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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Os BRICS afirmam-se como o Global South

No passado fim-de-semana realizou-se em Nova Delhi a 18ª Cimeira dos BRICS, uma organização intergovernamental criada pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a que se juntaram posteriormente o Egipto, Etiópia, Irão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia. 
O anfitrião da cimeira foi o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que recebeu Vladimir Putin, Xi Jinping e Cyril Ramaphosa, mas também Masoud Pezeshkian, presidente do Irão, Prabowo Subianto, o presidente da Indonésia, enquanto Lula da Silva se fez substituir pelo seu ministro das Relações Exteriores. 
Os BRICS representam cerca de 49% da população mundial e cerca de 41% do PIB mundial, controlando cerca de 26% do comércio global. Segundo relatou a imprensa, a cimeira de Nova Delhi foi marcada pelas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, pelas crescentes tensões entre os Estados e a China, pela questão do petróleo e pela defesa de uma ordem internacional mais multipolar, baseada em regras e no diálogo, com mais equilíbrio e maior participação dos países em desenvolvimento. Os países que constituem os BRICS procuram uma nova ordem internacional, designadamente mais assentos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas também pretendem aumentar a sua influência no mundo e construir caminhos conjuntos de cooperação para enfrentar os desafios globais. 
O documento final, ou Declaração de Nova Delhi, inclui 140 pontos e foi assinado por unanimidade, pedindo a “máxima contenção” no Médio Oriente, manifestando forte oposição ao deslocamento forçado de palestinianos e afirmando a unidade do Global South, como mostra a capa do jornal indonésio The Jakarta Post. Quando onze países com regimes políticos, interesses económicos e visões geopolíticas tão diferentes, mostram esta unidade em torno da ideia do Global South e esta vontade de cooperar, é porque encontram um elemento comum que os une. Será a Europa, ou os Estados Unidos, ou apenas Donald Trump e a sua ambição de dominar o mundo?

domingo, 13 de setembro de 2026

A escola, os alunos e os novos tempos

Foram divulgados os resultados do PISA 2025 e uma onda de preocupações alastrou pelos países da OCDE, sobretudo na Alemanha, França, Espanha e até Portugal, que registaram os seus piores resultados de sempre em Leitura, Matemática e Ciências, atingindo mínimos históricos desde que o programa foi criado no ano de 2000.
O jornal luxemburguês Le Quotidien reflectiu essa preocupação ao trazer o tema para a sua primeira página e ao escrever que “o nível dos alunos [está] em queda livre”.
O PISA (Programme for International Student Assessment) é um programa internacional de avaliação de alunos que funciona como uma rede mundial de desempenho escolar coordenada pela OCDE, com vista a melhorar as políticas e os resultados no sector da educação. A avaliação é realizada de três em três anos pelos países membros da OCDE e por alguns outros países não membros, com base numa amostra de alunos de 15 anos de idade das diversas redes de ensino, etnias, género e níveis socioeconómicos.
O relatório publicado na corrente semana - que não lemos - é preocupante, segundo revelou a imprensa, que informa que “as competências em Matemática e Leitura dos alunos têm vindo a diminuir em todo o mundo, sobretudo devido à digitalização e à diminuição da leitura por lazer, o que causou consternação e promessas de ação em toda a Europa”. 
Actualmente há uma enorme heterogeneidade cultural dos alunos, os efeitos da evolução tecnológica no processo educativo são intensos e, muitas vezes, a escola já não é o que era e não se adaptou aos novos tempos, nem à conflitualidade laboral no sector, que enfraqueceu a autoridade dos professores e diminuiu o reconhecimento social da sua profissão. 
A sociedade portuguesa tem sérios problemas na saúde, na habitação, na justiça, na demografia, na desertificação do interior, na emigração dos jovens, no combate à pobreza e, agora, está confrontada com uma dura realidade na educação. 
A comunicação social anda ocupada com o João Palhinha e com o Luís Neves.
Espera-se que os nossos políticos tenham tempo para pensar nisto tudo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia

