Depois de alguns
dias com o computador inoperativo, ou em que a competência foi insuficiente
para resolver a situação, parece que o problema estará ultrapassado.
Neste interregno
em que a Terra rodou à volta do Sol durante vários dias, os acontecimentos
dominantes terão sido os resultados das eleições estaduais no estado alemão da
Saxónia-Anhalt, onde a extrema-direita da AfD (Alternativa para a Alemanha), obteve
uma vitória esmagadora com cerca de 44% dos votos.
Depois da
reunificação alemã em 1990, a República Federal Alemã juntou aos onze estados
que formavam a Alemanha Ocidental, os cinco estados que constituíam a República
Democrática Alemã, entre os quais a Saxónia-Anhalt, cuja capital é Magdeburgo.
Este resultado
surpreendeu a Alemanha e a Europa, acelerando as preocupações sobre o avanço
das forças da extrema-direita em países como a a Itália, a França, a Espanha e
Portugal, entre outros, mas Donald Trump aplaudiu. No caso da Alemanha e com o apoio das classes trabalhadoras mais
desfavorecidas, a AfD derrotou claramente a histórica CDU com um programa que
promete uma ofensiva de deportação de estrangeiros, ou daquilo a que chamam “remigração”,
mais detenções de estrangeiros e cortes nos apoios à integração. Relativamente
às escolas, o AfD quer criar turmas separadas para crianças refugiadas,
aumentar o controlo do governo sobre os manuais escolares, retirar
financiamento aos programas de integração e proibir bandeiras LGBTQIA nas
escolas. O partido de extrema-direita defende, ainda, o regresso à energia
nuclear e ao gás russo, bem como o levantamento das sanções contra Moscovo e o
fim do envio de armas para a Ucrânia.
E aí está como, 81 anos depois
da Segunda Guerra Mundial, um partido político de extrema-direita pode chegar
ao poder estadual. O jornal francês Libération destaca este importante
assunto e diz que na Alemanha aconteceu “le choc fasciste”.

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