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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Um míssil que não chegou ao seu destino

Embora as notícias sejam muito contraditórias e estejam viciadas pela propaganda, parece evidente que Israel, a pretexto de garantir a sua segurança, está a seguir uma política expansionista agressiva e ilegal, que passou pela destruição de Gaza, pela presença militar activa na Cisjordânia que é solo palestiniano, pela ocupação de território de um país soberano que é a Síria e, mais recentemente, pela operação em curso que quer fazer ao sul do Líbano o mesmo que fez em Gaza. Como argumento, o regime do carniceiro Netanyahu invoca o seu direito para combater o Hamas e o Hezbollah, bem como a humilhação permanente da Autoridade Nacional Palestiniana, criada em 1994 e que, desde 2012, tem assento nas Nações Unidas com o estatuto de observador.
Porém, na sua desenfreada e criminosa corrida bélica contra tudo o que não se lhe submeta, o carniceiro de Israel decidiu atacar a cidade de Beirute, até porque continua a tirar partido da hipocrisia europeia e dos seus líderes medíocres e desprovidos de coragem, que uma vez mais se calaram. O mesmo não fez o Irão, cujo regime é controlado de forma autoritária e opressiva por líderes religiosos fanáticos, que, em solidariedade para com o Líbano, decidiu responder à ofensiva israelita com uma vaga de mísseis, no primeiro ataque desde o cessar-fogo de abril. Acontece que, no dia 8 de junho, um grande míssil balístico iraniano lançado contra Israel, caiu e ficou encravado no solo perto de Jericó, na Cisjordânia. 
Muitos jornais internacionais, como por exemplo o diário belga DeMorgen, ilustraram as suas primeiras páginas com a insólita fotografia do míssil iraniano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brasil ganha ouro em Cortina d’Ampezzo

Estão a decorrer os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputam nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, que são vulgarmente conhecidos por Milão-Cortina 2026. Desde o dia 6 de fevereiro e até ao dia 22, estarão em prova 2.871 atletas representando 96 países, a maioria dos quais com uma presença simbólica, como acontece com a Guiné-Bissau, o Benim, a Eritreia, a Colômbia, o Quénia e até mesmo com Portugal, porque os desportos de inverno só acontecem onde há neve e gelo. Daí que os Jogos Milão-Cortina 2026 interessem pouco os portugueses e que a maioria das medalhas até agora disputadas tenha sido conquistada por noruegueses, italianos, americanos, suecos, holandeses, franceses, alemães e austríacos.
Porém, por vezes acontecem imprevistos e até o tropical Brasil, que escalda em tempo de Carnaval, teve uma medalha olímpica de ouro!
Aconteceu no dia 14 de fevereiro, quando a prova de Sky Alpino Slalom Gigante Masculino foi ganha por Lucas Pinheiro Braathen, que bateu os suíços Marco Odermatt e Loic Meillard. 
Lucas nasceu em Oslo, é filho de mãe brasileira e tem 25 anos de idade. A sua dupla nacionalidade brasilo-norueguesa permitiu-lhe representar o Brasil e ser o primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha olímpica nos Jogos de Inverno (na mesma prova o português Emeric Guerillot foi o 38º classificado).
Quando da subida ao pódio para receber a sua medalha de ouro, o medalhado Lucas Pinheiro não aguentou a sua euforia e deu um salto de satisfação, pouco habitual nestas cerimónias mas muito compreensível, tendo essa fotografia ilustrado a edição d’O Estado de S. Paulo, mas também de outros jornais brasileiros e estrangeiros. Essa fotografia vai certamente figurar na galeria das mais expressivas fotografias dos Jogos Milão-Cortina 2026.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

