sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Angela Merkel - person of the year 2015

Desde 1927 que a revista TIME escolhe a Personalidade do Ano e, numa atitude de auto-promoção, a própria revista afirma que, para o melhor ou para o pior, esta escolha influencia o mundo. É um exagero publicitário, até porque no fim do ano se fazem inúmeras escolhas deste tipo sem que alterem o curso da Humanidade. No entanto, esta escolha é uma curiosidade que se repete há 89 anos e que desperta o interesse das pessoas. A escolha deste ano recaiu em Angela Merkel, na linha do que aconteceu com a revista Forbes que a classificou como a segunda pessoa mais poderosa do mundo, numa lista em que, à cabeça, surgem sempre Vladimir Putin, Barack Obama, Xi Jinping e o Papa Francisco.
De acordo com os critérios da popular revista americana, a escolha de Angela Merkel é acertada, não só pela posição que ocupa desde 2005 como chanceler da poderosa Alemanha, mas também pela forma como se tornou a incontestada líder da Europa, cilindrando Barroso e Juncker, Sarkozy e Hollande, entre muitas outras figuras que ocasionalmente aparecem no palco europeu, como Jeroen Dijsselbloem ou Christine Lagarde. As suas posições tornam-se sempre as posições da Europa. É conhecida a sua atitude intransigente em relação à dívida dos países do sul, mas também o seu apoio aos refugiados sírios. É sabido, também, como olha para os problemas da Ucrânia e da Síria sem o radicalismo dos seus parceiros ocidentais, da mesma forma que recusou entrar na cruzada anti-Kadaffi.
Pode concordar-se ou não com a prática política de Angela Merkel, mas há que reconhecer que tem pensamento próprio, o que é uma coisa que desapareceu do “mundo ocidental” e até do pequeno mundo que tomou conta da política no nosso Portugal, onde proliferam papagaios e papagaias que repetem, repetem, repetem ou, se quisermos, mentem, mentem, mentem.