segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A queda de Maduro e a ambição de Trump

De uma forma até certo ponto surpreendente em relação aos acontecimentos do dia 3 de janeiro, a imprensa mundial destacou mais a captura de Nicolás Maduro do que a operação militar que violou a soberania da Venezuela, inaugurando um período em que o direito internacional passa a não ter valor. A fotografia de Nicolás Maduro, algemado e de olhos vendados, apareceu nas capas dos jornais de todo o mundo, por vezes ocupando toda a mancha da página como aconteceu na edição do diário espanhol ABC,  o que serviu para disfarçar a agressão militar americana a um país soberano, o que parece inaugurar uma nova era de imperialismo e de submissão dos mais fracos aos mais fortes.
Com a sua ganância pelo petróleo e pelas outras riquezas minerais venezuelanas, Donald Trump deu um passo muito perigoso e anunciou que “os Estados Unidos governarão a Venezuela” e que “ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério”, tendo já ameaçado a Colômbia, Cuba, o México e, ainda, a Gronelândia. Ninguém imaginava que o país fundado por George Washington e Thomas Jefferson passasse por este renascimento imperialista e que esteja em vias de se tornar o destabilizador mundial.
É certo que o regime chavista “se pôs a jeito” com a sua ditadura repressiva e brutal, mas o excêntrico Nicolás Maduro também foi vítima de uma campanha difamatória internacional que o fizeram “pior que o diabo”, o que Donald Trump aproveitou. 
A China já pediu a Trump que “deixe em paz” o petróleo venezuelano e liberte Maduro, tal como a Rússia e outros países já condenaram a agressão americana, mas a Europa nada diz de concreto e treme, sem dignidade nem coragem, entre os excessos de Putin e de Trump. Não restam dúvidas de que entramos em 2026 com demasiado desassossego por todo o nosso planeta.

Donald Trump recupera doutrina Monroe

Na madrugada do dia 3 de janeiro os Estados Unidos atacaram a Venezuela, conforme foi abundantemente repetido pelos mass media internacionais, nomeadamente a imprensa do dia 4 de Janeiro, tendo capturado o presidente Nicolás Maduro e a sua mulher Cília Flores. O ataque foi violento e foi dirigido a instalações militares e ao palácio presidencial, tendo provocado muitas explosões em Caracas e em outros locais, causando cerca de 80 mortes. Na sua edição de ontem o jornal Newsday foi um dos poucos diários que acentuaram o “ataque à Venezuela”, pois a maioria da imprensa preferiu dar destaque à captura de Maduro.
A aparente facilidade com que decorreu a operação militar, que muita gente já esperava, aparentemente sem qualquer resistência do regime chavista, suscita dúvidas quanto ao envolvimento de infiltrações da Central Intelligence Agency no círculo mais próximo de Nicolás Maduro, que terá sido traído. Segundo foi anunciado, o ditador venezuelano já está em Nova Iorque e vai responder por acusações de uma suposta ligação ao tráfico internacional de drogas. Donald Trump não cabe em si de euforia e dispara ameaças em todas as direcções por estar, segundo ele e os seus correligionários, a concretizar a sua ambição - Make America Great Again – tendo para isso ressuscitado a doutrina Monroe, de 1823, que reclamava “a América para os americanos”.
As reacções internacionais não foram unânimes, pois enquanto alguns países apoiaram esta acção e se regozijaram com a captura de Nicolás Maduro, outros países condenaram abertamente a intervenção ordenada por Donald Trump por violar a soberania da Venezuela e atentar contra as regras do direito internacional, para além de abrir um precedente de intervenção militar na América Latina que nunca acontecera.   
A triste Europa calou-se, encolheu-se, acobardou-se e aprofundou a sua insignificância, apoiando implicitamente as aventuras de Donald Trump, com a honrosa excepção da Espanha.