A depressão Kristin chegou a Portugal na noite de 28
de janeiro e entrou pela zona centro do país, com ventos ciclonicos de extrema
violência, tendo sido registada uma rajada de 209 km/hora na estação de Soure. A
destruição provocada foi muito severa, com postes eléctricos partidos, telhados
destruídos, árvores arrancadas e muitas infraestruturas públicas e empresariais
danificadas, com chuvas torrenciais que provocaram cheias e inundações. No dia
seguinte, o governo aprovou uma resolução
declarando a situação de calamidade até ao fim do dia 1 de fevereiro nos
concelhos mais afetados, mas depressa corrigiu e prolongou essa situação até
ao dia 8. Porém, a chuva não deu tréguas e no dia 4, com a chegada da depressão
Leonardo, a situação agravou-se com
forte agitação marítima, neve nas terras altas e com chuva “equivalente a três
dias em apenas 24 horas”. As inundações intensificaram-se, algumas povoações
ficaram isoladas, houve estradas submersas, algumas populações foram desalojadas
e o pânico chegou às margens de diversos rios, sobretudo do Sado, do Tejo e do
Mondego. O governo, uma vez mais prolongou o estado de calamidade até ao dia
15. Porém, no sábado que foi dia 8, surgiu a depressão Marta, com mais chuva, neve, vento, agitação marítima e, sobretudo,
uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras da zona centro do país. Num
quadro tão desolador, temeu-se que nas eleições presidenciais do dia 9 muitos
eleitores se abstivessem, mas isso não aconteceu e os portugueses rejeitaram
aventuras.
A
situação de calamidade continuou com mais chuvas e com as barragens a atingirem
os seus níveis máximos, obrigando a descargas que alimentaram as inundações,
mas no dia 12 começaram a aparecer os primeiros sinais de acalmia da situação.
A depressão Oriana ainda passou por
perto, mas sem agravar a situação, enquanto os especialistas informaram que tinha
sido a 15ª tempestade do corrente outono/inverno e sugeriram que foi “a última
depressão do comboio de tempestades
que afectou o continente português”.
Hoje
o jornal Público mostra uma estrada rural destruída e alerta para os
prejuízos milionários na agricultura, embora a calamidade tivesse afetado
todos os sectores da sociedade e da economia. Agora há que ajudar quem precisa,
reerguer o que caíu e aprender todas as lições que esta calamidade nos trouxe.
