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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

O que dizem os comentadores da treta

Todas as estações televisivas portuguesas têm comentadores que, em princípio, são especialistas numa coisa qualquer, como a política, o futebol, o ambiente e outras matérias. Uns são mais apreciados e outros são menos apreciados pelo público, mas cada um deles esforça-se por agradar de forma a ter as audiências que lhe garanta o seu lugar de comentador que, segundo consta, é muito bem remunerado. Entre os comentadores contratados pela SIC, está o advogado José Júdice ou JJ que, sabe-se lá sabe por que razão, preenche um espaço de comentário na edição da noite da SIC Notícias a que dá o nome de “As Causas”. Podia ser interessante, mas não é. Com o seu auto-convencimento e a sua vaidade, o comentador JJ cansa quem o escuta porque recorre demasiadas vezes ao eu - eu disse, eu tinha dito, eu avisei. Além disso, fala sobre muitas coisas que não sabe, mas fá-lo sempre com um ar panfletário e de entendido, que muito o ridiculariza. A SIC merecia melhor. O comentador JJ é um demagogo e um manipulador. Não é independente nos seus comentários. Nos graves tempos de pandemia que atravessamos, tem criticado com severidade a Direcção-Geral da Saúde e os seus responsáveis, escondendo-se atrás de uma pseudo-barreira de anónimos epidemiologistas, médicos, estatistas, economistas, matemáticos, psicólogos e outros especialistas que, segundo diz, o contactam e o ajudam. Vai daí, passa a mostrar gráficos que nem sabe interpretar, mas que comenta como se soubesse, apenas para impressionar os mais distraídos. Este JJ é mesmo um verdadeiro comentador da treta. O antigo membro do MDLP e, por acaso, advogado ou ex-advogado de Isabel dos Santos, ainda tinha algum prestígio, mas com esta sua ânsia de protagonismo mediático resvalou para a valeta do ridículo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Um novo livro de Cavaco? Não, obrigado!

Aníbal Cavaco Silva lançou ontem um livro a que chamou Quinta-feiras e outros dias, mas os jornais não lhe deram qualquer importância, à excepção do jornal i que aproveitou a oportunidade para entrar no jogo do autor e para o ajudar a vender alguns livros. Porém, as imagens televisivas da sessão de apresentação mostram que Cavaco tem muitos admiradores, incluindo aqueles que gostam de aparecer e de ser vistos nestas coisas.
Eu não li, nem vou ler o livro porque, segundo observei num comentário crítico, são 500 e tal páginas “sem uma ideia, sem um pensamento sobre a situação e o futuro de Portugal “, mas também porque durante a sua leitura não me sairia da cabeça a figura auto-convencida e sempre angustiada do autor, ora a engolir bolo-rei, ora a espumar pela boca, ora a dizer aos portugueses que podiam confiar no BES. Além disso, um homem que uma vez afirmou que “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” não merece o estatuto de académico que usa, nem que se perca tempo com a literatura de cordel a que parece ter-se dedicado. Por isso, limitei-me a ler algumas das críticas em que é salientado que “a vaidade paroquial do homem não tem medida”. Deve ser isso.
Na realidade, para quem tem um confortável gabinete no antigo convento do Sacramento, que foi preparado e é pago pelo Estado, não se esperava que produzisse literatura de tão desolador vazio. Tratando-se do político que mais tempo esteve no poder no Portugal democrático, o que se esperava dele era uma obra de reflexão sobre o mundo e sobre o nosso país, que apontasse caminhos e nos ajudasse a pensar o futuro em relação à economia, ao ambiente, à cultura e a tantos outros sectores, mas em vez disso, parece que o ex-presidente que veio de Boliqueime, se dedicou a um exercício de intrigalhada política e de exibição de vaidades pessoais.
O que nos interessa o que Cavaco pensa sobre Costa, sobre Passos ou sobre Portas? Se Eça de Queirós ou Almada Negreiros fossem vivos, bem teriam matéria inspiradora para recriar o Conselheiro Acácio ou um novo Dantas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Há juízes que vivem para os tablóides

Nos últimos dias, após a tomada de posse da nova Procuradora-Geral da República, o juiz Alexandre tem-se desdobrado a dar entrevistas à RTP e ao jornal i, que depois têm sido amplificadas em outros orgãos da comunicação social.
Não é habitual que os juízes portugueses se deixem envolver na tabloidização das suas funções, que são muito importantes numa sociedade democrática e num Estado de Direito, mas este juiz que veio de Mação, parece ser a excepção à regra. Gosta de ser entrevistado, de revelar a sua vida pessoal, de exibir as suas raízes identitárias e de dar palpites sobre os processos em que está envolvido. Para satisfação desse seu apetite, há sempre uns amigos para abonarem as suas boas qualidades e uns estagiários disponíveis para fazer o papel de entrevistadores.
E o que se passou nos últimos dias nem aconteceu pela primeira vez e isso é preocupante para os cidadãos que confiam na Justiça.
O comportamento de quem julga deve ser reservado, discreto, atento e imparcial, para que possa comprender o problema em questão e o seu enquadramento social, de forma a tomar a decisão justa de acordo com a Lei. Com estas entrevistas ao estilo tablóide, o juiz Alexandre revela demasiados pré-conceitos e muitos preconceitos. Com este tipo de exposição mediática, comparável aos futebolistas, às artistas de telenovela ou a algumas locutoras da televisão, o juiz Alexandre dá um enorme contributo para a describilização da Justiça.
É uma tristeza assistir a estas entrevistas promocionais, feitas de encomenda e sem qualquer interesse jornalístico, em que os entrevistados nada de substantivo dizem e se mostram deslumbrados por aparecer nos tablóides, com fotografia e tudo.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Da agro-Cristas à Cristas-vinte-estações

