O jornal The
Independent, mas também outros jornais londrinos, anunciam hoje que os
rivais do primeiro-ministro Keir Starmer e, em especial, o deputado Wesley Paul
William Streeting que se vem apresentando como candidato a ocupar o gabinete do
nº 6 de Downing Street, declararam que o Brexit foi um erro e que o Reino Unido
deve voltar a olhar para a União Europeia como um destino e não apenas como uma
vizinhança. Significa que, antes de serem anunciadas eleições antecipadas no Partido
Trabalhista, já Wes Streeting veio dizer que quer ser primeiro-ministro e levar
o Reino Unido de volta à União Europeia.
Isto acontece num
tempo em que a situação britânica é muito complexa, sobretudo depois do país
ter escolhido o Brexit em 2016 e ter abandonado a União Europeia em 2020. Desde
então, ao primeiro-ministro David Cameron sucederam Theresa May, Boris Johnson,
Liz Truss, Rishi Sunak e Keir Starmer. Quando há muitos primeiros-ministros significa
que há muitas mais clientelas a servir. Depois, à crise política junta-se a
crise económica, mais a inflação, mais a imigração e, ainda, os graves
problemas do National Health Service (NHS). O Reino Unido já não é o que era e
ameaça afundar-se. Alguém escreveu que “os adversários de Starmer estão apenas
a rearrumar as suas cadeiras no convés do Titanic” e, na sua mais recente
edição, a prestigiada revista The
Economist escolheu como manchete a pergunta: Is Britain ungovernable?
Infelizmente,
muitos dos problemas britânicos também são comuns à generalidade dos países
europeus, parecendo confirmar o declínio que muita gente anuncia no nosso velho continente. Porém, o Reino Unido faz falta à União Europeia e à
ideia de Europa e, juntos, talvez possam remar melhor contra a maré.

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