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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Boeing-Airbus: um duelo de gigantes

A cidade francesa de Toulouse é considerada a capital europeia da aeronáutica e nela está localizada a sede e as principais linhas de montagem do Grupo Airbus, o que representa o emprego para dezenas de milhares de trabalhadores da cidade e arredores. Por isso, a aviação comercial e a actividade aeronáutica fazem parte da vida desta região e o diário local La Dépêche du Midi, que se publica na cidade desde 1870 e que reclama ser “le journal de la démocratie du Midi”, acompanha regularmente o tema da aviação e da indústria aeronáutica.
Assim, na sua edição de hoje o jornal destaca como principal tema o “duel au sommet” entre a Boeing e a Airbus, os dois maiores gigantes da indústria aeronáutica mundial que, por vezes, até parece um duelo entre a América e a Europa.
Segundo é referido nessa notícia, desde 2019 que a Boeing tem passado por “anos difíceis” com a “empresa de Toulouse” a ultrapassar claramente a “empresa de Seattle”, tanto em encomendas como em entregas. Nos anos mais recentes, as entregas da Airbus corresponderam a uma quota de mercado de cerca de 60% de aviões comerciais novos, ficando-se a Boeing por cerca de 40%. Porém, parece que a rivalidade, ou mesmo a luta entre os dois fabricantes, se reacendeu no ano passado, quando a Boeing voltou a ter mais encomendas do que o seu concorrente europeu e a conseguir superar a Airbus em encomendas líquidas: aproximadamente 908 contra 889.
No início do corrente ano, num quadro de forte aumento da procura mundial, os dois fabricantes tinham carteiras de encomendas “para muitos anos”, com a Airbus a registar 8.800 e a Boeing 6.200. Porém, o problema que se coloca actualmente é a capacidade de fabricar/entregar aviões e, nesse aspecto, a Boeing perde claramente com a Airbus. Hoje, a discussão sobre as características técnicas e económicas dos aviões produzidos pelos dois fabricantes tem pouco sentido. O que interessa, cada vez mais, é saber como respondem às necessidades do mercado, ou seja, a discussão passa menos por “quem consegue vender mais” e passa mais por “quem consegue fabricar e entregar mais depressa”.

sábado, 8 de agosto de 2026

Os rios da Europa em estado crítico

A edição de ontem do jornal Libération escolheu uma fotografia do rio Danúbio para ilustrar o tema da seca na Europa e a frase “e no meio há um rio”, acrescentando que “depois de um inverno sem chuva e de repetidas ondas de calor, o nível dos caudais dos rios da Europa nunca foram tão baixos e as consequências económicas estão a ser muito graves”. Aquela fotografia “vale mais que mil palavras” e mostra o areal seco do leito do rio e a estreita faixa do leito por onde corre a água.
O rio Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa e atravessa o continente de oeste para leste, desde a sua nascente na Alemanha até à sua foz no mar Negro, em território romeno, passando por uma dezena de países e por várias capitais como Viena, Bratislava, Budapeste e Belgrado, ao longo de quase três mil quilómetros de extensão.
Porém, o problema não existe apenas no Danúbio, pois também está a acontecer no Reno e em outros rios europeus, levando os seus caudais a mínimos históricos e justificando as generalizadas preocupações com esta emergência hídrica, resultante da emergência climática por que passa a Europa.
A imprensa tem relatado algumas curiosidades derivadas desta situação, como o aparecimento de navios que foram afundados durante a 2ª Guerra Mundial e que, com a descida histórica do nível da água, ficaram a descoberto. No entanto, o problema é bem mais importante e pode tornar-se dramático, designadamente em relação ao abastecimento público de água de muitas regiões, à produção de energia eléctrica nas centrais nucleares, ao transporte fluvial de mercadorias e, até, ao fluxo do turismo fluvial europeu, de que dependem muitas empresas e muitos trabalhadores.
É caso para dizer que o declínio da Europa até se vê no declínio dos rios, ou que o Danúbio já não seria inspirador para o compositor vienense Johann Strauss II, como foi em 1866, quando compôs a famosa valsa O Danúbio Azul.

domingo, 12 de julho de 2026

Boston acolheu “desfile naval do século”