O genocídio conduzido pelos israelitas em Gaza prossegue como antes, embora a um ritmo mais silencioso, mas tão sistemático e letal como antes, perante o silêncio e a cobardia da União Europeia. Há dias, o diário espanhol El País noticiava que tinham sido assassinados 1.100 palestinianos desde o cessar-fogo de outubro de 2025 e que a situação na Cisjordânia (West Bank) estava a agravar-se, com a acção dos colonos, do exército e do governo israelitas que estão  preparar a anexação de jure do território.
Calcula-se que a quinta parte do território da Cisjordânia, que constitui a base territorial do estado da Palestina, reconhecido pelas Nações Unidas em 2025 e por cerca de 148 países, já está nas mãos dos colonos e das sua milícias, que proíbem as pessoas de se deslocarem entre a parte norte e a parte sul do território. Assim, a continuidade fisica entre o norte e o sul, ou entre Ramala e Belém está cortada pelo exército e pelos colonos, o que nunca acontecera desde os acordos de Oslo de 1993. Nenhum governo israelita procurou antes romper a continuidade geográfica da Cisjordânia, como agora acontece. Hoje é evidente que Israel quer inviabilizar a soberania palestiniana sobre o território da Cisjordânia e impedir a criação do estado da Palestina, em violação das resoluções das Nações Unidas que defendem a “solução de dois estados”, isto é, a existência de Israel e da Palestina como dois estados independentes, soberanos e contíguos, coexistindo lado a lado em paz e segurança.
A Europa tem estado cobardemente calada e demasiado cúmplice com o carrasco Netanyahu, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez e, agora, de Andy Burnham, o primeiro-ministro britânico desde há menos de dois meses, que condenou explicitamente “a limpeza étnica executada por terroristas israelitas na Cisjordânia”, como hoje anunciou o diário The Guardian.
Então os líderes europeus não vêm isto? Talvez agora aprendam com Andy Burnham que condenou a besta com firmeza e que, desejavelmente, irá mais longe na denúncia dos crimes do regime de Netanyahu.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Ventania ameaça a Alemanha e a Europa

Depois de alguns dias com o computador inoperativo, ou em que a competência foi insuficiente para resolver a situação, parece que o problema estará ultrapassado.
Neste interregno em que a Terra rodou à volta do Sol durante vários dias, os acontecimentos dominantes terão sido os resultados das eleições estaduais no estado alemão da Saxónia-Anhalt, onde a extrema-direita da AfD (Alternativa para a Alemanha), obteve uma vitória esmagadora com cerca de 44% dos votos.
Depois da reunificação alemã em 1990, a República Federal Alemã juntou aos onze estados que formavam a Alemanha Ocidental, os cinco estados que constituíam a República Democrática Alemã, entre os quais a Saxónia-Anhalt, cuja capital é Magdeburgo.
Este resultado surpreendeu a Alemanha e a Europa, acelerando as preocupações sobre o avanço das forças da extrema-direita em países como a a Itália, a França, a Espanha e Portugal, entre outros, mas Donald Trump aplaudiu. No caso da Alemanha e com o apoio das classes trabalhadoras mais desfavorecidas, a AfD derrotou claramente a histórica CDU com um programa que promete uma ofensiva de deportação de estrangeiros, ou daquilo a que chamam “remigração”, mais detenções de estrangeiros e cortes nos apoios à integração. Relativamente às escolas, o AfD quer criar turmas separadas para crianças refugiadas, aumentar o controlo do governo sobre os manuais escolares, retirar financiamento aos programas de integração e proibir bandeiras LGBTQIA nas escolas. O partido de extrema-direita defende, ainda, o regresso à energia nuclear e ao gás russo, bem como o levantamento das sanções contra Moscovo e o fim do envio de armas para a Ucrânia.
E aí está como, 81 anos depois da Segunda Guerra Mundial, um partido político de extrema-direita pode chegar ao poder estadual. O jornal francês Libération destaca este importante assunto e diz que na Alemanha aconteceu “le choc fasciste”.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Islândia: vince il no, la Ue non attrae più

A Islândia é um país situado numa ilha do Atlântico Norte nas proximidades do Círculo Polar Ártico, com cerca de 193 mil quilómetros quadrados e aproximadamente 396.500 habitantes, a maior parte dos quais vive na região da sua capital, a cidade de Reykjavik.
É uma ilha vulcânica, com mais de duas centenas de vulcões, dos quais há cerca de três dezenas activos e alguns deles com erupções recentes, mas também tem glaciares e fiordes, lagos, alguns rios e muito gelo. A economia islandesa assenta sobretudo no sector das pescas, especialmente a pesca do bacalhau, mas também na exploração de alguns recursos minerais como o alumínio.
No passado sábado os islandeses foram chamados a participar num referendo em que lhes era pedido para responder à pergunta: “A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?”
Segundo foi ontem divulgado, houve 225.031 votos contabilizados, tendo 52,8% dos eleitores rejeitado a proposta do governo e 47,2% votado a favor. O governo islandês que é chefiado pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, uma economista de 38 anos de idade que também é líder do partido social-democrata, de centro-esquerda, sofreu uma derrota, mas a União Europeia e os seus principais dirigentes em Bruxelas. também foram derrotados.
Como anuncia hoje a primeira página da edição do jornal romano La Reppublica - um diário fundado em 1976 e que adoptou o seu nome em homenagem ao jornal República que então existia em Portugal – na “Islanda, vince il no, la Ue non attrae più”. De facto, a União Europeia parece cada vez mais um navio sem rumo, desgovernado, sem coesão, sem liderança e a meter água por várias brechas.
Os islandeses mostraram que a União Europeia já não atrai como antes.

