sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A navegar à vela de Sydney para Hobart

Iniciou-se ontem a famosa regata anual Rolex Sydney to Hobart Yacht Race 2013, conhecida na Austrália como a Bluewater Classic, que faz a ligação entre o porto de Sydney na costa oriental da Austrália e o porto de Hobart na ilha da Tasmânia, numa extensão de cerca de 630 milhas (1170 Km). A regata disputa-se desde 1945 e tem a sua largada no Boxing Day, isto é, o dia a seguir ao Natal, atraindo velejadores e embarcações de todo o mundo. É considerada como uma das mais difíceis regatas do mundo, tendo-se tornado num ícone do desporto de verão australiano.
Desde meados dos anos 70 que o número de embarcações participantes tem quase sempre ultrapassado a centena e em 1994 registou-se a participação record de 371 embarcações. O record da regata foi estabelecido em 2012 pelo iate australiano Wild Oats XI que gastou 1 dia, 18 horas, 23 minutos e 12 segundos para ligar Sydney a Hobart e que, este ano, é o favorito.
A edição de hoje do jornal The Sydney Morning Herald destacou na sua primeira página uma fotografia da espectacular largada da regata, que constitui um exemplo de bom fotojornalismo e parece justificar a famosa ideia de que “uma imagem vale mais do que mil palavras”.

O património cultural de Angola

O Jornal de Angola anuncia hoje que o governo angolano apresentará à UNESCO no próximo mês de Janeiro a candidatura do centro histórico da cidade de M’banza Congo, a antiga cidade de São Salvador do Congo e capital da província do Zaire, para integrar a sua lista do Património Mundial da Humanidade. Esta candidatura foi lançada pela primeira vez em 1996, quando Angola apresentou uma lista de locais candidatos para futuramente integrarem a lista da UNESCO, mas o processo tem avançado muito lentamente. Porém, no passado mês de Junho a cidade de M’banza Congo foi classificada com a categoria de Centro Histórico Nacional, um dos pressupostos indispensáveis para que Angola possa formalizar a candidatura da capital do antigo reino do Congo.
A cidade de M’banza Congo foi fundada antes da chegada dos portugueses e era a capital de uma dinastia que governava desde os finais do século XV. Por influência de missionários portugueses, o local tomou o nome de São Salvador do Congo, tendo sido construída uma igreja católica que é provavelmente a mais antiga da África Sub-Saariana e que em 1596 foi elevada ao estatuto de catedral. A cidade tinha muitas edificações de pedra, incluindo o palácio e muitas igrejas e em 1630 teria cem mil habitantes, mas veio a ser abandonada durante as guerras civis que eclodiram no século XVII.
O projecto “M’banza Congo - cidade a desenterrar para preservar" está em curso e pretende estudar aquela que é uma das mais antigas civilizações abaixo do Equador, com vestígios da sua história e da sua evolução soterrados na cidade e ainda por descobrir. Refere-se que Angola, através do Instituto Nacional do Património Cultural, apresentou no passado mês de Junho três pré-candidaturas para virem a ser classificadas como Património Mundial da Humanidade - o Centro Histórico e Arqueológico de M’banza Congo, na província do Zaire, a Paisagem Cultural de Tchitundu-Hulu, na província do Namibe e o Corredor do Kwanza (Luanda/ Kwanza-Norte).

Ilusões de Natal

O nosso primeiro Passos cumpriu o seu dever formal de se dirigir à nação no Natal. Cansado das minhas festividades natalícias, fiz um enorme esforço para não adormecer com aquela lenga-lenga auto-elogiosa que foi lida sem alma e com um optimismo que até parecia que estávamos noutro país. Parecia um discurso de campanha eleitoral, feito por um vendedor de ilusões. Esqueceu a injusta e imoral austeridade que nos impôs e que tem feito empobrecer a classe média e aumentado a fortuna dos mais ricos. Esqueceu a profunda desarticulação que impôs à nossa sociedade, que põe em risco a nossa coesão social. O homem que se deslumbrou com o poder, que quis cair nos braços da troika e que sempre disse que governaria com o FMI, mantém a sua estratégia de obedecer a tudo o que lá de fora lhe mandam fazer, embora agora queira fazer passar a ideia de que quer expulsar a troika e recuperar a soberania nacional porque, com a sua acção, o país foi salvo do colapso.
Disse ele que “a nossa economia começou a dar a volta”, que “começamos a vergar a dívida externa e pública”, que “a economia começou a crescer e acima do ritmo da Europa” e que “em termos líquidos, até ao terceiro trimestre foram criados 120 mil novos postos de trabalho”. É preciso ter muita imaginação e pouco pudor para se dizer isto numa mensagem de Natal, que deveria ser de verdade e de esperança. É uma mera convicção sem fundamento.
A mensagem do nosso primeiro quis mostrar erudição e foi buscar inspiração a algumas frases feitas, que ele certamente aprecia. Disse ele, inspirando-se em George W. Bush, que “na recuperação do nosso país, ninguém pode ficar para trás”. Depois, a finalizar a sua mensagem fez um mix entre Napoleão Bonaparte e Barack Obama, dizendo: “Como um povo orgulhoso, dono do seu próprio destino, que não receia o futuro e que sabe que, do alto de quase 900 anos de história, os seus melhores anos ainda estão para vir”.
Foi, concerteza, uma mensagem a pensar nas eleições que hão-de vir. Merecíamos melhor.