domingo, 15 de fevereiro de 2026

O comboio de tempestades que cá passou

A depressão Kristin chegou a Portugal na noite de 28 de janeiro e entrou pela zona centro do país, com ventos ciclonicos de extrema violência, tendo sido registada uma rajada de 209 km/hora na estação de Soure. A destruição provocada foi muito severa, com postes eléctricos partidos, telhados destruídos, árvores arrancadas e muitas infraestruturas públicas e empresariais danificadas, com chuvas torrenciais que provocaram cheias e inundações. No dia seguinte, o governo aprovou uma resolução declarando a situação de calamidade até ao fim do dia 1 de fevereiro nos concelhos mais afetados, mas depressa corrigiu e prolongou essa situação até ao dia 8. Porém, a chuva não deu tréguas e no dia 4, com a chegada da depressão Leonardo, a situação agravou-se com forte agitação marítima, neve nas terras altas e com chuva “equivalente a três dias em apenas 24 horas”. As inundações intensificaram-se, algumas povoações ficaram isoladas, houve estradas submersas, algumas populações foram desalojadas e o pânico chegou às margens de diversos rios, sobretudo do Sado, do Tejo e do Mondego. O governo, uma vez mais prolongou o estado de calamidade até ao dia 15. Porém, no sábado que foi dia 8, surgiu a depressão Marta, com mais chuva, neve, vento, agitação marítima e, sobretudo, uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras da zona centro do país. Num quadro tão desolador, temeu-se que nas eleições presidenciais do dia 9 muitos eleitores se abstivessem, mas isso não aconteceu e os portugueses rejeitaram aventuras.
A situação de calamidade continuou com mais chuvas e com as barragens a atingirem os seus níveis máximos, obrigando a descargas que alimentaram as inundações, mas no dia 12 começaram a aparecer os primeiros sinais de acalmia da situação. A depressão Oriana ainda passou por perto, mas sem agravar a situação, enquanto os especialistas informaram que tinha sido a 15ª tempestade do corrente outono/inverno e sugeriram que foi “a última depressão do comboio de tempestades que afectou o continente português”.
Hoje o jornal Público mostra uma estrada rural destruída e alerta para os prejuízos milionários na agricultura, embora a calamidade tivesse afetado todos os sectores da sociedade e da economia. Agora há que ajudar quem precisa, reerguer o que caíu e aprender todas as lições que esta calamidade nos trouxe.

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