O Metropolitano de Lisboa apresentou um plano de acção operacional para a sua rede, anunciando que esta vai ter mais duas estações – Estrela e Santos – a inaugurar até 2022. A nova linha ligará o Rato ao Cais do Sodré e o custo desta obra é de 216 milhões de euros, com recurso a fundos comunitários e a um empréstimo a contrair junto do Banco Europeu de Investimento. O plano prevê, também, a aquisição de 33 novas carruagens, num investimento estimado de 50 milhões de euros, bem como a remodelação das estações de Arroios, Areeiro, Colégio Militar, Olivais e Baixa-Chiado com um investimento estimado em 16,2 milhões de euros e o prolongamento da Linha Vermelha com duas novas estações nas Amoreiras e em Campo de Ourique, que custará 186 milhões de euros e que terá que esperar por nova oportunidade. Este plano representa um esforço de investimento e uma valorização para a cidade de Lisboa mas, como qualquer plano, pode e deve ser criticado para que sejam escolhidas as melhores alternativas.
Porém, o anúncio de duas novas estações do Metropolitano serviu de pretexto para um dos mais ridículos exercícios de demagogia, quase ao nível do insulto à inteligência dos portugueses. A ambiciosa jovem que dirige o Centro Democrático e Social, que em tempos e sem qualquer formação específica aceitou dirigir o Ministério da Agricultura  onde ficou conhecida como agro-Cristas, quis dar nas vistas e, num acto de ignorância ou de inteligência muito limitada, decidiu divertir a Assembleia da República e criticar um plano que prevê duas novas estações do Metropolitano, propondo não duas, mas 20 novas estações. Vinte! Nem mais nem menos. Os deputados-cassete do seu partido aplaudiram. Poucas vezes assisti a tanta falta de senso na vida política portuguesa. A agro-Cristas vai ficar na nossa memória como a Cristas-vinte-estações. Bem merece essa designação.

sábado, 27 de agosto de 2016

O estilo telenovela na política portuguesa

A jovem que desde Março dirige o CDS tem feito tudo para dar nas vistas e não se cansa de aparecer por toda a parte para falar, para opinar e para criticar. Fala por tudo e por nada. Precisa de notoriedade. Procura-a incansavelmente. É uma necessidade básica de quem não sabe quanto vale em termos eleitorais, mas que não deve andar longe dos 5%. É difícil sair desta irrelevante fasquia que só serve para ser muleta dos outros, até porque o povo tem memória e não esquece que Assunção Cristas também foi responsável pela brutal austeridade e pelo empobrecimento que foi imposto aos portugueses. Além disso, ela também quis ir além da troika e esteve sempre ao lado do irrevogável Portas a dar o dito por não dito. Sabendo que nem o seu passado partidário, nem o seu projecto político têm o apoio do eleitorado, a moça adoptou uma estratégia populista para dar nas vistas. Vai daí, vestiu um vestido curto estampado com kiwis e posou numa fotografia artístico-sexy, digna da capa de uma qualquer revista cor-de-rosa. Para quem aspira ao poder, era difícil fazer pior.
Um antigo deputado do seu partido de nome Raúl Almeida deve ter visto a fotografia e não se calou, tendo dito que “há um certo culto da personalidade e da frivolidade de uma presidente que está nas revistas cor-de-rosa quando o país está a arder“, acrescentando que o futuro do seu partido depende da forma como aquela jovem se comportar enquanto presidente do CDS e “não como uma atriz de telenovelas” e que “é muito importante que não confunda a rentrée com a silly season”.
O assunto só pode interessar aos tais 5% mas, de facto, é muito divertido verificar como o estilo telenovela entra na política portuguesa.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Há portugueses que não são como nós

