quarta-feira, 8 de julho de 2015

R.I.P. Maria Barroso

Com 90 anos de idade faleceu Maria de Jesus Barroso, a mulher que durante 66 anos foi casada com o antigo Presidente Mário Soares. Era uma mulher notável que os portugueses bem conheciam pela sua longa presença na nossa esfera pública e que conseguiu gerar uma unânime onda de simpatia e de respeito à sua volta, pelo seu excepcional percurso de vida nos planos familiar, artístico, profissional, político e cívico.
Diplomou-se em Arte Dramática na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, foi actriz na companhia de teatro Rey Colaço-Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II e participou em filmes de Paulo Rocha e Manoel de Oliveira. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi professora e directora do Colégio Moderno. Em 1969 foi candidata a deputada pela Oposição Democrática e em 1973 participou no Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, tendo sido a única mulher a intervir na sessão de abertura e, no mesmo ano, esteve em Bad Munstereifel na reunião fundadora do Partido Socialista.
Depois do 25 de Abril foi eleita deputada à Assembleia da República em várias legislaturas e, entre 1986 e 1996, foi a primeira-dama de Portugal. Depois presidiu à Cruz Vermelha Portuguesa e não desistiu de intervir na defesa activa de grandes causas sociais e humanitárias. Hoje, todos, desde as personalidades políticas de todos os quadrantes até aos mais simples moradores da vizinhança da Família Soares, repetiram elogios ao talento, à energia, ao carácter, à cultura e à simplicidade de Maria Barroso. No seu discurso de despedida, António Costa disse que “em todos os socialistas fica hoje um vazio”.
Uma só vez estive com Maria Barroso, quando há 20 anos ouvi falar português no hall de um hotel a dez mil quilómetros de Lisboa e lhe dirigi a palavra. Nunca mais esqueci aqueles 15 minutos de tão inesperada e agradável conversa.

As grandes “sanfermines” de Pamplona

Começaram anteontem em Pamplona as Festas de San Fermin, o santo natural da cidade que é o padroeiro da diocese de Navarra. As sanfermines, nome por que são localmente conhecidas as festas, acontecem todos os anos entre os dias 6 e 14 de Julho. Segundo rezam as informações oficiais, as programações religiosa e profana convivem muito bem, mas “San Fermin es la fiesta en la calle y el encierro”, um quase carnaval colectivo que é animado por muita música, “por la generosa absorción de bebidas con muchos grados” e, naturalmente, por muitos excessos. Milhares de pessoas usam a pamplonica, isto é, vestem camisas e calças ou saias brancas, com um lenço e uma faixa vermelha na cintura.
Porém são os encierros ou largadas de touros que tornaram as festas internacionalmente conhecidas. o escritor americano Ernest Hemingway dedicou-lhe um romance que foi traduzido em Portugal com o título "O Sol nasce sempre (Fiesta)". Em cada encierro, que se inicia às 8 horas da manhã, são largados seis touros bravos e seis cabrestos numa distância de 875 metros pelas ruas da cidade velha até à Praça de Touros de Pamplona. Isto acontece todos os dias desde o dia 7 ao dia 14 de Julho, isto é, as festas incluem oito encierros. O site oficial das festas – www.sanfermin.com – apresenta vasta informação sobre o evento e, para cada encierro, informa a origem dos touros e regista a performance diária comparando-a com os encierros dos anos anteriores, quanto à sua duração, número de corneados, traumatismos registados, temperatura, etc. Como é sabido, tem havido algumas mortes nos encierros das Festas de San Fermin, pelo que são divulgadas instruções para prevenir os que decidem enfrentar os touros nas ruas de Pamplona. As televisões transmitem sempre imagens das colhidas, mais ou menos graves, mais ou menos espectaculares. É o que também faz hoje El Diario Vasco na sua primeira página.
Se eu penso ir às festas a Pamplona? Não, obrigado.