sábado, 29 de agosto de 2026

A insensatez e o despropósito do Donald

Na sua mais recente e controversa decisão relativa às toponímias ou às geografias de que não gosta, o presidente Donald Trump assinou um decreto que altera o nome do Lago Ontário que, segundo a sua vontade, passa a chamar-se “Lago América”. 
Esta decisão não tem qualquer valor e, tal como aconteceu com a decisão de mudar o nome do Golfo do México para “Golfo América”, não passa de uma bizarra bizantinice do Donald. O Lago Ontário tem cerca de 19 mil quilómetros quadrados de superfície, localiza-se entre o estado de Nova Iorque (americano) e a província do Ontário (canadiana) e nas suas margens situam-se, entre outras, as cidades de Rochester (americana) e de Toronto (canadiana), o que significa que o lago é pertença dos dois estados.
Mark Carney, o primeiro-ministro do Canadá que por várias vezes tem enfrentado Trump sem tibiezas, rejeitou imediatamente esta decisão e afirmou que os canadianos “agora e para sempre” chamarão Lago Ontário a este lago.
Essa também foi a ideia escolhida na sua edição de ontem pelo jornal Toronto Star, ao escolher com grande destaque a manchete Lake Ontario Forever, completada com um subtítulo em que o jornal escreveu: “A manobra de Trump para mudar o nome do lago é um disparate, mas ele está a falar muito a sério quanto ao seu desprezo pelo Canadá”.
Esta é mais uma iniciativa de Donald Trump, a juntar à guerra do Irão e à crise económica, que faz com que a sua popularidade esteja em queda nos Estados Unidos e ao nível mais baixo de sempre, com apenas 33% de apoiantes e 65% de desaprovações.
De facto, o movimento Make America Great Again, tão ligado à personalidade e ao narcisismo do Donald, parece que falhou para sossego da América e do mundo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Marrocos e a cobiça sobre Ceuta e Melilla

Nos dias 30 e 31 de julho de 2026, cerca de 80.000 migrantes entraram em Ceuta a partir de Marrocos, a nado ou contornando as barreiras fronteiriças. Este número é equivalente à totalidade da população desta cidade autónoma espanhola, tendo o seu presidente Juan Jesús Vivas definido esta violação da fronteira como uma “invasão” e exigido o regresso imediato dos migrantes que eram, sobretudo, jovens marroquinos. O acontecimento tem contornos muito complexos, mas serviu para alimentar o discurso da oposição espanhola, o debate europeu sobre o combate ao tráfico de pessoas, a discussão sobre a proteção das fronteiras e, também, para algumas precipitadas críticas de alguns países europeus que não foram solidários com a Espanha nesta delicada questão.
Hoje o jornal El Pueblo de Ceuta traduz o sentimento da população da cidade ao destacar a frase “Ceuta dice hasta aquí”, que significa “Ceuta diz já chega”. No conjunto de imagens que ilustram a capa da edição pode observar-se um cartaz que diz "no quiero invasores, quiero mi libertad”, a mostrar que a "invasão" perturbou o quotidiano dos ceutences ou, como eles dizem, dos ceuties.
Na altura da referida “invasão” escrevemos que a ocorrência “não tem ar de ser espontânea e terá sido ‘organizada’ pelo governo marroquino”, mas alguns factos mais recentes evidenciam o inequívoco envolvimento do governo de Marrocos.
Há dois dias, o ministro dos Assuntos Islâmicos de Marrocos reivindicou a soberania marroquina sobre Ceuta e Melilla durante uma cerimónia religiosa realizada no Palácio Real de Rabat, perante o rei Mohamed VI e o príncipe herdeiro, tendo utilizado expressões como “territórios ocupados” e “libertação da ocupação ibérica”. Não foi a primeira vez, nem foi o único dignitário marroquino a fazer este tipo de declarações, a mostrar que Marrocos sobe de tom nas suas reivindicações sobre Ceuta e Melilla.
Afinal, mais do que um problema humanitário e de direitos humanos, a questão de Ceuta é um problema político.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ucrânia celebra 35 anos de independência