A escolha de 2025 da World Press Photo

O prémio de Fotografia do Ano da 68ª edição do concurso World Press Photo foi ontem atribuído em Amesterdão à imagem de um menino palestiniano de nove anos de idade que perdeu os dois braços durante um ataque aéreo israelita na Faixa de Gaza. O menino chama-se Mahmoud Ajjour e a imagem foi captada pela fotógrafa palestiniana Samar Abu Elouf e foi publicada pelo jornal The New York Times.
O concurso reconhece e celebra anualmente o melhor fotojornalismo do ano anterior, através da apreciação de um júri independente, depois das avaliações feitas em Janeiro e Fevereiro pelos júris regionais. Este ano o júri final escolheu 42 vencedores em várias categorias entre as 59.320 candidaturas de 3.778 fotojornalistas de 141 países.
No actual cenário político e mediático, a imagem escolhida como a Fotografia do Ano convida aqueles que a observam a pensar para além da rotina do ciclo noticioso, cada vez mais influenciado pela desinformação, pela manipulação e pelo poder dos grandes interesses. Por isso, a escolha feita pela World Press Photo é também um grito de alerta para o que se está a passar na Palestina, perante o silêncio e até a cumplicidade de muitos países, designadamente da União Europeia, mas também de muitos mass media.
Numa busca feita por algumas centenas de jornais mundiais, só encontramos a Fotografia do Ano distinguida na primeira página do jornal irlandês Irish Examiner e do jornal dinamarquês Politiken, a demonstrar como a causa palestiniana tem sido subalternizada pelo mundo, o que tem permitido as atrocidades que os israelitas continuam a fazer.

sábado, 28 de dezembro de 2024

A catastrófica “riada” de Valência de 2024

No passado dia 29 de Outubro o território da Comunidade Valenciana, sobretudo os arredores de Valência e a própria cidade, foram atingidas por um violento temporal com uma pluviosidade extrema e, em apenas oito horas, choveu o equivalente a um ano, dando origem a inundações que se revelaram catastróficas. Em 69 municípios da comunidade, a água e a lama inundaram as casas e as ruas, destruíram infraestruturas e arrastaram centenas de viaturas, provocando ainda 225 mortes e um número ainda indeterminado de desaparecidos.
Em 1957 tinha acontecido a Gran Riada de Valencia, que também foi catastrófica e provocou muitas mortes, levando o governo do general Franco a avançar com um megaprojecto denominado Proyeto Sur, que “retirou” o leito do rio Turia do centro da cidade, o que agora se revelou importante pois poupou o centro urbano dos efeitos das inundações e das enxurradas de lamas.
Toda a gente atribuíu a catástrofe ao efeito das alterações climáticas. Porém, a construção de edifícios, autoestradas e outras infraestruturas nos arredores da cidade, muitas vezes sem qualquer planeamento e sob o efeito da especulação imibiliária, contribuíram para a impermeabilização de extensas áreas urbanas, o que agravou a situação de calamidade, pois as águas pluviais não foram retidas pelos solos.
Cerca de dois meses depois o diário Las Provincias que se publica em Valência, evoca na sua edição de hoje a catástrofe de Outubro e publica uma impressionante fotografia de centenas de automóveis destruídos pelo temporal, escolhendo como título “um tsumani de sucata”.
A imagem é impressionante e aqui está como, muitas vezes, uma imagem vale mais que mil palavras.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Uma espectacular fotografia de Paris 2024

À margem dos desempenhos desportivos e da luta pelas medalhas, os Jogos Olímpicos também são uma “quase-competição” pela captura das melhores fotografias, na qual “participam” centenas de fotojornalistas do mundo inteiro.
Um deles é Jerôme Brouillet, um fotojornalista francês da Agence France-Presse, que ontem em Teahupo’o, na ilha do Taiti da Polinésia Francesa, se encontrava a bordo de uma pequena embarcação para fotografar as provas de surf olímpico, tendo-se posicionado nas proximidades do “tubo” provocado pela rebentação da onda, por onde os surfistas iriam passar, a fim de fotografar a sua “saída do tubo”.
Quando o surfista brasileiro Gabriel Medina “surfou” uma das maiores ondas do dia, teve a sensação que lhe correra muito bem e “saíu” em linha recta acima das ondas, manifestando exuberante satisfação pela sua prestação. Jerôme Brouillet “estava lá” e fez a fotografia desse instante em que Gabriel Medina “saía” de um “tubo” que lhe rendeu 9,90 pontos, a maior pontuação da história do surf olímpico, apontando um dedo para o céu, com a prancha ao seu lado que, por acaso, também apontava para o céu.
A fotografia de “um surfista a voar” correu mundo, já foi considerada a “foto perfeita” e um grupo de comunicação australiano escreveu que era “a melhor foto de desporto de todos os tempos”.
A foto de Jerôme Brouillet foi publicada na primeira página do jornal O Globo, mas como celebrava Gabriel Medina, também foi publicada por toda a imprensa brasileira de referência. Ainda faltam duas semanas para o fim dos Jogos Olímpicos, mas já há quem diga que esta é a mais icónica de todas as que vierem a ser feitas.

