domingo, 16 de julho de 2017

Os juízes brasileiros tomaram o poder

Toda a imprensa espanhola destaca hoje com grande entusiasmo a vitória de Garbiñe Muguruza no torneio de Wimbledon, conseguida frente à americana Vénus Williams, não só porque se trata do mais antigo e mais famoso torneio de ténis do mundo, mas também porque foi obtida perante uma das lendárias irmãs Williams, que já venceram 12 vezes em Wimbledon.
Porém, no diário El País há uma notícia inquietante relativa ao Brasil, onde segundo escreve o jornal “los jueces tomaron el poder”. O panorama político brasileiro tem sido dominado pelas investigações do caso Petrobras, dirigidas por inúmeros juízes, procuradores, agentes tributários e diversos tribunais, que procuram esclarecer a rede de corrupção que alastrou pela classe política brasileira. Porém, nas últimas semanas o poder judicial pareceu querer atacar o núcleo duro do poder político e, pela primeira vez, um presidente (Michel Temer) foi denunciado por corrupção e, também pela primeira vez, um ex-presidente (Lula da Silva), foi condenado em primeira instância a uma pena de prisão de nove anos e meio por corrupção e lavagem de dinheiro.
Ambos reagiram em tom semelhante, questionando a autoridade dos juízes e argumentando que o poder pertence ao povo e não aos juízes que, cada vez mais, interferem ilegitimamente na actividade política.
Por cá vai acontecendo a mesma coisa e, alguns políticos, são vítimas da mediatização orquestrada por alguns agentes da Justiça e condenados sem acusação nem julgamento, o que revela a intenção dos juízes de interferir na política. São muitos os casos, mas a recente história dos Secretários de Estado que foram a  França ver e aplaudir a selecção nacional de futebol é mesmo uma vergonha para quem os constituiu arguidos, a mostrar uma faceta mesquinha e trauliteira da classe dos juízes. Será que foi assim tão grave aceitar um convite para ver o futebol e fazer uma acusação que interferiu gravemente na governação? Ou será que, para além dos políticos e dos jornalistas que encheram esses aviões e que aceitam viagens, não haverá juízes que também beneficiam dessas práticas?