A política em Portugal tem sido transformada numa enorme embarcação salva-vidas, onde a generalidade dos seus passageiros entra com pouca coisa ou de mãos vazias, mas que quando desembarca vem com as mãos bem cheias. Uns encostam-se a bombordo, outros alinham-se por estibordo, mas toda essa gente sem escrúpulos não tem outro objectivo que não seja tirar partido das circunstâncias e enriquecer, tendo passado pela política de forma desonesta e sem sentido do bem comum. Essa gente deslumbra-se com a sua própria ignorância, desfaçatez e perversidade e, muitas vezes, faz gala na exibição de um novo-riquismo que tende a esconder as suas origens sociais bem modestas, mas certamente mais dignas. O seu objectivo é apenas o de enriquecer e todas as artimanhas valem para cumprir esse plano. Os exemplos são infelizmente tantos, quase sempre escondidos por uma comunicação social incompetente e que parece estar ao serviço desse tipo de gente e dos seus interesses.
Na sua última edição o Expresso revelou na sua 1ª página mais um caso muito interessante, a respeito do antigo ministro Manuel Pinho, que foi alto funcionário do BES e que, recentemente, vira ser-lhe negado pelos tribunais um acordo de pensão de reforma de 7,5 milhões de euros e a atribuição de uma pensão vitalícia de 21.500 euros mensais, a que se considerava com direito. Agora, em novo processo, Manuel Pinho exigia o pagamento de 273 mil euros e juros, correspondentes a uma remuneração mensal de 39 mil euros que deveria receber até Dezembro de 2017, enquanto administrador do BES Africa, agora chamado Novo Banco África. O tribunal voltou a recusar esta exigência e revelou que Manuel Pinho apenas estivera em 11 das 18 reuniões realizadas pelo BES Africa desde 2010 pelo que, de facto, já tinha recebido 217 mil euros por cada reunião.
É obra: 217 mil euros por reunião!
Apetece-me parafrasear José de Almada Negreiros, poeta d’Orpheu Futurista e Tudo,  no seu Manifesto anti-Dantas:
               O Dantas-Pinho é o escarneo da consciência!
              Se o Dantas-Pinho é portuguez eu quero ser hespanhol!

quinta-feira, 24 de março de 2016

A enorme azia do rapaz da bandeirinha

Antigamente não tinhamos dúvidas sobre a natureza da actividade bancária e das operações financeiras pois quase tudo se resumia à recolha depósitos dos clientes e ao pagamento ao depositante de um juro (operações passivas) e à concessão de créditos ao cliente que pagava um juro (operações activas).
Os tempos mudaram e a banca transformou-se numa coisa que o homem comum não sabe o que é, muitas vezes ocupada por gente sem escrúpulos e de duvidosa reputação. Um pouco por todo o mundo as consequências têm sido desastrosas e, em Portugal, também temos sido atingidos por essa hecatombe.
No sentido de prevenir mais surpresas e defender os depositantes e os contribuintes portugueses, o governo autorizou a empresária angolana Isabel dos Santos a entrar no capital do BCP, banco em que a também angolana Sonangol já é a maior accionista. O acordo foi comunicado pessoalmente pelo próprio primeiro-ministro à empresária angolana. Caiu o Carmo e a Trindade!
Pela boca do deputado Amaro, o PSD veio imediatamente exigir esclarecimentos para saber so o governo tinha tido intervenção no negócio, deixando no ar algumas suspeitas. Depois, foi o próprio presidente do PSD, aquele que vendeu a EDP aos chineses, a ANA aos franceses e a TAP a não se sabe quem, que veio desejar “ver tudo em pratos limpos”.
A resposta veio de Belém com o Presidente da República a confirmar um total alinhamento com o governo e a lembrar que, como Chefe de Estado, lhe cumpre respeitar a Constituição. E foi em nome desse dever e da respectiva defesa do "interesse nacional" que considerou "natural" a intervenção do primeiro-ministro para garantir algum equilíbrio na origem dos capitais estrangeiros que entram na banca portuguesa. Foi um soco de luva branca de certos indivíduos que por aí andam, com o Passos à frente. É caso para dizer que o rapaz vai de mal a pior e que nem a bandeirinha na lapela lhe evita o total descrédito, nem um confrangedor isolamento. Com toda esta azia o rapaz vai mesmo precisar de muito Kompensan.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A imbecilidade do euro-deputado Rangel

Aconteceu ontem e a televisão mostrou: durante um debate no Parlamento Europeu sobre as consequências da eventual saída britânica da União Europeia, o euro-deputado Paulo Rangel exibiu o seu habitual radicalismo e imbecilidade, atirando-se ao governo do seu próprio país e rotulando-o de extremista. O fulano assumiu o vergonhoso papel de lacaio e de porta-voz das mais reaccionárias instituições internacionais e revelou-se um reles sabujo. Mostrou ser uma vergonha nacional. O seu agressivo discurso, proferido numa altura em que o governo português e a Comissão Europeia discutiam o conteúdo do Orçamento do Estado para 2016, revela a falta de carácter, a arrogância, a inteligência enviezada e a cegueira política deste verdadeiro imbecil que insultou e difamou os portugueses perante os deputados e os jornalistas de toda a Europa.
Em Novembro passado, já este deputado-imbecil chamara a atenção da Comissão Europeia para o facto de “todo o esforço que a população portuguesa fez nos últimos quatro anos, com resultados tão prometedores e tão inspiradores”, estar agora “comprometido” devido ao “acordo de forças da extrema-esquerda com o PS, que põe em causa o equilíbrio que até agora tem sido seguido em Portugal”.
Conforme é do conhecimento público, este deputado-imbecil tem aproveitado o palco de Bruxelas para se promover e para enriquecer, porque além das mordomias de que beneficia como deputado, ainda dá umas aulas, integra uma sociedade de advogados e é comentador televisivo. Porém, apesar dessas actividades todas, Rangel ainda tem tempo para ter este comportamento abjecto de lacaio.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O pequeno caceteiro que veio de Bruxelas

