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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Um milhão de mortos por covid nos EUA

Os Estados Unidos registaram um milhão de mortes por covid-19 e, com grande destaque, o jornal USA TODAY classificou esse número como um marco histórico. O tema já aqui tinha sido tratado, mas a forma como a imprensa americana o destacou, justifica que voltemos a apreciá-lo, pois a epidemia foi realmente catastrófica nos Estados Unidos, sobretudo quando comparamos este marco de um milhão de mortos com o total de mortes militares americanas em batalhas e outras causas durante a 2ª Guerra Mundial, que atingiu 407.316 mortes.
Significa que morreram muitos mais cidadãos americanos devido ao covid-19, do que tinham morrido durante a 2ª Guerra Mundial. A diferença de números é impressionante e como refere o jornal, é um milestone!
O jornal apresenta uma segmentação da incidência etária das mortes por covid-19, verificando-se que 51,5% delas atingiram indivíduos com mais de 75 anos de idade. Depois, verifica-se que 23% das mortes ocorreram na faixa etária dos 65 aos 74 anos, que 14,7% ocorreram na faixa etária dos 55 aos 64 anos e que 10,5% das mortes ocorreram na faixa etária dos 25 aos 54 anos. Finalmente, apenas 0,3% das mortes atingiram a população com menos de 24 anos de idade.
Esta gigantesca amostra confirma que a perigosidade do covid-19 afectou sobretudo os mais idosos, mas também mostra que, nem os países com mais recursos sanitários e tecnológicos como acontece com os Estados Unidos, estão mais imunizados para resistir a este tipo de epidemias. Agora, que se confirma que a epidemia apenas abrandou, mas que parece estar de volta por todo o lado, há boas razões para voltarmos a ter os cuidados necessários.

domingo, 15 de maio de 2022

A pandemia do covid-19 ainda nos ameaça

Quando o mundo parecia começar a sentir-se livre da epidemia do covid-19 e se anunciava um tempo de alívio, têm surgido sinais que mostram que o vírus afinal ainda anda por aí, a causar muitas preocupações. Por isso, as autoridades sanitárias recomendam cautelas, sobretudo por parte das pessoas mais débeis, mas também o uso de máscara nos transportes públicos, hospitais, farmácias, centros de saúde e lares. É grande a apreensão sobre o que possa aparecer no futuro e, em alguns países, já está a ser ministrada a quarta dose da vacina.
Quando a ultrapassagem da crise sanitária estava a dar lugar a uma retoma económica quase de euforia, surgiu a guerra na Ucrânia e, agora, o há o reaparecimento do covi-19. O mundo não se consegue libertar deste tipo de tristes episódios. A Organização Mundial de Saúde, mas também as autoridades nacionais, bem procuram serenar os ânimos das populações, mas a situação é pouco animadora. Hoje, numa perspectiva de alerta à população, mas também de homenagem ao milhão de americanos que foram vítimas do covid-19, o jornal The New York Times ilustrou a sua primeira página com uma imagem da distribuição dos óbitos pelo território americano e escolheu para título “Um milhão – a dor incomensurável de uma nação”.
De acordo com os números que vão sendo divulgados, a pandemia já causou cerca de seis milhões de óbitos no mundo e, nessa lista negra, os Estados Unidos lideram com 998.301 óbitos, seguindo-se o Brasil, a Índia, a Rússia, o México, o Peru, o Reino Unido e a Itália.
Em Portugal verificaram-se, até agora, um pouco mais de quatro milhões de casos e há a lamentar 22.583 óbitos. Pelo sim e pelo não, o melhor é ter cautelas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Sir António demite-se do Credit Suisse

