Todas as estações televisivas portuguesas têm comentadores que, em princípio, são especialistas numa coisa qualquer, como a política, o futebol, o ambiente e outras matérias. Uns são mais apreciados e outros são menos apreciados pelo público, mas cada um deles esforça-se por agradar de forma a ter as audiências que lhe garanta o seu lugar de comentador que, segundo consta, é muito bem remunerado. Entre os comentadores contratados pela SIC, está o advogado José Júdice ou JJ que, sabe-se lá sabe por que razão, preenche um espaço de comentário na edição da noite da SIC Notícias a que dá o nome de “As Causas”. Podia ser interessante, mas não é. Com o seu auto-convencimento e a sua vaidade, o comentador JJ cansa quem o escuta porque recorre demasiadas vezes ao eu - eu disse, eu tinha dito, eu avisei. Além disso, fala sobre muitas coisas que não sabe, mas fá-lo sempre com um ar panfletário e de entendido, que muito o ridiculariza. A SIC merecia melhor. O comentador JJ é um demagogo e um manipulador. Não é independente nos seus comentários. Nos graves tempos de pandemia que atravessamos, tem criticado com severidade a Direcção-Geral da Saúde e os seus responsáveis, escondendo-se atrás de uma pseudo-barreira de anónimos epidemiologistas, médicos, estatistas, economistas, matemáticos, psicólogos e outros especialistas que, segundo diz, o contactam e o ajudam. Vai daí, passa a mostrar gráficos que nem sabe interpretar, mas que comenta como se soubesse, apenas para impressionar os mais distraídos. Este JJ é mesmo um verdadeiro comentador da treta. O antigo membro do MDLP e, por acaso, advogado ou ex-advogado de Isabel dos Santos, ainda tinha algum prestígio, mas com esta sua ânsia de protagonismo mediático resvalou para a valeta do ridículo.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2020
O que dizem os comentadores da treta
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Um novo livro de Cavaco? Não, obrigado!
Aníbal Cavaco
Silva lançou ontem um livro a que chamou Quinta-feiras
e outros dias, mas os jornais não lhe deram qualquer importância, à
excepção do jornal i que aproveitou a oportunidade para entrar no jogo do
autor e para o ajudar a vender alguns livros. Porém, as imagens televisivas da
sessão de apresentação mostram que Cavaco tem muitos admiradores, incluindo
aqueles que gostam de aparecer e de ser vistos nestas coisas.
Eu não li, nem
vou ler o livro porque, segundo observei num comentário crítico, são 500 e tal
páginas “sem uma ideia, sem um pensamento sobre a situação e o futuro de
Portugal “, mas também porque durante a sua leitura não me sairia da cabeça a
figura auto-convencida e sempre angustiada do autor, ora a engolir bolo-rei, ora
a espumar pela boca, ora a dizer aos portugueses que podiam confiar no BES. Além
disso, um homem que uma vez afirmou que “nunca me
engano e raramente tenho dúvidas” não merece o estatuto de académico que usa,
nem que se perca tempo com a literatura de cordel a que parece ter-se dedicado.
Por
isso, limitei-me a ler algumas das críticas em que é salientado que “a vaidade
paroquial do homem não tem medida”. Deve ser isso.
Na realidade, para
quem tem um confortável gabinete no antigo convento do Sacramento, que foi
preparado e é pago pelo Estado, não se esperava que produzisse literatura de
tão desolador vazio. Tratando-se do político que mais tempo esteve no poder no
Portugal democrático, o que se esperava dele era uma obra de reflexão sobre o mundo
e sobre o nosso país, que apontasse caminhos e nos ajudasse a pensar o futuro
em relação à economia, ao ambiente, à cultura e a tantos outros sectores, mas
em vez disso, parece que o ex-presidente que veio de Boliqueime, se dedicou a
um exercício de intrigalhada política e de exibição de vaidades pessoais.
O que nos
interessa o que Cavaco pensa sobre Costa, sobre Passos ou sobre Portas? Se Eça
de Queirós ou Almada Negreiros fossem vivos, bem teriam matéria inspiradora
para recriar o Conselheiro Acácio ou um novo Dantas.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Há juízes que vivem para os tablóides
Nos últimos dias,
após a tomada de posse da nova Procuradora-Geral da República, o juiz Alexandre
tem-se desdobrado a dar entrevistas à RTP
e ao jornal i, que depois têm sido
amplificadas em outros orgãos da comunicação social.
Não é habitual que
os juízes portugueses se deixem envolver na tabloidização das suas funções, que
são muito importantes numa sociedade democrática e num Estado de Direito, mas
este juiz que veio de Mação, parece ser a excepção à regra. Gosta de ser
entrevistado, de revelar a sua vida pessoal, de exibir as suas raízes
identitárias e de dar palpites sobre os processos em que está envolvido. Para satisfação
desse seu apetite, há sempre uns amigos para abonarem as suas boas qualidades e
uns estagiários disponíveis para fazer o papel de entrevistadores.
E o que se passou
nos últimos dias nem aconteceu pela primeira vez e isso é preocupante para os
cidadãos que confiam na Justiça.
O comportamento
de quem julga deve ser reservado, discreto, atento e imparcial, para que possa
comprender o problema em questão e o seu enquadramento social, de forma a tomar
a decisão justa de acordo com a Lei. Com estas entrevistas ao estilo tablóide,
o juiz Alexandre revela demasiados pré-conceitos e muitos preconceitos. Com
este tipo de exposição mediática, comparável aos futebolistas, às artistas de
telenovela ou a algumas locutoras da televisão, o juiz Alexandre dá um enorme
contributo para a describilização da Justiça.
