quinta-feira, 30 de julho de 2015

A morte do leão que indignou o mundo

A imprensa internacional, sobretudo nos Estados Unidos e no Reino Unido, tem divulgado o enorme escândalo que foi a notícia da morte do leão Cecil, que vivia no Parque Nacional de Hwange e era o mais famoso leão do Zimbabué, o qual foi abatido por um caçador. Esse caçador foi identificado como Walter Palmer, um dentista americano de 50 anos de idade, residente em Mineápolis, no estado do Minnesota, que tem como hobby a caça de leões, ursos, morsas, rinocerontes ou renas, entre outros animais selvagens, utilizando o arco e a flecha como arma, tendo também o hábito de divulgar na internet as fotografias dos seus troféus de caça. Assim se soube deste caso, a que o diário nova-iorquino Daily News se referiu como um “assassinio cobarde” que despoletou a “ira do mundo” e que tornou Walter Palmer “o mais odiado”.
Desta vez Palmer viajou para o Zimbabué para caçar no Parque Nacional de Hwange. Uma noite avistou o leão Cecil na área do parque e atingiu-o com uma flecha, mas apenas o feriu ligeiramente. Como se encontrava dentro do parque natural, ele e os seus dois guias-caçadores, ataram um animal morto ao jipe em que se deslocavam e arrastaram-no durante cerca de meio quilómetro. O objetivo era untar o terreno com o cheiro do animal de modo a atrair o leão. A armadilha resultou e, cerca de 40 horas depois, Cecil apareceu. Foi morto, cortaram-lhe a cabeça e tiraram-lhe a pele. Palmer recolhera mais um troféu e fez-se fotografar com ele. O  escândalo rebentou. Palmer disse que tinha confiado nos seus dois guias locais para tratarem da legalidade da caçada, que não sabia que aquele leão tinha nome e que, assim, não tinha violado a lei do Zimbabué.
Este caso não é invugar. A caça tem muitos adeptos e, por todo o mundo, existem grandes fazendas ou coutadas onde os animais nascem e crescem para serem abatidos por caçadores que, para seu gozo, pagam 14 mil dólares para abater um búfalo ou 50 mil dólares para abater um leão, que parece ter sido o montante que Walter Palmer pagou para esse seu destemido e corajoso acto de matar um leão com uma flecha, embora com dois guias-caçadores profissionais ao seu lado para prevenir qualquer eventualidade... Eu critico fortemente estes inimigos dos animais, mas também critico os amigos dos animais que são responsáveis pelo atentado à saúde pública urbana que é a inundação de dejectos caninos na via pública.