quarta-feira, 6 de março de 2024

A festa da vitória e o beijo mais famoso

A edição de hoje do jornal New York Post deixa para segundo plano a Super Terça-feira eleitoral americana e dedica a sua manchete ao famoso beijo de 14 de agosto de 1945. Nesse dia, quando se festejava com entusiasmo a rendição final do Japão, o fotógrafo Alfred Eisenstaedt da Time & Life fez uma fotografia na Times Square em Nova Iorque, que mostra o marinheiro George Mendonsa a beijar a enfermeira Greta Zimmer. 
Esta fotografia tornou-se um ícone da vitória americana sobre o Japão, até que na passada semana, a senhora Rima Ann Nelson, subsecretária de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos, declarou aquela famosa foto "inapropriada" porque o beijo não foi consensual e determinou que essa fotografia fosse “imediatamente” removida de todas as instalações do Veteran Affairs. Felizmente para o bom senso, o secretário de Assuntos dos Veteranos, Denis R. McDonough, reverteu a decisão da sua subsecretária.
A história deste beijo é muito curiosa e aparece relatada no New York Post. O marinheiro George Mendonsa tinha 23 anos de idade e acabara de regressar das Filipinas. Encontrou-se com a sua namorada Rita Petry de 20 anos de idade e, juntos, foram juntar-se aos milhares de pessoas que festejavam o fim da guerra em Manhattan. Quando chegaram a Times Square, o George viu a enfermeira Greta Zimmer e, por momentos, deixou a Rita e agarrou-se àquela enfermeira num emocionado beijo, lembrando-se das enfermeiras que vira a retirar das águas do Pacífico algumas centenas de tripulantes do USS Bunker Hill, que fora afundado por dois kamikases japoneses.
O marinheiro George Mendonsa casou-se com a Rita Petry e a sua filha Sharon Molleur, agora com 67 anos de idade, revelou que os pais vieram a ser amigos próximos de Greta Zimmer. Esta é a história que hoje nos conta o jornal e que aqui se reproduz, numa love story bem ao estilo americano.

sábado, 4 de novembro de 2023

Invernias e tempestades: elas aí estão!

A costa ocidental da Europa foi afectada esta semana pela tempestade Ciarán, que foi classificada como “uma das mais mortíferas dos últimos anos a atingir o continente”, com ventos que atingiram os 200 quilómetros por hora e que provocaram forte agitação marítima, o que afectou o tráfego marítimo e obrigou ao encerramento de vários portos. Diversos países reportaram situações de chuva e neve intensas, que perturbaram os movimentos aeroportuários, a circulação ferroviária, o fornecimento de energia eléctrica e, de uma forma geral, a vida quotidiana das pessoas. Registaram-se inundações, queda de árvores e houve o registo de, pelo menos, 16 mortes em vários países.
A imprensa espanhola, francesa e inglesa deu notícia desta tempestade e ilustrou várias das suas edições com as imagens, sempre espectaculares, da agitação marítima e dos seus efeitos. As costas basca e cantábrica, na orla sul do golfo da Biscaia, foram particularmente afectadas e a fotografia da capa do jornal El Correo, que se publica em Bilbao, é apenas um exemplo da fúria das ondas. Em Portugal, que não estava no centro da depressão, o mais grave acontecimento provocado pela tempestade Ciarán, foi o naufrágio de um veleiro dinamarquês ao largo de Peniche, no qual pereceram quatro pessoas. Porém, o que é de ter em conta é que o tempo das invernias e das tempestades está de volta...