Exceptuando alguns agentes do futebol, sobretudo Cristiano Ronaldo e, em menor grau, José Mourinho, a imprensa não costuma dedicar espaços noticiosos aos portugueses que se destacam no estrangeiro, assim acontecendo com António Guterres, Carlos Tavares e António Damásio, entre alguns outros. Por isso, é com surpresa que verificamos que o prestigiado jornal inglês The Times destaca na sua edição de hoje o gestor António Horta Osório ou Sir António, que se demitiu da presidência do Credit Suisse Group, que tem a sua sede em Zurique e que tem actividade em cinco dezenas de países.
António Horta Osório é um gestor que, depois de uma carreira na banca internacional, teve grande sucesso durante nove anos como presidente executivo do Lloyds Banking Group e onde, segundo a imprensa, terá recebido mais de 56 milhões de libras em salários e prémios. A Rainha Isabel II reconheceu o seu mérito, condecorou-o e nomeou-o cavaleiro como Knight Bachelor, com direito a usar o título de Sir.
Em Dezembro de 2020 foi contratado para presidir ao Credit Suisse Group, que atravessava uma grave crise, mas no passado domingo demitiu-se por ter violado as regras de quarentena da covid-19 a que estava obrigado, quer na Suíça, quer no Reino Unido. Segundo foi revelado, Horta Osório viajou do Reino Unido para a Suíça no dia 28 de Novembro mas, antes que decorressem os dez dias de quarentena obrigatória, viajou da Suíça para a península Ibérica. Antes, Sir António já teria quebrado as regras quando em Julho assistiu às finais do torneio de Wimbledon, violando as normas sanitárias em vigor no Reino Unido.
Vários jornais ingleses e espanhóis destacam esta notícia com fotografia em primeira página, mas The Times escolheu uma imagem que associa o gestor à sua paixão pelo ténis que, segundo parece, ditou o seu pedido de demissão e o coloca de férias por algum tempo.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Novak Djokovic está ou não acima da lei?

No próximo dia 17 de Janeiro tem início o Open da Austrália, um dos quatro torneios de ténis que constituem o Grand Slam e que são os mais importantes da modalidade, tanto pelos seus avultados prémios em dinheiro, como pela atracção que suscitam nos mass media e no público. No seu historial destacam-se os nomes do sérvio Novak Djokovic, nove vezes vencedor do torneio e actual número um do ranking mundial, mas também do suíço Roger Federer que conseguiu seis vitórias. Ambos têm vinte vitórias nos torneios do Grand Slam, tal como o espanhol Rafael Nadal. Com 40 anos de idade, Federer não competirá em Melbourne pois estará em vésperas de se retirar; com 35 anos de idade, Nadal já está na Austrália para se preparar para uma eventual segunda vitória; com 34 anos de idade, Novak Djokovic foi impedido de entrar em território australiano por não estar vacinado contra o covid-19, tendo ficado retido no aeroporto durante várias horas e depois sido levado para um hotel nos subúrbios de Melbourne, que é usado para a detenção de imigrantes. O orgulho sérvio foi ferido, mas a lei australiana obriga a que quem queira entrar no país tenha sido antes vacinado contra o covid-19
Aleksander Vucic, o presidente da Sérvia, tratou de protestar mas Scott Morrison, o primeiro-ministro australiano, já veio afirmar que ninguém está acima da lei, enquanto um seu ministro afirmou que só porque se é rico, não se pode viajar pelo mundo contrariando as leis das outras nações. Um tribunal decidirá na segunda-feira sobre a deportação de Novak Djokovic, como refere o jornal australiano The West Australian que se publica em Perth, mas a opinião pública australiana vem acusando as autoridades de terem dois pesos e duas medidas, umas para os ricos e outras para os outros. O caso assumiu contornos diplomáticos e está a interessar meio mundo, enquanto o tenista alemão Alexander Zverev e o russo Daniil Medved espreitam a sua oportunidade.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A Ómicron que nos trouxe insegurança

Uma nova variante do coronavírus foi identificada na África do Sul no dia 24 de Novembro e, mesmo antes de se saber a sua causa ou a sua gravidade, deu origem a uma enorme preocupação mundial e a uma generalizada restrição de viagens em todo o mundo. Porém, as apreensões não são apenas de natureza sanitária, pois também são de natureza económica por afectarem alguns sectores como o turismo.
Dois dias depois da sua detecção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou essa variante e designou-a como variante B.1.1.529 ou variante Ómicron, como passou a ser formalmente conhecida, mas também informou que pode levar semanas a saber-se a sua natureza e gravidade, mas um alto responsável da OMS já veio declarar que “é mais transmissível, mais virulento e foge das vacinas”.
Aos poucos, alguns países declararam ter detectado a doença, entre os quais o Reino Unido, a Holanda, a Alemanha e Portugal, mas esse número de países onde foi detectada variante tem vindo a aumentar. Anteontem o jornal novaiorquino Newsday informava sobre o aparecimento do primeiro caso de Ómicron nos Estados Unidos, que assim se tornaram no 24º país a confirmar a detecção dessa variante do vírus. Depois, também a Austrália e o Brasil já anunciaram o aparecimento do vírus.
Entretanto, em Portugal já se detectaram 38 casos da variante Ómicron e os internamentos em unidades de cuidados intensivos regista uma “tendência fortemente crescente”, segundo as autoridades de saúde. Tenhamos todos os cuidados e sigamos as regras que já tínhamos usado antes, mas não restam dúvidas que a insegurança sanitária regressou.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Ómicron: o desassossego e a inquietação

