsonaro

A notícia que chegou do Brasil não surpreendeu ninguém, pois era sabido que o ex-presidente Jair Bolsonaro se afirmara humilhado com as medidas de coação tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo as buscas judiciais domiciliárias e o uso de tornozeleira, o que fez com que reagisse muito mal e o levasse ao não cumprimento do que lhe estava determinado. Era de esperar essa atitude. Agora, por ordem do ministro Alexandre de Moraes do STF, foi-lhe imposta prisão domiciliária e terá de cumprir uma série de medidas cautelares. Além de usar a tornozeleira electrónica, ele está proibido de receber visitas sem autorização judicial e terá muitas restrições ao uso de telemóvel. Além disso, o não cumprimento destas condições poderá levar a que seja decretada a sua prisão preventiva em unidade prisional.
Esta decisão anunciada pelo jornal A Tarde de Salvador e por outros jornais brasileiros, parece marcar o fim da tolerância do STF para com o ex-presidente, face às reiteradas provocações de Jair Bolsonaro, provavelmente excitado pelo seu aliado Donald Trump, que insiste em meter-se onde não é chamado. Segundo o STF, Bolsonaro insiste no uso indireto das redes sociais, através de filhos e amigos, que é uma prática que lhe está vedada desde fevereiro, mas que continua a manter para atacar o sistema eleitoral brasileiro, o STF e os seus juízes e, até mesmo, para defender a intervenção estrangeira no país.
Na história do Brasil, Jair Bolsonaro é o primeiro presidente a ser preso por subversão institucional, esperando-se que seja julgado a partir de setembro, mas só o tempo dirá como vai evoluir esta situação, que é muito complexa.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

O ataque de Trump à economia brasileira

A obsessiva política de Donald Trump de “fazer a América grande outra vez”, está a perturbar o mundo e a gerar um clima de guerra comercial, com ameaças e muito pânico nos mercados, nos agentes económicos e até nas populações americanas que vão passar a pagar mais pelos produtos importados de que gostam. O fanfarrão Donald ameaça tudo e todos com as famosas tarifas alfandegárias, misturando o comércio com humilhações às soberanias nacionais, ou com represálias pelo reconhecimento da Palestina ou, no caso do Brasil, com o pronunciamento judicial do ex-presidente Jair. Aparentemente, o Donald atira em todas as direcções e, até agora, não há notícia de quem lhe tenha feito frente, com excepção do Brasil e do Canadá e, por isso, as novas tarifas anunciadas às exportações para os Estados Unidos, que vão dos 10% aos 50%, penalizam cerca de sete dezenas de países, embora os mais atingidos pareçam ser o Brasil, o Canadá e a Suiça. 
No caso do Brasil, o Donald quer ajudar o seu amigo Jair Bolsonaro que, tal como ele no Capitólio, também parece que quis fazer um golpe de estado. Porém, o governo brasileiro não alinha com os diktats trumpistas, nem a justiça brasileira aceita pressões internas e externas no “caso Bolsonaro”, o que tem dado origem a uma crise diplomática, de que resulta a vingança do Donald que fixou a taxa aduaneira de 50% para os produtos brasileiros que entrem nos Estados Unidos a partir de 6 de Agosto, embora estejam anunciados 694 produtos que ficam de fora.
Como já foi salientado por quem sabe, estas tarifas alfandegárias são “uma transferência unilateral de riqueza”, ou mesmo uma extorsão que Donald Trump está a fazer. Porém, no seu editorial da edição de ontem, o jornal O POVO que se publica na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará, diz que “é preciso calma e firmeza para avaliar o impacto das medidas”. Terá que ser assim, até porque há quem pense que serão os próprios consumidores americanos que se irão zangar com o Donald

segunda-feira, 21 de julho de 2025

O Brasil é dos brasileiros!!