sábado, 21 de outubro de 2023

Os ventos ciclónicos e as ondas gigantes

A depressão Aline passou por Portugal e durante dois dias e meio fez alguns estragos, mas não causou vítimas nem desalojados, limitando-se a chuva intensa, inundações e algumas quedas de árvores, mais uns tantos voos cancelados. Segundo foi divulgado pelos serviços de protecção civil registaram-se 3470 ocorrências, o que nos deixa a pensar que cabe tudo no conceito de ocorrência, isto é, o que ocorre e o que não ocorre. Alguns responsáveis políticos, com o autarca Moedas à cabeça, aproveitaram a oportunidade e agarraram-se à Aline para aparecerem e serem vistos nas televisões.
Entretanto, a Aline deslocou-se para Espanha onde também causou o mesmo tipo de estragos por todo o país, com a cidade de Madrid a bater o recorde de chuva num só dia, pois caíram 100,1 litros de água por metro quadrado.
A agitação marítima foi muito intensa, sobretudo na orla da baía da Biscaia, como hoje salientou a edição do jornal El Diario Montañés que se publica em Santander, ao anunciar que o vento registou uma velocidade de 107 quilómetros por hora e que, no mar, as ondas atingiram 20 metros de altura. Em contraste com a imprensa que está envolvida no conflito do Médio Oriente, o jornal decidiu publicar uma pacífica fotografia alusiva aos efeitos da depressão Aline no mar da costa da Cantábria, mostrando que o fotojornalismo existe.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Fotografias felizes que são notícia

Os meios de comunicação social tradicionais – imprensa, rádio e televisão – concorrem entre si para conquistar leitores, ouvintes ou telespectadores. Para fazerem melhor jornalismo e terem a preferência do público, esses meios, ou mass media, apostam nas “notícias exclusivas”, nas “notícias em primeira mão” e nas "imagens únicas", até porque no âmbito da rivalidade que sustentam entre si e da própria concorrência comercial, cada um deles pretende chegar, relatar ou mostrar antes do seu concorrente. Por isso, mesmo quando reportam o mesmo acontecimento, cada um dos mass media procura utilizar manchetes e imagens diferentes dos seus concorrentes, para chamar a atenção, suscitar o interesse e levar à vontade de aquisição. Portanto, não é habitual que dois jornais publiquem exactamente a mesma fotografia para ilustrar a capa das suas edições e, quando acontece, é interpretado como um sinal de menor qualidade do jornal e dos seus profissionais.
Hoje acontece que a generalidade dos jornais ingleses publica exactamente a mesma fotografia, mas não é da crise na Rússia, nem da guerra da Ucrânia, nem dos incêndios do Canadá, ou até da crise no NHS, que parece ser bem pior do que a do nosso SNS. A fotografia que hoje "toda a Inglaterra viu", foi captada durante uma partida de cricket, quando um manifestante do grupo activista ambiental Just Stop Oil invadiu o campo e foi bloqueado por Jonny Bairstow, uma das mais famosas estrelas inglesas do cricket, que simplesmente o pegou pela cintura e o levou para fora do campo. Essa mesma fotografia, aliás excelente exemplo de fotojornalismo, ilustrou as capas do jornal The Times, mas também dos jornais The Guardian, The Daily Telegraph, The Independent e The Daily Express.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

