quinta-feira, 2 de julho de 2020

Fronteiras abertas, renasce a esperança


Depois de terem estado encerradas durante 107 dias, as fronteiras entre Portugal e Espanha foram ontem reabertas com a simbólica presença das principais autoridades políticas de ambos os países, isto é, o Rei Filipe VI e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e os primeiros-ministros António Costa e Pedro Sánchez. Longe vão os tempos em que se dizia que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento”. Agora de Espanha vem o turismo e o recrudescimento da actividade económica, mas a imprensa tratou este assunto de forma desigual, pois enquanto a generalidade da imprensa portuguesa, apenas com duas excepções, não assinalou este acontecimento, muitos jornais espanhóis publicaram a fotografia das quatro entidades que estiveram na fronteira Elvas/Badajoz, a revelar quão importante foi a reabertura das fronteiras e este reencontro ibérico. De resto, bastou ver a satisfação ou mesmo a euforia com que Valença do Minho recebeu os seus vizinhos galegos, para vermos como a abertura das fronteitras pode ser uma boa alavanca para a recuperação económica do país e é, seguramente, um sinal de esperança nestes tempos de incerteza.
É realmente lamentável o provincianismo de uma boa parte da imprensa portuguesa que ontem destacava a demissão dos treinadores de futebol do Benfica e do Braga, o cartão de cidadão que demora cinco meses a ser entregue ou que o vírus destruiu 192 mil empregos. Sobre a TAP ou sobre a abertura das fronteiras, muito pouco.