sábado, 14 de março de 2026

O Irão, o Donald e as lições de Sun Tzu

Há cerca de 25 séculos o grande sábio chinês Sun Tzu escreveu A Arte da Guerra, provavelmente um dos mais importantes tratados militares e estratégicos que alguma vez foi escrito e, logo no início, afirma: “Toda a guerra é baseada no engano”.
Esta lição de Sun Tzu aplica-se ipsis verbis ao conflito no Irão porque se trata de um engano, de um caso de infoxicação, ou de uma situação de pós-verdade, um conceito aparecido em 1992, segundo o qual a verdade é irrelevante e a mentira prevalece como axioma indiscutível.
Donald Trump parece ser um perito no discurso pós-verdade porque mente descaradamente todos os dias e há quem o aplauda, inclusive na Europa, cujos dirigentes ele não desiste de humilhar. Porém, não se sabe o que realmente se passa no terreno porque as notícias são filtradas pelas propagandas de ambos os lados, que continuam a ameaçar-se mutuamente. Embora o Donald afirme diariamente que o Irão está derrotado e destruído, o facto é que o tráfego marítimo no estreito de Ormuz está cortado e que 16 navios já foram atingidos nas margens do golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e até no mar de Omã, como mostra um mapa publicado na primeira página da edição de hoje do jornal The New Tork Times.
Anunciou-se que a guerra duraria uns dias, mas já vai em duas semanas…
Recorrendo ainda a Sun Tzu, ele afirma que a arte da guerra depende de vários factores, incluindo o comandante que, neste caso é, Donald Trump, tendo escrito: “O comandante deverá ter as virtudes da sabedoria, honestidade, benevolência, coragem e rigor”.
Como todo o mundo já viu, o comandante americano não possui nenhuma das virtudes apontadas por Sun Tzu e, por isso, Donald Trump vai perder porque, como disse o sábio chinês, “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso. Já no Vietnam e no Afeganistão foi assim.