A Ucrânia celebra hoje o 35º aniversário da sua independência – o que aqui se saúda. 
A independência foi declarada pelo parlamento ucraniano no dia 24 de agosto de 1991 e aconteceu na sequência da perestroika, um plano de reforma estrutural da União Soviética conduzido por Mikhail Gorbachev que, quatro meses depois, renunciou ao seu cargo de presidente. Em 1990 Gorbachev tinha sido distinguido com o Prémio Nobel da Paz e, depois da "guerra fria", esperava-se que houvesse desanuviamento, cooperação e paz.
O que se passou depois, tanto na antiga União Soviética, como nas suas duas principais ex-repúblicas da Rússia e da Ucrânia, é complexo e não se enquadra na análise do evento que hoje se celebra em Kiev que, como a história nos ensina, é uma cidade que é o berço cultural comum para ucranianos, bielorrussos e russos.
Entretanto, durante alguns anos, a Rússia e a NATO aproximaram-se, estabeleceram estruturas de cooperação e chegou a ser equacionada a integração russa na NATO. Porém, os violentos acontecimentos de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, embora tenham contornos ainda desconhecidos, marcaram o futuro político da Ucrânia e a crescente polarização entre as forças sociais e políticas ucranianas, tanto pró-Europa como pró-Rússia.
Hoje, sabemos que há uma guerra desde 2022, ou mesmo desde 2014, que é quase uma guerra civil; que essa guerra tem levado a morte e a destruição a muitas cidades ucranianas; que há muita gente na Rússia que se opõe a Putin e à guerra; que há muita gente na Ucrânia que se opõe a Zelensky e à guerra; que circula muita notícia falsa e muita desinformação; que há narrativas de suporte a todas as conveniências; que quase metade dos europeus (39%), segundo a última edição do Eurostat, discorda do apoio à Ucrânia para aquisição de equipamento militar; que estão a ser gastos biliões de euros em armamento que são pagos pelos contribuintes e pelos consumidores europeus e que estão a engordar os lucros das indústrias de guerra.
Como aqui sempre foi salientado, nunca haverá vencedores nesta guerra e todas as partes perderão, sobretudo o povo ucraniano, que merece toda a solidariedade.
Hoje, o jornal polaco Gazeta Wyborcza, que se publica em Varsóvia, assinala o 35º aniversário da independência da Ucrânia com a manchete Wolności i pokoju que, traduzido, significa Liberdade e paz.
Hoje, também os líderes europeus visitaram Kiev, mas pouco falaram de paz e continuaram a alimentar a guerra ao prometerem mais dinheiro e mais armamento.
António Costa afirmou mesmo que, no conflito entre Moscovo e Kiev, ou entre Putin e Zelensky, a Europa não é neutra. Porém, deveria ser neutra, mediadora, pacificadora e, naturalmente, um árbitro capaz e conciliador. 

domingo, 23 de agosto de 2026

As eleições presidenciais no Brasil (II)

As eleições brasileiras estão à porta e serão cerca de 158 milhões de eleitores que irão às urnas para escolher o presidente da República, os governadores estaduais, os senadores e os deputados, federais, estaduais e distritais.
A campanha eleitoral já começou há uma semana mas, para quem observa o processo desde a margem oriental do Atlântico, o interesse das eleições gerais brasileiras está centrado na escolha presidencial e daí que se dê muita atenção às sondagens, a primeira das quais foi divulgada pela Datafolha, a mais credível agência de pesquisa brasileira. Os resultados dessa sondagem foram ontem revelados pela imprensa, designadamente pelo jornal O Globo, que se publica no Rio de Janeiro e que mostra uma disputa intensa na chamada corrida ao Planalto, em que se destacam o actual presidente Lula da Silva, com 39% das intenções de voto, e o candidato Flávio Bolsonaro, que recolhe 33% das intenções de voto. Numa simulação para a 2ª volta, a realizar, se necessário, no dia 25 de outubro, as intenções de voto aparecem repartidas entre Lula da Silva (47%) e Bolsonaro (43%).
A vantagem de Lula da Silva é estatisticamente reduzida e a sondagem mostra que, consideradas as margens de erro, estamos perante um empate técnico.
Faltam 42 dias para o veridicto dos eleitores brasileiros, que vão ser sujeitos a verdadeiras “lavagens ao cérebro”, com propaganda, desinformação, campanhas difamatórias e interferências externas, além de mentiras, de calúnias e de ameaças.
O panorama internacional também se apresenta incerto e confuso, o que pode afetar a serenidade de que os brasileiros precisam para fazer as suas escolhas eleitorais.
Como aqui já foi escrito antes, os brasileiros que se cuidem…

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A gigantesca dívida pública americana

