quinta-feira, 22 de maio de 2014

As eleições europeias de 2014

O processo eleitoral da escolha dos 751 deputados que tomarão assento no Parlamento Europeu até 2019, em representação de mais de 500 milhões de cidadãos dos 28 Estados-membros da União Europeia, inicia-se hoje no Reino Unido e na Holanda, embora a grande maioria dos actos eleitorais ocorra no dia 25 de Maio. Em Portugal assim acontecerá e serão eleitos 21 deputados europeus. Com honrosas excepções, os nossos actuais euro-deputados são uns desconhecidos de quem os elegeu e, mesmo na campanha em curso, não sabemos quem são os candidatos e sabemos apenas os nomes dos cabeças de lista apresentados por cada partido. Não admira, portanto, que a abstenção seja a grande vencedora das eleições europeias.  
Desde há alguns anos que a União Europeia atravessa uma profunda crise económica e social que está a fazer tremer os alicerces da construção europeia, a solidez do seu modelo social e o seu prestígio no mundo. A hegemonia e a arrogância dos grandes sobre os pequenos Estados acentuou-se e o projecto de solidariedade europeia tem sido ignorado perante a intensificação dos egoismos nacionais. O desemprego, sobretudo dos jovens, atinge níveis insuportáveis. A coesão social está fragilizada. Há uma crescente indiferença pelos direitos humanos, pelos atentados às liberdades democráticas e pela violação das regras do Estado de Direito. A União Europeia tem que reagir para sobreviver. Tem que ser mais forte, mais solidária, mais próspera, mais justa e mais respeitadora das identidades culturais e das soberanias dos seus Estados-membros. A União Europeia precisa de deputados inconformados com a decadência civilizacional europeia mas que sejam fiéis aos seus valores culturais, sem submissão nem servilismo aos poderes financeiros emergentes. As arrogantes burocracias de Bruxelas e de Frankfurt, que durante três anos nos humilharam sem que os nossos dirigentes pestanejassem, não são aceitáveis nem podem ser toleradas. Essa era a resposta e a proposta que se esperava dos candidatos a deputados europeus, mas são poucos os que falam destas coisas, enquanto outros continuam – imagine-se já no século XXI – a atirar poeira para os olhos dos eleitores com os seus discursos fanáticos, patéticos, pindéricos e rangélicos.