Por estar à frente da mais poderosa nação do mundo, o presidente Donald Trump tem vindo a comportar-se com arrogância pessoal, fanatismo ideológico e com todo o tipo de ameaças, mostrando uma enorme falta de respeito pela soberania dos outros estados.
Não é preciso dar exemplos do que o trumpismo vem fazendo no mundo, ameaçador e vingativo, dando o dito por não dito e reduzindo a sua acção política a uma simples contabilidade de custos e proveitos, sob o lema do MAGA (Make America Great Again), sempre inscrito no seu boné vermelho.
Agora chegou a vez do Brasil. O Donald não gostou que os BRICS se tivessem reunido no Brasil e condenassem o ataque americano ao Irão, nem que pedissem para os israelitas abandonarem Gaza e para que acabassem com a sua cruel ofensiva contra os palestinianos. Além disso o Donald tratou de criticar a justiça brasileira por acusar Jair Bolsonaro de tentativa de golpe de estado, o que é uma grosseira intromissão nos assuntos de um estado soberano.
Já depois disto e por ordem do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair passou a usar uma tornozeleira e vai passar a ter que cumprir várias regras comportamentais, enquanto a sua casa foi objecto de buscas judiciais. Furioso, o brasileiro de que o Donald tanto gosta, veio afirmar que “é a suprema humilhação”.
Nos Estados Unidos foram retirados os vistos a vários ministros brasileiros, incluindo Alexandre de Moraes, enquanto os empresários brasileiros dos sectores industrial e agrícola se têm unido em torno do vice-presidente Geraldo Alckmin, como se sempre tivessem sido apoiantes do governo de Lula.
Como diz a mais recente edição da revista Veja, “o tarifaço do presidente americano,  ajuda a popularidade de Lula e faz a oposição se dividir entre defender Bolsonaro ou os interesses do país”. 
Com determinação e coragem, Lula fez-se fotografar com um boné azul onde se lê “O Brasil é dos brasileiros” e responde-lhe: Thank you Mr. Trump!
Era bom que esta disputa se ficasse pelos bonés...

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Trump ameaça o Brasil, mas Lula é firme

O presidente Donald Trump tem-se multiplicado em atitudes violadoras das normas de convívio internacional, por vezes com grosseria e sempre com arrogância, parecendo desafiar as soberanias de alguns países. Ameaçou o Canadá e a Dinamarca, deu luz verde a Netanyahu para destruir Gaza e criar uma Riviera de Médio Oriente, atacou o Irão sem ter quaisquer provas de que este país tinha ou preparava bombas nucleares e está agora a desafiar o Brasil ao impor taxas aduaneiras de 50% aos produtos brasileiros.
Esta medida surgiu como reacção punitiva aos países que integram o bloco das economias emergentes, designados como BRICS – dez estados-membros e dez parceiros-candidatos – entre os quais a China, a Índia, a Rússia e o Brasil, que representam 46% da população mundial e que realizaram recentemente a sua cimeira no Rio de Janeiro.
Donald Trump não gostou que os BRICS condenassem o ataque ao Irão e pedissem que Israel abandonasse Gaza, mas também veio declarar que era “terrível” a forma como está a ser tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é acusado pela Justiça brasileira por tentativa de golpe de estado, acusando o Brasil de estar a fazer “caça às bruxas”.
Naturalmente, o presidente Lula da Silva devolveu a carta de protesto que recebera do Donald e, num comunicado oficial publicado no jornal O Estado de S. Paulo, afirmou que “a defesa da democracia no Brasil compete aos brasileiros”, “que ninguém está acima da lei” e que “somos um país soberano e não aceitamos a interferência ou tutela de quem quer que seja”.
Que pena não haver dirigentes na Europa com a firmeza de Lula da Silva.

domingo, 13 de abril de 2025

Estudando o Real Forte Príncipe da Beira

A edição de ontem do jornal The Washington Post destaca como tema principal da sua primeira página, a história de um forte português “perdido” na Amazónia, que os cientistas estão agora a estudar através de tecnologias com base nos raios X, que é uma forma de radiação electromagnética muito utilizada na Medicina para a análise das condições dos órgãos internos. 
Trata-se do Real Forte Príncipe da Beira, localizado na margem direita do rio Guaporé, no estado brasileiro de Rondónia, que começou a ser construído em 1775 por ordem do Marquês de Pombal. O Tratado de Madrid de 1770 tinha assegurado o direito português à posse dos territórios situados para leste do “meridiano de Tordesilhas” e os fortes da Amazónia faziam parte de um plano para a construção de um “cordão de fortes” para defender o território brasileiro de eventuais incursões espanholas, a partir da Bolívia, designadamente para pesquisa de ouro.
O Real Forte Príncipe da Beira é considerado a maior edificação militar portuguesa do Brasil colonial e foi construído no sistema Vauban, com base num quadrado com 118 metros de lado com um baluarte em cada vértice. Poucos anos depois, a presença portuguesa na região consolidou-se, o Brasil tornou-se independente e cessou a ameaça espanhola, pelo que o forte perdeu a sua importância estratégica e, em finais do século XIX, foi abandonado, tendo “desaparecido” por acção da vegetação tropical.
Em 1913 o forte foi “redescoberto” e, nos anos mais recentes, foi recuperado, inclusive com o apoio técnico português, sobretudo da Fundação Calouste Gulbenkian. A partir de 2009 iniciaram-se trabalhos arqueológicos, por iniciativa do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional, para compreender a história, não só do forte mas de toda a zona envolvente, onde se situavam povoações aborígenes e uma povoação europeia de nome Lamego.
A reportagem do The Washington Post divulga a história do Real Forte Príncipe da Beira, que os portugueses construíram, mas também o que está a ser feito com o apoio das tecnologias para conhecer o passado histórico e antropológico da região.