Foi em finais de 2019 que pela primeira vez foi detectada na cidade chinesa de Wuhan a síndrome respiratória aguda grave (SARS), classificada como SARS-CoV-2 ou, de forma mais simples, como covid-19. O mundo assustou-se com a elevada taxa de mortalidade da doença que se transformou numa pandemia global e a Ciência entrou numa corrida acelerada para produzir uma vacina. Um ano depois surgiram os primeiros resultados e milhões de pessoas começaram a ser receber uma vacina.
A doença começou a regredir, apesar de se manifestar por ondas, mas o mundo começou a ficar aliviado, com a sociedade e a economia a recuperarem um pouco por toda a parte. Porém, a doença persistiu e foi-se adaptando através de variantes.
No fim do Verão, quando a vacinação já atingira níveis muito satisfatórios, sobretudo na Europa e nas Américas, surgiu mais uma onda, para uns a quarta e para outros a quinta onda. Porém, o mundo acreditava que a crise pandémica estava em vias de ser ultrapassada e o retomava a normalidade. Até que há poucos dias as dúvidas reinstalaram-se quando foi identificada na África do Sul a variante Ómicron do novo coronavírus, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Embora pouco se saiba a respeito desta variante, pensa-se que é mais transmissível dos que as anteriores e o seu aparecimento já foi confirmado em mais de uma dezena de países, entre os quais Portugal. 
O jornal francês La Dépêche destaca na sua edição de hoje a inquietação mundial que a Ómicron já está a provocar, embora as autoridades procurem sossegar as populações, ao mesmo tempo que aceleram o processo de reforço da vacinação com uma terceira dose. A ver vamos.

domingo, 11 de julho de 2021

Brasil chora a derrota na Copa América

O grande Brasil, que por vezes designamos como o país-irmão, está a atravessar uma fase de descrença e de melancolia que vai para além das marcas da crise global que todo o mundo atravessa. Naturalmente, a crise sanitária está na primeira linha dessa crise com mais de 500 mil mortes devido ao covid-19, mas desde a primeira hora que a liderança brasileira se revelou incapaz de enfrentar as dificuldades e de transmitir serenidade e esperança ao povo brasileiro. Pelo contrário, o presidente Jair Bolsonaro tem-se comportado com demasiada ignorância, muita boçalidade e enorme incompetência. Os seus índices de popularidade nunca foram tão baixos e as sondagens conduzidas pela Datafolha apontam para que na primeira volta das eleições de 2022, recolha apenas 25% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, o seu potencial adversário, já assegura 46% dessas intenções, enquanto numa segunda volta, qualquer que seja o adversário, o antigo presidente tem larga vantagem. A mesma sondagem da Datafolha revela que, pela primeira vez desde que começou a interrogar os brasileiros sobre um eventual processo de impeachment contra Jair Bolsonaro, já há 54% de brasileiros que se afirma favorável à sua destituição. Não se augura nada de bom nos próximos tempos. 
O Brasil atravessa, de facto, uma crise sanitária e política, mas também uma crise social e de confiança. A final da Copa América, disputada esta madrugada no Rio de Janeiro entre as equipas de futebol do Brasil e da Argentina, poderia ser um elemento mobilizador para transmitir uma centelha de entusiasmo ao povo brasileiro que tanto gosta de futebol. As coisas não correram bem e os argentinos ganharam por 1-0.
A Argentina festeja e o Brasil chora. Melhores dias virão para os brasileiros.

domingo, 20 de junho de 2021

O Brasil já ultrapassa os 500 mil óbitos

O Brasil atingiu 500 mil mortes por covid-19 e, segundo titula hoje o jornal O Estado de S. Paulo, não há fim à vista para esta tragédia, pois tanto o número de óbitos como o número de novos casos não param de aumentar. O Brasil já é o segundo país do mundo com mais óbitos e nos últimos dias esse número tem estado acima de dois mil. A situação é muito preocupante e a população tem-se manifestado contra Jair Bolsonaro pela incapacidade e incompetência com que tem conduzido a luta contra a pandemia, enquanto Lula da Silva, o ex-presidente e virtual candidato à presidência, fala em genocídio.
Entretanto Bolsonaro não comentou a tragédia nacional que são 500 mil mortes e preferiu fazer um balanço dos seus primeiros 900 dias de governo, num documento de propaganda irresponsável que foi intitulado “900 dias: nos trilhos da preservação de vidas e da retomada da economia”, em que se afirma que mais de 110 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 foram enviadas para todos os estados brasileiros, “o que coloca o país em quarto lugar no ranking mundial de países que mais vacinas aplicam”. Trata-se de uma descarada deturpação da realidade pois o Brasil está em 78º lugar mundial no que respeita à população já vacinada, além de estar em 2º lugar no número de mortes. O que se lamenta é a forma despudorada como os políticos do estilo Bolsonaro actuam na base da propaganda mentirosa e da irresponsabilidade política. 
Os brasileiros merecem um presidente à altura do desafio que o país atravessa. As manifestações apontam para que seja posto na rua em 2022, mas ainda falta tanto tempo...