O estado de Massachusetts e a sua capital que é a cidade de Boston, estão a celebrar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos de forma entusiástica, conforme se pode ler na edição de hoje do jornal Boston Herald e na generalidade da imprensa da cidade.
Massachusetts foi a segunda colónia britânica mais antiga da América, depois da Virginia, tendo sido uma das treze colónias que em 1775 se revoltaram contra o poder colonial britânico. No seu território aconteceram as primeiras batalhas da guerra da independência, que a tradição história conserva como uma marca cultural daquela cidade, daquele estado e de toda a região da Nova Inglaterra.
Por isso, a comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos foi organizada nesta cidade com especial cuidado e foi possível juntar na cidade muitos dos grandes veleiros históricos provenientes de mais de vinte países para participarem no desfile naval comemorativo, que aconteceu ontem no porto de Boston e nas festividades incluídas no Sail Boston 2026, que decorrerão até ao dia 16. No desfile naval participaram mais de sessenta navios que, durante cerca de seis horas, desfilaram tendo como guia a barca americana Eagle, sempre acompanhados por muitas dezenas de pequenas embarcações, sob a admiração e o aplauso de muitos milhares de espectadores. No desfile incorporaram-se, entre outros veleiros, o Americo Vespuci, o Dar Mlodziezy, o Esmeralda, o Gloria, o Gorch Fock, o Libertad e a famosa barca portuguesa Sagres, mas também os históricos May Flower II e Constitution. Segundo foi referido com assinalável exagero, foi o sail of the century, ou o “desfile do século”.
As festividades continuaram com um espectáculo pirotécnico e continuarão nos próximos dias com actividades dedicadas às tripulações dos navios.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A polémica instalação artística em Paris

Terão sido iniciados hoje em Paris os trabalhos de montagem de La Caverne du Pont Neuf, uma instalação temporária de arte urbana concebida pelo artista JR e que vai “transformar” a Pont Neuf, a mais antiga ponte que atravessa o rio Sena na cidade de Paris e que foi construída em finais do século XVI.
A arte urbana ou street art popularizou-se nos últimos anos nos espaços públicos em todo o mundo, desde os mais simples graffiti até às mais complexas instalações (krafts), que combinam arquitectura, escultura, multimedia e até pessoas, de forma a envolver emocionalmente o visitante.
La Caverne du Pont Neuf terá 120 metros de comprimento e presta homenagem aos artistas Christo e Jeanne-Claude, que em 1985 “embrulharam” aquela ponte e, mais tarde, revestiram o Arco do Triunfo. Agora o artista JR vai transformá-la numa gigantesca caverna que estará aberta ao público gratuitamente, de dia e de noite, de 6 a 28 de junho, mas onde não haverá circulação de automóveis e apenas poderão transitar peões e ciclistas.
A estrutura terá a aparência de uma massa rochosa, cuja estrutura será apoiada em módulos têxteis insufláveis, pesará cinco toneladas e não exigirá fundações invasivas. O ar será o principal material utilizado para minimizar o peso, o transporte e o impacto no local. Os 18.900 metros quadrados de tecido foram impressos com tintas à base de água e, em seguida, trabalhados artesanalmente por 25 artesãos numa empresa da Bretanha.
O diário Le Parisien dedica a primeira página da sua edição de hoje a esta iniciativa artística que é muito polémica e daí que a sua edição online tivesse sido “invadida” por comentários, de que transcrevemos apenas dois:

- Quanto custa tudo isso? Esta ponte é linda por si só. Por que estragá-la, mesmo que temporariamente? Esse dinheiro poderia ser usado de forma mais inteligente. Para salvar igrejas, castelos, monumentos em perigo... Chambord, por exemplo!

- Excelente iniciativa, original, extremamente criativa e ambiciosa, tudo em homenagem ao trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Mal posso esperar para estar lá.

É caso para dizer que “o mundo fala de tudo tenha ou não tenha razão”, como nos ensina a fábula de ”O Velho, o Rapaz e o Burro”.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Nova Iorque e o "fenómeno Mamdani"

A cidade de Nova Iorque que agora é conhecida como a Big Apple, é o maior centro financeiro e comercial dos Estados Unidos, é uma das suas capitais culturais e é o quarto maior centro industrial do país, depois da Califórnia, do Texas e do Ohio.
Ainda no século XVI, a região foi colonizada pelos neerlandeses que criaram uma feitoria na ilha de Manhattan, a que chamaram Nova Amesterdão, mas em 1664 a região foi ocupada pelos ingleses que a baptizaram como a colónia de Nova Iorque que, em 1776, foi uma das treze colónias que se revoltaram contra o domínio colonial britânico e fundaram os Estados Unidos da América. Desde 1834 os prefeitos da cidade de Nova Iorque são eleitos pelo voto popular directo e, no ano passado foi eleito o seu 112º prefeito, um jovem de 34 anos de idade chamado Zohran Mamdani, nascido no Uganda, filho de emigrantes indianos e que professa a religião muçulmano.
O prefeito governa a cidade e é o chefe de um executivo que emprega 325 mil pessoas e tem o maior orçamento municipal dos Estados Unidos, que é superior ao Orçamento do Estado português. Filiado no Partido Democrata, Mamdani teve a coragem de afrontar Donald Trump e os republicanos, conseguindo mobilizar a cidade de Nova Iorque com um discurso moderno e solidário para com os mais desfavorecidos, os imigrantes e os pobres. O efeito de “fenómeno Mamdani” tem-se feito sentir um pouco por todo o país e muitos vêm no seu discurso, num tempo que se afigura bem negro, uma nova esperança e uma luz para a política americana.
O jornal novaiorquino Newsday destacou na sua edição de ontem o início do mandato de Mamdani, que bem pode vir a ser o início de uma nova era de maior tolerância, maior igualdade e maior solidariedade nos Estados Unidos e no mundo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Salvador e o Bom Jesus dos Navegantes

