De uma forma até
certo ponto surpreendente em relação aos acontecimentos do dia 3 de janeiro, a
imprensa mundial destacou mais a captura de Nicolás Maduro do que a operação
militar que violou a soberania da Venezuela, inaugurando um período em que o
direito internacional passa a não ter valor. A fotografia de Nicolás Maduro,
algemado e de olhos vendados, apareceu nas capas dos jornais de todo o mundo,
por vezes ocupando toda a mancha da página como aconteceu na edição do diário
espanhol ABC, o que serviu para
disfarçar a agressão militar americana a um país soberano, o que parece
inaugurar uma nova era de imperialismo e de submissão dos mais fracos aos mais
fortes.
Com a sua
ganância pelo petróleo e pelas outras riquezas minerais venezuelanas, Donald
Trump deu um passo muito perigoso e anunciou que “os Estados Unidos governarão
a Venezuela” e que “ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso
hemisfério”, tendo já ameaçado a Colômbia, Cuba, o México e, ainda, a
Gronelândia. Ninguém imaginava que o país fundado por George Washington e
Thomas Jefferson passasse por este renascimento imperialista e que esteja em
vias de se tornar o destabilizador mundial.
É certo que o
regime chavista “se pôs a jeito” com a sua ditadura repressiva e brutal, mas o
excêntrico Nicolás Maduro também foi vítima de uma campanha difamatória
internacional que o fizeram “pior que o diabo”, o que Donald Trump aproveitou.
A China já pediu
a Trump que “deixe em paz” o petróleo venezuelano e liberte Maduro, tal como a
Rússia e outros países já condenaram a agressão americana, mas a Europa nada diz
de concreto e treme, sem dignidade nem coragem, entre os excessos de Putin e de Trump. Não restam dúvidas de que entramos em 2026 com demasiado
desassossego por todo o nosso planeta.