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A tragédia brasileira e a culpa do Jair

Nas suas edições de hoje quase toda a imprensa brasileira faz manchete com a frase “400 mil mortes” e, portanto, é um dia muito triste para o Brasil, a mostrar que o país está perante uma enorme catástrofe humanitária. Nas últimas 24 horas foram contabilizados 3.001 óbitos e 69.389 novos casos de infectados, o que coloca o Brasil em segundo lugar na lista dos países que tiveram mais óbitos, só superado pelos Estados Unidos. Com cerca de 2,7% da população mundial, o Brasil concentra 9,7% de todos os infectados e 12,6% de todos os óbitos.
Hoje o Correio Brasiliense pergunta como foi possível chegar a esta situação tão dramática e quem é que vai pagar por isso.
A primeira resposta parece encontrar-se na falta de vacinas para poder acelerar a imunização da população, mas o facto é que o vacinómetro apresentado pelo Conselho Nacional de Saúde do Brasil indica que já foram distribuídas 57 milhões de vacinas, das quais já foram aplicadas 41 milhões de doses, havendo quase 13 milhões de brasileiros, correspondentes a 6% da população, que já receberam as duas doses da vacina. Portanto, apesar das vacinas serem um recurso escasso em todos os países, não parece que seja esse o problema do Brasil, que ontem terá recebido as primeiras remessas da vacina produzida pela Pfizer. Assim, como sugerem vários jornais, o Brasil está a sofrer as consequências de ter um Presidente negacionista, que não tomou as medidas adequadas, que teve comportamentos condenáveis, que deu maus exemplos à população e que se revelou um irresponsável. Espera-se que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar as acções ou omissões das autoridades durante a pandemia e, em especial, a actuação de Bolsonaro, consiga resultados. O país que há bem pouco tempo era o exemplo mundial da luta contra a pobreza, está a passar agora por um período de desprestígio e de imagem negativa, provocados por um presidente incapaz, que envergonha a maioria dos brasileiros. Os americanos puseram Donald Trump na rua. Os brasileiros vão fazer o mesmo a Jair Bolsonaro.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Goa e a Índia sob a tempestade pandémica

A Índia anunciou hoje que, nas últimas 24 horas, se verificaram 379.257 novos casos de covid-19 e 3.645 óbitos, números que representam o maior aumento que aconteceu em todo o mundo num só dia. As notícias que nos chegam daquele país são assustadoras, pois mostram o desespero das populações e a enorme dificuldade para travar a pandemia, revelando que há falta de camas e de oxigénio nos hospitais. Com quase 1.400 milhões de habitantes, a Índia já registou mais de 18 milhões de pessoas infectadas das quais há actualmente cerca de 3 milhões de casos activos, tendo registado até agora 204.812 óbitos.
O pequeno estado de Goa (1,4 milhões de habitantes e capital em Pangim) faz fronteira com dois dos estados indianos onde a situação é mais grave, que são Maharashtra (114 milhões de habitantes e capital em Mumbai) e Karnataka (64 milhões de habitantes e capital em Bangalore), mas não tem nenhuma cerca sanitária que o proteja, pelo que está exposta ao fluxo turístico indiano que se dirige para Goa, seduzido pela especificidade cultural de uma região que é considerada “a Europa da Índia”. Daí resulta que, a situação em Goa também seja muito preocupante e que, nas últimas 24 horas, tenham sido anunciados 3.101 novos casos de covid-19 e 24 óbitos. 
Segundo revela a edição de hoje do centenário jornal Herald, as autoridades determinaram o confinamento quase geral a partir de hoje, mas apenas por cinco dias. Se pensarmos no que se passou em Portugal em Janeiro, facilmente concluímos que este lockdown, que começa hoje às nove horas da noite, é capaz de ser curto.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Portugal e o fim do estado de emergência