“A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassa os 40 biliões de dólares” é o título mais destacado da edição de hoje do The Wall Street Journal, o diário que tem sede em Nova Iorque e é o jornal impresso com maior circulação nos Estados Unidos.
Este montante é o valor mais elevado de sempre na história das Finanças Públicas americanas e, tão relevante como este valor astronómico, é o alarmante ritmo com que a dívida pública tem aumentado devido a circunstâncias diversas que se conjugam. De entre elas salientam-se a redução de impostos promovida por Donald Trump, o serviço da dívida, ou os juros pagos aos financiadores da dívida cujo montante atinge um bilião de dólares por ano e, naturalmente, os gastos militares que se acentuaram com o conflito no Irão e estão a consumir biliões de dólares. Dessa forma, o nível de despesa da administração americana ultrapassa em cerca de dois biliões de dólares anuais as suas receitas fiscais, daí resultando que o défice público americano esteja actualmente em cerca de 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida pública americana representa 125% do PIB dos Estados Unidos, que é um valor elevado e que compara com os grandes devedores da União Europeia que são a Grécia (143,5%) e a Itália (138.9%), mas também com a França (117,6%), com a Bélgica (109,1%) e com a Espanha (101,6%). A média da União Europeia está em 82,9% e Portugal está com 89,6%, mas a sua dívida pública em valor absoluto é 123 vezes menor do que a dos Estados Unidos.
Acontece que, quando o défice americano se situava entre 3% e 4% do PIB já causava preocupação nos mercados financeiros, pelo que é grande a preocupação internacional pelo actual quadro financeiro exibido pelos Estados Unidos e, muitos especialistas, lembram as grandes crises financeiras mundiais, como a Grande Depressão (1929-1939), a crise do petróleo (1973-195) e a crise financeira em que faliu o Lehman Brothers e muitos outros bancos (2007-2009).
O senador democrata Mark Kelly afirmou que "o presidente disse que liquidaria a dívida no seu primeiro mandato. Bem, todos nós sabíamos que era mentira. Em vez disso, ele deixou-a crescer até 40 biliões de dólares, enquanto ele e a sua família acumulavam biliões”. 
Ontem foi o The New York Times, hoje é o The Wall Street Journal a mostrar que ainda pode haver informação independente.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Donald Trump está atolado num lamaçal

Não é clara a situação bélica que se vive no estreito de Ormuz, nem no Irão, nem nos países do golfo Pérsico, embora todos os dias haja comentadores televisivos que não têm dúvidas e que tudo explicam.
Ontem, a edição do The Washington Post anunciava em primeira página que “war has Trump in a quagmire”, o que significa que “a guerra deixou Trump atolado num lamaçal”. As últimas sondagens mostram que o apoio interno a Donald Trump caiu ao nível mais baixo do seu mandato e que é rejeitado por 64% dos americanos, insatisfeitos com a guerra e os seus efeitos, com a situação económica e com o comportamento quotidiano do presidente que, ao tomar posse, prometera “evitar conflitos militares prolongados”.
Assim não aconteceu e Donald Trump decidiu apoiar o extremista Netanyahu e atacar directamente o Irão na noite de 21 para 22 de junho de 2025. Terá sido avisado para não se meter nisso, mas não ouviu ninguém. Passaram alguns meses e, em março de 2026, declarou que “war will last four weeks”, disse “we don’t need Nato help against Iran” e, já em abril, afirmou “make a deal by tonight or entire country can be taken out”. Com estas declarações mais ou menos fantasiosas e propagandísticas, até os americanos se cansaram de tanta mentira, tanta trapalhada e tanta fanfarronice – eram quatro semanas, mas já vai em 14 meses.
Não se sabe exactamente o que se passa, mas o mundo ficou estarrecido quando o Donald veio declarar que “will declare Strait of Hormuz a U.S. territory when Iran war ends”.
Embora não conheça os actuais indicadores da economia americana e estejamos sujeitos a muita desinformação, este tipo de declarações presidenciais e as suas constantes ameaças, dão total credibilidade à notícia do The Washington Post: o presidente Donald Trump está atolado num lamaçal.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

A Cisjordânia sofre e a Europa assobia

O Estado da Palestina já foi reconhecido por 157 dos 193 estados membros das Nações Unidas e o seu território actual, depois das anexações que se seguiram às diversas guerras de expansão territorial em que os israelitas se envolveram, está reduzido à Cisjordânia e à Faixa de Gaza, recentemente destruída com mais de setenta mil mortos, numa acção de brutal violência que foi classificado como genocídio.
A política expansionista e agressiva de Israel não se limitou à destruição de Gaza e, como hoje denuncia o jornal francês Libération, os actos de violência multiplicam-se, não só em Gaza onde continua a haver bombardeamentos, mas agora de forma continuada na Cisjordânia, onde a violência é encorajada por Netanyahu e por vários dos seus ministros, enquanto a comunidade internacional aceita passiva e cobardemente, a autêntica anexação dos territórios palestinianos pelos colonos judeus. É uma “annexation de fait” diz o jornal Libération que, em manchete, escreve que “a Cisjordânia está entregue ao terror dos colonos”, pois a anexação progride a um ritmo sem precedentes e multiplicam-se os ataques às aldeias palestinianas, com total impunidade dos colonos judeus, que têm a protecção de soldados israelitas.
A Cisjordânia tem cerca de 5.000 quilómetros quadrados, que é uma área semelhante ao Algarve, aí vivendo três milhões de palestinianos. Os colonos têm actuado no sentido de fragmentar o território e isolar as aldeias que ficam cercadas, para depois serem atacadas com violência, numa ação de verdadeira “limpeza étnica”.
Tudo isto é sabido e não é novo, mas a Europa da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos parece aceitar tudo isto passivamente e sem um grito de revolta. Nunca pensei que o presidente do Conselho Europeu pudesse ser cúmplice desta situação.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A disputa fronteiriça sensata e amigável