A cidade de Salvador é a capital do estado brasileiro da Bahia e foi a primeira capital do Brasil colonial, sendo o cenário onde, desde a década de 1740, se realiza a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, que é uma das mais antigas e simbólicas celebrações religiosas e populares do Nordeste brasileiro. Nascida da devoção das irmandades marítimas e da fé dos marinheiros que pediam a protecção divina para enfrentar o mar, a festa inclui diversas celebrações católicas, mas o seu ponto alto é a procissão marítima realizada nas águas da grande Baía de Todos-os-Santos, na qual a imagem do Bom Jesus dos Navegantes segue numa embarcação devidamente ornamentada, que é escoltada por uma festiva e colorida frota de outras embarcações.
Até 1891 a embarcação que transportava a imagem era cedida pelo Estado, mas a partir de então passou a ser utilizada, como galeota oficial da procissão, uma artística galeota expressamente construída para o efeito e que foi baptizada como “Gratidão do Povo”. No ano de 2019 a centenária embarcação apresentava alguns problemas de estrutura, pelo foi objecto de restauro e continuou a cumprir a sua função.
A procissão marítima é um espectáculo impressionante de religiosidade e de cultura popular que ocorre nos dias 31 de dezembro e 1 de janeiro, para exprimir a gratidão baiana pelo ano que termina e para pedir a protecção e a benção divina para o novo ano.
O jornal Correio*, antigo Correio da Bahia, é um jornal diário que se publica em Salvador e que dedica a sua edição de hoje à grande festa católica e afro-brasileira de origem portuguesa que é a a Festa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, com uma fotografia da procissão marítima, tendo escolhido a frase “mar de gratidão” para manchete dessa reportagem.

domingo, 30 de novembro de 2025

Memória de um dia trágico em Hong Kong

Quatro dias depois do trágico incêndio no bairro social Wang Fuk Cour, na zona de Tai Po, nos Novos Territórios de Hong Kong, estão contabilizados 128 mortos e mais de duzentos desaparecidos, segundo anuncia o jornal hojemacau, que publica na sua capa uma impressionante fotografia das torres calcinadas.
Hong Kong e Macau são territórios separados por cerca de 60 quilómetros de distância e ambas são Regiões Administrativas Especiais da República Popular da China, pelo que tudo o que acontece numa delas interessa à outra e daí que o incêndio de Tai Po tenha ocupado as manchetes da imprensa macaense durante alguns dias.
O bairro social Wang Fuk Cour foi construído nos anos 80 do século passado, é constituído por oito torres com cerca de 30 andares com um total de 1.984 apartamentos, nele vivendo cerca de quatro mil pessoas. Estava em trabalhos de manutenção e terá sido por negligência das equipas que nele trabalhavam que deflagrou o pavoroso incêndio que foi possível ver em directo pela televisão, com os bombeiros a procurar extinguir o fogo e a tentar resgatar muitos residentes que estavam retidos nos seus apartamentos.
Certamente que as autoridades de Macau mas também das cidades de todo o mundo onde existem este tipo de torres residenciais, aprenderão a lição desta tragédia para reforçar as necessárias medidas de segurança.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Uma grande catástrofe em Hong Kong

