Durante alguns
dias fui passear, mudar de ares e melhorar os meus conhecimentos históricos e
geográficos no nordeste espanhol, sobretudo na Comunidade Autónoma do País Basco
(Euskadi) e nas suas províncias de Álava (Vitoria-Gasteiz), Biscaia (Bilbao) e Guipúscoa
(San Sebastián-Donostia). Por esse motivo, não acompanhei a visita a Portugal
do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem a entrega do Prémio Camões a Chico
Buarque, nem as festividades alusivas aos 49 anos do 25 de Abril.
Não se pode ter
tudo, mas julgo ter perdido algumas dos mais emocionantes episódios da nossa
vida pública do corrente ano.
A visita de um
presidente da República Federativa do Brasil é sempre um acontecimento que
atesta e reforça os laços históricos, culturais e afectivos entre os dois
países irmãos, embora alguns deputados não percebam isso. Assim aconteceu com o
deputado Rangel que veio de Bruxelas de propósito para insultar Lula da Silva,
só porque não pensa como ele. Depois foram os deputados do partido de André
Ventura que, miseravelmente, não souberam respeitar o símbolo maior do Brasil e
esqueceram que milhões de portugueses foram acolhidos no Brasil ao longo do
processo histórico, tal como muitos brasileiros sempre foram recebidos em Portugal. Tiveram a resposta que mereceram - “Chega de envergonhar Portugal” - foi o que bem lhes disse Augusto Santos Silva,
o Presidente da Assembleia da República.
O Presidente Lula
da Silva partiu depois para Espanha sem confundir as árvores podres que aqui viu com a enorme
floresta portuguesa. Partiu contente e mais prestigiado. Em Madrid foi recebido por Filipe VI e por Pedro Sánchez,
enquanto o prestigiado jornal El País não perdeu a oportunidade
para lhe fazer uma extensa entrevista em que, sobre a guerra da Ucrânia, disse
que “solo los que están fuera de la guerra pueden pararla” e que “cada bando
quiere ganar y muchas veces una guerra no necesita un ganador”. Dessa forma, o
Presidente Lula repetiu que o caminho para a paz na Ucrânia é uma terceira via
com países neutrais, que estejam dispostos para negociar uma saída para a
guerra que foi iniciada pela Rússia, acrescentando “no quiero agradar a nadie, quiero
construir un camino para la paz en Ucrania”.
As suas posições já colocaram Lula no patamar mais alto da política mundial. Desejamos-lhe sucesso.