O licenciado Paulo Rangel nasceu em 1968 e, segundo reza a sua biografia, entrou na política aos 33 anos de idade quando em 2001 lhe confiaram a redacção do programa de candidatura de Rui Rio à Câmara Municipal do Porto. Gostou da experiência, encostou-se aos amigos e, em vez de escolher uma carreira académica, optou por ocupar alguns bons tachos, misturando funções públicas com funções privadas. Em 2010 já se sentia alguém e decidiu disputar a liderança do PSD, mas como perdeu o confronto com Passos Coelho foi compensado com um tacho de eurodeputado muito bem remunerado em Bruxelas. Foi nessa condição que foi convidado para essa magna reunião de escoteiros sociais-democratas a que, pomposamente, chamam a universidade de verão do PSD.
Pois foi esta figurinha menor, este pateta e este verdadeiro caceteiro que nos veio dizer que foi o actual governo que tratou de confrontar um ex-primeiro-ministro e um banqueiro com a Justiça, ao afirmar com os dedos no ar que estes dois casos só estão a acontecer porque o PSD e o CDS estão no governo. Nestas condições e, ainda segundo o caceteiro-pateta Rangel, a acção da Justiça tem sido encaminhada e interpretada à luz dos desejos do PSD e do CDS, porque ninguém “acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação”, isto é, a Justiça só investiga políticos quando os seus partidos não estão no governo e, portanto, a Justiça não passa de uma qualquer coisa comandada pelo governo. É triste vermos um jurista e eurodeputado, alucinado e fanático, a dizer isto. É um ignorante. É uma vergonha da nossa Democracia.
Assim, ainda segundo o referido caceteiro-pateta, temos Sócrates a ser investigado porque é do PS; temos Passos a não ser investigado no caso Tecnoforma e nas dívidas à Segurança Social porque é do PSD que está no governo; temos Portas a não ser investigado no “caso dos submarinos” porque o CDS também está no governo; temos Vara condenado no processo “Face Oculta” porque é do PS; temos Miguel Macedo a não ser constituído arguido no caso “vistos gold” porque é do PSD; temos Marco António Costa que ainda não foi constituído arguido no “caso Câmara de Gaia” porque o PSD está no governo ; e temos Dias Loureiro e toda a malta do BPN a circularem livremente por aí sem investigação, porque são do PSD. Das declarações do eurodeputado Rangel não se pode concluir outra coisa e, portanto, como diria o treinador Manuel Machado, “um imbecil é sempre um imbecil”.

sábado, 9 de maio de 2015

O porta-voz Monteiro

Durante muitos anos habituei-me a ver na televisão um tal António Monteiro como porta-voz da TAP. Era ele que "dava a cara" e que falava das greves, dos atrasos e dos problemas que por vezes apareciam na companhia e que afectavam o público. Nos últimos tempos, com a teimosia governamental em privatizar a TAP e com a prolongada greve dos pilotos, o porta-voz Monteiro que é um funcionário da TAP, parece ter sido substituido pelo porta-voz Monteiro que é, nada mais nada menos que o licenciado Sérgio Monteiro, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
Este porta-voz Monteiro, que também é Secretário de Estado, é um homem de quem se conhece pouco, embora se saiba que é militante partidário e que, por isso, rapidamente se encaixou e chegou ao conselho de administração do CaixaBI, isto é, o Banco de Investimento do Grupo Caixa Geral de Depósitos. Segundo se lê, foi no exercício dessas funções que, no tempo do governo socialista, “desenhou, geriu ou cofinanciou todas as PPP ruinosas contratualizadas em Portugal nos últimos anos”. Um dia, o famoso Miguel Relvas veio dizer que "as PPP do sector rodoviário são uma verdadeira ruína para o país” e são exactamente essas PPP, que valem 5,5 mil milhões de euros, que hoje são tuteladas pelo mesmo Sérgio Monteiro. O homem serve para tudo e para o seu contrário! Nas suas actuais funções, coube-lhe renegociar essas PPP que antes tinha negociado e, além disso, gerir as privatizações da ANA, CTT, CP Carga e TAP. Será possível fazer tudo isto sem afectar o interesse nacional? Há quem lhe chame o Senhor Privatizações pela forma empenhada e obcecada como se comporta, sobretudo quando se deslumbra com os microfones à sua frente. No caso da TAP, tem sido ele a substituir a administração da companhia e a informar sobre o”insucesso da greve”, sobre o número de voos realizados, sobre os prejuízos acumulados, sobre tudo. Afinal, ele é que é o porta-voz da TAP, calando o outro Monteiro, o presidente Pinto e até o ministro Lima.

sábado, 11 de abril de 2015

Foi você que falou em homens de palavra?

