terça-feira, 1 de junho de 2021

Sobe a tensão entre a Espanha e Marrocos

A ligação histórica entre os reinos de Espanha e de Marrocos é muito antiga e muito intensa, pois os marroquinos ocuparam o sul de Espanha durante vários séculos, enquanto os espanhóis têm uma longa tradição de presença colonial em território marroquino, de que ainda resta a sua soberania sobre as cidades de Ceuta e Melilla, o que naturalmente não agrada aos marroquinos, tal como a presença inglesa em Gibraltar não agrada aos espanhóis.
O reino de Marrocos tornou-se independente em 1956 depois de ter sido tutelado pela França e pela Espanha, tendo-se transformado num grande país, embora viva com o complexo de ter um vizinho maior, mais populoso e mais rico. O seu soberano é Mohammed VI que, com 57 anos de idade e 22 anos de poder, acumulou uma das maiores fortunas do mundo e se mostra insaciável na acumulação de riqueza, enquanto a população marroquina é muito pobre, há enormes desigualdades sociais e a estabilidade social resulta de forte repressão política e policial.
O rico soberano de Marrocos poderia ter outras aspirações para além de acumular fortuna, como por exemplo a liderança do islamismo ou a sua pacificação com o ocidente, mas de vez em quando parece querer desafiar a Espanha e a sua paciência. Antes foi a ocupação da ilha de Perejil, um rochedo desabitado que se situa a poucos metros da costa marroquina, agora foi a “invasão” de Ceuta por alguns milhares de migrantes “contratados”. Como pano de fundo, estão Ceuta e Melilla, mas também o Sara Ocidental, um território três vezes maior que Portugal e que a Espanha ocupou até 1975, mas que as Nações Unidas não reconhecem como território marroquino mas que é ocupado pelas tropas de Mohammed VI. 
Hoje, o jornal canário Diário de Avisos de Santa Cruz de Tenerife, publicou as fotografias do rei de Marrocos e de Pedro Sánchez, dizendo que Marrocos e a Espanha esticam a corda pelo Sara Ocidental. A capa do jornal bem pode valer mais do que mil palavras…