Nos confins do mundo e no extremo norte do Atlântico, para além do círculo polar Ártico, encontra-se a Hans island, uma pequena ilha rochosa, sem recursos, desabitada e com cerca de 1,2 quilómetros quadrados de superfície, que está localizada no estreito de Nares, entre o território canadiano de Nanavut e a Gronelância, um território autónomo da Dinamarca. Em 1973 os dois países definiram e acordaram as suas fronteiras marítimas, mas a soberania da ilha Hans ficou sem resolução definitiva.
O estreito de Nares tem cerca de 35 km (19 milhas) de largura mas, segundo a lei marítima internacional, a soberania de um país estende-se até 12 milhas da sua orla costeira. Assim, tanto o Canadá como a Dinamarca passaram a considerar a ilha Hans como fazendo parte dos seus respectivos territórios. Essa indefinição nunca gerou quaisquer problemas, mas quando um ministro dinamarquês visitou a ilha em 1984, tendo hasteado uma bandeira dinamarquesa e deixado uma garrafa de conhaque, a situação alterou-se. Logo que soube deste episódio, o governo canadiano enviou ao local alguns militares que substituíram a bandeira dinamarquesa pela bandeira canadiana e, com humor, deixaram uma garrafa de uísque. Essa ritual de troca de bandeiras e de bebidas continuou por muitos anos, com os dois países a alternarem visitas à ilha para reafirmar simbolicamente as suas reivindicações territoriais e para deixar os seus simbólicos “presentes”.
Finalmente, no dia 11 de junho de 2022, os governos da Dinamarca, Groenlândia, Canadá e Nunavut concordaram em dividir a Ilha Hans ao meio, após 17 anos de negociações. A situação ficou conhecida mundialmente como a “guerra do Uísque”, um nome para classificar este conflito que, provavelmente, foi o mais amigável da história geopolítica recente.
O jornal National Post que se publica em Toronto, dedicou a sua edição de hoje a esta história como uma lição exemplar em que, sem ameaças nem tiros, se resolveu, pacificamente e com bom senso, um problema de soberania, semelhante a outros que, tantas vezes, geram litígios e provocam guerras. Talvez seja uma crítica às ambições de Donald Trump...

sábado, 8 de agosto de 2026

As eleições presidenciais no Brasil (I)

As eleições presidenciais no Brasil vão realizar-se no próximo dia 4 de outubro e, nesse dia, mais de 150 milhões de brasileiros irão escolher o presidente e o vice-presidente da República, os governadores e vice-governadores dos 26 estados e do Distrito Federal e, ainda, 78 senadores, 513 deputados federais e 1035 deputados estaduais.
Apesar desta diversidade de cargos a eleger, é a eleição presidencial que atrai todas as atenções. Nesta altura, a menos de dois meses da votação, as candidaturas estão lançadas, mas as sondagens já estão a ser conhecidas desde há alguns meses, embora a mais credível de todas seja aquela que é recolhida pelo Datafolha, um instituto independente de pesquisa de opinião do Grupo Folha de S. Paulo.
Na sua edição de ontem a revista Veja apresenta os dois principais candidatos presidenciais, respetivamente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores) que procura a reeleição, e Flávio Bolsonaro (Partido Liberal) que tenta ocupar o lugar antes ocupado pelo pai, que está preso e impedido de concorrer.
Na última sondagem divulgada pelo Datafolha há cerca de duas semanas, o candidato Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto e o candidato Bolsonaro com 32%, seguindo-se nove outros candidatos com intenções de voto abaixo dos 4%. Se, como se espera, houver necessidade de realizar uma segunda volta, então os brasileiros irão às urnas no dia 25 de outubro e, nesse cenário, o petista Lula da Silva aparece com 48% contra 43% de intenções de voto do seu adversário direto.
Com as incertezas próprias de todas as sondagens, com a evidente interferência externa dos aliados de Bolsonaro, sobretudo nos Estados Unidos e na Argentina e, ainda, com os efeitos da desinformação veiculada pelas redes sociais, todos os cenários são possíveis.
Como aqui escrevi antes, os brasileiros que se cuidem...

terça-feira, 28 de julho de 2026

O Brasil e os brasileiros que se cuidem...