 
Este indivíduo que foi baptizado como António Pires de Lima (APL) é um economista, igual a tantos outros que por aí andam e, através do seu currículo, sabemos que vendeu sumos, cafés e cervejas Super Bock. Agora, pela mão do irrevogável, chegou a ministro e, com ares de uma competência que ainda está por demonstrar e alguma arrogância, faz propaganda, vende disparates e alimenta ilusões. Para ele, a pasta da Economia são empresas e privatizações, não são trabalhadores. Ele é o privatizador-mor e, aparentemente, é isso que faz no governo para, com obcessão ideológica, servir interesses indefinidos.
Quando há tempos foi à Assembleia da República prestar contas dos seus desempenhos não foi capaz ou não quis retratar a nossa débil economia, nem explicar porque não há investimento, preferindo adoptar um lastimável e ridículo comportamento que foi quase insultuoso para o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que nem estava presente nem era para ali chamado. Esperava-se mais de um PL!
Aqui há dias, a propósito das questões da TAP e do insanável impasse que ameaça a empresa com novas greves, veio dizer que “os acordos em homens de palavra são para se cumprir”. Esta frase, dita por um ministro, é para rir à gargalhada.
Então, o que é que os ministros em geral, e o nosso primeiro Passos em particular, têm feito aos acordos que fizeram com os eleitores? Será que esta gente se esquece que está no governo para cumprir um acordo feito com os eleitores que está inscrito no seu programa eleitoral e, naturalmente, na Constituição da República?

sábado, 28 de março de 2015

Honoris causa porquê? Alguém sabe?

Fonte: Kyoto University of Foreign Studies
Andava eu muito crítico quanto às constantes viagens de descarada promoção pessoal do nosso vice-primeiro ministro, quando me chegou a notícia de que o nosso primeiro Passos entrou em disputa com ele e se deslocara ao Japão levando consigo uma delegação com 26% do seu ministério, para além de secretários, assessores, ajudantes e os inevitáveis jornalistas para relatarem o sucesso da viagem, como se isso interessasse aos leitores ou aos telespectadores. O cidadão comum observa este corrupio de viagens e de despesas e fica indignado por lhe cobrarem tantos impostos, por lhe cortarem as pensões, por lhe prestarem cuidados de saúde insatisfatórios e por obrigarem tanta gente a emigrar. Nesta melancolia de vida que levamos e em que somos obrigados a viver, há tão poucas alegrias que qualquer coisinha positiva que nos chega de fora ajuda a descongelar a nossa auto-estima. E foi o que aconteceu esta semana quando vimos na televisão o nosso primeiro Passos a receber um doutoramento honoris causa pela Kyoto University of Foreign Studies. Tive que “meter a viola no saco” pois foi um momento de grande alegria ver um nosso concidadão, que se licenciou aos 37 anos numa universidade lisboeta menos reputada, ser reconhecido academicamente por uma universidade do Império do Sol Nascente. Nem Luis de Almeida, nem Luis Fróis, nem João Rodrigues, nem Wenceslau de Moraes, atingiram este patamar académico! Mas porquê?
Segundo se leu, esta atribuição distingue “o apoio dado por Portugal à CPLP” e aí começa o meu desapontamento. Afinal o nosso primeiro Passos não foi reconhecido pelos seus méritos, mas apenas pelo apoio que Portugal deu à CPLP, ficando nós sem saber se esse apoio tem a ver com a polémica admissão da Guiné Equatorial, em que o nosso país se comportou como um subalterno.
Porém, o desapontamento ainda foi maior quando verifiquei que a Kyoto University of Foreign Studies figura na 157ª posição (!) no ranking das universidades japonesas e, nessas circunstâncias, a distinção conferida é mesmo de importância menor. Será que o primeiro Passos merecia mais?

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Viagens ao México e propaganda pessoal

O cidadão Paulo Portas preside ao seu partido desde 1998 mas nunca conseguiu transformá-lo noutra coisa que não seja um pequeno partido ou um partido-muleta em que se apoia o PSD para formar maiorias de governo. Embora o cidadão Portas não passe de uma figura de segundo plano na política portuguesa, tem tido uma notoriedade e uma importância políticas demasiado  desproporcionadas em relação ao seu peso eleitoral. Cansa vê-lo e cansa ouvi-lo, sobretudo quando exibe ares de estadista e tiques de espertalhão, ou quando insinua que defende Portugal como ninguém, o que não é verdade.
Quando em Julho de 2013 apresentou o seu irrevogável pedido de demissão, porque ficar no governo seria um acto de dissimulação, parecia dar por findo o seu período de incessantes viagens por todo o mundo, que o tinham transformado num verdadeiro frequent flyer. Mas não resistiu e ficou. Deu o dito por não dito, envergonhando aqueles que nele tinham votado. Ainda lhe encomendaram a reforma do Estado, mas não foi capaz. O que ele quer é viajar, sobretudo quando são os outros a pagar. São difíceis de enumerar os países por onde o tem viajado, pois vão da China à Turquia, de Moçambique ao Brasil, da Índia a Angola. Sempre acompanhado por dezenas de empresários e, certamente, por alguns amigos jornalistas. Coleccionando comendas. Vendendo dívida e vistos gold. Inaugurando ginásios. Oferecendo as empresas portuguesas a interesses e dinheiros mais ou menos obscuros.
Agora o irrevogável voltou ao México com uma comitiva de mais de cinco dezenas de empresas, apregoando que Portugal é um sucesso nas economias europeias, como se os mexicanos não soubessem que não somos nada disso. Assinaram-se contratos já antes negociados, apenas para alimentar a sua propaganda pessoal. Não é sério fazer isso. Acabou por ouvir dizer que Portugal investe pouco no México e por ser ignorado por Carlos Slim.
Porém, numa lógica de custo-benefício, é necessário saber quanto têm custado todas estas viagens aos contribuintes portugueses e que benefícios reais têm trazido ao nosso país. Como contribuinte, os discursos da propaganda não me tranquilizam. É urgente que essa análise seja feita e se conheça a verdadeira dimensão desta continuada operação de propaganda.