Um incêndio de enormes proporções, considerado o mais mortífero na história de Hong Kong, deflagrou ontem no bairro social Wang Fuk Court, construído nos anos 80 do século passado, que é constituído por oito torres com cerca de trinta andares, com 1.984 apartamentos onde se estima que viviam cerca de 4.000 pessoas. 
O jornal South China Morning Post, que é o principal jornal da antiga colónia inglesa, dedicou toda a primeira página da sua edição de hoje ao catastrófico incêndio, informando que havia “36 mortos e 279 desaparecidos”, mas as notícias mais recentes já referem “94 mortos e quase 300 desaparecidos”.
Embora ainda não se conheçam as causas do trágico incêndio, tudo aponta para uma grosseira negligência de alguns trabalhadores que vinham realizando trabalhos de manutenção em algumas daquelas torres, pois foram descobertos materiais inflamáveis e esponjosos que arderam rapidamente, que libertaram fumos tóxicos e que propagaram o fogo pelos sucessivos andaimes em estruturas de bambu, que apoiavam os trabalhos de manutenção que estavam a ser realizados. O fogo propagou-se rapidamente às outras torres e a acção dos bombeiros revelou-se ineficaz.
Segundo foi declarado, tudo correu mal, pois não foram audíveis quaisquer sinais de alarme e não terão sido atendidas as reclamações de muitos moradores contra os trabalhos que decorriam nos prédios que alegaram falta de segurança.
As imagens televisivas desta catástrofe foram impressionantes e lembraram os ataques às torres gémeas de Nova Iorque, acontecidos no dia 11 de setembro de 2001.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A tragédia que se abateu sobre Lisboa

Ao fim da tarde do dia 3 de Setembro, a notícia correu rápida a anunciar a tragédia: o centenário Elevador da Glória, que através da Calçada da Glória faz a ligação entre o Bairro Alto e a Praça dos Restauradores, em Lisboa, teve um gravíssimo acidente quando o seu cabo estrutural de segurança se partiu e o elevador descarrilou do seu trilho e deslizou a grande velocidade no percurso descendente da calçada, até se desfazer contra a parede na única curva do percurso. A íngreme calçada tem cerca de 275 metros de extensão e um acentuado declive de cerca de 17%, pelo que a velocidade do elevador foi muito elevada e a colisão foi brutal.
Foi uma enorme tragédia que abalou o país e que teve grande repercussão internacional, como se observa por exemplo no diário holandês NRC, pois nela perderam a vida 16 pessoas – portugueses (5), britânicos (3), sul-coreanos (2), canadianos (2), suiço (1), ucraniano (1), americano (1) e francês (1) – além de 23 feridos, dos quais seis deles se encontram em estado grave.
O Elevador da Glória está classificado desde 2002 como Monumento Nacional e é operado pela Companhia Carris de Ferro de Lisboa, uma empresa municipal que é tutelada pela Câmara Municipal de Lisboa. Porém, até ao momento ninguém assumiu responsabilidades técnicas ou políticas pela tragédia, surgindo as mais diversas explicações por parte dos especialistas a que as televisões recorrem, enquanto o presidente Carlos Moedas já está calado há 48 horas.
Foi uma grande tragédia que evidencia situações muito graves e que urge esclarecer, mas muitos lembram que Moedas reclamou a demissão do seu antecessor Medina por situações bem menos graves…

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Sorte grande para o Morante de la Puebla

A festa brava, ou a fiesta que Ernest Hemingway consagrou no seu famoso romance The Sun also rises, é uma tradição ibérica cada vez mais contestada, mas que continua bem viva em muitas regiões peninsulares, sobretudo espanholas. Os festejos populares que acontecem durante o Verão, a par da componente religiosa incluem uma diversificada componente lúdica, com muitas atracções de feira, competições desportivas, espectáculos e concertos, que enchem o centro das cidades com música e alegria, mas também contemplam as corridas de touros que, por vezes, acontecem em dias sucessivos.
Na cidade de Pontevedra, em honra da padroeira da província, são anualmente celebradas as Festas da Virxe Peregrina, que se iniciam no segundo sábado de Agosto. É a grande semana daquela cidade galega, situada a cerca de 55 quilómetros da fronteira portuguesa.
A Plaza de Toros de Pontevedra, que é a única praça da região da Galiza e que recebe toda a actividade tauromáquica do noroeste de Espanha, apresentou os cartéis com os melhores diestros para a Feria de La Peregrina 2025, com corridas nos dias 9, 10 e 15 de agosto. Na corrida de ontem, que era o segundo dia da Feria Taurina, actuaram os matadores Morante de la Puebla, Alejandro Talavante e Daniel Luque, para lidarem touros da ganadaria Garcigrande, mas o diestro Morante de la Puebla, um ídolo sevilhano de 45 anos de idade, foi colhido com uma grave cornada durante a faena do seu primeiro touro.
O caso foi destacado como notícia de primeira página em vários jornais espanhóis, como por exemplo no diário madrileno ABC, mas poucas horas depois foi anunciado que Morante de la Puebla teve alta. Uma boa notícia para o diestro e para a sua família ou, dito de outra maneira,  que sorte grande ele teve.