É uma tristeza
assistir a estas entrevistas promocionais, feitas de encomenda e sem qualquer
interesse jornalístico, em que os entrevistados nada de substantivo dizem e se mostram deslumbrados por aparecer nos
tablóides, com fotografia e tudo.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Da agro-Cristas à Cristas-vinte-estações
O Metropolitano
de Lisboa apresentou um plano de
acção operacional para a sua rede, anunciando que esta vai ter mais
duas estações – Estrela e Santos – a inaugurar até 2022. A nova linha ligará o
Rato ao Cais do Sodré e o custo desta obra é de 216
milhões de euros, com recurso a fundos comunitários e a um empréstimo a
contrair junto do Banco Europeu de Investimento. O plano prevê, também, a
aquisição de 33 novas carruagens, num investimento estimado de 50 milhões de
euros, bem como a remodelação das estações de Arroios, Areeiro, Colégio Militar,
Olivais e Baixa-Chiado com um investimento estimado em 16,2 milhões de euros e o
prolongamento da Linha Vermelha com duas novas estações nas Amoreiras e em
Campo de Ourique, que custará 186 milhões de euros e que terá que esperar por
nova oportunidade. Este plano representa um esforço de investimento e uma
valorização para a cidade de Lisboa mas, como qualquer plano, pode e deve ser
criticado para que sejam escolhidas as melhores alternativas.
Porém, o anúncio
de duas novas estações do Metropolitano serviu de pretexto para um dos mais
ridículos exercícios de demagogia, quase ao nível do insulto à inteligência dos
portugueses. A ambiciosa jovem que dirige o Centro Democrático e Social, que
em tempos e sem qualquer formação específica aceitou dirigir o Ministério da
Agricultura onde ficou conhecida como
agro-Cristas, quis dar nas vistas e, num acto de ignorância ou de inteligência
muito limitada, decidiu divertir a Assembleia da República e criticar um plano
que prevê duas novas estações do Metropolitano, propondo não duas, mas 20 novas estações. Vinte! Nem
mais nem menos. Os deputados-cassete do seu partido aplaudiram. Poucas vezes
assisti a tanta falta de senso na vida política portuguesa. A agro-Cristas vai
ficar na nossa memória como a Cristas-vinte-estações. Bem merece essa designação.
sábado, 27 de agosto de 2016
O estilo telenovela na política portuguesa
A jovem que desde
Março dirige o CDS tem feito tudo para dar nas vistas e não se cansa de
aparecer por toda a parte para falar, para opinar e para criticar. Fala por
tudo e por nada. Precisa de notoriedade. Procura-a incansavelmente. É uma necessidade básica de quem não
sabe quanto vale em termos eleitorais, mas que não deve andar longe dos 5%. É
difícil sair desta irrelevante fasquia que só serve para ser muleta dos outros,
até porque o povo tem memória e não esquece que Assunção Cristas também foi
responsável pela brutal austeridade e pelo empobrecimento que foi imposto aos
portugueses. Além disso, ela também quis ir além da troika e esteve sempre ao lado do irrevogável Portas a dar o dito
por não dito. Sabendo que nem o seu passado partidário, nem o seu projecto
político têm o apoio do eleitorado, a moça adoptou uma estratégia populista
para dar nas vistas. Vai daí, vestiu um vestido curto estampado com kiwis e
posou numa fotografia artístico-sexy, digna da capa de uma qualquer revista cor-de-rosa.
Para quem aspira ao poder, era difícil fazer pior.
Um antigo
deputado do seu partido de nome Raúl Almeida deve ter visto a fotografia e não
se calou, tendo dito que “há um certo culto da personalidade e da frivolidade
de uma presidente que está nas revistas cor-de-rosa quando o país
está a arder“, acrescentando que o futuro do seu partido
depende da forma como aquela jovem
se comportar enquanto presidente do CDS e “não
como uma atriz de telenovelas” e que “é muito importante que
não confunda a rentrée com a silly season”.
O assunto só pode
interessar aos tais 5% mas, de facto, é muito divertido verificar como o estilo
telenovela entra na política portuguesa.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Há portugueses que não são como nós
A política em
Portugal tem sido transformada numa enorme embarcação salva-vidas, onde a
generalidade dos seus passageiros entra com pouca coisa ou de mãos vazias, mas
que quando desembarca vem com as mãos bem cheias. Uns encostam-se a bombordo,
outros alinham-se por estibordo, mas toda essa gente sem escrúpulos não tem
outro objectivo que não seja tirar partido das circunstâncias e enriquecer,
tendo passado pela política de forma desonesta e sem sentido do bem comum. Essa
gente deslumbra-se com a sua própria ignorância, desfaçatez e perversidade e,
muitas vezes, faz gala na exibição de um novo-riquismo que tende a esconder as
suas origens sociais bem modestas, mas certamente mais dignas. O seu objectivo
é apenas o de enriquecer e todas as artimanhas valem para cumprir esse plano.
Os exemplos são infelizmente tantos, quase sempre escondidos por uma
comunicação social incompetente e que parece estar ao serviço desse tipo de
gente e dos seus interesses.
