sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Boeing-Airbus: um duelo de gigantes

A cidade francesa de Toulouse é considerada a capital europeia da aeronáutica e nela está localizada a sede e as principais linhas de montagem do Grupo Airbus, o que representa o emprego para dezenas de milhares de trabalhadores da cidade e arredores. Por isso, a aviação comercial e a actividade aeronáutica fazem parte da vida desta região e o diário local La Dépêche du Midi, que se publica na cidade desde 1870 e que reclama ser “le journal de la démocratie du Midi”, acompanha regularmente o tema da aviação e da indústria aeronáutica.
Assim, na sua edição de hoje o jornal destaca como principal tema o “duel au sommet” entre a Boeing e a Airbus, os dois maiores gigantes da indústria aeronáutica mundial que, por vezes, até parece um duelo entre a América e a Europa.
Segundo é referido nessa notícia, desde 2019 que a Boeing tem passado por “anos difíceis” com a “empresa de Toulouse” a ultrapassar claramente a “empresa de Seattle”, tanto em encomendas como em entregas. Nos anos mais recentes, as entregas da Airbus corresponderam a uma quota de mercado de cerca de 60% de aviões comerciais novos, ficando-se a Boeing por cerca de 40%. Porém, parece que a rivalidade, ou mesmo a luta entre os dois fabricantes, se reacendeu no ano passado, quando a Boeing voltou a ter mais encomendas do que o seu concorrente europeu e a conseguir superar a Airbus em encomendas líquidas: aproximadamente 908 contra 889.
No início do corrente ano, num quadro de forte aumento da procura mundial, os dois fabricantes tinham carteiras de encomendas “para muitos anos”, com a Airbus a registar 8.800 e a Boeing 6.200. Porém, o problema que se coloca actualmente é a capacidade de fabricar/entregar aviões e, nesse aspecto, a Boeing perde claramente com a Airbus. Hoje, a discussão sobre as características técnicas e económicas dos aviões produzidos pelos dois fabricantes tem pouco sentido. O que interessa, cada vez mais, é saber como respondem às necessidades do mercado, ou seja, a discussão passa menos por “quem consegue vender mais” e passa mais por “quem consegue fabricar e entregar mais depressa”.

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