As declarações insultuosas para o presidente Lula da Silva e para o Brasil, feitas no passado sábado na cidade de S. Paulo por Javier Milei, o presidente da Argentina, estão a dar origem a “uma escalada sem precedentes de crise diplomática entre os dois países”, segundo salienta a edição de hoje do centenário jornal paulista Folha de S. Paulo.
Javier Milei participou na convenção nacional do Partido Liberal que declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, tendo-se referido ao presidente do Brasil como “ladrão” e “presidiário” e a Alexandre de Moraes, que é professor catedrático e ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, como “lixo careca”.
O governo brasileiro reagiu a estes insultos proferidos em território brasileiro e chamou o seu embaixador em Buenos Aires para consultas, segundo a fórmula usada nestes casos pela diplomacia, o que é considerado um gesto diplomático de elevada gravidade.
A atitude de Milei foi também criticada na Argentina, onde Axel Kicillof, o governador da província de Buenos Aires e potencial candidato peronista à presidência da Argentina nas eleições do próximo dia 24 de outubro, repudiou a postura de insultuosa e ofensiva de Milei e disse ter tido “vergonha” das suas afirmações, que “não representam o sentir do povo argentino”. Além disso, Kicillof lembrou que o Brasil é o principal parceiro económico da Argentina e que as declarações de Milei podem colocar em risco empregos, investimentos e interesses argentinos, ao fazer aquelas “palhaçadas” apenas para “apoiar um candidato por ordem de Trump”.
Significa que Bolsonaro já tem o apoio de Donald Trump, de Javier Milei e do Netanyahu, o carniceiro que tem um mandato de captura internacional expedido pelo TPI.
É caso para dizer aos brasileiros que se cuidem…

domingo, 26 de julho de 2026

As eleições presidenciais no Brasil

Ontem, na cidade brasileira de S. Paulo, o senador Flávio Bolsonaro anunciou a sua candidatura às eleições que se realizarão no próximo dia 4 de outubro para escolher o próximo presidente da República Federativa do Brasil. Há alguns meses, o actual presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha anunciado a sua intenção de se candidatar a um novo mandato, pelo que se antevê uma disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro pelo Partido Liberal (PL) e Luiz Lula da Silva pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, após condenação por tentativa de golpe de Estado na sequência da derrota eleitoral de 2022, tendo sido escolhido pelo pai e tido o apoio expresso do extremista Benjamin Netanyahu e do seu pai, este apresentado através de uma mensagem gerada por inteligência artificial. Outro importante apoio que Bolsonaro recebeu veio da presença em S. Paulo do presidente argentino Javier Milei que, ao estilo trumpiano e com grande despudor, pois se encontrava em solo brasileiro, classificou o presidente Lula da Silva como “basura y ladrón”, isto é, como lixo e ladrão, conforme destacou a edição de hoje do jornal argentino Clarín.  
Segundo as mais recentes sondagens da Datafolha, o mais importante instituto de pesquisas brasileiro, nenhum dos candidatos será eleito à primeira volta e, numa segunda volta a realizar no dia 25 de outubro, o agora candidato Flávio Bolsonaro tem 43% de intenções de voto, enquanto o candidato Lula da Silva regista 48% das intenções de voto.
A imprensa brasileira não deu particular destaque ao anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro, nem aos apoios que recebeu, mas as declarações incendiárias e insultuosas de Javier Milei e do seu afilhado Flávio, fazem antever uma dura batalha eleitoral, que se espera seja ganha pelo Brasil.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Os americanos e a guerra do Irão

O futebol e o Mundial mobilizaram todas as atenções do mundo e os mass media quase ignoraram os problemas importantes, como as guerras da Ucrânia e do Irão, as alterações climáticas, as migrações descontroladas ou a instabilidade económica global.
Agora todos esses temas regressam às agendas da comunicação internacional e, em relação às guerras, ficamos a saber que está tudo na mesma, ou talvez não.
De facto, os maiores jornais americanos, entre os quais o The Wall Street Journal, publicam hoje com destaque de primeira página, uma fotografia da chegada a Dover, no Delaware, das urnas de quatro militares americanos mortos na guerra do Irão, onde foram recebidas pelo presidente Donald Trump e por Peter Hegseth, o ex-apresentador de televisão que é Secretário de Defesa dos Estados Unidos. 
Ao contrário dos nossos comentadores encartados de política internacional – que têm andado desaparecidos dos écrãs televisivos – nós pouco sabemos do que se passa nas guerras em curso, porque só sabemos aquilo que as agências noticiosas e aqueles que as controlam querem que nós saibamos e tudo nos é servido para consumo, isto é, as verdades e as mentiras, a informação e a desinformação.
Porém, a fotografia da chegada das urnas dos militares americanos vai agitar o subconsciente americano e recordar a tragédia que foi a guerra do Vietnam (1955-1975) e a derrota americana, mas também vai abalar ainda mais o decadente prestígio interno de Donald Trump, cuja continuada fanfarronice em relação aos sucessos contra o Irão parece não ter fundamento.
Dizem muitos especialistas que os Estados Unidos perderam a guerra do Vietnam porque perderam o apoio da sua opinião pública, que assistia pela televisão às trágicas e brutais imagens da guerra. Os tempos são outros, mas a fotografia hoje publicada na imprensa americana vai certamente produzir efeitos na opinião pública americana

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Argentinos voltam a exigir as Malvinas

