No próximo domingo
realizam-se eleições legislativas na Grécia e esse acontecimento está a agitar
a Europa, sobretudo porque as sondagens indicam que o principal partido da
oposição (Syriza de Alex Tsipras com
29,5%) está a aumentar a sua vantagem sobre o partido do actual governo (Nova Democracia de Antónis Samarás com
25,7%).
Há muitas
questões em aberto, quer no que respeita às maiorias que se possam vir a formar
para governar a Grécia, quer em relação ao previsível confronto grego com a
União Europeia e os seus credores internacionais, pois o resultado eleitoral do
próximo domingo pode gerar um ciclo de instabilidade política e social,
precipitando a reestruturação da dívida grega ou a saída da moeda única.
A União Europeia e
outras instâncias internacionais como o FMI temem o Syriza, uma coligação de esquerda que combate as políticas de
austeridade, que tanto têm afundado a economia grega e criado um insustentável
desemprego, além de defender o adiamento ou a anulação da enorme dívida grega.
Muitos dirigentes internacionais, desde Jean-Claude Juncker a Christine Lagarde,
têm produzido declarações que são uma inadmissível pressão sobre os gregos, mas
também tem havido declarações a considerar legítimo que o eleitorado grego
escolha o caminho que deseja seguir. Essa escolha dos gregos vai ser certamente
inspiradora para os países endividados do sul da Europa e pode ser “uma pedrada
no charco” que abra as portas a uma nova abordagem para a retoma da coesão e da
solidariedade europeias. As propostas de Alex Tsipras para que os países
endividados assumam uma posição conjunta sobre a dívida pública têm cada vez
mais seguidores e essa poderá ser a melhor solução para os problemas da Grécia,
mas também de Portugal, Itália, Espanha, Chipre, Irlanda e Bélgica, não
deixando de ser curioso e alarmante ouvir de Giscard d’Estaing que “a França
corre o risco de viver uma situação como a da Grécia”.
As eleições
gregas já estão a ser um grito de alerta e um sinal de esperança para muitos
europeus, podendo ser também “uma luz ao fundo do túnel” que indique caminhos alternativos
às políticas de austeridade que tanto têm empobrecido os países do sul da
Europa, assustando-os, desmoralizando-os e oprimindo-os.