No passado fim-de-semana
realizou-se em Nova Delhi a 18ª Cimeira dos BRICS, uma organização
intergovernamental criada pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a
que se juntaram posteriormente o Egipto, Etiópia, Irão, Emirados Árabes
Unidos, Arábia Saudita e Indonésia.
O anfitrião da cimeira foi o primeiro-ministro indiano
Narendra Modi, que recebeu Vladimir Putin, Xi Jinping e Cyril Ramaphosa, mas
também Masoud Pezeshkian, presidente do
Irão, Prabowo Subianto, o presidente da Indonésia, enquanto Lula da
Silva se fez substituir pelo seu ministro das Relações
Exteriores.
Os BRICS representam cerca de 49% da população mundial e cerca de
41% do PIB mundial, controlando cerca de 26% do comércio global. Segundo
relatou a imprensa, a cimeira de Nova Delhi foi marcada pelas guerras na
Ucrânia e no Médio Oriente, pelas crescentes tensões entre os Estados e a
China, pela questão do petróleo e pela defesa de uma ordem internacional mais
multipolar, baseada em regras e no diálogo, com mais equilíbrio e maior
participação dos países em desenvolvimento. Os países que constituem os BRICS
procuram uma nova ordem internacional, designadamente mais assentos no Conselho
de Segurança das Nações Unidas, mas também pretendem aumentar a sua influência
no mundo e construir caminhos conjuntos de cooperação para enfrentar os
desafios globais.
O documento final, ou Declaração de Nova Delhi, inclui
140 pontos e foi assinado por unanimidade, pedindo a “máxima contenção” no
Médio Oriente, manifestando forte oposição ao deslocamento forçado de
palestinianos e afirmando a unidade do Global South, como mostra a capa do jornal indonésio The Jakarta Post. Quando onze países com regimes políticos, interesses económicos e visões geopolíticas tão diferentes, mostram
esta unidade em torno da ideia do Global South
e esta vontade de cooperar, é porque encontram um elemento comum que os une. Será a Europa, ou os Estados Unidos, ou apenas Donald Trump e a sua ambição de dominar o mundo?



















