quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Orçamento e os jornalistas-papagaios

A Assembleia da República aprovou ontem o Orçamento do Estado para 2016. O Orçamento é um documento que fixa o limite das despesas autorizadas e faz uma previsão das receitas, que indica as fontes de financiamento, que orienta a actividade financeira do Estado e gere a dívida pública, que assegura a gestão eficiente e racional dos dinheiros públicos, que integra as medidas de política económica, que fixa a política fiscal e que, de uma forma geral, visa contribuir para a coesão da sociedade e para o bem-estar da população. É o documento mais importante para a gestão do Estado. Pela primeira vez na nossa história democrática, o Orçamento do Estado foi aprovado por alguns partidos políticos que até agora se tinham auto-excluido do processo orçamental e essa circunstância deve ser destacada como um exemplo de inclusão, que vem mostrar que não pode haver portugueses de primeira e portugueses de segunda. Além disso, o Orçamento agora aprovado foi viabilizado pela Comissão Europeia, está de acordo com a Constituição da República, cumpre as promessas eleitorais e respeita os acordos parlamentares que viabilizam a actual maioria parlamentar.
Porém, apesar destas garantias a que não estávamos habituados, nunca um Orçamento suscitou tanta polémica em Portugal. Os mesmos jornalistas e comentadores que tudo fizeram para assustar os eleitores antes do 5 de Outubro e que tanto combateram a formação de um governo que acabou com o arrogante conceito de “arco da governação”, têm estado activíssimos contra o Orçamento e contra a actual solução governativa democrática. As nossas televisões perderam completamente o pluralismo que deveriam ter e têm estado vergonhosamente ao serviço do combate ao Orçamento. É mesmo um caso de atropelo à lei e à ética jornalística. A TVI, por exemplo, atingiu o máximo ridículo ao juntar em horário nobre quatro jornalistas-papagaios que, sem qualquer contraditório, puderam repetir-se e vomitar sem qualquer pudor as suas críticas ideológicas ao Orçamento e ao governo. Isto assim não é democracia. Felizmente que a fotografia que ilustra a capa do Diário Económico mostra a confiança que anima os nossos governantes.

Elizabeth Line em honra de Isabel II

A Rainha Isabel II que foi o primeiro monarca reinante que utilizou o Metro de Londres quando em 1969 inaugurou a Victoria Line, visitou ontem os trabalhos que decorrem na estação de Bond Street, uma das principais estações da Crossrail Line, tendo sido informada que essa linha será rebaptizada como Elizabeth Line, quando for inaugurada em Dezembro de 2018.
A nova Elizabeth Line constitui o maior projecto de construção e/ou modernização de qualquer rede de metropolitano europeu, prevendo-se que seja utilizada diariamente por meio milhão de passageiros e que melhore a qualidade de vida de muita gente. O projecto arrancou em Maio de 2012, tem um custo estimado de 14,8 mil milhões de libras e concluiu agora a “maratona” dos trabalhos de perfuração e alargamento de túneis, realizados por uma máquina perfuradora com o nome de Victoria. A nova linha atravessará a cidade de Londres no sentido Este-Oeste, terá cerca de 136 quilómetros de comprimento, cerca de 40 estações, novas ou modernizadas, permitindo a circulação rápida de composições de carruagens com 200 metros de comprimento.
A edição de hoje do diário londrino The Times destaca esta notícia, embora também dê importância “à nação dividida” e ao referendo que se vai realizar no próximo dia 23 de Junho, no qual os britânicos vão dizer se querem ou não pertencer à União Europeia. Curiosamente, foi Boris Johnson, o mayor de Londres, quem convidou a Rainha para visitar a obra em Bond Street e lhe anunciou que a nova linha se chamará Elizabeth Line. Só que Boris Johnson é a principal figura do “não” à permanência do Reino Unido na União Europeia. Será que Isabel II também defende que o Reino Unido abandone a União Europeia?