A tempestade Eunice e uma bela fotografia

A passagem da tempestade Eunice pelo noroeste europeu traduziu-se em algumas mortes e muitas destruições em vários países, devido aos ventos que chegaram a atingir quase 200 quilómetros por hora, às chuvas torrenciais, à forte agitação marítima e às ondas gigantes que afectaram a sua orla costeira. As Ilhas Britânicas, devido aos seus condicionalismos geográficos, foram severamente afectadas e o jornal Daily Express classificou a tempestade como “the storm of the century”, enquanto um jornal espanhol escrevia que foi “la peor tormenta en décadas y causa el caos en Europa”. Na ilha de Wight, a sul de Southampton, pode ter sido registada a rajada de vento mais violenta alguma vez registada na Inglaterra: 196 quilómetros por hora. Mais de 400 mil pessoas ficaram sem electricidade na área de Londres e a cobertura da O2 Arena, a maior sala de espectáculos da capital britânica, foi levada pelo vento. Muitas árvores caíram, os aeroportos foram encerrados e milhões de pessoas foram aconselhadas a ficar em casa.
Na sua edição de hoje o jornal The Guardian também destaca a Eunice como a pior tempestade acontecida em décadas na Inglaterra e publica uma espectacular fotografia captada em Porthcawl, nas proximidades da cidade de Cardiff, em South Wales, a mostrar que apesar das destruições causadas pela tempestade, é possível captar fotografias excepcionais.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A fúria do mar proporciona belas imagens

As ilhas Britânicas foram afectadas nos últimos dias pela depressão Barra, uma tempestade que trouxe ventos fortes, chuvas muito intensas e neve, sobretudo na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e na Escócia. Foram registadas rajadas de vento superiores a cem quilómetros por hora, alguns aeroportos foram encerrados, as condições das estradas tornaram-se difíceis e perigosas, houve quedas de árvores, muitas inundações e cortes de energia. Muitas destas regiões, nomeadamente a Escócia, acordaram cobertas de neve. A depressão Barra também atingiu Portugal embora com muito menor intensidade, quer no arquipélago dos Açores, quer nos distritos do norte do Continente onde, segundo revelaram algumas notícias, se verificaram 15 quedas de árvores e 15 inundações.
No caso da Irlanda do Norte, o jornal Belfast Telegraph noticiou os efeitos da tempestade Barra e da destruição que provocou, tendo escolhido para a sua capa uma excelente fotografia do mar a rebentar sobre uma avenida marginal da cidade de Belfast, a demonstrar que o mar, quando está furioso proporciona belas imagens. Além disso, esta imagem é um bom exemplo do que é o fotojornalismo, uma coisa que por cá raramente se pratica.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Navegando no estreito de Magalhães


O centenário jornal chileno El Mercúrio que se publica na cidade de Santiago ilustrou a sua edição de hoje com uma expressiva fotografia da parte média do estreito de Magalhães, em que se destaca o cabo Froward, o ponto mais meridional do continente sul-americano, por onde passou em Novembro de 1520 a frota de Fernão de Magalhães, durante a sua viagem para as ilhas Molucas, que veio a transformar-se na primeira viagem de circum-navegação.
A justificação do jornal para publicar esta fotografia foi a passagem pelo estreito de Magalhães do moderno porta-helicópteros americano USS Tripoli (LHA-7), que é um Landing Helicopter Assault ou navio de assalto anfíbio. 
O navio entrou ao serviço da Marinha americana no passado dia 15 de Julho, tem 240 metros de comprimento, desloca 45 mil toneladas e tem uma guarnição base de 65 oficiais e 994 sargentos e praças, podendo alojar 1687 fuzileiros. Nesta sua primeira viagem o navio atravessou o estreito de Leste para Oeste e dirigiu-se para a sua base na Califórnia, tendo realizado alguns exercícios com o navio-patrulha chileno Marinero Fuentealba de 81 metros de comprimento e 1772 toneladas de deslocamento. O novo navio americano tem todas as modernas ajudas à navegação, mas certamente que a companhia do Marinero Fuentealba lhe foi muito útil, até porque a parte ocidental do estreito é mesmo estreita e registou tantos naufrágios que até está institucionalizada uma rota turística conhecida por Rota dos Naufrágios, que mostra aos turistas os restos dos navios que por ali se perderam. O que não há dúvidas é que a paisagem marítima do local é imponente e nos evoca um facto relevante da história da Humanidade.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Itália começou a reagir à crise pandémica

