domingo, 12 de janeiro de 2020

O grave erro humano e a tragédia do Irão

No passado dia 3 de Janeiro foi assassinado em Bagdade o general iraniano Qassem Soleimani vitimado pelo disparo de um drone americano e, na noite de 7 para 8 de Janeiro, os iranianos retaliaram com 22 mísseis contra duas bases militares americanas no Iraque. 
Quase em simultâneo, um Boeing 737 da Ukrainian International Airlines que fazia o voo comercial PS 572 e que levantara do aeroporto de Teerão há poucos minutos despenhou-se e provocou 176 vítimas, sendo 82 iranianos, 57 canadianos, 11 ucranianos e três britânicos. Houve quem suspeitasse da coincidência temporal entre a retaliação iraniana e o colapso do avião ucraniano, mas as autoridades iranianas negaram qualquer ligação entre estes dois acontecimentos.
Porém, começaram a ouvir-se vozes, sobretudo do primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, afirmando haver indícios de que o avião ucraniano fora derrubado por projécteis iranianos. Durante três dias foi negada a intervenção do Irão nesta tragédia, até que ontem, dia 11 de Janeiro, o presidente Hassan Rouhani anunciou que a investigação interna levada a cabo pelos militares iranianos concluiu que “mísseis disparados devido a erro humano causaram o horroroso desastre do avião ucraniano”. Hoje, no jornal Tehran Times os militares iranianos assumem responsabilidades pela tragédia, acontecida num ambiente de grande tensão criado pelas circunstâncias e pelas ameaças dos últimos dias, em que o avião terá sido confundido com um míssil hostil pelo que foi abatido.
As forças armadas iranianas já prometeram melhorar os seus sistemas para evitar uma repetição do que sucedeu e as autoridades já afirmaram aceitar a entrada de investigadores internacionais, incluindo peritos da Boeing, tendo disponibilizado as caixas negras do avião aos peritos.
No meio desta tragédia, a atitude de abertura e de assunção de responsabilidades por parte do Irão deve ser destacada e até pode servir de trampolim para algum apaziguamento regional. Por outro lado, aqueles que na rua gritaram "morte à América", agora gritam "abaixo os ayatollahs".