sábado, 10 de outubro de 2026

As escolhas eleitorais do Brasil - II

A reviravolta na política brasileira parece estar a caminho de acontecer, como ficou evidenciado na primeira volta das eleições gerais realizadas no dia 4 de outubro, em que a direita e a extrema-direita conseguiram a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, mas também o maior número de governadores nos 26 estados e, mais decisivo ainda, tiveram o seu candidato presidencial como o mais votado, embora tenha que disputar uma segunda volta. 
Essa segunda volta vai realizar-se no próximo dia 25 de outubro e de acordo com os primeiros resultados divulgados pela Datafolha, o mais credível instituto de pesquisa brasileiro, o candidato Flávio Bolsonaro recolhe 52% das intenções de voto, enquanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva se fica pelos 48% de votos, conforme anunciou hoje o jornal O Povo que se publica na cidade de Fortaleza e que é o mais antigo diário do estado do Ceará.
A diferença que se verifica entre os dois candidatos encontra-se dentro das margens estatísticas de erro na pesquisa efetuada e, por isso, ainda não é certa a derrota do atual presidente, nem a vitória do filho de Jair Bolsonaro. Faltam quinze dias para a votação e, conforme tem mostrado a televisão, as duas candidaturas estão na rua com muito entusiasmo. 
Porém, os brasileiros e em especial a juventude brasileira, têm pela frente o dever de apoiar o legado do presidente Lula da Silva e a sua luta contra a pobreza e contra a fome, bem como a sua firme recuperação da dignidade e do prestígio internacional do Brasil e, de forma simétrica, têm a obrigação de rejeitar o caciquismo bolsonarista, a sua ignorância, a sua boçalidade e a sua subordinação ao autoritarismo narcisista de Donald Trump e, evidentemente, combater o regresso do Brasil à condição de satélite norte-americano. 
Os brasileiros saberão escolher, mas o seu futuro vai ser muito turbulento.

Prémio Nobel da Paz para quem a defende

Todos os anos, nos primeiros dias de outubro, gera-se um ambiente de alguma ansiedade nos meios científicos e culturais em torno da atribuição dos Prémios Nobel, que foram instituídos em 1895 pelo cientista sueco Alfred Nobel e que distinguem pessoas ou instituições que pesquisaram, descobriram ou contribuíram para o “maior benefício da Humanidade”. 
Os prémios são estabelecidos em seis categorias – Física, Química, Economia, Medicina, Literatura e Paz – sendo atribuídos pela Academia Real das Ciências da Suécia e outras instituições suecas, embora o Prémio Nobel da Paz seja concedido pelo Comité Norueguês do Nobel. Por circunstâncias diversas, a escolha dos laureados com os Prémios Nobel da Literatura e da Paz é a que desperta mais interesse e maiores expectativas.
O Prémio Nobel da Paz de 2026 foi ontem atribuído a Navanethem "Navi" Pillay, uma jurista sul-africana de origem indiana de 85 anos de idade, que foi juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, Alta-comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, presidente de uma comissão de inquérito da ONU que concluiu que as autoridades israelitas são responsáveis por crimes contra a Humanidade na Faixa de Gaza e que, actualmente, é juíza no Tribunal Internacional de Justiça, no caso em que Myanmar é acusado de genocídio. A notícia ocupou a primeira página do jornal The Japan Times, mas parece não ter interessado a generalidade da imprensa internacional, o que não admira.
O Comité Norueguês do Nobel descreveu a laureada como uma pessoa de "coragem e integridade excepcionais", com "firme compasso moral" ao longo da sua carreira, que "abriu caminho para uma ordem jurídica global mais abrangente" e "desempenhou um papel fundamental para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio são processados". As mensagens de elogio à escolha e de felicitações à escolhida chegaram de todo o mundo, excepto de Israel e dos Estados Unidos, com o jornal italiano Corriere della Sera a escolher como manchete da sua edição de hoje a significativa frase "Nobel, l'ira de Israele e Usa".
Donald Trump, meteu a viola no saco mais uma vez e, à sua maneira vingativa, poucas horas depois do anúncio oficial da decisão tratou de retaliar, impondo sanções ao Tribunal Penal Internacional, enquanto Marco Rúbio, o seu ajudante e promotor de vendas de aviões, ameaçou que os Estados Unidos “acabarão com o TPI”.
O Prémio Nobel da Paz ficou com quem a defende e não é para quem a perturba.