domingo, 24 de março de 2013

Um museu e três exposições

O museu da Fundação Arpad Szénes–Vieira da Silva (FASVS) com o apoio dos seus mecenas, está a oferecer ao público lisboeta três exposições temporárias que são uma excelente oportunidade para, de uma só vez, revisitar uma parte da obra de três artistas de elevada cotação internacional – Vieira da Silva, Arpad Szénes e Graça Morais.
A exposição Vieira da Silva, Agora esteve recentemente no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro no âmbito do projecto cultural Ano de Portugal no Brasil, para homenagear a pintora portuguesa que, com o marido, viveu naquele país na década de 1940. Depois de ter sido visitada durante dois meses por 42.315 visitantes, a exposição é agora apresentada em Lisboa, mostrando obras de pintura e desenho que cobrem um vasto período da produção da pintora e que é complementada pela sua fotobiografia. Revisitar a obra de Vieira da Silva é um exercício muito estimulante e confirma a sua excepcional dimensão no panorama internacional da arte contemporânea.
Porém, o FASVS tem por vocação a divulgação e estudo das obras de Maria Helena Vieira da Silva e do seu marido de origem húngara Arpad Szénes, mas também de outros artistas seus contemporâneos. Nesse sentido, o museu apresenta também uma pequena exposição da obra de Arpad Szénes e a exposição Os Desastres da Guerra, que reúne pintura e desenho de Graça Morais em que denuncia a guerra e a sua violência. Esta exposição pode ser vista até 14 de Abril, enquanto a exposição Vieira da Silva, Agora pode ser vista até 16 de Junho.


Lisboa valorizada com a Ribeira das Naus

A zona ribeirinha do rio Tejo situada entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, constitui um dos mais simbólicos locais da cidade de Lisboa. Aí existiram, pelo menos desde o século XIV, as carreiras de construção de navios ou Ribeira das Naus, onde nasceram muitos dos navios da expansão marítima portuguesa e que serviu de modelo aos estaleiros que se construíram nas ribeiras de Goa, de Cochim, do Rio de Janeiro e do Recife. Depois da destruição provocada pelo terramoto de 1755 os estaleiros foram reconstruídos e a Ribeira das Naus passou a ser designada por Arsenal Real da Marinha que, até ao fim do século XIX, foi o mais importante pólo de construção naval português. Em 1910 os estaleiros passaram a ser designados por Arsenal da Marinha, mas em 1938 foram extintos quando foi inaugurado o novo Arsenal do Alfeite.
O acesso da carreira de construção ao rio Tejo foi então cortado e foi construída a Avenida Ribeira das Naus. Porém, o recente e justificado interesse pela frente ribeirinha da cidade levou à decisão de requalificar a Avenida Ribeira das Naus e o seu espaço adjacente. A primeira fase desse projecto ficou agora concluída por iniciativa da CML: um largo passeio pedonal, um novo jardim público e uma larga escadaria em suave plano descendente até ao rio, como recriação de uma praia existente antes do terramoto. A cidade de Lisboa “que deve tudo ao rio”, foi enriquecida com a recuperação da sua memória histórica e ganhou mais um espaço de lazer. Bem precisamos destas coisas positivas para nos animarmos!