quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Vento que ameaça a Alemanha e a Europa

Depois de alguns dias com o computador inoperativo, ou em que a competência foi insuficiente para resolver a situação, parece que o problema estará ultrapassado.
Neste interregno em que a Terra rodou à volta do Sol durante vários dias, os acontecimentos dominantes terão sido os resultados das eleições estaduais no estado alemão da Saxónia-Anhalt, onde a extrema-direita da AfD (Alternativa para a Alemanha), obteve uma vitória esmagadora com cerca de 44% dos votos.
Depois da reunificação alemã em 1990, a República Federal Alemã juntou aos onze estados que formavam a Alemanha Ocidental, os cinco estados que constituíam a República Democrática Alemã, entre os quais a Saxónia-Anhalt, cuja capital é Magdeburgo.
Este resultado surpreendeu a Alemanha e a Europa, acelerando as preocupações sobre o avanço das forças da extrema-direita em países como a a Itália, a França, a Espanha e Portugal, entre outros, mas Donald Trump aplaudiu. No caso da Alemanha e com o apoio das classes trabalhadoras mais desfavorecidas, a AfD derrotou claramente a histórica CDU com um programa que promete uma ofensiva de deportação de estrangeiros, ou daquilo a que chamam “remigração”, mais detenções de estrangeiros e cortes nos apoios à integração. Relativamente às escolas, o AfD quer criar turmas separadas para crianças refugiadas, aumentar o controlo do governo sobre os manuais escolares, retirar financiamento aos programas de integração e proibir bandeiras LGBTQIA nas escolas. O partido de extrema-direita defende, ainda, o regresso à energia nuclear e ao gás russo, bem como o levantamento das sanções contra Moscovo e o fim do envio de armas para a Ucrânia.
E aí está como, 81 anos depois da Segunda Guerra Mundial, um partido político de extrema-direita pode chegar ao poder estadual. O jornal francês Libération destaca este importante assunto e diz que na Alemanha aconteceu “le choc fasciste”.

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