Na sua última
edição o Expresso revelou na sua 1ª página mais um caso muito interessante, a respeito do
antigo ministro Manuel Pinho, que foi alto funcionário do BES e que,
recentemente, vira ser-lhe negado pelos tribunais um acordo de pensão de
reforma de 7,5 milhões de euros e a atribuição de uma pensão vitalícia de
21.500 euros mensais, a que se considerava com direito. Agora, em novo
processo, Manuel Pinho exigia o pagamento de 273 mil euros e juros,
correspondentes a uma remuneração mensal de 39 mil euros que deveria receber
até Dezembro de 2017, enquanto administrador do BES Africa, agora chamado Novo
Banco África. O tribunal voltou a recusar esta exigência e revelou que Manuel
Pinho apenas estivera em 11 das 18 reuniões realizadas pelo BES Africa desde
2010 pelo que, de facto, já tinha recebido 217 mil euros por cada reunião.
É obra: 217 mil euros por
reunião!
Apetece-me
parafrasear José de Almada Negreiros, poeta d’Orpheu Futurista e Tudo, no seu Manifesto anti-Dantas:
O
Dantas-Pinho é o escarneo da consciência! Se o Dantas-Pinho é portuguez eu quero ser hespanhol!
quinta-feira, 24 de março de 2016
A enorme azia do rapaz da bandeirinha
Antigamente não
tinhamos dúvidas sobre a natureza da actividade bancária e das operações
financeiras pois quase tudo se resumia à recolha depósitos dos clientes e ao
pagamento ao depositante de um juro (operações passivas) e à concessão de
créditos ao cliente que pagava um juro (operações activas).
Os tempos mudaram
e a banca transformou-se numa coisa que o homem comum não sabe o que é, muitas vezes ocupada por
gente sem escrúpulos e de duvidosa reputação. Um pouco por todo o mundo as consequências têm sido
desastrosas e, em Portugal, também temos sido atingidos
por essa hecatombe.
No sentido de
prevenir mais surpresas e defender os depositantes e os contribuintes
portugueses, o governo autorizou a empresária
angolana Isabel dos Santos a entrar no capital do BCP, banco em que a também
angolana Sonangol já é a maior accionista. O acordo foi comunicado pessoalmente
pelo próprio primeiro-ministro à empresária angolana. Caiu o Carmo e a
Trindade!
Pela boca do
deputado Amaro, o PSD veio imediatamente exigir esclarecimentos para saber so o
governo tinha tido intervenção no negócio, deixando no ar algumas suspeitas.
Depois, foi o próprio presidente do PSD, aquele que vendeu a EDP aos chineses,
a ANA aos franceses e a TAP a não se sabe quem, que veio desejar “ver tudo em
pratos limpos”.
A resposta veio de Belém com o Presidente da República a confirmar um total alinhamento com o governo e a lembrar que, como Chefe de Estado, lhe cumpre respeitar a Constituição. E foi em nome desse dever e da respectiva defesa do "interesse nacional" que considerou "natural" a intervenção do primeiro-ministro para garantir algum equilíbrio na origem dos capitais estrangeiros que entram na banca portuguesa. Foi um soco de luva branca de certos indivíduos que por aí andam, com o Passos à frente. É caso para dizer que o rapaz vai de mal a pior e que nem a bandeirinha na lapela lhe evita o total descrédito, nem um confrangedor isolamento. Com toda esta azia o rapaz vai mesmo precisar de muito Kompensan.
A resposta veio de Belém com o Presidente da República a confirmar um total alinhamento com o governo e a lembrar que, como Chefe de Estado, lhe cumpre respeitar a Constituição. E foi em nome desse dever e da respectiva defesa do "interesse nacional" que considerou "natural" a intervenção do primeiro-ministro para garantir algum equilíbrio na origem dos capitais estrangeiros que entram na banca portuguesa. Foi um soco de luva branca de certos indivíduos que por aí andam, com o Passos à frente. É caso para dizer que o rapaz vai de mal a pior e que nem a bandeirinha na lapela lhe evita o total descrédito, nem um confrangedor isolamento. Com toda esta azia o rapaz vai mesmo precisar de muito Kompensan.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
A imbecilidade do euro-deputado Rangel
Aconteceu ontem e
a televisão mostrou: durante um debate no Parlamento Europeu sobre as consequências
da eventual saída britânica da União Europeia, o euro-deputado Paulo Rangel
exibiu o seu habitual radicalismo e imbecilidade, atirando-se ao governo do seu
próprio país e rotulando-o de extremista. O fulano assumiu o vergonhoso papel de
lacaio e de porta-voz das mais reaccionárias instituições internacionais e
revelou-se um reles sabujo. Mostrou ser uma vergonha nacional. O seu agressivo
discurso, proferido numa altura em que o governo português e a Comissão
Europeia discutiam o conteúdo do Orçamento do Estado para 2016, revela a falta
de carácter, a arrogância, a inteligência enviezada e a cegueira política deste
verdadeiro imbecil que insultou e difamou os portugueses perante os deputados e
os jornalistas de toda a Europa.
Em Novembro
passado, já este deputado-imbecil chamara a atenção da Comissão Europeia para o
facto de “todo o esforço que a população portuguesa fez nos últimos quatro
anos, com resultados tão prometedores e tão inspiradores”, estar agora
“comprometido” devido ao “acordo de forças da extrema-esquerda com o PS, que
põe em causa o equilíbrio que até agora tem sido seguido em Portugal”.