O Presidente da República decidiu não renovar o estado de emergência que vinha sendo prolongado desde há vários meses como forma de resistir à crise pandémica causada pelo covid-19. Assim, o país começa a abrir-se como sugere a ilustração do jornal i.
De uma forma geral, os portugueses cumpriram as regras determinadas pelo confinamento generalizado e os resultados foram muito positivos, o que desde já obriga ao reconhecimento e ao justo louvor às autoridades de saúde, por vezes injustamente atacadas por alguns comentadores incapazes e ignorantes que campeiam pelas nossas estações de televisão. A decisão do Presidente da República fundamentou-se na opinião dos especialistas e em dados objectivos, designadamente na estabilização do número de infectados, na descida do número médio de óbitos, na diminuição do número de doentes internados tanto em enfermaria como em unidades de cuidados intensivos e na redução do famoso Rt, a taxa de transmissibilidade de que todos os portugueses falam. No dia 26 de Abril não se registaram quaisquer óbitos por covid-19, o que já não acontecia desde o dia 3 de Agosto e esta é uma expressiva e animadora realidade.
A vida social e a economia vão abrir-se, mas apesar da situação muito favorável que atravessamos e da vacinação estar a decorrer de forma muito eficiente, a crise ainda não está vencida e é preciso continuar a monitorar e a controlar a situação, como aconselham as notícias que nos chegam de outros países e de outras partes do mundo. Os catorze meses em que estivemos sujeitos à pandemia causaram muitos estragos na nossa forma de viver e até na nossa saúde mental. Estamos menos confiantes, mas também estamos mais pobres. Temos mais desemprego, mais défice e mais dívida. Temos que fazer um esforço de coesão para sair desta prova difícil que enfrentamos.
O primeiro caso de covid-19 foi detectado no dia 2 de Março de 2020 e, cerca de catorze meses depois, foram contabilizados cerca de 834.638 casos e 16.965 óbitos. Foi uma dura prova de que esperamos estar mesmo de saída.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

A alarmante situação pandémica da Índia

Depois de um ano de preocupações e de incertezas a respeito da pandemia mundial de covid-19 que tanto nos tem afectado, vive-se em Portugal um período de alguma calma e de acrescida confiança. Os sinais de regresso à normalidade vão-se sucedendo, com as escolas e os comércios a retomarem a sua actividade. Os números de novos contágios e de óbitos têm-se mantido em níveis moderados, ao mesmo tempo que o plano de vacinação da população tem decorrido com muita normalidade. Os níveis de confiança da população portuguesa estão muito elevados, mas a pandemia não está vencida e é necessário continuar a cumprir as regras de prevenção que têm sido prescritas pelas autoridades sanitárias. 
Porém, esta normalização que se vive em Portugal não está a acontecer em todo o mundo e de vários países chegam notícias alarmantes. O caso da Índia é o mais significativo. Ontem registaram-se 2.014 óbitos num só dia e verificaram-se 314.835 novos casos de covid-19, que foram os números diários mais elevados de todos os países do mundo desde o início da pandemia e, segundo refere a imprensa indiana, o sistema de saúde está à beira do colapso, sem camas, sem oxigénio e sem medicamentos suficientes para acudir a esta situação. Este incremento de contágios está a ser atribuído a uma nova variante do vírus, mas também a um relaxamento das medidas de contenção e confinamento, bem como às grandes aglomerações de gente em festividades religiosas.
O estado de Maharashtra que tem cerca de 115 milhões de habitantes e tem fronteira com o estado de Goa, está no centro desta alarmante situação. Daí que, para além dos relatos da imprensa e de algumas imagens televisivas, nos cheguem relatos directos de Goa com informações muito preocupantes sobre a pandemia.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Portugal, o Brasil e a pandemia do covid

A pandemia em Portugal tem estado muito controlada e, desde há vários dias, que o número de óbitos se situa abaixo de uma dezena e que o número de novos contágios se situa um pouco acima das cinco centenas, quando em fins de Janeiro chegou a atingir três centenas de óbitos e quinze mil novos casos. O país está em desconfinamento a conta-gotas e já foram aplicadas dois milhões de vacinas. Tudo parece seguir no bom caminho e os níveis de confiança da população estão a aumentar. No entanto, o que se passa em Portugal é diferente do que se passa em alguns países europeus e, sobretudo, no Brasil.
O jornal Correio Braziliense anunciou ontem que, pela primeira vez, o Brasil registou “mais de quatro mil mortos em um dia”, o que mostra que o país está a passar por uma situação muito difícil e que parece ter sido escolhido pela pandemia para se instalar. Actualmente já estão contabilizados 345 mil óbitos no país, o que coloca o Brasil no segundo lugar dos países com mais óbitos por covid-19, superando o número de mortos de países mais populosos que o Brasil, como por exemplo a China, a Índia, a Indonésia ou o Paquistão.
A animadora situação portuguesa e a preocupante situação brasileira não acontecem por acaso, pois estão relacionadas com os comportamentos sociais e culturais das populações e com as políticas sanitárias que são executadas pelas autoridades. Hoje não estou com vontade de falar a respeito do fanfarrão Bolsonaro, mas aproveito para elogiar mais uma vez a forma como tem sido conduzida a política sanitária em Portugal, apesar das pressões irresponsáveis de algumas corporações e de outros interesses.