terça-feira, 29 de julho de 2025

A novíssima Roig Arena ilumina Valência

O jornal elPeriódico que se publica em Barcelona destaca na sua edição de hoje a novíssima Roig Arena, um complexo cultural e arquitectónico que aloja onde um recinto multieventos, que foi construído em Valência e que será inaugurado no próximo dia 6 de setembro.
Na cidade natal de Santiago Calatrava, cuja obra é a marca dominante da Cidade das Artes e das Ciências, emblemática da cidade de Valência e o seu destino turístico mais importante, além de ser um dos “12 Tesouros de Espanha”, a Roig Arena já ilumina a cidade, como salienta o jornal catalão em título de primeira página.
O novo equipamento é uma notável obra de arquitectura que começou a ser construído em 29 de junho de 2020 e que é uma iniciativa do empresário Juan Roig que, para o efeito, criou uma empresa – Licampa 1617 SL – para conceber e realizar o projecto que terá uma concessão de 50 anos, após o que reverterá para o Município de Valência. O recinto ocupa uma área de 47 mil metros quadrados e terá capacidade para 15.600 pessoas em jogos de basquetebol e 18.600 em concertos, contando também com um parque de estacionamento para 1.300 viaturas. “El interior del recinto, com una altura de 35 metros, tiene las dimensiones de una catedral”, diz o elPeródico.
Com um investimento de cerca de 300 milhões de euros, a Roig Arena converte uma zona degradada da cidade, situada a cerca de mil metros da Cidade das Artes e das Ciências, numa nova centralidade para a cidade de Valência, que atrairá pessoas, actividades e recursos.
A Roig Arena será a casa do Valencia Basket e pretende ser um elemento de promoção do desporto e da cultura, apresentando concertos e, com data já marcada para breve, o Campeonato da Europa de Andebol.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Pamplona e as Fiestas de San Fermin

Começaram ontem em Pamplona, na região autónoma de Navarra, e vão decorrer até ao dia 14 de Julho, as Fiestas de San Fermin ou Sanfermines, que são uma das mais animadas e mais afamadas festas espanholas, pois atraem centenas de milhares de visitantes.
As Sanfermines têm origem muito antiga, mas a sua fama surgiu através da obra do escritor americano Ernest Hemingway e do seu livro The Sun Also Rises, traduzido em Portugal como Fiesta. As festas iniciaram-se ontem com o lançamento de fogo-de-artifício, ou chupinazo, lançado da sacada do palácio governamental e terminam à meia-noite do dia 14 de Julho. Entre os dias 7 e o dia 14 decorrem, todos os dias às 8 horas da manhã, os famosos encierros, isto é, largadas de touros que percorrem três ruas do centro histórico de Pamplona, na distância de 849 metros, que normalmente duram três a quatro minutos e, quase sempre, provocam acidentes mais ou menos graves no público que a eles assiste. Dizem as crónicas que, entre 1922 e 2009, morreram 15 pessoas nos encierros das Sanfermines.
A intensa mediatização internacional das Sanfermines atrai manifestações diversas, que procuram afirmar as suas mensagens na fiesta, enquanto plataforma comunicacional de excelência. Assim aconteceu ontem, quando a organização homenageou o povo da Palestina, enquanto um grupo de activistas protestou contra as touradas durante as festividades.
Porém, como mostra a edição de hoje do Diario de Navarra, as gentes de Pamplona gostam demasiado das suas Sanfermines.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Braga, a Capital Portuguesa da Cultura

A mais recente edição do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias dedica vários textos subscritos por especialistas e que ocupam várias páginas, à cidade minhota de Braga que é, neste ano de 2025, a Capital Portuguesa da Cultura.
Braga é uma cidade moderna mas que tem uma história com mais de 2000 anos, na qual a cultura está bem presente no seu vasto e variado património arquitectónico, nas suas tradições, nas suas festas e romarias e, também, na multiplicidade de manifestações culturais que acontecem na cidade e na região.
Foi hoje que a iniciativa Braga 2025 iniciou o seu percurso como gestora, durante um ano, das iniciativas específicas da capital portuguesa da cultura. A respectiva organização, centrada na Câmara Municipal, tem promovido o evento no sentido de atrair visitantes â cidade e à região minhota, sugerindo aos bracarenses: “Abre a tua porta e deixa entrar. Deixa entrar a festa, deixa entrar os sons, os ritmos e os tons, e quem vier visitar”.
A cidade merece ser visitada pois possui um rico património arquitectónico, em que se destaca a Sé de Braga, com raízes no século XI. Porém, quando o Santuário do Bom Jesus recebeu em 2019 a classificação de Património Cultural Mundial da Unesco, a chamada “cidade dos arcebispos” passou a ter um ícone que lhe assegura um estatuto cultural ainda mais elevado. Para além da oferta de património, a Capital Portuguesa da Cultura vai incluir outras atracções como a Semana Santa, as festividades do São João, os festivais de Verão, o folclore e as romarias, os concertos eruditos e populares, as exposições, as iniciativas literárias e um programa cultural intenso, como refere o programa “Braga soa a Cultura”.
E porque mais cultura gera mais qualidade de vida, também a cidade e o seu território se tornam mais atractivos, criando mais riqueza e mais emprego, isto é, mais progresso. É pois uma boa altura para visitar Braga.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

