sábado, 10 de junho de 2017

O renascido independentismo catalão

A Catalunha volta a confrontar o governo de Madrid com a sua reivindicação independentista depois de Carles Puigdemont, o líder do governo regional, numa cerimónia a que estiveram presentes quase todos os 71 deputados independentistas catalães, ter anunciado a realização de um referendo no dia 1 de Outubro de 2017.
Os dois lados deste conflito ainda tentaram dialogar mas sem resultados, porque os independentistas não abdicam da realização do referendo, enquanto o governo de Madrid chefiado por Mariano Rajoy nem quer ouvir falar dele.
A intransigência e a rivalidade de ambas as partes é grande. O governo espanhol já anunciou que o referendo não se realizará por ser ilegal e por não ter o apoio do Tribunal Constitucional,  mas os independentistas de Puigdemont até já anunciaram a pergunta que vai ser colocada aos eleitores: Quer que a Catalunha seja um Estado independente em forma de República?
Nos próximos meses muita tinta vai correr a respeito desta questão. Os dois principais jornais em língua catalã que se publicam em Barcelona têm estado ao lado do independentismo e destacaram o anúncio de Carles Puigdemont. No caso do El Punt Avui, a sua primeira página apresenta um boletim de voto em que está assinalado o sim, indicando também que faltam 113 dias para a consulta.
Vão ser 113 dias muito difíceis para os catalães e para os espanhóis e vai ser necessária muita serenidade.

May e a enorme desorientação britânica

A história é simples. Há tempos, num aparente braço de ferro com Bruxelas por questões de segunda ordem, o governo de David Cameron decidiu ameaçar com a saída da União Europeia. De regresso a Londres, Cameron entusiasmou-se com a sua infantil ameaça e tratou de fazer um referendo, embora ele próprio tivesse feito campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Porém, a maioria dos eleitores britânicos votou contra ele e escolheu a saída, isto é, escolheu o famoso Brexit sem saber o que isso significava. Derrotado, David Cameron demitiu-se e sucedeu-lhe Theresa May.
Theresa May chegou ao governo cheia de força, de arrogância e de vontade de encostar à parede a União Europeia e os seus líderes. Imaginou-se uma nova dama de ferro, uma sucessora de Margaret Thatcher. Falou alto e também fez ameaças aos burocratas de Bruxelas. Quis ditar as regras do jogo. Do outro lado do Atlântico pareceu-lhe ouvir o apoio do Donald e sentiu-se ainda mais predestinada para um grande futuro político. Tinha a maioria absoluta no Parlamento mas, iludida pelas sondagens, entendeu que deveria sujeitar-se ao eleitorado para legitimar a sua liderança que não resultara do voto popular. Queria ainda mais poder.
Entretanto as coisas começaram a não lhe correr de feição. Afinal o Donald tratou-a mal nas reuniões da NATO e do G7 e, dos outros líderes, ninguém lhe ligou. May regressou a Londres nervosa e desorientada. Depois aconteceram os atentados em Londres e Manchester. Theresa May começou a perder fôlego.
As eleições gerais realizaram-se no passado dia 8 de Junho e Theresa May perdeu a sua maioria absoluta. Como diz o The guardian, ela foi da arrogância à humilhação. O Reino Unido está desorientado e isolado, cheio de problemas internos. Anda à deriva. É difícil prever o que aí vem, mas certamente que não é de um líder derrotado e tão enfraquecido como Theresa May que o Reino Unido precisa para enfrentar os muitos desafios que tem pela frente.