Conforme é do
conhecimento público, este deputado-imbecil tem aproveitado o palco de Bruxelas
para se promover e para enriquecer, porque além das mordomias de que beneficia
como deputado, ainda dá umas aulas, integra uma sociedade de advogados e é
comentador televisivo. Porém, apesar dessas actividades todas, Rangel ainda tem tempo para ter este
comportamento abjecto de lacaio.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
O pequeno caceteiro que veio de Bruxelas
O licenciado
Paulo Rangel nasceu em 1968 e, segundo reza a sua biografia, entrou na política
aos 33 anos de idade quando em 2001 lhe confiaram a redacção do programa de
candidatura de Rui Rio à Câmara Municipal do Porto. Gostou da experiência, encostou-se
aos amigos e, em vez de escolher uma carreira académica, optou por ocupar
alguns bons tachos, misturando funções públicas com funções privadas. Em 2010
já se sentia alguém e decidiu disputar a liderança do PSD, mas como perdeu o
confronto com Passos Coelho foi compensado com um tacho de eurodeputado muito
bem remunerado em Bruxelas. Foi nessa condição que foi
convidado para essa magna reunião de escoteiros sociais-democratas a que,
pomposamente, chamam a universidade de verão do PSD.
Pois foi
esta figurinha menor, este pateta e este verdadeiro caceteiro que nos veio dizer que
foi o actual governo que tratou de confrontar um ex-primeiro-ministro e um
banqueiro com a Justiça, ao afirmar com os dedos no ar que estes dois casos só estão
a acontecer porque o PSD e o CDS estão no governo. Nestas condições e, ainda
segundo o caceteiro-pateta Rangel, a acção da Justiça tem sido encaminhada e
interpretada à luz dos desejos do PSD e do CDS, porque ninguém “acredita que se os socialistas estivessem no poder
haveria um primeiro-ministro sob investigação”, isto
é, a Justiça só investiga políticos quando os seus partidos não estão no
governo e, portanto, a Justiça não passa de uma qualquer coisa comandada pelo governo. É triste vermos um jurista
e eurodeputado, alucinado e fanático, a dizer isto. É um ignorante. É uma vergonha da nossa
Democracia.
Assim, ainda segundo
o referido caceteiro-pateta, temos Sócrates a ser investigado porque é do PS; temos
Passos a não ser investigado no caso Tecnoforma e nas dívidas à Segurança
Social porque é do PSD que está no governo; temos Portas a não ser investigado
no “caso dos submarinos” porque o CDS também está no governo; temos Vara
condenado no processo “Face Oculta” porque é do PS; temos Miguel Macedo a não ser
constituído arguido no caso “vistos gold” porque é do PSD; temos Marco António
Costa que ainda não foi constituído arguido no “caso Câmara de Gaia”
porque o PSD está no governo ; e temos Dias Loureiro e toda a malta do BPN a
circularem livremente por aí sem investigação, porque são do PSD. Das
declarações do eurodeputado Rangel não se pode concluir outra coisa e,
portanto, como diria o treinador Manuel Machado, “um imbecil é sempre um
imbecil”.
sábado, 9 de maio de 2015
O porta-voz Monteiro
Durante muitos
anos habituei-me a ver na televisão um tal António Monteiro como porta-voz da
TAP. Era ele que "dava a cara" e que falava das greves, dos atrasos e dos problemas que por vezes apareciam
na companhia e que afectavam o público. Nos últimos tempos, com a teimosia
governamental em privatizar a TAP e com a prolongada greve dos pilotos, o
porta-voz Monteiro que é um funcionário da TAP, parece ter sido substituido
pelo porta-voz Monteiro que é, nada mais nada menos que o licenciado Sérgio
Monteiro, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e
Comunicações.
Este porta-voz Monteiro, que também é
Secretário de Estado, é um homem de quem se conhece pouco, embora se saiba que
é militante partidário e que, por isso, rapidamente se encaixou e chegou ao conselho
de administração do CaixaBI, isto é, o Banco de Investimento do Grupo Caixa
Geral de Depósitos. Segundo se lê, foi no exercício dessas funções que, no
tempo do governo socialista, “desenhou, geriu ou cofinanciou todas as PPP
ruinosas contratualizadas em Portugal nos últimos anos”. Um dia, o famoso
Miguel Relvas veio dizer que "as PPP do sector rodoviário são uma verdadeira
ruína para o país” e são exactamente essas PPP, que valem 5,5 mil milhões de
euros, que hoje são tuteladas pelo mesmo Sérgio Monteiro. O homem serve para
tudo e para o seu contrário! Nas suas actuais funções, coube-lhe renegociar
essas PPP que antes tinha negociado e, além disso, gerir as privatizações da
ANA, CTT, CP Carga e TAP. Será possível fazer tudo isto sem afectar o interesse nacional? Há quem lhe chame o Senhor Privatizações pela forma
empenhada e obcecada como se comporta, sobretudo quando se deslumbra com os
microfones à sua frente. No caso da TAP, tem sido ele a substituir a
administração da companhia e a informar sobre o”insucesso da greve”, sobre o número
de voos realizados, sobre os prejuízos acumulados, sobre tudo. Afinal, ele é
que é o porta-voz da TAP, calando o outro Monteiro, o presidente Pinto e até o ministro
Lima.
sábado, 11 de abril de 2015
Foi você que falou em homens de palavra?
