terça-feira, 24 de março de 2026

A grave agressão em curso contra o Irão

A guerra que está em curso no Médio Oriente contra o Irão e o seu regime é mais um caso em que a força se sobrepõe a todos os princípios do direito internacional e das regras de convívio entre as nações. Israel e os seus amigos americanos, ou os Estados Unidos e os seus amigos israelitas, decidiram agredir um país soberano com falsos pretextos, sobretudo em relação ao seu programa nuclear. Já com o Iraque de Saddam Hussein aconteceu algo de semelhante e o mundo não ficou melhor.
Mais uma vez a informação a que temos acesso através da imprensa, da televisão e da internet está formatada num só sentido, isto é, não se denuncia a agressão nem os agressores, mas critica-se o agredido apenas porque se defende e usa as armas de que dispõe. O massacre desinformativo interno e internacional a que nos sujeitam é tão intenso que muita gente fica condicionada e esquece não só os crimes cometidos pelo regime de Netanyahu contra os palestinianos, mas também este desvario do presidente Trump e a agressão americano-israelita contra o Irão.
Estamos na era da desinformação e as narrativas construídas para servir determinados objectivos ocupam completamente os espaços noticiosos e a cognição dos seres humanos, condicionando-os e manipulando-os, como se o interesse dos poderosos fosse a verdade. No conflito da Ucrânia, aqueles que criticam a Europa por ter sido parte no conflito em vez de ser moderadora, são “amigos de Putin”; no conflito do Irão, aqueles que criticam a agressão desencadeada durante a negociação são “amigos dos aiatólas”. É este o caminho de falsidades que o mundo está a fazer, nesta nova era da pós-verdade e das fake news.
No entanto, ainda há jornais que se destacam, como mostra a edição de hoje do jornal argelino Le Quotidien d’Oran que, sem hesitações, chama agressão à injustificada ofensiva da parelha Netanyahu-Trump.   

Angola evoca a batalha de Cuito Cuanavale

Ontem, dia 23 de março, celebrou-se o Dia da Libertação da África Austral, uma data que está associada à histórica batalha do Cuito Cuanavale, considerada um marco decisivo na luta contra o regime sul-africano do apartheid, na consolidação da independência da Namíbia e até na libertação de Nelson Mandela.
Desde que se tornou independente em 1975 que Angola viveu em guerra civil, sobretudo entre as forças do exército angolano (FAPLA) e as tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que ocupava o sudoeste de Angola e tinha a sua base na Jamba do Cuando. Em 1987 o governo angolano decidiu retomar o controlo dessa região e, entre os dias 15 de novembro de 1987 e 23 de março de 1988, ocorreu uma grande batalha na extinta província angolana do Cuando-Cubango que opôs as FAPLA e as tropas cubanas às tropas do exército sul-africano e da UNITA, sendo considerada uma das maiores batalhas no terreno do século XX. Foi uma dura e prolongada batalha com o envolvimento de milhares de soldados angolanos, cubanos, sul-africanos, namibianos e outros, com trincheiras, barricadas, artilharia, carros de combate e helicópteros. O sucesso militar foi reclamado por ambos os contendores, mas o facto é que os angolanos conseguiram expulsar os sul-africanos do seu território.
Em dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA assinaram um acordo em Nova Iorque que levou à possibilidade da implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A batalha de Cuito Cuanavale foi o maior confronto militar da guerra civil angolana e alterou profundamente o panorama político e o futuro da África Austral. Na sua edição de ontem o Jornal de Angola recordou essa página da história de Angola.