quarta-feira, 24 de março de 2021

O inominável e cretino Jair Bolsonaro

A situação sanitária no Brasil continua a agravar-se e, cada vez mais, os brasileiros acusam Jair Bolsonaro pela forma irresponsável, incompetente e mentirosa como tem gerido a crise pandémica. Até há pouco tempo ele ainda suscitava o apoio de boa parte da sociedade brasileira e até era o favorito para as próximas eleições presidenciais de 2022, mas o agravamento da pandemia fez cair os seus índices de popularidade e, segundo as sondagens conhecidas, já são 56% os brasileiros que o consideram incapaz de liderar o país e são 54% os que consideram a sua actuação em relação ao controlo da pandemia foi muito má. A bandeira contra a corrupção, que ergueu durante a campanha eleitoral, há muito que foi esquecida e a distribuição de cargos entre familiares e amigos parece ter atingido níveis impensáveis. Além disso, o cenário do regresso de Lula da Silva à vida social e, possivelmente à vida política, desfavorece e enfraquece Bolsonaro, que está com a sua liderança ameaçada e a perder a sua sustentação política. 
Neste quadro desolador, o número de óbitos continua a aumentar e o Brasil tornou-se o centro global do covid-19, enquanto meio mundo impede a entrada de brasileiros tratados como factores de contágio. É o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil, mas Jair Bolsonaro continua a apoiar aqueles que lutam contra o confinamento, a negar as evidências científicas e a fazer declarações absurdas. A opinião pública e a imprensa ridicularizam Bolsonaro e tratam-no como cretino, ignóbil, repugnante, canalha, deplorável, patife, ordinário, mesquinho, reles, pulha, velhaco, abominável, detestável, infame, bandalho, ignorante, vil, cafajeste, inculto, boçal, estúpido, rude, maldito, desgraçado, burro, incapaz, idiota, desumano, malfeitor, parvo e muito mais. Isso não teria qualquer importância se ele não fosse o presidente de um grande país que é a República Federativa do Brasil.

sábado, 20 de março de 2021

A vacina da AstraZeneca é segura e eficaz

Invocando razões de precaução, aconteceu que 21 dos 27 estados-membros da União Europeia suspenderam a utilização da vacina AstraZeneca. Houve um alarme geral até que a OMS (Organização Mundial de Saúde) e a EMA (European Medicines Agency) vieram serenar os espíritos mais exaltados e declarar que a vacina do consórcio anglo-sueco era safe and effective, isto é, a vacina da AstraZaneca recebeu o sim das autoridades sanitárias. O que se passou começou a ser explicado e parece não ser mais do que um episódio da guerra entre as multinacionais farmacêuticas, de que resultaram desconfianças, tomada de precauções, redução da velocidade de vacinação e atrasos na imunização dos europeus.
Apesar da União Europeia ser um dos espaços que tem mais gente vacinada, temos assistido nos dois últimos dias a uma acusação contra as autoridades europeias e, em particular, contra Ursula von der Leyden, porque não terão sabido negociar as suas necessidades com a indústria farmacêutica. Porém, quando se esperava que um jornalismo sério contribuísse para devolver a confiança às populações, o que temos visto é uma repetida suspeita de tipo inquisitorial para arranjar culpados pela suspensão da AstraZeneca e pelos atrasos que sofreram os planos de vacinação. Mesmo quando esse tipo de jornalismo surge embrulhado em títulos de referência, os seus agentes não passam de figurões que preferem o sensacionalismo à verdade e ignoram os seus deveres de informar. Eles e elas não querem informar nem esclarecer, mas apenas visam enterrar alguém na praça pública. Infelizmente o nosso panorama mediático está cheio de gente dessa.