domingo, 13 de abril de 2014

Uma estátua para o grande Barroso. Já!

Ontem foi um dia de consagração para o actual presidente da Comissão Europeia, que nunca ouvira tão  fartos elogios numa conferência intitulada “Portugal: Rumo ao Crescimento e Emprego. Fundos e Programas Europeus: solidariedade ao serviço da economia portuguesa”, que decorreu em Lisboa na Fundação Calouste Gulbenkian. Nós estávamos habituados a eventos de grande qualidade nas instalações da Gulbenkian, sobretudo exposições e concertos, mas desta vez aquele espaço foi utilizado para uma sessão de circo, com alguns artistas de nomeada. O espectáculo serviu, simultaneamente, para alimentar a ambição política do Zé Manel – o regresso do cherne – e para uma acção de campanha eleitoral da coligação que nos governa. Barroso auto-elogiou-se, elogiou Coelho e ouviu elogios de Cavaco: “Posso testemunhar, como poucos, a atenção que o dr. Durão Barroso sempre prestou aos problemas do país e a valiosa contribuição que deu para encontrar soluções, minorar custos, facilitar apoios e abrir oportunidades de desenvolvimento”. Foi uma bajulação impensável. Não merecíamos tal espectáculo de hipocrisia política!
Barroso tem um longo e bem conhecido historial político. Apoiou a invasão do Iraque com base nas armas de destruição que Sadam Hussein não tinha. Virou-nos as costas para ir para o tacho em Bruxelas. Vergou-se aos alemães e calou-se com o seu esvaziamento de poderes na Comissão Europeia. Alinhou na austeridade que está a abalar os países do sul da Europa. Sabia o que se passava no BPN e diz ter avisado Constâncio, mas promoveu o branqueamento das ligações dos seus amigos a esse mesmo banco. Etc.
Barroso anda agora entusiasmado e atarefado a procurar o seu emprego para o futuro. Usou uma entrevista à SIC e ao Expresso para contrariar a imagem do primeiro-ministro que fugiu para Bruxelas e que esteve do lado dos credores e contra os pensionistas portugueses. Agora organizou a tal conferência-espectáculo, onde se comportou como um intransigente defensor de Portugal e dos portugueses.
Barroso merece nada menos que uma estátua! E porque não uma estátua em cada uma das 28 capitais da União Europeia porque, como Cavaco afirmou, “Portugal e os Portugueses, tal como os outros Estados-Membros, muito lhe devem.”
Só nos faltavam estes cromos...

sábado, 5 de abril de 2014

Há fanáticos ideológicos à solta por aí

Todos nos lembramos da entrada no governo do jovem e promissor Pedro Lomba como secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, tendo ficado com a missão de conduzir os anunciados briefings diários com jornalistas, que decorreriam às 12:00 horas, com duração máxima de meia hora. Foi há um ano e foi um monumental fiasco. O Lomba fez lombada.
O Lomba nasceu em 1977, cresceu na periferia de Lisboa e seguramente é um jota fiel. O seu primeiro momento de glória política foi a nomeação como secretário de Estado, mas a sua função ficou vazia depois do fiasco dos briefings. Passou muitos meses na penumbra e reapareceu agora sob a forma de uma entrevista publicada no jornal i que, obviamente, foi combinada com o entrevistador que, por acaso, foi recentemente classificado num blogue como “uma espécie de jornalista”, pois enquanto tal prefere fazer favores aos amigos do que dizer a verdade. A entrevista começa com um familiar tratamento por tu  “nasceste em 1977...” – mas mais adiante muda de tom e passa a tratar o secretário adjunto Lomba por você, que é mais reverencial – Os exemplos que me deu...”. Podia ser uma gralha, mas não é. O amigo do Lomba distraiu-se. A entrevista parece um manifesto ideológico cujo conteúdo é, certamente, o objecto dos estudos académicos do Lomba, mas o seu ponto de maior interesse é a seguinte frase:
O governo tenta continuar e desenvolver o espírito do 25 de Abril original”.
Igual a esta tirada filosófica de apoio ao 25 de Abril, só a cena do Relvas a cantar o Grândola ou o Passos de cravo ao peito. Alguns dos meus amigos dirão que o obcecado Lomba tem muita lata, porque não fala dos portugueses, nem dos seus problemas. O Lomba é um jota que não tem experiência, nem vivência do mundo real, nem da gestão da coisa pública, nem de coisa nenhuma. O Lomba é um atrevido. O Lomba é um fiasco e devia estar calado. Não gosto daquele bigodinho e fico assustado por sermos governados por este tipo de fanáticos ideológicos ou de lombas.