Durante algumas semanas a Itália esteve nas primeiras páginas dos jornais mundiais como a grande vítima da crise pandémica que tem sido a covid-19 e, apesar de depois terem surgido outros países com uma alargada contaminação - casos dos Estados Unidos, do Brasil, da Rússia, do Reino Unido e da Espanha - o facto é que os últimos números divulgados pela Itália ainda apontam para mais de 230 mil pessoas infectadas e cerca de 33 mil óbitos.
A Itália terá sido o primeiro país europeu onde apareceu o covid-19, quando no dia 23 de Janeiro foram detectados em Roma dois turistas chineses que testaram positivo. O governo italiano suspendeu todos os voos de e para a China e ficou na expectativa, até porque era o primeiro país da União Europeia a confrontar-se com este problema que era novo. Porém, no dia 19 de Fevereiro, mais de 40 mil adeptos da Atalanta de Bérgamo deslocaram-se a Milão para assistir a um jogo de futebol com o Valência a contar para a Liga dos Campeões. Este jogo foi considerado uma bomba biológica e terá dado origem a uma multiplicação dos contágios, pelo que no dia 21 de Fevereiro o governo italiano declarou a quarentena obrigatória.
Passaram cerca de três meses muito difíceis, mas a situação parece estar agora controlada, embora a dimensão da crise social e económica seja incalculável. Por isso, as medidas de desconfinamento estão a ser aceleradas, mas porque é necessário elevar a confiança e a moral dos italianos e ajudá-los a vencer o trauma por que estão a passar, foi organizado um programa em que a Frecce Tricolori, uma equipa de demonstração e de exibição acrobática da Força Aérea Italiana se apresentará sobre as principais cidades do país. Ontem foi no norte da Itália e os nove jactos da Frecce Tricolori exibiram-se sobre algumas cidades, designadamente Trento, Codogno, Milão, Turim e Aosta. Todos os grandes jornais italianos e até um jornal brasileiro, deram destaque de fotográfico de primeira página a este acontecimento, tendo o jornal romano La Repubblica publicado uma excelente fotografia da Frecce Tricolori sobre a catedral de Milão.

domingo, 19 de janeiro de 2020

A saída de navios para o mar… é notícia

O jornal The San Diego Union-Tribune destacou na sua edição de hoje uma fotografia do super porta-aviões de propulsão nuclear USS Theodore Roosevelt  (CVN-71), largando do porto de San Diego para o Pacífico ocidental.
Este super navio de 117 mil toneladas de deslocamento e 332,8 metros de comprimento tem a sua base em San Diego e vai partir para uma comissão de sete meses no Pacífico ocidental, levando consigo um grupo de ataque constituído por seis navios de superfície e cerca de noventa aeronaves embarcadas. A bordo destas unidades estarão cerca de seis mil homens e mulheres.
Este movimento faz parte da rotina operacional da Marinha dos Estados Unidos e o USS Theodore Roosevelt  vai integrar-se no United States Indo-Pacific Command (USINDOPACOM), que é o mais antigo e maior dos comandos de combate unificados, responsável por todas as operações militares americanas numa área equivalente a 52% da superfície da Terra. Para além da bela imagem que mostra o navio a sair de San Diego - que é um excelente exemplo de fotojornalismo - o interessante desta notícia é apenas o contraste entre os destaques que a imprensa dá às missões das suas Marinhas de Guerra: na imprensa americana é destacada a missão de um navio que larga para uma comissão de sete meses do outro lado do Pacífico, mas na imprensa portuguesa não consta que qualquer missão naval seja notícia, mesmo quando um navio larga para uma volta ao mundo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Anúncios de mau tempo na Grã-Bretanha