quinta-feira, 27 de março de 2025

A excelente lição que nos chega do Brasil

Os brasileiros assistiram estupefactos aos acontecimentos ocorridos no dia 8 de janeiro de 2023 em Brasília, quando milhares de pessoas invadiram e vandalizaram os edifícios monumentais que representam os três poderes da República Federativa do Brasil, respectivamente o Palácio do Planalto (poder executivo), o Congresso Nacional (poder legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (poder judicial). Uma multidão de bolsonaristas contestava com violência os resultados eleitorais que tinham dado a vitória presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva e rejeitavam a própria democracia.
A perturbação foi controlada no limite, mas de imediato foi divulgada pela imprensa a informação de que tinha sido montada uma organização criminosa com o objectivo de concretizar um golpe de estado e assegurar que Jair Bolsonaro continuasse no poder. Na altura escreveu-se que havia sólidas provas que mostravam que vários oficiais de alta patente tinham tido participação activa na tentativa antidemocrática.
O facto é que a Procuradoria-Geral da República (PGR) conduziu as averiguações contra o ex-presidente Bolsonaro e mais sete dos seus aliados, vindo o Supremo Tribunal Federal a proferir agora a sua decisão unânime, declarando-os réus.
A decisão é inédita no Brasil. Pela primeira vez na sua história, um ex-presidente e vários oficiais de alta patente das Forças Armadas foram declarados réus por crimes ligados a uma tentativa de golpe de estado. A imprensa brasileira, designadamente O Estado de S. Paulo, destacou esta notícia com muito sensacionalismo. Na política não vale tudo.
Evidentemente que o processo vai ser longo e, lá como cá, é prematuro condenar os réus antes de julgamento, pois todos têm direito à presunção de inocência, mas este exemplo que nos chega do Brasil bem pode servir para condenar todas as jogadas antidemocráticas que por cá acontecem, através da desinformação e do controlo da comunicação social e das redes sociais.

segunda-feira, 3 de março de 2025

“Ainda estou aqui” distingue o Brasil

Pela primeira vez na história do cinema houve um filme brasileiro e, por consequência, um filme falado em português, que conquistou um dos The Academy Awards ou Oscares, atribuidos desde 1929 pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Nesta 97ª edição da cerimónia “que todo o mundo aguarda”, que se realizou no Dolby Theatre em Hollywood, foram anunciados e entregues os Oscares relativos ao ano cinematográfico de 2024, nas 23 categorias em apreciação.
O filme Anora, uma comédia dramática produzida e realizada nos Estados Unidos, foi o grande vencedor do ano com cinco prémios, incluindo o prémio que distingue o Melhor Filme. O filme brasileiro Ainda estou aqui, dirigido por Walter Salles, disputou três prémios, incluindo o prémio para a Melhor Actriz, mas o júri não escolheu Fernanda Torres, o que deixou muito entristecido o povo e a cultura cinematográfica brasileiros. O filme Ainda estou aqui retrata a vida de uma família perseguida pela ditadura militar brasileira (1964-1985), ganhou o prémio destinado ao Melhor Filme Internacional e o “Brasil fez história”, como destacou a edição de hoje do Correio Braziliense.
Toda a imprensa brasileira destacou a vitória do filme de Walter Salles e uniu-se no elogio ao realizador e à sua equipa, mas o aspecto porventura mais importante terá sido o entusiasmo com que o Brasil acolheu o seu primeiro Oscar cinematográfico, mas também algum desapontamento geral por Fernanda Torres não ter sido premiada. 
A cultura brasileira, a indústria cinematográfica e a memória histórica do Brasil estão de parabéns! A alegria dos brasileiros vai muito para além do carnaval e do futebol.