terça-feira, 1 de abril de 2014

A Berta e as suas senhas de presença

O Tribunal de Contas considerou ilegal o pagamento de 390.850 euros em senhas de presença a presidentes de câmara e vereadores de cinco municípios da ilha de São Miguel, que foram pagos entre Março de 2004 e Dezembro de 2013 pela associação de municípios da ilha (AMISM).
Hoje o Diário de Notícias informa que foram 18 os autarcas que receberam essas importâncias indevidas que terão que devolver. Entre eles encontra-se Berta Cabral, a Secretária de Estado da Defesa, que recebeu ilegalmente 19.250 euros em senhas de presença enquanto presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, entre 1 de março de 2004 e 31 de dezembro de 2012. Estas ilegalidades mostram a voracidade e a falta de escrúpulos dos nossos políticos e, no caso da Berta, o caso é muito mais grave pois revela um comportamento de gula por dinheiro que é incompatível com o exercício confiável de cargos públicos, quer no governo regional, quer no governo da República.
A Berta é um produto do carreirismo político e nunca lhe faltaram tachos, mas ainda não aprendeu que não vale tudo, sobretudo quando se trata de dinheiros, mas também de princípios. Nesse aspecto, todos nos lembramos do que disse em Setembro de 2012 como candidata do PSD nas eleições regionais dos Açores, quando se demarcou do líder do seu partido e perguntava se alguém a considerava parecida com Pedro Passos Coelho, ao que ela própria respondia: “Eu tenho um passado. Eu não nasci ontem para a política. As pessoas conhecem a minha obra social feita até agora”.
A Berta perdeu as eleições e demitiu-se do partido, mas poucos meses depois aceitou mais um tacho, agora em Lisboa, como Secretária de Estado da Defesa no governo do mesmo Passos Coelho. Até colocou a bandeirinha portuguesa na lapela… Pois é esta mulher que pratica a ilegalidade e é incoerente nos princípios, que gere as Forças Armadas!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O divertido regresso de Miguel Relvas

No recente congresso do maior partido político português da actualidade, o respectivo presidente decidiu incluir Miguel Relvas como cabeça da sua lista para o Conselho Nacional, que é o órgão mais importante entre congressos e que é uma espécie de parlamento do partido, onde estão representadas as várias sensibilidades internas. Miguel Relvas foi eleito e, portanto, será ele a liderar o Conselho Nacional do PSD e, consequentemente, ele está de regresso à política activa, pouco tempo depois de a ter abandonado. É uma boa notícia! O anedotário nacional andava descaracterizado e pobre, pelo que o regresso de Miguel Relvas é não só um direito que lhe assiste, mas também é uma fonte de inspiração para a blogosfera e para as redes sociais.
Todos recordamos Miguel Relvas e a sua licenciatura-relâmpago na Universidade Lusófona com 32 equivalências, que o Ministério Público ficou de averiguar para lhe ser retirado ou não o grau académico conquistado sem trabalho e, eventualmente, à margem da lei. Recordamos também os cartazes exibidos na Volta à França e nos Jogos Olímpicos que o mandavam estudar e, sobretudo, lembramos o ar aterrorizado com que enfrentou a grandolada com que os estudantes o brindaram, quando há um ano esteve na cerimónia de encerramento da Conferência dos 20 Anos da TVI, que se realizou no ISCTE. Portanto, o regresso de Miguel Relvas é um golo na própria baliza de quem lhe deu a mão e um embaraço para os seus ex-colegas Crato e Poiares, mas também é uma grande alegria para quem anda deprimido e triste com esta governação mentirosa ou com a monumental farsa que é a nossa vida política. O atrevimento de Relvas é realmente uma coisa para nos divertir.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma mulher inconseguida