Apesar do possível vendaval que se aproxima das ilhas Britânicas trazido pelo Brexit, a imprensa britânica não tem tratado desse assunto e vem dando um enorme destaque à recente decisão do príncipe Harry e da sua mulher Meghan Markle, que anunciaram pretender deixar de ser membros séniores da Família Real, passar a ter uma vida normal e a dividir o seu tempo entre a América do Norte e o Reino Unido. Segundo parece, esta decisão do jovem casal está relacionada com o excessivo escrutínio a que está sujeito, tal como a generalidade da Família Real, bem como à forma como os media britânicos tratam os seus comportamentos, recorrendo frequentemente ao sensacionalismo e à mentira.
Na tradição inglesa este caso é sério e a Rainha tratou de convocar uma reunião de emergência que foi chamada a "Sandringham summit", na qual participou o príncipe Carlos, que é o herdeiro da Coroa, bem como os seus dois filhos William e Harry. Através de um comunicado, a Rainha afirmou apoiar a vontade de Harry e de Meghan e de ter ficado acordado um período de transição, pois há muita coisa para acertar em termos de direitos e obrigações.
Porém, alguns periódicos britânicos, como hoje faz o The Independent, preferem seguir uma prátical editorial britânica e publicar fotografias do mau tempo, em vez de falar do Boris, do Harry, da Meghan e de outros figurões, até porque não parecem trazer bom tempo às Ilhas Britânicas. 
A fotografia mostra a fúria do mar ontem em Porthcawl, uma localidade situada a sul de Gales, onde o vento atingiu 90 mph, isto é, cerca de 160 km/hora. É um bom exemplo de fotojornalismo.

terça-feira, 5 de março de 2019

Grandes tempestades, grandes fotografias

Apenas a 24 dias da anunciada data da saída da União Europeia, processo a que foi chamado Brexit, tudo continua confuso nas ilhas Britânicas e ninguém sabe se há ou não há saída, se há adiamento ou não adiamento dessa saída, se há acordo ou não há acordo para a saída, ou até se há um segundo referendo para saber se ainda querem ou já não querem a saída.
Theresa May embrulhou-se completamente com o Brexit e, tanto ela como o seu rival Jeremy Corbyn, estão calados porque já não sabem o que fazer e já não sabem se têm seguidores fiéis. Entretanto, os dias passam. Parece uma tempestade perfeita que se anuncia e, agora, até Theresa May está a ser acusada de subornar aliados e adversários políticos para que estes ajudem a aprovação de uma nova proposta de acordo do Brexit que vai ser votada no dia 12 de Março.
No meio desta confusão política, o jornal The Times optou por destacar na sua edição de ontem um tema consensual e publicou uma elucidativa imagem a quatro colunas alusiva à passagem da tempestade Freya pelo sul das ilhas Britânicas, com ventos de mais de 120 km por hora, o que obrigou a muitos cuidados por parte da população.
O jornal publicou uma fotografia do mar a saltar o cais da vila de Porthcawl, na costa sul do País de Gales, intitulando-a de wave power. É um bom exemplo de fotojornalismo, uma área em que os jornais britânicos são exemplares.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A Super Lua inspira a arte fotográfica

Ontem a Lua esteve em fase de Lua cheia e foi possível observá-la maior e mais brilhante do que é habitual porque, dizem os astrónomos, o astro nestas situações aparenta ser 14% maior e 30% mais brilhante do que a habitual Lua cheia. Assim, a gíria chama a esta situação a Super Lua, uma vez que a Lua cheia está centrada no perigeu e no seu ponto mais próximo da Terra, apesar de estar a cerca de 256.761 quilómetros de distância do nosso planeta.
Milhões de pessoas em todo o mundo observaram o fenómeno que, em Lisboa, foi bem visível. Muitos milhares de fotógrafos, profissionais ou amadores, foram atraídos por este fenómeno e captaram a fotografia da luminosa Lua nos mais diversos e imaginativos enquadramentos estéticos.
Uma pesquisa no google oferece-nos dezenas de belas imagens em que podemos observar o brilho daquele círculo enquadrado por monumentos, edifícios, paisagens, aviões e outros elementos bem curiosos. Alguns jornais internacionais trataram de publicar essas interessantes fotografias nas capas das suas edições. Aqui destacamos o La Vanguardia de Barcelona, que publica uma fotografia da estátua de Cristóvão Colombo nas famosas Las Ramblas (com uma atrevida gaivota pousada na cabeça do navegador), que contrasta com o imponente brilho da Super Lua.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A Super Lua fotografada em Burgos