Este indivíduo que
foi baptizado como António Pires de Lima (APL) é um economista, igual a tantos
outros que por aí andam e, através do seu currículo, sabemos que vendeu sumos,
cafés e cervejas Super Bock. Agora, pela mão do irrevogável, chegou a ministro e, com ares
de uma competência que ainda está por demonstrar e alguma arrogância, faz
propaganda, vende disparates e alimenta ilusões. Para ele, a pasta da Economia são empresas e privatizações, não são trabalhadores. Ele é o privatizador-mor e,
aparentemente, é isso que faz no governo para, com obcessão ideológica, servir
interesses indefinidos.
Quando há tempos foi à Assembleia da República prestar
contas dos seus desempenhos não foi capaz ou não quis retratar a nossa débil
economia, nem explicar porque não há investimento, preferindo adoptar um lastimável
e ridículo comportamento que foi quase insultuoso para o Presidente da Câmara
Municipal de Lisboa, que nem estava presente nem era para ali chamado.
Esperava-se mais de um PL!
Aqui há dias, a
propósito das questões da TAP e do insanável impasse que ameaça a empresa com
novas greves, veio dizer que “os acordos em homens de palavra são para se
cumprir”. Esta frase, dita por um ministro, é para rir à gargalhada.
Então, o que é que os
ministros em geral, e o nosso primeiro Passos em particular, têm feito aos
acordos que fizeram com os eleitores? Será que esta gente se esquece que está
no governo para cumprir um acordo feito com os eleitores que está inscrito no
seu programa eleitoral e, naturalmente, na Constituição da República?
sábado, 28 de março de 2015
Honoris causa porquê? Alguém sabe?
![]() |
| Fonte: Kyoto University of Foreign Studies |
Andava eu muito
crítico quanto às constantes viagens de descarada promoção pessoal do nosso
vice-primeiro ministro, quando me chegou a notícia de que o nosso primeiro
Passos entrou em disputa com ele e se deslocara ao Japão levando consigo uma
delegação com 26% do seu ministério, para além de secretários, assessores,
ajudantes e os inevitáveis jornalistas para relatarem o sucesso da viagem, como
se isso interessasse aos leitores ou aos telespectadores. O cidadão comum
observa este corrupio de viagens e de despesas e fica indignado por lhe
cobrarem tantos impostos, por lhe cortarem as pensões, por lhe prestarem
cuidados de saúde insatisfatórios e por obrigarem tanta gente a emigrar. Nesta
melancolia de vida que levamos e em que somos obrigados a viver, há tão poucas
alegrias que qualquer coisinha positiva que nos chega de fora ajuda a
descongelar a nossa auto-estima. E foi o que aconteceu esta semana quando vimos
na televisão o nosso primeiro Passos a receber um doutoramento honoris causa pela Kyoto University of
Foreign Studies. Tive que “meter a viola no saco” pois foi um momento de grande
alegria ver um nosso concidadão, que se licenciou aos 37 anos numa universidade
lisboeta menos reputada, ser reconhecido academicamente por uma universidade do
Império do Sol Nascente. Nem Luis de Almeida, nem Luis Fróis, nem João
Rodrigues, nem Wenceslau de Moraes, atingiram este patamar académico! Mas porquê?
Segundo se leu,
esta atribuição distingue “o apoio dado por Portugal à CPLP” e aí começa o meu desapontamento.
Afinal o nosso primeiro Passos não foi reconhecido pelos seus méritos, mas
apenas pelo apoio que Portugal deu à CPLP, ficando nós sem saber se esse apoio
tem a ver com a polémica admissão da Guiné Equatorial, em que o nosso país se
comportou como um subalterno.
Porém, o
desapontamento ainda foi maior quando verifiquei que a Kyoto University of
Foreign Studies figura na 157ª posição (!) no
ranking das universidades japonesas e, nessas circunstâncias, a distinção
conferida é mesmo de importância menor. Será que o primeiro Passos merecia
mais?
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Viagens ao México e propaganda pessoal
O cidadão Paulo
Portas preside ao seu partido desde 1998 mas nunca conseguiu transformá-lo
noutra coisa que não seja um pequeno partido ou um partido-muleta em que se
apoia o PSD para formar maiorias de governo. Embora o cidadão Portas não passe
de uma figura de segundo plano na política portuguesa, tem tido uma notoriedade
e uma importância políticas demasiado
desproporcionadas em relação ao seu peso eleitoral. Cansa vê-lo e cansa
ouvi-lo, sobretudo quando exibe ares de estadista e tiques de espertalhão, ou
quando insinua que defende Portugal como ninguém, o que não é verdade.
Quando em Julho
de 2013 apresentou o seu irrevogável
pedido de demissão, porque ficar no governo seria um acto de dissimulação, parecia dar por findo o
seu período de incessantes viagens por todo o mundo, que o tinham transformado
num verdadeiro frequent flyer. Mas
não resistiu e ficou. Deu o dito por não dito, envergonhando aqueles que nele
tinham votado. Ainda lhe encomendaram a reforma do Estado, mas não foi capaz. O que ele quer é viajar, sobretudo quando são os outros a pagar. São difíceis de enumerar os países por onde o tem viajado, pois vão da
China à Turquia, de Moçambique ao Brasil, da Índia a Angola. Sempre acompanhado por dezenas
de empresários e, certamente, por alguns amigos jornalistas. Coleccionando
comendas. Vendendo dívida e vistos gold.
Inaugurando ginásios. Oferecendo as empresas portuguesas a interesses e
dinheiros mais ou menos obscuros.
