domingo, 18 de janeiro de 2026

A ameaça americana à gélida Gronelândia

Quando em 1776 as treze colónias britânicas da costa leste da América do Norte declararam a independência e fundaram os Estados Unidos da América, o território da nova nação era uma estreita faixa litoral onde viviam cerca de 2,4 milhões de habitantes de origem europeia. A partir de então, o novo país procedeu a aquisições territoriais por processos diversos que levaram os seus limites até à costa do oceano Pacífico, por cedência, ocupação ou compra de territórios franceses, espanhóis, mexicanos e russos, de que são exemplos a Louisiana, o Texas e o Alaska. Esse processo de expansão territorial nunca parou e em 1946 os Estados Unidos propuseram ao Reino da Dinamarca a compra da Gronelândia, mas essa proposta foi rejeitada.
Donald Trump recuperou agora essa vontade com a desculpa da segurança internacional e dos interesses chineses e russos na região, pelo que exige, “a bem ou a mal”, a imediata “compra completa e total” da Gronelândia, um território autónomo pertencente ao Reino da Dinamarca, o que os dinamarqueses não aceitam, nem a população local quer. Entretanto, alguns países europeus decidiram enviar tropas para a Gronelândia, sem se saber se o fazem no quadro da NATO ou da União Europeia, nem para que o fazem. Esses países – Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia – puseram-se na mira de Donald Trump que ontem anunciou a imposição de tarifas progressivas sobre as suas mercadorias, que começam a 10% e poderão chegar aos 25%, como forma de pressionar um rápido acordo.
Hoje, o jornal The Independent anunciava as ameaças de Trump aos países europeus que defendem a soberania da Dinamarca que, naturalmente, ninguém imaginaria pudessem acontecer. Ninguém sabe o que aí vem.

As eleições presidenciais em Portugal

Hoje é dia de eleições presidenciais em Portugal e todos os portugueses devem ir às urnas, porque é um dever cívico e porque é no exercício do voto que se fundamenta a Democracia e a Liberdade. 
A frase “o voto é a arma do povo” deveria ser inspiradora para cada cidadão, embora nos últimos tempos o acto de votar se tenha transformado num ritual descaracterizado, ou até mesmo mentiroso, porque os eleitos tendem a esquecer tudo o que antes prometeram, muitas vezes dão o dito por não dito e outras tantas vezes tratam de se servir dos cargos e de não servir aqueles que os escolheram. De forma simétrica, também as opções de voto dos eleitores são condicionadas pelas campanhas eleitorais e pelas influências partidárias, sindicais, corporativas e outras, de que resultam opções de voto formatadas por interesses alheios e que estão desalinhadas dos interesses profundos dos eleitores.
Por tudo isto, as Democracias estão em crise, um pouco por todo o mundo, mas a frase atribuída a Winston Churchill continua a ser válida, isto é, “a democracia é o pior dos sistemas, com excepção de todos os outros”, mas isso não significa que seja a forma perfeita para nos organizarmos e nos governarmos.
Depois de 48 anos de regime autoritário em que não havia eleições livres nem democráticas, desde 1975 que os portugueses têm sido chamados a votar para escolher aqueles que os representam ou que os governam. A maioria dos portugueses tem beneficiado de um enorme progresso social, observável na educação, na saúde, na economia e na cultura, mas sempre com origem no voto. Porém, há uma crescente abstenção eleitoral que mostra que muitos cidadãos não acreditam numa democracia que os ignora, ou que os trata de forma desigual, ou que os mantém na pobreza, mas essa é a excepção à regra.
Por isso, é necessário votar e combater o desinteresse e a indiferença com a arma do voto, porque só o voto pode garantir a Liberdade, a Democracia e o Progresso.

O Nobel e os apetites de Donald Trump

A vida internacional está a tornar-se demasiado desregulada, devido à mediocridade de muitos dos seus protagonistas e ao corrupio de casos que vão sucedendo. Porém, Donald Trump destaca-se ao concentrar a maioria dos casos que estão a abalar o mundo, com as suas ameaças, as suas tarifas, os seus bombardeamentos e os seus assaltos. Apesar de anunciar repetidamente que já acabou com oito guerras, o facto é que tem dado ordens para bombardear vários países, sempre para impor a sua ambição, a sua vaidade e os seus interesses.
Nessa sua postura, de que faz parte o seu enriquecimento pessoal, nunca omitiu alguns apetites maiores ou menores, designadamente pelo Prémio Nobel da Paz, embora o Comité Nobel lhe tivesse negado essa vontade. Porém, a venezuelana Maria Corina Machado que foi a laureada de 2025, numa decisão irresponsável decidiu oferecer-lhe o prémio e foi a Washington onde foi recebida por Donald Trump que, sem vergonha nem pudor, o aceitou.
O Comité Nobel tratou imediatamente de anunciar que “independentemente do que aconteça com os símbolos físicos, o laureado original mantém para sempre a honra e o reconhecimento, não podendo o galardão ser revogado ou repartido com terceiros”, acrescentando que a medalha, o diploma e a dotação financeira correspondente continuam a pertencer ao laureado, sendo ele que passa à história como recebedor do prémio. O caso é tão triste que o jornal La Vanguardia, que se publica em Barcelona, o destacou na sua edição de ontem, referindo em primeira página a ”indignação” com que a Noruega assistiu a esta farsa que poucos podiam imaginar.
Trump quis o Nobel e quer a Riviera em Gaza, as terras raras da Ucrânia, o petróleo venezuelano, a Gronelândia...