quinta-feira, 18 de março de 2021

Agrava-se a crise sanitária no Brasil

A edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo escreve que o “Brasil enfrenta sua maior crise sanitária” e esse título, juntamente com a palavra colapso, perturbam e entristecem os leitores, sobretudo aqueles que estão do lado de cá do Atlântico e que consideram, pela história, pela língua e por laços familiares, que o Brasil ainda é uma espécie de Portugal dos trópicos.
Ao fim de um ano de pandemia, torna-se evidente que a gestão da crise sanitária brasileira tem sido uma sucessão de erros, como atesta o facto de ter sido empossado o 4º Ministro da Saúde do Brasil, o que parece demonstrar que os três ministros anteriores não suportaram a ignorância e a irresponsabilidade de quem os dirigia, isto é, fartaram-se do presidente Jair Bolsonaro, o tal que falou em gripezinha.
Acontece que, depois dos Estados Unidos, o Brasil é o país onde ocorreram mais óbitos causados pelo covid-19. Estão contabilizados 284.775 óbitos e, nos últimos tempos, a sua média diária supera largamente os dois milhares. É uma tragédia e a imprensa brasileira utiliza as palavras agravamento, catástrofe, colapso da saúde, fora de controlo e recorde de casos, entre outras, para descrever a triste realidade de um país que não aprendeu que com as máscaras, o distanciamento social e o confinamento se podia evitar o pior. O prestígio internacional do Brasil está em jogo e, segundo o jornal paulista, há 108 países que barram a entrada a cidadãos brasileiros. 
É evidente que Jair Bolsonaro não merece respeito nenhum e que os brasileiros saberão despachar o fanfarrão-fantoche que tão mal os representa.

terça-feira, 16 de março de 2021

Precaução suspende vacina AstraZeneca

A imprensa internacional destaca nas suas edições de hoje que o uso da vacina Oxford/AstraZeneca foi suspenso na Europa, ou em grande parte dos países europeus.
Os primeiros países que suspenderam temporariamente a utilização daquela vacina após se terem verificado casos de coagulação de sangue em doentes imunizados foram a Áustria, Estónia, Lituânia, Letónia, Luxemburgo e Dinamarca. Seguiram-se a Noruega, a Islândia, a Itália, a Alemanha, a França, a Espanha e, ontem, foi a vez de Portugal.
Segundo vem sendo anunciado, a suspensão do uso da vacina é apenas uma atitude de precaução porque não se sabe se há, ou se não há, uma relação directa entre a vacina e os problemas sanguíneos que têm sido detectados. O facto é que já foram administradas 17 milhões de vacinas Oxford/AstraZeneca e apenas foram identificados quarenta casos de formação de coágulos no sangue e, por isso, tanto a OMS como as autoridades de saúde estão a sossegar as pessoas que já receberam esta vacina.
Independentemente do que vier a ser apurado nas próximas semanas, já ninguém quer a vacina da Oxford/AstraZeneca ou, por outras palavras, na grande corrida pelo sucesso comercial e pelo prestígio científico que está em curso, a Oxford/AstraZeneca (Reino Unido/Suécia) já perdeu a confiança das populações. Deve ser uma consequência da guerra entre as multinacionais farmacêuticas. Entretanto há outras oito vacinas que estão a ser usadas no mundo – Novavax, Moderna e Johnson&Johnson (Estados Unidos), SinoVac e Sinopharm (China), Sputnik V (Rússia), Bharat Biotech (Índia) e BioNTech/Pfizer (Alemanha/EUA) – cada uma delas a procurar ganhar a confiança das autoridades sanitárias.  Pois que produzam muito e que sejam realmente eficientes.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Desconfinamento requer muita prudência

Hoje inicia-se o processo de desconfinamento, ou como diz o jornal Público, o lento regresso à normalidade ou, ainda, o já chamado regresso a conta-gotas, sendo a face mais visível da nova situação a abertura das escolas para os mais novos, o que vai fazer com que mais de um milhão de pessoas volte à rua. Porém, este início de desconfinamento tem mesmo que ser prudente pois o vírus ainda não desapareceu, tem novas variantes e está activo em países bem próximos de nós.
O governo ouviu os especialistas e definiu um plano de desconfinamento para os próximos três meses, com indicação das medidas específicas a cumprir nas diferentes áreas de actividade, embora se mantenha o dever cívico de recolhimento domiciliário e as regras gerais de uso de máscara e de distanciamento social que têm vigorado.
Como sempre, surgiram críticas daqueles que entendem que ainda era cedo para desconfinar e daqueles que criticam a timidez das medidas tomadas. Eu confio no plano apresentado pois é equilibrado e, como qualquer outro plano, não é rígido e pode ser reapreciado a qualquer momento perante novas evidências.
A situação pandémica é muito crítica em diversos países e regiões, designadamente em alguns países da Europa, parecendo que há uma quarta onda de covid-19 que se aproxima, o que a todos obriga ao cumprimento das regras já conhecidas. 
Entretanto, em relação à vacinação da população, há muito pouca informação. É sabido que houve cortes nas remessas de vacinas que se previa serem enviadas para Portugal o que poderá ter alterado os planos de vacinação, mas também parece que há muita pressão de certas corporações para serem consideradas prioritárias e que denotam um espírito egoísta e não solidário relativamente aos grupos dos mais velhos. Há demasiada gente a reivindicar que são prioritários.
É o que parece, mas talvez seja eu que esteja a ver mal