A calamidade está a abalar Los Angeles

O estado norte-americano da Califórnia está a ser afectado por uma enorme calamidade de natureza meteorológica, que parece ser mais uma consequência das alterações climáticas, um dos problemas mundiais a que, curiosamente, as administrações americanas não têm dado importância. As imagens que as televisões nos mostram dos incêndios florestais que estão a afectar os arredores da cidade de Los Angeles são terríveis e catastróficas. Anunciam-se cinco mortes e mais de 200 mil pessoas já foram retiradas das suas casas devido às chamas que ameaçaram ou invadiram algumas zonas residenciais dos arredores da cidade, algumas delas bem conhecidas como Beverly Hills, Hollywood, Palisades, Malibu, Pasadena e outras. 
O jornal Chicago Tribune escolheu como título “Inferno em L.A.” e o The Sacramento Bee optou pela manchete “Winds Fuel South State Infernos”, enquanto o Los Angeles Times escolheu “Like a Thousand Fires”, isto é, anuncia que parecem mil incêndios.
Mais de 400 mil pessoas no estado da Califórnia estão em casa sem electricidade por causa dos incêndios e algumas áreas, como a Sunset Boulevard, uma das avenidas mais populares do país, está em ruínas, como se tivesse sido duramente bombardeada, mas muitos outros bairros já foram devorados pelas chamas, que já devastaram mais de 27 mil hectares. As condições meteorológicas são extremas, com rajadas de vento de direcção variável, que ontem atingiram 160 quilómetros por hora, a transportar materiais incandescentes a longas distâncias e a multiplicar os focos de incêndio.
A calamidade que está afectar o Condado de Los Angeles é realmente brutal e não tem precedentes na história da Califórnia. Toda a imprensa americana noticia o enorme drama que está assolar o estado californiano e tem acentuado que arderam as multimilionárias mansões de várias celebridades dos meios cinematográficos.
A cidade que recebeu os Jogos Olímpicos de 1984, prepara-se para receber os próximos Jogos Olímpicos de 2028.

sábado, 7 de dezembro de 2024

Reabertura da nova Notre-Dame de Paris

No dia 15 de Abril de 2019 um violento incêndio destruiu a histórica catedral Notre-Dame de Paris, um símbolo da cidade e do cristianismo, que é classificada como Património Mundial pela Unesco e que, então, recebia 12 milhões de visitantes por ano.
A derrocada da catedral que começou a ser construida no século XII na île de la Cité, rodeada pelas águas do rio Sena, foi um enorme choque emocional para os franceses, mas também para o mundo, com a visão em directo das imagens televisivas da catástrofe. Foi imediatamente decidida a reconstrução da catedral e cerca de 340.000 doadores asseguraram a coleta de fundos suficiente para custear os trabalhos de reconstrução e restauro, que se prolongaram por cinco anos e custaram 700 milhões de euros.
Hoje, vai realizar-se a festa da reabertura da Notre-Dame, a que assistirão cerca de cinco dezenas de chefes de Estado e de governo, com a imprensa francesa, designadamente o jornal Le Parisien, mas também alguma imprensa internacional, a dedicarem largos espaços a este acontecimento cultural de importância mundial. É a festa da catedral de Notre-Dame, a festa do Património Mundial e a festa da França.
Porém, nem tudo são rosas nesta festa francesa, em que o presidente Macron quer ser o rei, pois o governo de Barnier está demitido e andam todos muito nervosos. Além da crise política, também a economia francesa está em perda, havendo grandes preocupações quanto ao futuro e teme-se que a característica agitação social dos franceses se revele, sobretudo através do Mouvement des gilets jaunes.
No entanto, é bem possível que os franceses se fiquem apenas com um sentimento de orgulho pela reconstrução da Notre-Dame e que esqueçam os protestos, por agora...