Agora o irrevogável
voltou ao México com uma comitiva de mais de cinco dezenas de empresas,
apregoando que Portugal é um sucesso nas economias europeias, como se os
mexicanos não soubessem que não somos nada disso. Assinaram-se contratos já
antes negociados, apenas para alimentar a sua propaganda pessoal. Não é sério fazer isso. Acabou por
ouvir dizer que Portugal investe pouco no México e por ser ignorado por Carlos
Slim.
Porém, numa
lógica de custo-benefício, é necessário saber quanto têm custado todas estas
viagens aos contribuintes portugueses e que benefícios reais têm trazido ao
nosso país. Como contribuinte, os discursos da propaganda não me tranquilizam. É
urgente que essa análise seja feita e se conheça a verdadeira dimensão desta
continuada operação de propaganda.
domingo, 13 de abril de 2014
Uma estátua para o grande Barroso. Já!
Ontem
foi um dia de consagração para o actual presidente da Comissão Europeia, que
nunca ouvira tão fartos elogios numa conferência intitulada “Portugal: Rumo ao Crescimento e Emprego. Fundos e Programas Europeus:
solidariedade ao serviço da economia portuguesa”, que decorreu em Lisboa na
Fundação Calouste Gulbenkian. Nós estávamos habituados a
eventos de grande qualidade nas instalações da Gulbenkian, sobretudo exposições
e concertos, mas desta vez aquele espaço foi utilizado para uma sessão de
circo, com alguns artistas de nomeada. O espectáculo serviu, simultaneamente,
para alimentar a ambição política do Zé Manel – o regresso do cherne – e para
uma acção de campanha eleitoral da coligação que nos governa. Barroso auto-elogiou-se,
elogiou Coelho e ouviu elogios de Cavaco: “Posso testemunhar, como poucos, a atenção que o dr. Durão Barroso sempre
prestou aos problemas do país e a valiosa contribuição que deu para encontrar
soluções, minorar custos, facilitar apoios e abrir oportunidades de
desenvolvimento”. Foi uma bajulação impensável. Não merecíamos tal espectáculo
de hipocrisia política!
Barroso tem um longo
e bem conhecido historial político. Apoiou a invasão do Iraque com base nas armas de destruição que Sadam Hussein não tinha. Virou-nos as costas para ir para o tacho em Bruxelas. Vergou-se aos alemães e
calou-se com o seu esvaziamento de poderes na Comissão Europeia. Alinhou na austeridade que está a abalar os países do sul da Europa. Sabia o que se
passava no BPN e diz ter avisado Constâncio, mas promoveu o branqueamento das ligações dos seus amigos a esse mesmo banco. Etc.
Barroso anda agora entusiasmado e atarefado a procurar o seu emprego para o futuro. Usou uma entrevista à SIC e ao Expresso para contrariar a imagem do primeiro-ministro que fugiu para Bruxelas e que esteve do lado dos credores e contra os pensionistas portugueses. Agora organizou a tal conferência-espectáculo, onde se comportou como um intransigente defensor de Portugal e dos portugueses.
Barroso merece nada menos que uma estátua! E porque não uma estátua em cada uma das 28 capitais da União Europeia porque, como Cavaco afirmou, “Portugal e os Portugueses, tal como os outros Estados-Membros, muito lhe devem.”
Barroso anda agora entusiasmado e atarefado a procurar o seu emprego para o futuro. Usou uma entrevista à SIC e ao Expresso para contrariar a imagem do primeiro-ministro que fugiu para Bruxelas e que esteve do lado dos credores e contra os pensionistas portugueses. Agora organizou a tal conferência-espectáculo, onde se comportou como um intransigente defensor de Portugal e dos portugueses.
Barroso merece nada menos que uma estátua! E porque não uma estátua em cada uma das 28 capitais da União Europeia porque, como Cavaco afirmou, “Portugal e os Portugueses, tal como os outros Estados-Membros, muito lhe devem.”
Só nos faltavam estes cromos...
sábado, 5 de abril de 2014
Há fanáticos ideológicos à solta por aí
Todos nos lembramos da entrada no governo do jovem
e promissor Pedro Lomba como secretário de Estado adjunto do ministro adjunto
e do Desenvolvimento Regional, tendo ficado com a missão de conduzir os
anunciados briefings diários com
jornalistas, que decorreriam às 12:00 horas, com duração máxima de meia hora.
Foi há um ano e foi um monumental fiasco. O Lomba fez lombada.
O
Lomba nasceu em 1977, cresceu na periferia de Lisboa e seguramente é um jota
fiel. O seu primeiro momento de glória política foi a nomeação como secretário
de Estado, mas a sua função ficou vazia depois do fiasco dos briefings. Passou muitos meses na
penumbra e reapareceu agora sob a forma de uma entrevista publicada no jornal i que, obviamente, foi
combinada com o entrevistador que, por acaso, foi recentemente classificado num
blogue como “uma espécie de jornalista”, pois enquanto tal prefere fazer favores aos amigos do que dizer a verdade. A entrevista começa com um familiar
tratamento por tu – “nasceste em 1977...” – mas mais adiante muda de tom e passa a
tratar o secretário adjunto Lomba por você, que é mais reverencial – “Os
exemplos que me deu...”.
Podia ser uma gralha, mas não é. O amigo do Lomba distraiu-se. A entrevista parece um manifesto ideológico
cujo conteúdo é, certamente, o objecto dos estudos académicos do Lomba, mas o
seu ponto de maior interesse é a seguinte frase:
“O
governo tenta continuar e desenvolver o espírito do 25 de Abril original”.