O Mundial que está a decorrer nos Estados Unidos não é apenas uma competição futebolística e um gigantesco negócio de transmissões televisivas e de publicidade, pois também é uma plataforma em que se exibem muitos políticos, maiores e menores, e em que, contrariamente ao que está regulamentado, se aproveita a exposição mediática para fazer propaganda política.
Assim aconteceu mais uma vez, quando alguns futebolistas argentinos aproveitaram a maré e trataram de exibir uma faixa em que se reclamava “las Malvinas son argentinas”, ressuscitando uma polémica em torno da posse daquelas ilhas que estão sob soberania britânica e se situam a 8.000 milhas do Reino Unido e a 300 milhas da costa continental da Argentina, O governo britânico reagiu e um seu porta-voz anunciou que “o Mundial pode não ser nosso, mas as ilhas Malvinas certamente são”, acrescentando que a autodeterminação das ilhas cabe aos seus habitantes e que a responsabilidade britânica para com eles não vacilará.
O jornal britânico The Independent destaca na sua edição de hoje esta ocorrência e recorda que em 2014 a FIFA multou a Federação Argentina de Futebol em 20.000 libras por idêntica ocorrência.
Recorda-se que em 1982 o governo militar argentino decidiu invadir e ocupar as Malvinas, a que os ingleses chamam Falklands. O governo britânico então dirigido por Margaret Thatcher reagiu e avançou para a recuperação daquelas longínquas ilhas do Atlântico Sul, de que resultou uma guerra que durou 74 dias e que terminou com a rendição dos argentinos e a vitória britânica, depois de terem morrido 649 militares argentinos e 255 militares britânicos.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A ambição chinesa e o domínio do Pacífico

A República Popular da China tem dados passos no sentido de se tornar a principal superpotência mundial até meados do século XXI e, para satisfazer essa sua ambição, procura um crescimento económico sustentado, a modernização militar, a reunificação com Taiwan, a expansão da sua influência global através de grandes redes de infraestruturas internacionais e o domínio do Pacífico ocidental.
Porém, por si só e como aliada dos Estados Unidos, a Austrália também quer ter um papel importante na região, pelo que o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, assinou uma aliança militar histórica com a República das Fiji, como parte da sua estratégia para conter a influência chinesa na região sul do Pacífico. A República das Fiji é independente desde 1970, sendo constituída por 332 ilhas, com cerca de 18 mil km2 de superfície e menos de um milhão de habitantes.
Esta tão pequena dimensão das Fiji parece mostrar que não se trata de uma aliança clássica, mas de uma estratégia australiana para dominar a região. A China não gostou do anúncio desta aliança militar e, poucas horas depois, tratou de disparar um míssil balístico com capacidade nuclear a partir de um submarino, como forma de intimidação e como aviso aos outros estados insulares para que não assinem quaisquer acordos militares com a Austrália.
Assim, estamos perante um braço de ferro entre a China e a Austrália pelo domínio do Pacífico sul, a que o jornal The West Australian, que se publica na cidade australiana de Perth desde 1833, chamou Battle for the Pacific.
O facto é que a ambição chinesa parece ser cada vez mais evidente e mais afirmativa.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Trump, o negócio e o declínio da América

O diário espanhol El País destaca na sua edição de hoje que Donald Trump “ganó 1.200 millones com las criptomonedas em 2025”, mas os grandes jornais de referência americanos, como por exemplo o The New York Times e o Los Angelers Times referem que foram 2 mil milhões de dólares os lucros obtidos pelo seu presidente com o negócio das criptomoedas.
Donald Trump está a ser acusado de comportamento eticamente reprovável e de estar a enriquecer através do uso indevido da sua posição política, mas tem-se mostrado indiferente a essas acusações porque, afirma, já era rico antes de ser presidente. Segundo foi divulgado pela revista Forbes o património pessoal de Donald Trump quase triplicou entre 2024 e 2026, ao passar de 2,3 para 6,5 mil milhões de dólares, pelo que está a ser acusado de conflito de interesses, por ter investido nas criptomoedas, ao mesmo tempo que tomava várias medidas para desregulamentar o sector, fazendo disparar o preço dos seus activos. Aos lucros com as criptomoedas acrescentou os lucros com os produtos da marca Trump, que vão desde o vestuário e os seus bonés, até aos autocolantes para para-choques, mas também as bíblias vendidas em parceria com um cantor célebre.
Os rendimentos de Melania Trump também cresceram muito e incluem 10 milhões de dólares por um documentário que lhe é dedicado e que foi transmitido online pela Amazon, além de mais 500 mil dólares pelo livro “Melania”.
Isto não é apenas corrupção, mas é também um sinal de uma Democracia e de um Estado de Direito que não funcionam e, em última análise, é o declínio da América.
Perante este quadro, em que Donald Trump junta uma corrupção absoluta a um estilo pessoal narcisista, ganancioso, grosseiro e fanfarrão, é caso para dizer que a melhor maneira que os americanos teriam para celebrar os 250 anos da sua independência era demiti-lo. Ganhavam os Estados Unidos e ganhava o mundo.