domingo, 14 de janeiro de 2024

Ataques no Iémen. É gasolina na fogueira?

O Iémen é um país árabe situado na extremidade sudoeste da Arábia Saudita, que tem 528 mil quilómetros quadrados de superfície e cerca de 27 milhões de habitantes e que confronta a sul com o mar Arábico e a ocidente com o mar Vermelho.
Quando em 2011 aconteceu a “primavera árabe”, o Iémen também foi um dos países que entrou em grande instabilidade política e social, vindo a entrar numa guerra civil de grande violência em que se confrontam as forças leais ao governo instalado em Áden (apoiado pela Arábia Saudita) e os rebeldes Houthis (apoiados pelo Irão) que ocupam a parte ocidental do país e a sua capital Saná. A guerra iniciou-se em 2014 e já causou cerca de meio milhão de mortos e muitos milhões de desalojados e refugiados, sujeitos a carências alimentares e vítimas de violações dos direitos humanos.
Os rebeldes Houthis, tal como o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, são solidários com o povo palestiniano e com o seu sofrimento, considerando Israel o seu maior inimigo. Entre outras acções, decidiram atacar a navegação ocidental no mar Vermelho com mísseis e drones, como actos de vingança contra Israel pela sua campanha militar em Gaza, o que tem obrigado as maiores companhias petrolíferas a suspender o seu tráfego numa das mais importantes rotas marítimas mundiais. Estas acções podem vir a causar um choque na economia mundial e, por isso, os Estados Unidos e o Reino Unido decidiram avançar com um maciço ataque de retaliação que utilizou mísseis Tomahawk, lançados por navios de guerra, por submarinos e por aviões de combate. O jornal The New York Times relata esta acção, sem a apoiar nem a criticar, até porque se teme que estes ataques possam transformar a guerra de Israel contra o Hamas num conflito regional mais vasto, o que contraria as repetidas declarações de Joe Biden e de Antony Blinken.