sábado, 8 de outubro de 2011

Gastar à tripa-forra

Na sua edição de hoje, o Correio da Manhã informa os seus leitores com grande destaque que a “ANA gasta 33 mil em sardinhada”.
A ANA – Aeroportos de Portugal, SA foi criada em 1998 para gerir os aeroportos portugueses de forma empresarial, sendo detida na sua totalidade pelo Estado Português.
A empresa tem o monopólio da gestão dos aeroportos portugueses, pelos quais passam anualmente mais de 250 mil aviões e mais de 25 milhões de passageiros, que pagam as suas taxas. O movimento aeroportuário tem aumentado todos os anos e daí que a empresa apresente sempre resultados positivos, que em 2010 atingiram 56,4 milhões de euros, embora a dívida da empresa também venha aumentando regularmente e seja da ordem dos 500 milhões de euros.
Porém, quando o país tem um elevado desemprego e passa por grandes dificuldades financeiras, espanta que a administração da ANA não se iniba de dar este mau exemplo e de gastar 33.250 euros numa sardinhada de São João, no Porto, e mais 136.500 euros em cabazes de Natal para todos os seus 1202 funcionários, entre outros gastos que o jornal não sabe ou não revela, mas que todos imaginamos.
Chama-se a isto gastar à tripa-forra. "Anda tudo doido", como diria um amigo meu!

Ilhas atlânticas: entre a ética e o vale tudo

Carlos César, o presidente do Governo Regional dos Açores, completa 16 anos de governação em Outubro de 2012 e anunciou a sua decisão de não se recandidatar a um quinto mandato, em nome da ética dos cargos públicos e da ética republicana.
Carlos César tomou posse pela primeira vez no dia 9 de Novembro de 1996, na sequência da vitória que o PS obtivera com 46 por cento dos votos nas eleições regionais realizadas um mês antes. Até então, também durante 16 anos, o arquipélago tinha sido governado pelo PSD liderado por Mota Amaral.
Pode concordar-se ou discordar-se da política de Carlos César, mas a sua atitude é exemplar e revela o enorme contraste entre a prática democrática açoriana e a bandalheira governativa madeirense, sobre a qual tanto se tem dito.
Enquanto nos Açores se cultiva a ética, se abre espaço para uma nova geração e se potencia a alternância democrática, na Madeira assistimos ao vale tudo e a uma doentia obcessão pelo poder, à demagogia e ao populismo, à arrogância, à insensatez e ao despudor de uma linguagem agressiva.
Face às circunstâncias da conjuntura, os madeirenses terão que resolver o seu problema rapidamente, mas os açorianos vão ter tempo para, serenamente, escolher o sucessor de Carlos César.