domingo, 17 de maio de 2026

Reino Unido parece arrependido do Brexit

O jornal The Independent, mas também outros jornais londrinos, anunciam hoje que os rivais do primeiro-ministro Keir Starmer e, em especial, o deputado Wesley Paul William Streeting que se vem apresentando como candidato a ocupar o gabinete do nº 6 de Downing Street, declararam que o Brexit foi um erro e que o Reino Unido deve voltar a olhar para a União Europeia como um destino e não apenas como uma vizinhança. Significa que, antes de serem anunciadas eleições antecipadas no Partido Trabalhista, já Wes Streeting veio dizer que quer ser primeiro-ministro e levar o Reino Unido de volta à União Europeia.
Isto acontece num tempo em que a situação britânica é muito complexa, sobretudo depois do país ter escolhido o Brexit em 2016 e ter abandonado a União Europeia em 2020. Desde então, ao primeiro-ministro David Cameron sucederam Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e Keir Starmer. Quando há muitos primeiros-ministros significa que há muitas mais clientelas a servir. Depois, à crise política junta-se a crise económica, mais a inflação, mais a imigração e, ainda, os graves problemas do National Health Service (NHS). O Reino Unido já não é o que era e ameaça afundar-se. Alguém escreveu que “os adversários de Starmer estão apenas a rearrumar as suas cadeiras no convés do Titanic” e, na sua mais recente edição, a prestigiada revista The Economist escolheu como manchete a pergunta: Is Britain ungovernable?
Infelizmente, muitos dos problemas britânicos também são comuns à generalidade dos países europeus, parecendo confirmar o declínio que muita gente anuncia no nosso velho continente. Porém, o Reino Unido faz falta à União Europeia e à ideia de Europa e, juntos, talvez possam remar melhor contra a maré.

R.I.P. João Abel Manta

Com 98 anos de idade faleceu João Abel Manta, um nome maior do panorama cultural português, com atividades artísticas tão diversificadas como a arquitetura e a pintura, o desenho e a cerâmica, a ilustração e o azulejo, além do cartoon, que foi a área que o tornou mais conhecido do público.
Ao longo da sua vida foi um cidadão que lutou pela Liberdade e pela Democracia, antes e depois do 25 de Abril de 1974, tendo participado no MUD Juvenil e sido preso pela PIDE em 1948, mas também nas campanhas contra a Ditadura do Estado Novo.
Começou a sua atividade profissional na arquitetura, mas depressa passou para as artes plásticas, em que entre outros trabalhos se destacou o seu painel de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian, em Lisboa, concebido em 1970 e aplicado em 1982. Depois, ainda antes e depois do 25 de Abril, publicou regularmente durante alguns anos os seus cartoons em jornais de grande tiragem como o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, O Jornal e o Jornal de Letras, sempre com uma abordagem crítica, inteligente e irónica sobre a situação política e social portuguesa e sobre o regime de Salazar. Do cartoon passou para a pintura onde também realizou uma obra notável, vindo a receber diversos prémios nacionais e internacionais de reconhecimento pela sua obra. 
Foi, inquestionavelmente, um homem do 25 de Abril, o “ilustrador da liberdade” ou o “artista da revolução”, com uma importância simbólica nas Artes Plásticas semelhante à que tiveram Zeca Afonso na Música, Manuel Alegre na Poesia, ou Salgueiro Maia na coragem com que ocupou o Largo do Carmo.
Aqui lhe prestamos a nossa homenagem, com a reprodução de Um problema difícil, o cartoon em que retratou a admiração do mundo sobre o que se passava em Portugal em 1975.

Um problema difícil