Igual a esta tirada filosófica de apoio ao 25 de Abril, só a cena do Relvas a cantar o Grândola ou o
Passos de cravo ao peito. Alguns dos meus amigos dirão que o obcecado Lomba tem
muita lata, porque não fala dos portugueses, nem dos seus problemas. O Lomba é
um jota que não tem experiência, nem vivência do mundo real, nem da gestão da
coisa pública, nem de coisa nenhuma. O Lomba é um atrevido. O Lomba é um fiasco
e devia estar calado. Não gosto daquele bigodinho e fico assustado por sermos
governados por este tipo de fanáticos ideológicos ou de lombas.
terça-feira, 1 de abril de 2014
A Berta e as suas senhas de presença
O Tribunal de
Contas considerou ilegal o
pagamento de 390.850 euros em senhas de presença a
presidentes de câmara e vereadores de cinco municípios da ilha de São Miguel, que foram pagos entre Março de 2004 e Dezembro de
2013 pela associação de municípios da ilha (AMISM).
Hoje o Diário de Notícias informa que foram 18 os autarcas que receberam
essas importâncias indevidas que terão que devolver. Entre eles encontra-se Berta Cabral, a Secretária de Estado da Defesa, que
recebeu ilegalmente 19.250 euros em senhas de presença enquanto presidente da
Câmara Municipal de Ponta Delgada, entre 1 de março de 2004 e 31 de dezembro de 2012.
Estas ilegalidades mostram a voracidade e a falta de escrúpulos dos nossos políticos
e, no caso da Berta, o caso é muito mais grave pois revela um comportamento de
gula por dinheiro que é incompatível com o exercício confiável de cargos
públicos, quer no governo regional, quer no governo da República.
A Berta é um
produto do carreirismo político e nunca lhe faltaram
tachos, mas ainda não aprendeu que não vale tudo, sobretudo
quando se trata de dinheiros, mas também de princípios. Nesse aspecto, todos
nos lembramos do que disse em Setembro de 2012 como candidata do PSD nas eleições regionais
dos Açores, quando se demarcou do líder do seu partido e perguntava se alguém a
considerava parecida com Pedro Passos Coelho, ao que ela própria respondia: “Eu
tenho um passado. Eu não nasci ontem para a política. As pessoas conhecem a
minha obra social feita até agora”.
A Berta perdeu as
eleições e demitiu-se do partido, mas poucos meses depois aceitou mais um
tacho, agora em Lisboa, como Secretária de Estado da Defesa no governo do mesmo
Passos Coelho. Até colocou a bandeirinha portuguesa na lapela… Pois é esta
mulher que pratica a ilegalidade e é incoerente nos princípios, que gere as
Forças Armadas!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
O divertido regresso de Miguel Relvas
No recente congresso do maior partido político português da
actualidade, o respectivo presidente decidiu incluir Miguel Relvas como cabeça
da sua lista para o Conselho Nacional, que é o órgão mais importante entre
congressos e que é uma espécie de parlamento do partido, onde estão
representadas as várias sensibilidades internas. Miguel
Relvas foi eleito e, portanto, será ele a liderar o Conselho Nacional do PSD e,
consequentemente, ele está de regresso à política activa, pouco tempo depois de
a ter abandonado. É uma boa notícia! O anedotário nacional andava
descaracterizado e pobre, pelo que o regresso de Miguel Relvas é não só um
direito que lhe assiste, mas também é uma fonte de inspiração para a blogosfera
e para as redes sociais.
Todos recordamos Miguel Relvas e a sua licenciatura-relâmpago na Universidade
Lusófona com 32 equivalências, que o Ministério Público ficou de averiguar para
lhe ser retirado ou não o grau académico conquistado sem trabalho e, eventualmente, à margem da lei. Recordamos
também os cartazes exibidos na Volta à França e nos Jogos Olímpicos que o mandavam
estudar e, sobretudo, lembramos o ar aterrorizado com que enfrentou a grandolada com que os estudantes o
brindaram, quando há um ano esteve na cerimónia de encerramento da Conferência
dos 20 Anos da TVI, que se realizou no ISCTE.
Portanto, o regresso de Miguel Relvas é um golo na própria baliza de quem lhe
deu a mão e um embaraço para os seus ex-colegas Crato e Poiares, mas também é uma
grande alegria para quem anda deprimido e triste com esta governação mentirosa ou
com a monumental farsa que é a nossa vida política. O atrevimento de Relvas é realmente uma coisa para nos divertir.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Uma mulher inconseguida
Confesso que
andei distraido e que foi preciso que alguém do outro lado do Atlântico me
chamasse a atenção para o sucesso que está a ter o discurso de uma mulher inconseguida,
isto é, uma mulher que afirma que “o meu medo é o do inconseguimento”. Fui ao YouTube
e lá estava a esdrúxula entrevista a declarar “o inconseguimento
frustracional do soft power sagrado”
e a sua afirmação de ter medo “do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados
em termos pessoais e nos deixa castrados em termos colectivos”.