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Valência sob anomalias meteorológicas

Na noite de terça para quarta-feira da corrente semana, ou de 29 para 30 de Outubro, chuvas torrenciais inundaram o sul e o leste da Espanha, sobretudo na Comunidade Valenciana e na Andaluzia. Nas suas edições de hoje, os jornais espanhóis escolheram para título das suas primeiras páginas, palavras como drama, apocalipse, tragédia, dilúvio, catástrofe, hecatombe, devastação e luto, escrevendo que foi “um ano de chuva em oito horas”, que matou pelo menos 95 pessoas, embora haja dezenas de pessoas desaparecidas e outras isoladas em locais inacessíveis. De acordo com as notícias, haverá ainda 1200 pessoas presas nas estradas e cerca de cinco mil veículos bloqueados. 
O jornal Hoy de Badajoz publica a fotografia de uma rua da localidade de Picaña, na comarca de Huerta Sur, na periferia da cidade de Valência, que mostra os efeitos catastróficos das cheias. Essa fotografia “diz mais que mil palavras” e foi escolhida por quase todos os jornais espanhóis para ilustrar esta tragédia valenciana.
Caíram mais de 400 litros de chuva por metro quadrado e este fenómeno meteorológico também já tem acontecido em várias regiões de Portugal, designadamente em Novembro de 1967 na região de Lisboa, que causou cerca de 700 mortos e a destruição de cerca de 20 mil casas, constituindo a pior catástrofe na região de Lisboa desde o grande terramoto de 1755.

sábado, 14 de setembro de 2024

Cádiz tem mais de 3.000 anos de história

Vindo do golfo Pérsico há cerca de três mil anos, o povo fenício instalou-se no litoral do Mediterrâneo Oriental e fundou cidades importantes como Sidon e Tiro. A partir dessas cidades e porque eram marinheiros e comerciantes, navegaram pelo mar Mediterrânro e fundaram colónias e feitorias em toda a sua orla marítima, tendo atravessado o estreito e navegado no Atlêntico, chegando ao sudoeste das ilhas Britânicas e tendo explorado a costa ocidental africana quase até ao golfo da Guiné. 
Foi uma grande civilização da Antiguidade e as suas colónias mais importantes foram Cartago, cujas ruinas se situam próximo da capital da Tunísia, e também Gadir, que deu origem à cidade espanhola de Cádiz e cujos habitantes são conhecidos como gaditanos.
A cidade de Cádiz é uma cidade portuária da província do mesmo nome que faz parte da Comunidade Autónoma da Andaluzia e costuma celebrar o seu passado fenício. Neste fim-de-semana e sob o lema "Orgullos@s de nuestra historia”, o município de Cádiz promoveu uma grande festa de raiz histórica e de afirmação da sua identidade cultural, que incluiu a reconstituição de um desembarque fenício e um desfile com cerca de mil participantes devidamente trajados. Logo que o desfile chegou às Puertas de Tierra foi apresentado o espectáculo inaugural de som, luz e cor, intitulado “Cádiz, hace más de 3.000 años”. 
A reportagem desta festa foi publicada hoje pelo Diario de Cádiz e não lhe faltam adjectivos elogiosos. Como informação adicional regista-se que existem testemunhos arqueológicos da presença fenícia em Portugal, na costa do Algarve e nas bacias hidrográficas dos rios Sado, Tejo e Mondego. 

sábado, 24 de agosto de 2024

Aste Nagusia, a grande festa de Bilbau

Estão a decorrer na cidade de Bilbau as Fiestas de Bilbao ou, utilizando a sua designaçáo em língua basca, a Aste Nagusia, que é o acontecimento cultural mais importante da cidade que se realiza anualmente.
As tradicionais festividades da cidade aconteciam no mês de agosto, mas com o fim do franquismo e o reconhecimento da identidade basca, a partir de 1978 foi criada a Aste Nagusia como uma importante celebração da cultura basca, das suas tradições e dos seus costumes, em que se estimulava a participação popular, mas também se divulgavam as actividades culturais de raíz basca.
As festividades são organizadas pelo Ayuntamiento de Bilbao e pelos Bilboko Konpartsak, que são grupos populares de voluntários organizados para apoiar a preparação das actividades. Diz a organização que “durante 9 dias, quienes se acercan a Bilbao pueden participar de cientos de actividades de todo o tipo: festivas, culturales, artisticas, deportivas”, das quais “más de 300 actividades programadas por el Ayuntamiento de Bilbao son gratuitas”, podendo destacar-se as dezenas de concertos de todos os tipos de música, as oito corridas de touros na Plaza de Toros de Vista Alegre e várias exposições, designadamente no Guggenheim Bilbao Museum.
Este ano, a Aste Nagusia teve uma novidade que foi assinalada na primeira página do jornal El Correo, com a visita, ou “o regresso a casa”, do navio-escola Guayas, uma barca da Marinha do Equador. Esta barca foi construída nos Astilleros Celaya de Erandio, na ria de Bilbao, os mesmos estaleiros que em 1967 construíram a barca colombiana Gloria e, em 1982, a barca mexicana Cuauhtemoc
O navio-escola Guayas deixara Bilbau em 1977 para a sua primeira viagem e, 47 anos depois, regressou ao porto onde foi construído para assistir à Aste Nagusia 2024.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

