A mais recente
edição do semanário caboverdiano Expresso das Ilha, que se publica na
cidade da Praia, destaca em primeira página uma fotografia de Amílcar Cabral
com Fidel Castro, acompanhada do título “A presença cubana que o PAIGC quis
esconder”. Apesar de várias tentativas não consegui ler o artigo referido, mas
como o tema interessa e faz parte da nossa história contemporânea, recorri ao
livro “La Historia Cubana en Africa”, publicado em Havana em 2011, para
recolher alguns elementos sobre a presença cubana na Guiné entre 1965 e 1974, que
não são muito conhecidos da historiografia portuguesa.
Em janeiro de
1965 aconteceu em Conacry o primeiro encontro entre Amílcar Cabral e Ernesto
Che Guevara em que foi acordada “la ayuda internacionalista cubana” e, cinco
meses depois, “la motonave cubana Uvero desembarcaba la primera ayuda de Cuba
al PAIGC”. Depois, “a finales del proprio año
1965 viajaron a Cuba cuarenta combatientes del PAIGC, al mando de Pedro
Rodrigues Pires, quienes se entrenaron en tácticas militares”. Em janeiro de
1966, “Amílcar Cabral visitó por primera vez La Habana con motivo de la Conferencia
Tricontinental. En la capital cubana
conoció al comandante Fidel Castro y los dos líderes revolucionarios
sostuvieron largas conversaciones”. Em abril de 1966 chegaram à Guiné “los
primeros cinco internacionalistas: tres artilleros y dos médicos, pues los
necesitaban urgentemente en el teatro de operaciones”; em junho chegaram “siete
instructores de artilleria, siete médicos, nueve choferes y el mecânico”.
A “ayuda
internacionalista cubana” intensificou-se ao longo dos anos e está registada a morte
de nove “internacionalistas cubanos”, a mostrar quanto estiveram envolvidos na guerra da Guiné.
Por isso, talvez se possa afirmar que João Bernardo Vieira, ou o mítico comandante
Nino Vieira, de facto não era o comandante militar do PAIGC, mas que o verdadeiro comando
militar era cubano. Será por isso que, como destaca o Expresso das Ilhas, o PAIGC
quis esconder a presença cubana na luta de libertação da Guiné?
