quinta-feira, 9 de novembro de 2023

A desordem mundial e a crise portuguesa

Na sua edição de hoje, o jornal católico francês La Croix destaca como manchete um tema de interesse geral que designa como “a desordem mundial”. A análise publicada refere que a ordem mundial resultante da Guerra Fria se está a desmoronar, pois “nem é totalmente unipolar, nem verdadeiramente multipolar”, ao mesmo tempo que estão a emergir médias potências que desafiam a influência americana, como se vê nos conflitos que estão a perturbar a paz mundial. Segundo o citado jornal, “les conflits en Ukraine et au Proche-Orient confirment la perte de vitesse des États-Unis sur la scène internationale”.
O tema desenvolvido pelo jornal é de grande actualidade, como se vê naqueles conflitos, em que parece não haver quem possa travar a guerra e onde as acusações de violação dos direitos humanos e da prática de crimes de guerra são uma constante. Os Estados Unidos podem ser determinantes na resolução destes dois conflitos, mas as suas próximas eleições presidenciais não ajudam, para além de que nos teatros de guerra subsistem questões culturais de fundo a dificultar o encontro de soluções. No caso da Ucrânia é muitas vezes ignorado que há, pelo menos, "duas ucrânias" sob o ponto de vista cultural e religioso, enquanto no Médio Oriente é referido que “il faut sortir de la vision occidentale du conflit”, isto é, não são os mísseis, os tanques, os drones e a destruição de vidas e de cidades que, em ambos os casos, vão decidir os conflitos, mas tão só uma arbitragem que respeite as realidades culturais em conflito.
Bom seria que o jornal La Croix e a sua análise sobre “le désordre mondial”, pudessem ser lidos pelos responsáveis políticos mundiais. É neste preocupante quadro geopolítico mundial que agora vai entrar a crise que, certamente, vai minar a felicidade dos portugueses.