quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Um grande embaixador que veio de Goa

Fátima, 13 de Outubro de 2014
A convite do Bispo de Leiria-Fátima, a última grande peregrinação internacional ao Santuário de Fátima do corrente ano foi presidida pelo Arcebispo de Goa e Damão, que é também o Patriarca das Índias Orientais e Primaz da Índia.
O respectivo titular é o Padre Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, nascido em 1953 em Aldona, no norte de Goa, que foi ordenado em 1979 e nomeado bispo-auxiliar de Goa e Damão em 1993. Em 2004 foi escolhido por João Paulo II para dirigir a diocese que tem jurisdição eclesiástica sobre os territórios do antigo Estado Português da Índia. Fluente em várias línguas incluindo o português, o Arcebispo de Goa e Damão é um homem dotado de grande inteligência, erudição e sensibilidade social, pelo que goza de grande prestígio na sua diocese. 
A sua visita a Portugal e a sua presença nas cerimónias de Fátima que a televisão transmitiu em directo, excederam largamente o seu significado religioso, pois foi uma oportunidade para um encontro cultural entre Goa e Portugal e para um afectuoso convívio com a simpatia e o carisma pessoal do Arcebispo de Goa e Damão, que juntou muitos portugueses de origem goesa e muitos dos seus amigos e admiradores.
Numa conferência de imprensa realizada em Fátima, afirmou Dom Filipe Neri Ferrão que cresce o interesse pela cultura e língua portuguesas na sua diocese, depois de um período em que se verificou alguma hostilidade. Segundo disse, há cursos de português não só na Universidade de Goa, mas também em vários institutos de línguas, pois tem aumentado o número de pessoas que quer aprender português.
Nas suas intervenções públicas televisionadas e nas suas intervenções em ambientes mais restritos, o Arcebispo de Goa e Damão protagonizou um ponto alto da amizade entre Goa e Portugal e, de facto, foi um verdadeiro embaixador da excelência cultural e intelectual goesa.

Folga na austeridade é pura propaganda!


Folga na austeridade? Só contaram pra você...
O governo apresentou ontem à tarde a sua proposta de Orçamento do Estado para 2015 e as reacções dos partidos do governo e da oposição foram, naturalmente, assimétricas e esperadas. Na falta do próprio documento e do tempo necessário para o interpretar, os cidadãos só podem recorrer à imprensa, onde encontram as mais diversas reacções expressas nos títulos de primeira página que escolheram e que são curiosos. O Jornal de Notícias diz que “cada um de nós vai pagar mais 175 euros de impostos”; o Público escreve que há “austeridade para a maioria, alívio só para alguns”; o Diário de Notícias explica “como a carga fiscal vai subir em 2015” e até o Diário Económico salienta a “austeridade eleitoral”. Só o Jornal de Negócios, travestido de jornal independente, se compromete com o discurso governamental e escreve “folga na austeridade”.
Este título traduz a linha do discurso oficial do governo, isto é, que a economia vai crescer 1.5% e que o próximo ano vai representar o início da recuperação, esquecendo que os ventos de nova crise já sopram por essa Europa. Apesar da generalidade da comunicação social anestesiar diariamente os portugueses e de lhes querer fazer passar a ideia de que estamos no bom caminho, o facto é que a nossa dívida passou de 97% para 130% do PIB, que os ricos estão cada vez mais ricos e que há cada vez mais pobres, que não há investimento nem criação de emprego, que a Educação e a Justiça não funcionam e que passamos por níveis de confiança demasiado baixos. Assim, a proposta de Orçamento que a maioria vai aprovar, parece manter as escolhas políticas que tão maus resultados têm dado, representando mais um dos habituais arranjos contabilísticos do governo, que corta aqui e repõe ali, para que tudo fique na mesma. Depois, há-de vir mais um Orçamento rectificativo, coisa em que o actual governo é um campeão digno do Guiness, porque desde que chegou ao poder no dia 21 de Junho de 2011, já lá vão exactamente oito (8). Agora, com este orçamento que parece tão irrealista, a seu tempo hão-de aparecer os habituais rectificativos.