domingo, 24 de maio de 2015

Uma espécie de jornalismo desportivo

A equipa do Sport Lisboa e Benfica venceu o Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão, agora chamado Liga NOS e, como muitas vezes se afirma, houve “6 milhões de portugueses” que ficaram satisfeitos e felizes. Foi a vitória de uma equipa com demasiados jogadores estrangeiros sobre outras equipas, também com demasiados jogadores estrangeiros e essa desnacionalização do nosso futebol é tão significativa como a desnacionalização do nosso tecido empresarial, como sucedeu com a Cimpor, a PT, a REN, a EDP, a ANA, os Correios e, agora, a TAP. Os novos tempos são assim e não adianta que nos queixemos. O que realmente interessa é que haja tantos portugueses satisfeitos e  felizes, mesmo que seja por uma vitória num campeonato de futebol, esquecendo por uns dias o sombrio panorama que nos cerca e que nos revela enormes incertezas quanto ao futuro.
A festa começou no passado fim de semana em Guimarães e estendeu-se à capital com grandes festejos na Praça Marquês de Pombal, que ontem chegaram até ao Estádio da Luz. Houve alguns problemas, mais ou menos esperados. O futebol sempre foi um escape emocional para o povo e, por isso, é natural que depois de muitas semanas de ansiedade, de muitos jogos e de off-sides, de golos e de penaltis, de lesões e de cartões, de boas e más arbitragens, de entrevistas e de comentários, aconteça esta enorme onda de alegria que envolveu os tais “6 milhões de portugueses”. Porém, para aqueles que realmente gostam de futebol e das imagens que aquele espectáculo proporciona, a forma como a comunicação social – imprensa, rádio e televisão – tratou este assunto foi absolutamente desproporcionada e abusiva. O Sport Lisboa e Benfica e a sua justa vitória desportiva não mereciam ser instrumentalizados como foram por uma espécie de jornalistas do futebolez e pela sua manifesta mediocridade e subserviência.