Esta semana a Lua esteve na sua fase de lua cheia, ao mesmo tempo que ocorria um eclipse total e que a sua órbita estava no perigeu, isto é, no seu ponto mais próximo da Terra. Estas três circunstâncias raramente ocorrem em simultâneo.
A lua cheia e o perigeu dão origem à chamada Super Lua, que pode aparecer 14% maior e 30% mais brilhante do que é habitual. Por outro lado, o mês de Janeiro teve duas luas cheias, o que não é habitual acontecer, sendo costume chamar-se Lua Azul à segunda lua cheia do mês.
Significa que, na passada quarta-feira tivemos Super Lua, Lua Azul e, devido ao eclipse, até tivemos uma lua de cor avermelhada, embora o eclipse não tenha sido visível em Portugal.
Aqui em Lisboa, nem a Imprensa, nem o Observatório Astronómico de Lisboa, alertaram para o acontecimento e pouca gente terá olhado para a Lua, até porque o eclipse não foi visível.
A imprensa internacional deu notícia deste fenómeno, sobretudo nos Estados Unidos, onde os fotógrafos aproveitaram a oportunidade para fazer prova de vida.
Aqui ao lado, na Comunidade Autónoma de Castela e Leão, o Diário de Burgos chamou a este fenómeno um espectáculo celestial e aproveitou para publicar uma sugestiva fotografia da famosa catedral da cidade a enquadrar a Super Lua.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Os temporais nas costas asturianas

A frente atlântica da costa ocidental da Europa é muito exposta aos temporais trazidos pela circulação geral da atmosfera, sobretudo nas costas das ilhas Britânicas, no golfo da Biscaia e na faixa ocidental da península Ibérica.
Daí resulta que, nos meses de inverno, ocorram ondulações muito fortes e ondas muito alterosas que, ao embaterem nas costas mais escarpadas originam grande rebentação. Essas situações da meteorologia marítima são sempre um desafio para a imaginação dos amantes da fotografia, mas também para a imprensa, porque muitas redacções requerem aos seus fotojornalistas as imagens sempre belas do combate entre o mar e a rocha, o que significa que continuam a seguir, e bem, o velho princípio de que uma imagem vale mais do que mil palavras. Ontem, a costa asturiana esteve sob o efeito de vento e ondulação muito fortes que, em alguns casos, superou os nove metros.
Alguns jornais mantém a tradição de publicar esse tipo de fotografias para ilustrar as suas edições e para informar os seus leitores. Assim aconteceu com o diário asturiano La Voz de Avilés que hoje publicou na sua primeira página uma fotografia captada na costa de Luarca, já próximo da Galiza, em que se observa a rebentação do mar e cuja legenda é um aviso para os homens do mar asturianos: “Asturias en alerta por oleaje”. Por isso, há que ser muito prudente antes de ir para o mar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A super-Lua de que os americanos gostam

Aconteceu ontem que o nosso satélite natural esteve, em simultâneo, em fase de Lua Cheia e no ponto da sua órbita mais próximo da Terra, o chamado perigeu, isto é, a uma distância de 357.492 quilómetros. A coincidência dessas duas situações não é frequente mas suscita muita curiosidade porque a Lua aparenta ser maior do que o habitual, sobretudo quando está próxima do horizonte, mas essa impressão é apenas uma ilusão de óptica.
O fenómeno é conhecido como a super-Lua. As super-Luas não são um fenómeno inédito, podendo acontecer várias vezes por ano e, muito proximamente, nos dias 1 e 31 de Janeiro de 2018, voltarão a acontecer e a Lua aparecerá na esfera celeste e parecerá ser 14% maior e 30% mais brilhante, segundo informam os observatórios astronómicos.
O acontecimento é muito apreciado pelos profissionais e pelos curiosos da fotografia e, embora tivesse sido possível observá-lo em todo o mundo, parece que só os grandes jornais americanos não se dispensaram da publicação de uma fotografia da super-Lua. Assim aconteceu com o The Wall Street Journal, mas também com o The Washigton Post e o USA Today, por exemplo, que nas suas edições de hoje publicaram na sua primeira página uma fotografia da Lua a transitar em Washington sobre o Capitólio. O interesse destes jornais pela super-Lua reflecte apenas o interesse dos seus leitores, isto é, os americanos gostam como ninguém da super-Lua.