domingo, 19 de janeiro de 2020

A saída de navios para o mar… é notícia

O jornal The San Diego Union-Tribune destacou na sua edição de hoje uma fotografia do super porta-aviões de propulsão nuclear USS Theodore Roosevelt  (CVN-71), largando do porto de San Diego para o Pacífico ocidental.
Este super navio de 117 mil toneladas de deslocamento e 332,8 metros de comprimento tem a sua base em San Diego e vai partir para uma comissão de sete meses no Pacífico ocidental, levando consigo um grupo de ataque constituído por seis navios de superfície e cerca de noventa aeronaves embarcadas. A bordo destas unidades estarão cerca de seis mil homens e mulheres.
Este movimento faz parte da rotina operacional da Marinha dos Estados Unidos e o USS Theodore Roosevelt  vai integrar-se no United States Indo-Pacific Command (USINDOPACOM), que é o mais antigo e maior dos comandos de combate unificados, responsável por todas as operações militares americanas numa área equivalente a 52% da superfície da Terra. Para além da bela imagem que mostra o navio a sair de San Diego - que é um excelente exemplo de fotojornalismo - o interessante desta notícia é apenas o contraste entre os destaques que a imprensa dá às missões das suas Marinhas de Guerra: na imprensa americana é destacada a missão de um navio que larga para uma comissão de sete meses do outro lado do Pacífico, mas na imprensa portuguesa não consta que qualquer missão naval seja notícia, mesmo quando um navio larga para uma volta ao mundo.

Necessidades ilimitadas, recursos escassos


Quando da sua campanha eleitoral em 2017 o candidato Emmanuel Macron defendeu a transformação de mais de quatro dezenas de regimes de pensões existentes em França num único sistema “universal” por pontos, em que um euro descontado ao trabalhador passe a conferir exactamente os mesmos direitos a todos. Tendo ganho as eleições, o presidente Macron deu andamento à “réforme des retraites”, mesmo sem tocar nos pontos mais sensíveis que são a idade da reforma e o nível das pensões. Naturalmente, o projecto era explosivo por envolver sindicatos, organizações patronais, seguradoras e outras entidades, até porque pretendia resolver uma questão que já tinha sido tentada várias vezes e sempre tinha dado origem a grande contestação social.
Porém, esta tentativa de reforma patrocinada por Macron avançou num período de grande instabilidade e agitação sociais provocados pelo movimento inorgânico dos coletes amarelos, a que se seguiu o movimento orgânico dos sindicatos e das suas confederações. Nos primeiros dias de Dezembro iniciou-se um alargado movimento grevista apoiado pelas cinco confederações sindicais reconhecidas pelo Estado, com destaque para a CGT-Confédération Générale du Travail contra a “réforme des retraites” e contra o próprio presidente Emmanuel Macron. Actualmente, já estão acumuladas seis semanas consecutivas de protesto, com efeitos catastróficos em sectores como os transportes, o comércio, a hotelaria, a restauração e as actividades culturais. Serão necessárias várias semanas para contabilizar o prejuízo total gerado por uma das greves mais longas da história da França, mas o balanço já começou a ser feito: a companhia ferroviária SNCF já perdeu 850 milhões de euros, a Ópera de Paris perdeu 12 milhões de euros e o circo Bouglione um milhão. Provavelmente, muitos empregos serão perdidos nas pequenas e médias empresas que não resistirão a esta crise.
O problema é muito complexo. A revista Le Point trata deste assunto que, segundo diz, está a arruinar uma França que rejeita reformas e que esquece a velha máxima de que “as necessidades são ilimitadas, mas os recursos são escassos".