sexta-feira, 21 de março de 2014

Os veleiros ao serviço da diplomacia

O navio-escola BAE Guayas, da Marinha do Equador, passou ontem o mítico Cabo Horn, quando navegava do Atlântico para o Pacífico e a imprensa equatoriana destacou esse acontecimento, especialmente o jornal El Universo que, na sua primeira página,  reproduziu uma fotografia do veleiro a navegar e a exibir uma gigantesca bandeira nacional.
O navio participa na regata “Velas America 2014”, uma iniciativa em que também participam os veleiros Libertad (Argentina), Cisne Branco (Brasil), Esmeralda (Chile), Gloria (Colômbia) e Simón Bolívar (Venezuela) e que tem por objectivo o estreitamento e o fortalecimento dos laços de amizade e de cooperação entre as Marinhas latino-americanas. A ideia surgiu em 2010 por ocasião do “Velas Sudamérica 2010”, realizado no Rio de Janeiro, tendo então ficado acordado que esse encontro de veleiros se realizaria de quatro em quatro anos.
Este ano, o encontro/regata iniciou-se em Itajai (Brasil) no dia 11 de Fevereiro, já escalou Punta del Este, Mar del Plata, Ushuaia e, ontem, chegou ao porto chileno de Punta Arenas. Depois, os navios iniciarão a “subida” da costa oeste do continente sul-americano em direcção ao canal do Panamá, passarão para as águas atlânticas e visitarão Cartagena das Indias, La Guaira e Santo Domingo, terminando no porto mexicano de Veracruz no dia 18 de Junho, depois de 134 dias de missão em que, para além do treino de mar dos cadetes, os navios mostram a sua bandeira e representam os seus países nos portos visitados, cumprindo dessa forma uma missão diplomática.
Por cá, a imprensa não dá a mesma importância a este tipo de acontecimentos, pois geralmente está mais vocacionada para o futebol, a pequena política, o fait divers e o sensacionalismo.