Confesso que andei distraido e que foi preciso que alguém do outro lado do Atlântico me chamasse a atenção para o sucesso que está a ter o discurso de uma mulher  inconseguida, isto é, uma mulher que afirma que “o meu medo é o do inconseguimento”. Fui ao YouTube e lá estava a esdrúxula entrevista a declarar “o inconseguimento frustracional do soft power sagrado” e a sua afirmação de ter medo “do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados em termos pessoais e nos deixa castrados em termos colectivos”.
Pois a ideia do inconseguimento é da autoria de uma senhora licenciada em Direito que, com esse diploma e o cartão do seu partido, tem levado uma vida de conforto à nossa custa e que vai muito para além dos seus eventuais méritos. Desde muito cedo militou nos comícios transmontanos de certeza de bandeirinha na mão. Muito jovem chegou a deputada e depois foi indicada pelo seu partido para juíza do Tribunal Constitucional, onde esteve até 1998. Aí se reformou com 42 anos de idade! Mas não parou e andou pelo Conselho da Europa e pelo Parlamento Europeu. Chegou a Presidente da Assembleia da República mas, pasme-se, não tem salário pois optou por continuar com a choruda reforma que vence desde há quase vinte anos. Que exemplo para quem trabalha ou para quem trabalhou! Pois é esta mulher que, de vez em quando, se destaca pelos ridículos disparates que diz e que são cada vez mais frequentes, a provocar a gargalhada geral e a envergonhar-nos enquanto segunda figura do Estado. Aqui há tempos inventariou os custos da eventual transladação de Eusébio para o Panteão Nacional e, agora, tomou posição sobre as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, ao lançar a ideia de abrir a porta ao mecenato para as custear. A senhora tem medo de inconseguimentos, mas o verdadeiro inconseguimento é ter esta senhora no lugar onde está, a falar desta maneira e a mostrar-se como se fosse assessora da troika ou das finanças. Que ridícula. Só nos faltava esta!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Um Branquinho que gosta de dinheirinho

Por vezes somos confrontados com pequenas coisas da vida política que só servem para nos incomodar e para nos tornarem mais cépticos em relação à viabilidade de um projecto colectivo gizado por um tal Afonso Henriques, que já leva quase nove séculos e se chama Portugal. Então não é que, apesar da austeridade e da necessidade de forte contenção orçamental imposta pelo governo em 2013 e 2014, um tal Branquinho ao ser nomeado secretário de Estado, optou por não abrir mão do seu subsídio de alojamento por não ter residência em Lisboa? Não lhe bastava o salário e as despesas de representação, mais as ajudas de custo e o subsídio de alimentação, as despesas de telefone, a viatura com motorista e o cartão de crédito. Etc. A sua ânsia de facturar levou-o a não prescindir destes 753 euros por mês! Esta pobreza de espírito e esta ganância por dinheiro faz-me uma azia, que nem o Kompensan me alivia. Mas quem é este Branquinho?
Branquinho foi um jota precoce e com 27 anos já era deputado, mas basta ver o seu currículo oficial para concluir que nunca exerceu uma profissão e que é um boy que tem vivido à custa do seu partido e dos contribuintes, tendo-se tornado conhecido por alguns casos muito confusos que envolvem muito dinheiro. Em 2002 era o único detentor da empresa de publicidade NTM à qual foi adjudicada uma campanha de comunicação para um programa de formação profissional autárquico gerido pelo seu guru Miguel Relvas, no valor de quase 450 mil euros, caso que está a ser investigado pelo Ministério Público. Mais tarde voltamos a ouvir falar dele quando foi contratado pela famosa Ongoing que, em dez meses, lhe pagou 200 mil euros pelos serviços prestados. Agora está no governo e requereu 753 euros por mês, a que tem direito como subsídio de alojamento. Podia recusar o subsídio e o ridículo, mas não o fez. É assim este Branquinho que gosta de dinheirinho, que é Agostinho mas que não passa de um coitadinho!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Arnaut premiado pelos serviços prestados

O antigo ministro Arnaut, que também foi secretário-geral do partido que nos governa, acaba de ser nomeado para o conselho consultivo internacional do banco americano Goldman Sachs, uma assembleia de 18 consultores especializados em relações promíscuas e contratos especulativos com alguns governos, conforme um filme recente bem evidenciou. Foi óptimo para ele, mas também para nós porque nos livramos das suas aparições televisivas a transpirar de vaidade.
Esta nomeação acontece quando está em curso um programa de privatizações que o governo tem seguido desde 2011 com vista à redução da dívida pública, mas também para cumprir uma orientação ideológica que visa afastar o Estado da actividade económica. Nessas privatizações destacou-se o escritório de advogados CSM Rui Pena & Arnaut e o seu sócio J. L. Arnaut, que estiveram envolvidos em todas elas, além de terem contado com o lobbying feito nas televisões pelo mesmo Arnaut, embora disfarçado de comentador. Arnaut começou por estar na privatização da EDP, seguiu-se a privatização da REN (para onde foi depois nomeado administrador) e depois a privatização da ANA (onde fez aconselhamento jurídico à empresa francesa Vinci e onde passou a ser presidente da Assembleia Geral). Esteve depois na falhada privatização da TAP (onde fez assessoria jurídica) e, depois na venda em bolsa dos CTT, em que a Goldman Sachs se tornou o seu maior accionista.
Arnaut é um exemplo da promiscuidade entre o interesse público e o interesse privado. Uma vezes esteve com o Estado, outras vezes com as empresas vendidas e outras, ainda, com as entidades compradoras. Esteve sempre com quem lhe pagou melhor. Sempre em completa confusão entre política e negócios. Sem o mínimo pudor. Representou os interesses de bancos como o Goldman Sachs e o JP Morgan nas negociações com os swaps, foi contratado pelo governo português para assessorar a emissão de dívida pública e acusou os juízes do Tribunal Constitucional de quererem manter privilégios. Tudo isto está escrito nos jornais. Todos esses serviços foram agora premiados com a sua nomeação para o conselho dos abutres.