terça-feira, 23 de abril de 2013

A "mão invisível" que manda no gaspar



O escocês Adam Smith publicou em 1776 um livro que ficou famoso – Uma Pesquisa Sobre a Natureza e as Causas das Riquezas das Nações – no qual introduziu o conceito de mão invisível para descrever como funciona a economia de mercado, isto é, uma harmonia de interesses entre a oferta e a procura ou entre produtores e consumidores, como se uma mão invisível os orientasse.
Actualmente, os nossos governantes também parecem obedecer a uma mão invisível. Não ouvem o que disse o Nobel Joseph Stiglitz: “A austeridade é uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego. A austeridade é uma receita para o suicídio”. Não ouvem o que disse o Nobel Paul Krugman: “Os membros da troika são sádicos. Digam-lhes apenas que não”.
No mesmo sentido, são agora as opiniões dos líderes da troika. Christine Lagarde, a Directora-Geral do FMI, diz que “as medidas de austeridade aplicadas nos países em processo de consolidação orçamental não têm de ser brutais e devem ter em conta as respectivas estruturas sociais”. Durão Barroso, o Presidente da Comissão Europeia também veio agora dizer que “a Comissão cometeu erros nas políticas de austeridade impostas aos países sob resgate, que atingiu os seus limites. Não pode apenas estar bem desenhada, mas tem que ter um apoio social e político mínimo”. E o Diário de Notícias publicou.
Então, se Stiglitz e Krugman dizem o que dizem, se Lagarde e Barroso já emendaram os seus discursos, interrogo-me sobre qual é a mão invisível que nos está levar para a pobreza e a que obedecem cegamente o nosso primeiro e o nosso contabilista gaspar? Será que continuam sem olhar à sua volta e sem ouvir ninguém, empurrando-nos para a catástrofe?