sábado, 24 de janeiro de 2026

A luta de libertação do PAIGC e os cubanos

A mais recente edição do semanário caboverdiano Expresso das Ilha, que se publica na cidade da Praia, destaca em primeira página uma fotografia de Amílcar Cabral com Fidel Castro, acompanhada do título “A presença cubana que o PAIGC quis esconder”. Apesar de várias tentativas não consegui ler o artigo referido, mas como o tema interessa e faz parte da nossa história contemporânea, recorri ao livro “La Historia Cubana en Africa”, publicado em Havana em 2011, para recolher alguns elementos sobre a presença cubana na Guiné entre 1965 e 1974, que não são muito conhecidos da historiografia portuguesa.
Em janeiro de 1965 aconteceu em Conacry o primeiro encontro entre Amílcar Cabral e Ernesto Che Guevara em que foi acordada “la ayuda internacionalista cubana” e, cinco meses depois, “la motonave cubana Uvero desembarcaba la primera ayuda de Cuba al PAIGC”. Depois, “a finales del proprio año 1965 viajaron a Cuba cuarenta combatientes del PAIGC, al mando de Pedro Rodrigues Pires, quienes se entrenaron en tácticas militares”. Em janeiro de 1966, “Amílcar Cabral visitó por primera vez La Habana con motivo de la Conferencia Tricontinental. En la capital cubana  conoció al comandante Fidel Castro y los dos líderes revolucionarios sostuvieron largas conversaciones”. Em abril de 1966 chegaram à Guiné “los primeros cinco internacionalistas: tres artilleros y dos médicos, pues los necesitaban urgentemente en el teatro de operaciones”; em junho chegaram “siete instructores de artilleria, siete médicos, nueve choferes y el mecânico”.
A “ayuda internacionalista cubana” intensificou-se ao longo dos anos e está registada a morte de nove “internacionalistas cubanos”, a mostrar quanto estiveram envolvidos na guerra da Guiné. Por isso, talvez se possa afirmar que João Bernardo Vieira, ou o mítico comandante Nino Vieira, de facto não era o comandante militar do PAIGC, mas que o verdadeiro comando militar era cubano. Será por isso que, como destaca o Expresso das Ilhas, o PAIGC quis esconder a presença cubana na luta de libertação da Guiné?