As Festas de Nossa Senhora da Agonia

Gabriela Sampaio e o cartaz de 2024
Começam hoje em Viana do Castelo e vão decorrer até ao dia 22 de agosto as Festas de Nossa Senhora da Agonia, que são a maior romaria que se realiza em Portugal, mas não cabe neste breve texto a descrição estética e cultural deste acontecimento popular único, que atrai mais de um milhão de pessoas àquela cidade minhota, seduzidas por um espectáculo sem paralelo no noso país. Durante os oito dias da romaria há um pouco de tudo o que acontece nas festas populares portuguesas, incluindo muita música, fogo-de-artifício, bandas filarmónicas, gastronomia e feiras de artesanato, mas nas Festas de Nossa Senhora da Agonia há muito mais, destacando-se o deslumbrante Desfile da Mordomia, o Cortejo Histórico e Etnográfico, a Procissão Solene em honra de Nossa Senhora da Agonia, o Festival de Concertinas e Cantares ao Desafio, o Desfile de Grupos de Bombos e Cabeçudos e a Procissão ao Mar, que é um dos mais emblemáticos momentos da romaria. Nesta procissão, os pescadores carregam até ao cais os andores de Nossa Senhora da Agonia, de Nossa Senhora de Monserrate, de Nossa Senhora dos Mares e de São Pedro, que são embarcados e transportados nas embarcações embandeiradas em desfile, ou procissão marítima, ao longo do rio Lima, a que se sucede o desembarque e o regresso dos andores que percorrem as ruas cobertas de tapetes de flores.
Tudo o que nestes dias se vai passar em Viana do Castelo é um deslumbramento! Além de tudo isto, nas festas de 2024 há duas grandes novidades. A primeira é que a Mordoma das Festas de Nossa Senhora da Agonia que se chama Gabriela Sampaio foi, pela primeira vez, escolhida através de um concurso tendo ficado com o direito a figurar no cartaz da Romaria d’Agonia. A segunda novidade é a participação no Cortejo Histórico e Etnográfico, envergando trajes tradicionais minhotos, do campeão olímpico Iúri Leitão e da sua noiva, ambos minhotos.
Neste quadro festivo, aqui deixo uma mensagem de grande admiração pela cultura popular minhota e um abraço ao meu amigo FSM, um orgulhoso vianense que é fiel às suas raízes e está sempre com a Romaria d’Agonia.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Viva! Aí está o novo aeroporto de Lisboa!

Ontem foi um dia importante na política portuguesa porque, depois de 55 anos de avanços e de recuos, de estudos e de mais estudos, de pressões e de hesitações, foi finalmente anunciada a decisão sobre o novo aeroporto de Lisboa. Após tantos anos e tantos primeiros-ministros, foi um improvável Luís Montenegro que, com apenas 32 dias de governo, assumiu essa decisão, devendo salientar-se que teve o apoio das forças políticas mais representativas, o que é um bom sinal de cooperação interpartidária face ao interesse nacional, o que raramente tem acontecido em Portugal. O jornal Público, como nenhum outro jornal português, destacou essa importante notícia na sua edição de hoje.
O reconhecimento da necessidade de um novo aeroporto de Lisboa nasceu durante a chamada “primavera marcelista”, através do Decreto-lei 48.902, de 8 de março de 1969, que criou no Ministério das Comunicações, o Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa, com personalidade jurídica e autonomia administrativa, com a missão de “empreender, promover e coordenar toda a actividade relacionada com a construção do novo Aeroporto de Lisboa”. Esse documento foi assinado por Marcello Caetano e foi promulgado pelo presidente Américo Deus Rodrigues Thomaz, mas ninguém esperava que fosse preciso mais de meio século para escolher o local.
Havia inicialmente quatro possíveis localizações, respectivamente na Fonte da Telha, no Montijo, no Porto Alto e em Rio Frio. Depois apareceu a hipótese de Alcochete, em finais da década de setenta surgiu a hipótese Ota e, mais tarde, as soluções Samora Correia e Santarém. Os interesses eram conflituantes e as pressões dos ambientalistas e dos municípios eram enormes, mas a decisão foi sempre adiada. Nem Mário Soares nem Cavaco, nem Guterres ou Barroso, Sócrates, Coelho ou Costa, tomaram uma decisão. O novo aeroporto de Lisboa já entrara no anedotário nacional.
Não faltaram estudos e ponderações e, por isso, saúda-se que, finalmente, tenha havido uma decisão. Parece que é desta que vamos ter o novo Aeroporto de Lisboa e que vai chamar-se Luís de Camões!