Pois a ideia do inconseguimento é da autoria de uma
senhora licenciada em Direito que, com esse diploma e o cartão do seu partido,
tem levado uma vida de conforto à nossa custa e que vai muito para além dos
seus eventuais méritos. Desde muito cedo militou nos comícios transmontanos de certeza de bandeirinha na mão. Muito jovem
chegou a deputada e depois foi indicada pelo seu partido para juíza do Tribunal
Constitucional, onde esteve até 1998. Aí se reformou com 42 anos de idade! Mas
não parou e andou pelo Conselho da Europa e pelo Parlamento Europeu. Chegou a
Presidente da Assembleia da República mas, pasme-se, não tem salário pois optou
por continuar com a choruda reforma que vence desde há quase vinte anos. Que
exemplo para quem trabalha ou para quem trabalhou! Pois é esta mulher que, de
vez em quando, se destaca pelos ridículos disparates que diz e que são cada vez
mais frequentes, a provocar a gargalhada geral e a envergonhar-nos enquanto segunda figura do Estado. Aqui há tempos inventariou os
custos da eventual transladação de Eusébio para o Panteão Nacional e, agora,
tomou posição sobre as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, ao lançar a
ideia de abrir a porta ao mecenato para as custear. A senhora tem medo de inconseguimentos,
mas o verdadeiro inconseguimento é
ter esta senhora no lugar onde está, a falar desta maneira e a mostrar-se como se
fosse assessora da troika ou das
finanças. Que ridícula. Só nos faltava esta!
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Um Branquinho que gosta de dinheirinho
Por
vezes somos confrontados com pequenas coisas da vida política que só servem
para nos incomodar e para nos tornarem mais cépticos em relação à viabilidade
de um projecto colectivo gizado por um tal Afonso Henriques, que já leva quase
nove séculos e se chama Portugal. Então não é que, apesar da austeridade e da necessidade de forte contenção orçamental
imposta pelo governo em 2013 e 2014, um tal Branquinho ao ser nomeado secretário de Estado, optou por não abrir mão do seu subsídio de alojamento por não
ter residência em Lisboa? Não lhe bastava o salário e as despesas de
representação, mais as ajudas de custo e o subsídio de alimentação, as despesas
de telefone, a viatura com motorista e o cartão de crédito. Etc. A sua ânsia de
facturar levou-o a não prescindir destes 753 euros por mês! Esta pobreza de
espírito e esta ganância por dinheiro faz-me uma azia, que nem o Kompensan me
alivia. Mas quem é este Branquinho?
Branquinho foi um jota precoce e com 27 anos já era deputado, mas basta ver
o seu currículo oficial para concluir que nunca exerceu uma profissão e que é
um boy que tem vivido à custa do seu
partido e dos contribuintes, tendo-se tornado conhecido por alguns casos muito confusos
que envolvem muito dinheiro. Em 2002 era o único detentor da empresa de
publicidade NTM à qual foi adjudicada
uma campanha de comunicação
para um programa de formação profissional autárquico gerido pelo seu guru
Miguel Relvas, no valor de quase 450 mil euros, caso que está a ser investigado pelo
Ministério Público. Mais tarde
voltamos a ouvir falar dele quando foi contratado pela famosa Ongoing que, em dez meses, lhe pagou 200
mil euros pelos serviços prestados. Agora está no governo e requereu 753 euros por mês, a que tem
direito como subsídio de alojamento. Podia recusar o subsídio e o ridículo, mas não o fez. É assim este Branquinho que gosta de
dinheirinho, que é Agostinho mas que não passa de um coitadinho!
domingo, 12 de janeiro de 2014
Arnaut premiado pelos serviços prestados
O antigo ministro
Arnaut, que também foi secretário-geral do partido que nos governa, acaba de
ser nomeado para o conselho consultivo internacional do banco americano Goldman
Sachs, uma assembleia de 18 consultores especializados em relações promíscuas e
contratos especulativos com alguns governos, conforme um filme recente bem
evidenciou. Foi óptimo para ele, mas também para nós porque nos livramos das suas
aparições televisivas a transpirar de vaidade.
Esta nomeação
acontece quando está em curso um programa de privatizações que o governo tem
seguido desde 2011 com vista à redução da dívida pública, mas também para
cumprir uma orientação ideológica que visa afastar o Estado da actividade
económica. Nessas privatizações destacou-se o escritório de advogados CSM Rui
Pena & Arnaut e o seu sócio J. L. Arnaut, que estiveram envolvidos em todas elas,
além de terem contado com o lobbying feito
nas televisões pelo mesmo Arnaut, embora disfarçado de comentador. Arnaut começou por
estar na privatização da EDP, seguiu-se a privatização da REN (para onde foi depois
nomeado administrador) e depois a privatização da ANA (onde fez aconselhamento
jurídico à empresa francesa Vinci e onde passou a ser presidente da Assembleia
Geral). Esteve depois na falhada privatização da TAP (onde fez assessoria
jurídica) e, depois na venda em bolsa dos CTT, em que a Goldman Sachs se tornou
o seu maior accionista.
Arnaut é um
exemplo da promiscuidade entre o interesse público e o interesse privado. Uma
vezes esteve com o Estado, outras vezes com as empresas vendidas e outras,
ainda, com as entidades compradoras. Esteve sempre com quem lhe pagou melhor.
Sempre em completa confusão entre política e negócios. Sem o mínimo pudor. Representou os interesses de bancos como o
Goldman Sachs e o JP Morgan nas negociações com os swaps, foi contratado pelo governo português para assessorar a
emissão de dívida pública e
acusou os
juízes do Tribunal Constitucional de quererem manter privilégios. Tudo isto está escrito nos jornais. Todos esses
serviços foram agora premiados com a sua nomeação para o conselho dos abutres.
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