quinta-feira, 11 de março de 2021

O Brasil, a pandemia e o regresso de Lula

Por razões históricas e culturais o Brasil está sempre presente na memória colectiva portuguesa e, por isso, os portugueses acompanham tudo o que vai acontecendo no maior país da América so Sul. Assim, na edição de hoje do jornal O Globo, que se publica no Rio de Janeiro, encontramos dois temas de destaque: a pandemia do covid-19 e a nova vida política do ex-presidente Lula da Silva.
O jornal anuncia que a pandemia está descontrolada e que o país é o epicentro de uma tragédia que, nas últimas 24 horas, provocou 2.349 mortes e revelou 80.955 novos casos - os números mais altos que se registaram até agora - evidenciando como tem sido errada a política sanitária de Jair Bolsonaro, ao não compreender a intensidade da pandemia a que um dia chamou uma gripezinha. No que respeita à vacinação, o jornal informa que cerca de nove milhões de brasileiros já tomaram a primeira vacina (4,26% da população) e que cerca de três milhões já receberam a segunda vacina (1,50% da população), mas a vastidão territorial do Brasil vai tornar muito complexa essa tarefa.
O outro tema em destaque na edição de hoje do jornal O Globo é o aparecimento público do ex-presidente Lula da Silva e as suas declarações de ataque a Jair Bolsonaro e à forma como tem sido conduzido o combate à pandemia mas, sobretudo, a sua declaração de ter sido vítima da maior manipulação jurídica que aconteceu no Brasil nos últimos 500 anos e que o juiz Sérgio Moro é um mentiroso. Lula da Silva não revelou as suas intenções quanto ao futuro, limitando-se a dizer que vai percorrer o país e reencontrar-se com os seus amigos e apoiantes, o que parece significar o início de uma caminhada que o leve de novo ao Palácio da Alvorada em Brasília, que ocupou entre 2003 e 2011. 
A pandemia derrotou Donald Trump. Será que a pandemia vai derrotar Bolsonaro?

sexta-feira, 5 de março de 2021

A pandemia e o Jair desesperam o Brasil

Com um sentido inverso do que se passa em Portugal, o Brasil está a atravessar um momento muito difícil devido à crise pandémica, verificando-se que o número de óbitos se aproxima dos dois mil registos diários, enquanto o número de novos infectados ultrapassa os setenta mil casos por dia. Esta situação é muito preocupante porque já estão contabilizados 260.970 óbitos desde o início da pandemia, um valor que no mundo só é superado pelos Estados Unidos. 
Embora seja difícil perceber as razões da actual subida de casos e de óbitos, verifica-se que a imprensa brasileira atribui uma boa parte dessa responsabilidade ao próprio presidente da República, recordando o mau exemplo que constituem as palavras que utiliza quando fala para a imprensa: “E daí?", "gripezinha", "não sou coveiro" e "país de maricas" foram algumas das formas utilizadas pelo presidente da República  para desvalorizar ou mesmo desdenhar publicamente uma situação que continua a alastrar e que já infectou mais de dez milhões de brasileiros.
Neste contexto, o presidente Jair Bolsonaro interveio e ontem fez uma declaração pública em Goiás, em que afirmou: "Vocês não ficaram em casa. Não se acovardaram. Temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?".
O jornal Estado de Minas, que se publica na cidade de Belo Horizonte, foi um dos jornais que não gostou da frescura, nem do mimimi, tendo criticado severamente as declarações do Jair, lembrando-lhe que o país real está desesperado. Outros jornais criticaram o Jair e lembraram a carência de vacinas e um confinamento pouco eficaz, a par de uma enorme quebra na economia. A OMS classificou a situação por que passa o Brasil como uma tragédia.
O Brasil bem precisava de um outro presidente, porque quando isto acabar vai ser necessário reconstruir o Brasil.